sexta-feira, 4 de abril de 2025

O ESQUECIDO

Chega o Ciclo, provavelmente, o último. Eis um novo cenário. a peça teatral é a mesma, o protagonista, idem. E começamos, inevitavelmente, a gritar em silêncio, a manifestar-se em desacordo, o contraditório, (sutil) da frieza humana. E nas últimas três décadas o aumento (inacreditável?) de "pet shops"... E Saramago? Me salve, por favor! Da vida ávida, insossa, sem sabor: indolor, a física dor e moralmente sentimos tropeços lancinantes; dores na alma... Vai passar? E daí? Apenas, cinzas, névoas, neblinas e fascinação pelo insólito? Sigo assim, o mineiro-menino, moço-velho... Agora? Sem iusões, utopias e muito menos o sonho de consumo do "Santuário dos Pássaros"... Nesse "Ciclo", perdi os círculos rosacruzes, maçônicos, católicos, kardecistas, daimistas etc. Resta o olhar vago e o andar lento e trôpego. Minhas três referências? Foram enterradas e seus túmulos? Não visitados pelo velho andarilho da "florestrela": Pai Fabião, mãe Adília e o meu padrinho literário, "meu velho guru",meu melhor amigo, fráter cósmico Paulo Nunes Batista. Os três fazem tanta falta ao Planeta blue e, especialmente, ao meu coração. O fator trino, minha trilogia desfeita no que restou de mim. Um homem fragmentado. Machucado em suas próprias feridas e armadilhas promovidas pelo "si mesmo", Silêncio e Aurora e o meu Crepúsculo (minha página crepuscular), inauditas vozes silentes... E por quê sofremos? E tanto medo? E receio e incuráveis dúvidas. Não obstante, a vastidão de experiências e conhecimentos! De empresário editorial, dono de revista e jornal; eis-me aqui: operário industrial. Aposentei-me de mim? E por que tanto desapego antes da reta final? Concordo com o vale de lágrimas da poeta Adélia Prado, um misto de São Francisco de Assis (um dos maiores representantes de Cristo Jesus) e, por fim, santa Teresa de Calcutá: "O que importa não é entre você e o povo mas, entre você e Deus - O Altíssimo. Me apego. Apago? Oro. Choro. E lembro há tanto tempo de meus devaneios com Hórus - o filho de Ísis e Osires, meu Egito de Luzes e sombras na história humana; greco-romana. Eu me recordo mais da fazenda "Aldeia de Cima" que me basta. Paracatu? Já superei. Quando colaborei com a criação fundação da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas... Fui usado até ao ponto em que, com o passar dos anos, não fui mais útil. Ainda que, ocupei a cadeira número 2, acadêmico empossado em 20 de outubro de 1997, um dia antes de papai ir para o Plano Infinito. Drummond? Fez bem em não aceitar o convite! Guimarães Rosa? Aceitou! E três dias depois, estava morto! Senhores acadêmicos medíocres e hipócritas: não há imortalidade. Nesse sentido, e sem academicismo espúrio, deixei um legado: a publicação do meu livro de autoajuda e meu único best seller, encontrável em todo o país, mormente nas Capitais, "Ventos Fortes, Raízes Profundas", Madras Editora, São Paulo, capital. Agora? A tela branca e as letras escuras em meu notebook, ouvindo Debussy. Avoé, São João da Cruz e a sua inquietante "Noite Escura da Alma", transformada em música pela notável Loreenna, de descendência celta. A noite chega. E amanhã eu trabalho. Labor? Lembro Rimbaud. Sonhos azuis? Pouco provável. Sonhando com a minha trilogia "mágica", já é um enorme ganho insólito e inigualável. Um prêmio inesperado da "mega" da virada. Seres na Luz compõem a minha sinfonia do inefável! Gratidão a Adília Santana, Fabião Couto e Paulo Nunes Batista. Protagonistas. Sei que eu também tenho o direito de embarcar na Nave-Mãe, eternamente anonymmous e coadjuvante. (Escritor/ jornalista/filósofo Eugenio Santana, FRC)