segunda-feira, 16 de julho de 2018

QUEM É MACAPÁ? (*)

Voltei para a "CIVILIZAÇÃO" via GOL e fui embora, definitivamente, DO INFERNO VERDE: LUGAR PRECÁRIO, SEM SANEAMENTO BÁSICO, PESSOAS EGOCÊNTRICAS, CRUÉIS, VIOLENTAS, CRIMINOSAS, ATUAM NO MERCADO DE JORNALISMO SEM REGISTRO NO MTE SEM POSSUIR DIPLOMA DE FORMAÇÃO ACADÊMICA; INTERESSEIRAS, FRIAS E CALCULISTAS. MISTURA INSENSATA DE NEGRO, ÍNDIO E PARAENSE: MACAPÁ. Capital do Amapá. Estado em que você só se locomove de barco ou Avião. Dívida: me devem 18 mil reais. Se eu recorresse à Justiça do Trabalho, certamente teriam me matado por meio dos Pistoleiros locais ou componentes do BOP. Amapá, NUNCA MAIS! NEM O SARNEY CONSERTA AQUILO LÁ! Único ser normal, sábio, intelectual, viajado e educado é o Sr. ZELITO - gestor da TV e Rádio Equatorial. E ponto. E pronto. (*) EUGENIO COUTO é escritor, jornalista investigativo - Registro 01319 MTE/FENAJ. Autor de Nove livros publicados. email: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp (41) 9547-0100

quinta-feira, 12 de julho de 2018

EU SÓ AMO MEUS FILHOS LIVROS; OS BIOLÓGICOS? SÃO ATOS FALHOS! (*)

Quem escreve nunca sabe o que leva as pessoas a chegar aos seus livros. Por vezes é uma recomendação, outras vezes é um acaso, uma oferta, quem sabe? Mais importante do que o que as pessoas procuram nos meus livros é o que encontram. Espero que encontrem algumas “formas de pensar”. Os meus livros são livros de autoajuda, por isso têm demasiadas respostas. Mas estão cheios de perguntas que têm de ser feitas, de modo a que se encontrem as soluções. Parece-me que isto ajuda os leitores a enfrentarem os seus problemas. Será bom para eles, como foi bom para mim enfrentar estas perguntas que hoje compartilho. Embora tenha possivelmente começado a escrever com a intenção de levar algum consolo ou ajuda a outros, acredito que, em última instância, acabei por ser eu o mais ajudado com aquilo que escrevi.
(Escritor/Jornalista EUGENIO SANTANA)

sábado, 7 de julho de 2018

INCONCEBÍVEL E INACEITÁVEL CRUELDADE HUMANA (*)

Quando o escritor português José Saramago afirmou que os animais podem ser selvagens, mas que apenas o homem é cruel, ele estava chamando a atenção para um fato bastante inquietante, que subverte profundamente a imagem que temos de nós mesmos. Ele estava dizendo, da maneira mais clara e assustadora possível, que a crueldade é um fenômeno humano (e não animal). Uma afirmação que, sem dúvida alguma, põe em jogo duas certezas bastante arraigadas em nós: a de que o excesso de agressividade está relacionado à nossa herança selvagem e a de que a razão fez do homem um ser realmente superior. De fato, do ponto de vista moral e ético, a ruptura que o homem fez com a vida natural não parece ter feito dele um ser melhor. É claro que se pode alegar que somos superiores exatamente porque somos os únicos animais capazes de desenvolver uma moral e uma ética, mas isto também não depõe muito em nosso favor, já que também somos os únicos a realmente precisar delas, já que os animais vivem integrados à natureza e nunca transgridem as suas leis. Sim, é exatamente isto: é porque os homens transgridem suas próprias leis e, sobretudo, é porque a nossa espécie é a única capaz de cometer atos bárbaros por prazer ou descaso com a dor alheia (como diz Saramago, um animal jamais tortura ou humilha o outro), que precisamos de leis que regulem a vida em sociedade. Sem dúvida, a justiça é uma necessidade, mas exatamente porque nós, os ditos “animais racionais”, ainda não aprendemos a respeitar a existência alheia. Sem dúvida, vendo à distância o mundo humano, com tanta desigualdade, miséria, guerras, exploração e escravidão (humana e animal), é difícil acreditar que somos realmente seres racionais, compassivos e sensíveis. E, no entanto, apesar de tudo, é isto o que somos, pelo menos, potencialmente (eis porque, quando a razão e a sensibilidade se aliam no homem, ele é capaz de produzir uma existência verdadeiramente bela e ética). No entanto, o problema é que, na prática, o homem se comporta sempre aquém das suas potencialidades e aí, sim, cabe-nos perguntar por que o homem pode tanto e atinge tão pouco? Decerto, alguns responderiam: “ele não pode: isto é uma falácia!” Outros, por sua vez, diriam: “ele pode, basta querer!” Pois tanto os primeiros quantos os segundos se equivocam: os primeiros estão mergulhados no pessimismo que, certamente, tem sua origem (até certo ponto justa) numa visão clara do que tem sido a vida humana; já os segundos são otimistas demais, acreditando que a vontade é livre o suficiente para escolher. Os dois erram, porque, de fato, o homem pode mais, mas seus valores o dirigem de tal maneira que é preciso, primeiramente, que ele se liberte de seus antigos grilhões, ou seja, que se liberte dos conceitos e das ideias que o tornam prisioneiro das circunstâncias, que o tornam passivo e resignado diante de um mundo que ele não acredita poder mudar. Aqui entramos no cerne da questão: as sociedades se estruturaram, desde os seus primórdios, de modo a beneficiar alguns em prol de outros (eis porque, desde o início, os homens escravizam outros homens e também os animais). Esta é a origem da exploração e das desigualdades. É assim que nos acostumamos, desde cedo, a usufruir de outras vidas, aprendendo a fechar os olhos para a crueldade e para a tirania, como se elas fossem naturais em nós, quando, de fato, elas expressam o adoecimento da nossa espécie. Sim, a inversão do pensamento começa aqui: não somos primeiramente seres selvagens e maldosos que se aculturam e se tornam sublimes. Como um animal dentre outros, nós possuímos censores naturais que nos impedem de ultrapassar certos limites; mas, em sociedade, somos criados para obedecer regras inventadas pelos próprios homens e é aqui que tudo se complica e se confunde. Afinal, é a própria sociedade que nos ensina o descaso com a dor alheia, dos homens e dos animais. E, assim, como todos os demais, acabamos ou explorando os outros diretamente, e sem culpa, ou usufruindo, também sem culpa, dos benefícios da exploração. Afinal, temos o consentimento da própria sociedade para sermos pequenos tiranos. Existe, de fato, uma razão perversa para que os homens sejam mantidos de olhos fechados. É que é preciso que eles continuem na escuridão e na servidão dos valores para que a desigualdade, a exploração, a escravidão, continuem existindo. Este é o maior de todos os atavismos humanos: aprendemos a nos beneficiar dos outros, aprendemos a ser, na verdade, imorais, antiéticos. É a nossa moral que tem sido, há milênios, uma falácia. Triste condição a nossa: somos vítimas de nossa própria inteligência superior. Na ânsia de fazermos parte do mundo, de nos integrarmos ao nosso meio social, apertamos ainda mais os nossos grilhões, tornamo-nos escravos e, ao mesmo tempo, agentes de nossa própria servidão. Servidão voluntária e até mesmo desejada, porque é mais fácil viver como todos os demais do que abrir os olhos e tomar nas mãos a própria vida. De fato, é difícil mudar… mas andar também é e, no entanto, basta darmos os primeiros passos que os outros se seguem facilmente. Quase tudo no homem é hábito, é aprendizado. Por isto, a educação é tão fundamental e, mais ainda, uma educação que se volte para produzir um homem verdadeiramente superior, moral e eticamente falando. No fundo, por mais polêmica que pareça esta afirmação, o que resiste em nós de mais sublime é exatamente o nosso instinto mais elementar, que nos sopra aos “ouvidos” que agimos mal o tempo inteiro. É nossa saudável razão natural (como diria Nietzsche) que nos alerta, e não o que homem tem chamado de moral. Na verdade, não é nossa animalidade que precisa ser extirpada; é nossa falsa humanidade.Sem dúvida, somos animais incríveis, somos os criadores dos mais belos conceitos e valores, mas também somos facilmente corrompidos pela ambição, pela ganância, pela vaidade e, para atingir nossas metas ilusórias de felicidade, usufruímos de outras vidas sem qualquer pudor. Com relação aos animais, esta realidade é ainda mais terrível, porque quase ninguém considera a sua dor, o seu sofrimento. É assim que milhões de vidas são brutalizadas, humilhadas, mortas todos os dias, sem qualquer piedade. É por isto que, mesmo quando somos vítimas, somos também responsáveis pela crueldade que nos atinge. Afinal, a crueldade, mais do que a racionalidade, tem sido o principal atributo do homem. Eis uma verdade dolorosa, mas que é preciso encarar se desejamos mudar o que precisa ser mudado. Na verdade, o homem não tem sido, nem de longe, o animal superior que julga ser. Falando agora mais diretamente sobre a origem da crueldade humana, cito o grande historiador das religiões Mircea Eliade, que nos revelou algo de muito valioso em sua monumental obra “História das crenças e das ideias religiosas” (algo que endossa o que dizemos aqui a respeito do aspecto “contra-natura” da crueldade): o homem, inicialmente, não matava (nem mesmo para comer). Isto quer dizer que não somos originalmente nem carnívoros nem onívoros, e esta é uma informação que a ciência não deveria nos sonegar. Aliás, segundo as pesquisas de Eliade, toda a história posterior do homem é marcada exatamente por esta decisão que ele tomou no início dos tempos: a decisão de “matar para sobreviver”. Não vamos entrar na questão propriamente dita, falar da religião, que, segundo Eliade, está na base desta cruel decisão. Precisamos apenas entender que o homem tornou-se, de fato, o senhor da natureza, mas não por ser um animal divino ou por ser dotado de um espírito enquanto os outros seres vivos são corpos vazios; ele se tornou senhor da natureza porque tiranizou a vida, todas as vidas, inclusive a de sua própria espécie. Sem dúvida, esta primeira violação da nossa natureza não poderia deixar de causar marcas indeléveis no homem e, assim, não parece nada equivocado concluir que este primeiro ato de barbárie deu origem a todos os demais. Afinal, o que poderia se esperar de um ser que age contra sua própria natureza? Ele só poderia adoecer, enlouquecer. Não é isto, afinal, que Nietzsche diz dos homens: que somos animais adoecidos, que perdemos nossa “saudável razão natural”? Nós nos perdemos de nós mesmos e nunca mais conseguimos nos encontrar. É isto que explica esta espera ensandecida por alguém que nos salve, que nos tire do fundo do abismo, quando, na verdade, bastaria apenas que olhássemos sem medo para dentro de nós mesmos. Sim, somos o que aprendemos, mas por baixo de todas as ideias, crenças, conceitos, existe um animal desesperado que clama por liberdade e por uma vida mais digna. A felicidade não está nos bens que se obtém no mundo, menos ainda nos que se obtém à custa da exploração e do sofrimento alheio; a felicidade está em ser pleno, forte e capaz de viver sem macular a si e aos outros. Isto, sim, chama-se respeito ao outro; não o que tem sido ensinado. O homem inverteu a lógica da vida e assim produziu um mundo assentado na dor e no sofrimento. Sim, a vida tem dores e sofrimentos, já dizia Schopenhauer, mas o homem conseguiu multiplicá-las ao infinito. Não é a natureza que é cruel; somos nós: é isto que o homem se nega a ver. E ele vive tão imerso na dor e no sofrimento que chega mesmo a sentir-se atraído por eles; a se compor com eles, a lhes fazer elogios e a morbidamente saudá-los como inerentes à sua natureza. No entanto, a verdade é que, desde a infância, somos insensibilizados, adestrados para não reagir, para não sentir em demasia (nem amor, nem dor, nem compaixão, absolutamente nada… Descartes, de fato, confundiu as coisas: os homens é que se tornaram “máquinas sem alma”). Dito de outro modo: os sentimentos são em nós, desde cedo, aprisionados, dilacerados, considerados perigosos. Não se costuma dizer que a própria paixão é um perigo? Sim, o perigo da paixão é que ela pode nos desviar dos deveres que nos foram impostos pelo mundo; deveres aos quais aprendemos a obedecer como autômatos, mesmo quando eles nos rebaixam como seres humanos. Dito de modo mais claro: somos escravos de um mundo que nós mesmos construímos (e cada um põe um tijolo nesta construção enquanto não desperta deste longo torpor, deste anestesiamento moral que subverte nossa natureza e nos rouba a liberdade de sermos aquilo que somos: seres verdadeiramente humanos). É assim que todo homem permanece preso num círculo vicioso, aparentemente insolúvel, até que comece a dizer “não” para a crueldade, seja ela dirigida aos outros homens ou aos outros animais (certamente, as maiores vítimas deste mundo). É um caminho árduo, sem dúvida, mas como poderia ser barato o preço da liberdade e da plenitude humana depois de tanta inversão de sentimentos e ideias? Este é o verdadeiro começo: o primeiro “não” é sempre mais difícil, mas, depois do primeiro, outros se seguirão, e a cada “não” a nossa força aumenta, porque ela é proporcional ao nível da nossa libertação. Este é o maior legado que podemos deixar para as próximas gerações: libertar todas as vidas. Aliás, esta já é a condição para que as novas gerações sejam possíveis, porque a natureza não tolera mais a tirania humana. Ou fazemos algo agora ou é a natureza que seguirá sem nós: isto é um fato. Porque gostando ou não da ideia, não é a natureza que precisa do homem, somos nós que dependemos da natureza. Nós somos partes dela, e não o contrário. É por isto que libertar os animais é também libertar o animal humano da sua doença; é dar a ele uma nova possibilidade de existência que seja mais bela, mais ética, mais verdadeiramente racional. Não é sem razão que Nietzsche dizia que era preciso inventar novos valores para um novo homem. Ele não chegou a pensar tão profundamente na questão dos animais; mas ele sabia que um novo homem seria aquele que recuperaria o sentido da terra e da vida. Se ele afirmou que fizemos da mentira uma verdade, isto não quer dizer que não existam verdades simplesmente, que tudo “tanto faz”. Esta interpretação já tem sua origem na nossa inversão das coisas e é bem-vinda num mundo que busca argumentos para manter-se como é. Mas nem o capitalismo, nem o comunismo, nem qualquer outro sistema será justo enquanto não formos seres verdadeiramente éticos. Nós criamos as verdades que nos interessam. São mentiras: Nietzsche tem razão. Está na hora de “inventarmos” a verdade, ou melhor, está na hora de deixarmos que ela se mostre sem mais véus e dissimulações. “Da verdade mesmo, ninguém nunca quis saber”, também estas são palavras de Nietzsche. Mas, disto, falamos depois… (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, assessor de comunicação, escritor, crítico literário, publicitário, editor, palestrante motivacional. Autor de nove livros publicados. Pertence a 18 instituições culturais do Brasil e Portugal.

quarta-feira, 4 de julho de 2018

AZUL: O ESPELHO DO MAR E DO CÉU

Azul profundo. As linhas esbranquiçadas da espuma contrastavam com o denso mar, imponente e tranquilo ao mesmo tempo. O sol se despedia do horizonte, pouco ainda se via deste enquanto era tragado pela água. Algumas rochas ao fundo se rebelavam contra as ondas e formavam um forte natural contra qualquer monopólio de poder ou arrogância – algo a se pensar, talvez todos precisássemos das rochas nos recordando sobre os limites da ingênua ilusão por trás do sonho de supremacia. Um acordar como o do vento, que impulsiona a maré. Tons alaranjados e raios rosados acompanhavam o distanciamento do sol enquanto outro azul profundo – ora competindo ora em sinergia com o oceano – surgia na paisagem cada vez mais reflexivo. Algumas estrelas já eram visíveis e o velho homem sentado em sua varanda apenas aguardava o domínio da noite. Dizem que uma vida não é feita de períodos totalmente felizes, mas de instantes prósperos frente a desventuras, igual à fênix: imortal pelo fato – um tanto paradoxal – de morrer e ter a oportunidade de renascer de suas cinzas. Triste não ter dado tanto valor ao que tinha como agora. Por que agora? Agora não é tarde demais? Será que nós viveríamos de outra maneira se hoje fosse o único dia da existência? Claro! Contudo, quem sabe o segredo da vida seja exatamente não pensarmos assim. Se aquele velho homem percebesse todos os dias o que tinha nas mãos, talvez algum momento como aquele se perdesse. Talvez o sonho de grandeza devesse preceder a humildade. Quem sabe a experiência do mais velho não coubesse mesmo no espírito do mais jovem. E se essa fosse a engrenagem do mundo, viver conforme seu tempo? Aquele instante representava esperança, ele precisa de momentos para pensar em tudo e aqueles em que nada passava em sua mente. Ele amou alguém, porém ainda precisava de horas sozinho. Ele tinha a paisagem, mas não podia usá-la como uma de suas ideias, no momento que quisesse, deveria surgir como uma inspiração acima de tudo, além do controle e do planejamento. Não foi assim que ele imaginou estar hoje observando o céu, o mar e qualquer sinal de vida ao seu redor. Ele não queria estar sozinho; ao mesmo tempo, ele não mudaria um passo sequer de sua trajetória. Aquela era a palheta de cores mais perfeita, mais linda. Ele nunca reparava, sua esposa é quem falava sobre a beleza do que estava à frente. Era com ela que ele queria estar hoje. Não deu, não foi o que ele planejou. Por anos sozinho, mas jamais abandonado. O amor não abandona e nem sua esposa o abandonou. Ela não teve culpa, acho que ninguém teve, a vida é assim, não pede licença, somente acontece e traz reviravoltas para destituir as certezas vigentes. A esposa não está mais aqui, ele está. Mas hoje é diferente de todos os dias, ele tem certeza que é o último dia. Por quê? Porque nada está do formato que planejou, nada nem próximo do que ele já considerou. Mesmo assim, é lindo aos seus olhos. “E se ela não estiver mais aqui? Ela vai estar, obviamente. Eu vou primeiro”. Aquele homem não gostou nada de sua premissa ser a primeira promessa quebrada, como se, ao falar seus planos, a vida fosse acatar de bom grado instantaneamente. "Estaremos com nossas filhas... Nossos netos!”, não foi bem assim, eles tinham que estar em outro lugar e nunca pareceu tão certo, nem nos sonhos. “Não me importa se for um hospital, um asilo, a rua...”. Para ele, não fazia diferença mesmo, entretanto valeu a pena mudar de direção. Naquela casa, não. Naquela casa, sim. A casa que eles construíram, que eles arrumaram, a casa deles, a vista mais linda. Parecia que ela estava ali, sentada ao lado dele, descrevendo cada luz, cada nuance a mais que surgia aos olhos. Não era ele pensando, era ela, ou, quem sabe, fosse mesmo ele, uma versão mais conectada com um universo absurdamente mais longínquo do que a humanidade já considerou. Não era para ser ali, daquele jeito, naquele dia. Não era, mas foi, ainda bem. De todos os livros, de todos os autores, aquele fim soou melhor e o tom de surpresa – que o homem tanto odiava – foi um detalhe hoje insubstituível. Quando planejaria aquela reflexão, aquele segundo precioso intransferível e impensável? A luz não podia ser pensada, apenas existir e ascender. Uma vida inteira repleta de histórias, aprendizados, orgulho e amor; nada disso se esvairia com o ar como arquitetava. Não acabaria assim. Seria improvável dissipar essas conquistas exatamente por serem imaterializáveis. “Será que eu errei em tudo? Não. Acertei bastante e, tão importante quanto, hoje vou me orgulhar dos erros que me trouxeram a este lugar neste instante”. Talvez ele pudesse ter feito mais, ter feito outras coisas... Que os próximos façam. Não é essa a roda da vida? Sempre teremos do que nos arrepender e contraditoriamente continuaremos errando. Se não fosse dessa forma, seria presumível uma perda total do sentido de estarmos aqui. Aprender o quê, afinal? “Se tudo acontecesse como eu queria... O elogiável é não ter ocorrido, agora eu entendo”. E a noite já havia caído, o olhar se fixou no azul mais denso, que se transformava rapidamente em negro. Uma noite negra, linda, nem um pouco planejada por ele. As estrelas cintilavam e a lua aparecia timidamente ao fundo. As ondas estavam mais revoltas e as pedras aumentavam a altivez. “Eu era importante para os outros, na minha cabeça. Antes. Agora, sou importante para a vida, para mim, mas não diferente das estrelas, da lua ou do sol, que desapareceu mesmo que alguém se opusesse. O segredo é que eles sempre voltam, mesmo que somente na lembrança de uma pessoa que notou que havia algo lá. É assim que vou terminar meus dias, com uma inédita e, a partir de hoje, indispensável crença na imprescindibilidade de a humanidade persistir, graças e apesar de eu ter vindo”. “Sei que Deus e o universo (ou o que quiser acreditar) podem me amar, porque sou capaz de retribuir tal sentimento. Com o olhar de Ulisses e o de Penélope sobre o mar excentricamente calmo enquanto revolto, percebo que cumpri minha missão e, triste pelo fim, sinto-me certo de estar em casa, que valeu a pena vir”. Antes de cerrar os olhos, ele pôde ver a vista mais linda. Desviando a visão do mar, esbelto por natureza, o velho homem encontrou porta-retratos com toda a sua família, com sua esposa. As lembranças inundaram a varanda, uma profunda paz o cercou, maior em extensão e profundidade do que um oceano, era AMOR. E ele pôde fechar os olhos sabendo que, de todas as cores, de todos os tons, de todos os azuis que o mar e o céu pudessem espelhar, aquela era a paisagem mais linda do mundo. (*) Copydesk/Fragment By EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, redator publicitário, revisor de texto e palestrante motivacional. Nove livros publicados. Membro da Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal; sócio da ACI - Associação Catarinense de Imprensa e da UBE/SC - União Brasileira de Escritores. email: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp (41) 99547-0100

terça-feira, 3 de julho de 2018

LAPA É UM MUNICÍPIO BRASILEIRO DO ESTADO DO PARANÁ (*)

Localiza-se a 25º46'11" de latitude sul e 49º42'57" de longitude oeste, a uma altitude de 908 metros. Sua população em 2010 era de 44 936 habitantes, já em 2016 a estimativa era de 47 814 habitantes. Panteão dos Heróis, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa. Antigo canhão exposto em frente ao Panteão dos Heróis. Casa da Água - Unidade da Sanepar no município. Teatro São João inaugurado em 1876, um dos mais antigos do Paraná. Museu Histórico Municipal, antiga casa do médico João Cândido Ferreira onde morreu o Coronel Gomes Carneiro. Localizada na Praça Joaquim Lacerda e construída em 1888, a Casa da Memória é um espaço popularmente conhecido como "Casa dos Cavalinhos". Casa construída pela família Resende por volta de 1880. Aqui nasceu Ney Amintas de Barros Braga. Hoje o espaço é usado como um memorial. A exploração da erva-mate e a atividade tropeira fizeram parte das atividades econômicas de sua história. Atualmente, apesar de ser um município mais diversificado em sua base econômica, traz consigo, devido ao seu passado histórico, o turismo, que mostra a beleza existente em seu Patrimônio Histórico e Cultural. Sua primeira denominação foi de freguesia de Santo Antônio da Lapa, sob a jurisdição da vila de Curitiba em 1797. Em 1806 devido ao rápido crescimento do povoado tornou-se a Vila Nova do Príncipe. Após algumas mudanças de jurisdição, finalmente, em 7 de março de 1872 a Vila Nova do Príncipe, desmembrada da Vila Rio Negro, foi elevada a categoria de cidade com a denominação de Lapa. Os habitantes naturais do município da Lapa são denominados lapeanos. Está localizada na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, mais precisamente na microrregião do mesmo nome, estando a uma distância de 62 km da capital do estado, Curitiba. Possui uma área de 2093,859 km². É rica em turismo histórico, cultural e religioso, como a famosa Gruta do Monge, e é o maior produtor de fruta de caroço do estado. Seu comércio subsiste com dificuldade devido à sua indústria incipiente, carentes de novos investimentos para geração de emprego e renda. A Lapa é uma cidade tranquila. Possui boa infraestrutura de saneamento básico, escolas (inclusive de nível superior), transporte, saúde e lazer. O município é conhecido historicamente por ter ocorrido nos arredores da cidade o famoso Cerco da Lapa. Em 1894, houve um sangrento confronto que envolveu pica-paus e maragatos, contrários à dependência do Rio Grande do Sul como uma unidade federativa dentro do Brasil. Nesse fato histórico tombou em combate o General Gomes Carneiro. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, redator publicitário, revisor de texto e palestrante motivacional. Nove livros publicados. Membro da Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal; sócio da ACI - Associação Catarinense de Imprensa e da UBE/SC - União Brasileira de Escritores. email: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp (41) 99547-0100

quinta-feira, 28 de junho de 2018

O QUE EU OFEREÇO A VOCÊ?

Você já passou os outros, já chegou a Presidente? É pouco: até aí hão de chegar e irão ainda mais longe. Eu sou aquele que vai com a noite silente e crescente, e invoco a terra e o oceano que a noite levemente leva pela metade. Aperte mais, noite de dorso nu! Aperte mais, noite que nutre o próprio mistério. Noite dos ventos do sul. Vivências de Florianópolis... noite de ínfimas flores-estrelas. Noite cálida que me acena com seus olhos imensos - alucinada noite nua de um verão de 1999. Sorria, ó terra cheia de volúpia, de hálito gelado e sofreguidão. Terra das árvores líquidas e impassíveis. Terra em que o sol se põe longe, terra dos montes cobertos de névoa e neblina, em Cristalina. Terra do vítreo gotejar da lua cheia apenas tinta de azul escuro, indescritível. Terra do brilho e sombrio encontro nas enchentes do rio São Francisco. Terra do cinzento brilho das nuvens de chumbo. Lembranças de Barcelona. Terra que faz a curva bem distante, rica terra de pessegueiros em flor. Sorria: a sua amada vem chegando. Pródiga e voluptuosa, amor você tem dado a mim: o que eu ofereço a você, portanto, é amor - inominável e escaldante amor no êxtase de corpos famintos. (Escritor/jornalista EUGENIO SANTANA)

quarta-feira, 20 de junho de 2018

FLORES E ESTRELAS (*)

Flores, flor, estrelas, estrela, vida, morte, reencarnação. Alguém desce na carne, de passagem; outro sobe, para fora dela, de partida. E as flores continuam a desabrochar, independentemente de quem desce ou sobe. No Céu, as estrelas brilham; na Terra, as flores desabrocham. Quem sobe, aprende a ver as estrelas. Quem desce, precisa aprender a ver as flores. Entre as estrelas e as flores, o que rola é a vida. E quem vive, precisa aprender a ler o coração, seja o de carne ou o de luz. Mas o bom mesmo é unir as estrelas com as flores, no olhar de quem vê a Mãe em tudo. Ela, a criadora das estrelas, das flores, dos espíritos, dos homens, do mundo, do Astral e de tudo. Ela, que faz a magia da vida acontecer no pulsar de cada coração, da Terra ou do Astral. Ela, que conhece a saudade de cada um e que permite o intercâmbio da gente das estrelas com a gente das flores. “Ninguém morre! O Astral não é lá nem cá; é no coração de cada um, seja o de carne ou o de luz. É no amor que cada um sente. É na vida que cada um leva. É no sentir aquele algo a mais, sutil, que diz muita coisa sem palavra alguma; que revela o invisível das estrelas nas flores; que une os espíritos lá de cima com os homens aqui de baixo, nessa grande magia da vida, que pulsa em todos os planos. Essa magia da Mãe, que se chama eternidade. Essa magia, com corpo ou sem corpo: a “VIDA”! (Copydesk/fragment by Eugenio Santana, FRC - Escritor e jornalista; Místico Iluminati Rosacruz)

quarta-feira, 13 de junho de 2018

VASTOS UNI/VERSOS DO ROCK AND ROLL (*)

Naquela tarde fiquei por horas admirando a estupenda imensidão. Por vezes permaneci imaginando o motivo de ainda não fazer parte dela. E num lampejo de não-lucidez, quando estava a mercê da minha loucura, me transportei em pensamentos. Foi quando me vi dentro de um céu particular, onde não havia sinos e anjos. Aquele era um "espaço celestial de rock and roll", onde os meus ídolos, aqueles que ainda impulsionavam o meu coração, me convidaram à juntar-se a Eles. Apesar de feliz e honrado pela insólita oportunidade, senti um desconforto. Mas envolto numa coragem que estava adormecida, sentei-me ao lado Deles. E por pouco não sucumbi. Eles, por outro lado, conseguiram sentir a minha ansiedade, e ficaram tão nervosos quanto eu. Nos observamos por minutos a fio, numa análise profunda, intensa. E, por fim, o silêncio foi rompido e o gelo quebrado, Renato falou: — É a verdade o que assusta, o descaso que condena, a estupidez o que destrói. — Fiquei embasbacado com suas palavras, mas, no fundo, sabia que elas faziam sentido. A verdade sempre me assustava, levando-me a negligência que me condenava a tomar atitudes idiotas e autodestrutivas. Mas alguns resultados não era de todo mal e, sem hesitar, quebrei o mal-estar. — Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena acreditar, ou que os seus planos nunca vão dar certo, ou que você nunca vai ser alguém... — rebati com parte de uma de suas letras. Ele encarou-me de forma curiosa, deixando-me desconfiado. Por um instante pensei que Renato replicaria, contudo ele apenas aproximou-se e abraçou-me com carinho e anímica ternura. — Quando se aprende a amar, o mundo passa a ser seu — disse ele, voltando a sentar-se no lugar de antes. Compreendi a mensagem e me senti em paz. Apesar da minha estranha e obscura singularidade, eu sabia amar. Continuei ao lado Deles, ainda inseguro. E antes de dizer algo, ouvi outra voz conhecida. — Acho que ser natural e sincero é o que realmente importa — disse Fred, esboçando um sorriso carregado de autenticidade. E novamente senti-me em paz. Apesar de estar envolto em conflitos internos, ainda prezava por sinceridade e naturalidade. E sem medir as palavras, fitei seus expressivos olhos. — É tão real esse sentimento de faz de conta. We are the champions, my friends — exprimi, encarando -o. Todos sorriram, como se compreendessem a minha resposta. Por um ínfimo e mágico instante continuamos em silêncio, apenas nos observando, mutuamente. — Cry baby, cry baby... — Janis disse, aproximando-se. Não consegui controlar as lágrimas que desciam pelo meu rosto desfigurado, por conta do mistério da agradável surpresa. E por tempo indeterminado chorei o refrão da sua canção. — Honey, welcome back home! — respondi com o semblante molhado. Notei que todos me encararam com preocupação, foi quando Kurt se aproximou e sentou-se ao meu lado. Ele segurou a minha mão esquerda e ergueu o meu queixo, fazendo com que nossos olhos se encontrassem. — A cada dia todos nós passamos pelo céu e pelo inferno! — E jamais se esqueça dos livros de Arthur Rimbaud, que você esqueceu de ler; não se permita apagar os tesouros guardados no sótão da memória... Até que eu me despedisse, continuou a me observar. Fiquei por mais alguns minutos ao lado Deles. Eu não queria voltar, mas sabia que por lá não poderia continuar. Afinal, as "mirações" têm data de validade no Plano Cósmico... E com o coração já saudoso, abracei a todos de uma só vez e me despedi dizendo: — Obrigado pela "aula" através do Astral Superior... Paz profunda, Amor, Resiliência, Empatia. Até a próxima. Até breve. Até sempre. Namastê! (*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, redator publicitário, revisor de texto e palestrante motivacional. Nove livros publicados. Membro da Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal; sócio da ACI - Associação Catarinense de Imprensa e da UBE/SC - União Brasileira de Escritores. email: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp (41) 99547-0100

sábado, 9 de junho de 2018

A PALAVRA ALADA: INVENTAMOS OS ANJOS POR INVEJA AOS PÁSSAROS (*)

Eugenio Santana, por certo não é o Anjo de asas líquidas aqui aludido. É na verdade um jovem alado que virou homem de letras, para voar pelas altitudes do universo, confundindo-se com o azul celeste dos céus por onde sua alma inquieta e inquiridora, vaga em busca de uma paz azul, transformada em Amor. O mineiro-menino que, nas águas verdes musgo, da vereda da fazenda "Lagoa Torta", se deliciava com as travessuras dos lambaris, piaus e traíras ariscas, dormitava, já ali, seus pensamentos e reflexões, incrustrando-os em sua memória de jovem visionário, para mais tarde transbordar e explodir seus textos cortantes em pontilhadas estrelas a iluminarem o firmamento, deslumbrando a lua cheia, denotada namoradeira, amante eterna do sol que proporciona à terra, vida e energia. O mineiro-menino candeeiro, do carro de bois que, dolente, cantava sua modinha suave pelas trilhas do cerrado, fugindo aqui e ali dos paus-terra tortuosos, dos pequizeiros floridos; das coivaras deixadas pelas queimadas de agosto; - incrustava, como orquestra fosse, dentro de sua alma, a lânguida lamúria do chumaço preso aos cocões do carro, fustigando sem dó, seu eixo, provocando uma sonata de poucas notas musicais, cadenciadas pelo chouto dos pés dos muares, calcando a terra saibrosa das clareiras abertas às margens da vereda que, desaguando suas águas límpidas, transformavam aquele ambiente em palco de verdadeiras melodias inefáveis. Avoé, Guimarães Rosa! Hoje o garoto cresce, e, sob o peso de tamanha bagagem, desejou transmitir ao mundo, todo seu sentimento, vazado em textos motivacionais muito além do cerrado; das veredas; das cantigas dos carros de boi; tornou-se cosmopolita: e viajou e pesquisou e estudou: de poeta transcendental a escritor de autoajuda, romancista, biógrafo, contista, cronista, jornalista de Porto Velho a Porto Alegre. O Cidadão do mundo... por força das circunstâncias virou um autêntico selfe-made man. E, não só conseguiu, mas, também, coloriu as páginas do seu nono livro que hoje é lançado em nossa terra natal, - também de Joaquim Barbosa e Afonso Arinos de Melo Franco - com o pincel manejado pelo punho cirúrgico da asa da alma solta a voar pelo azul de nosso céu, que nessa oportunidade inesquecível e rara o abraça com o carinho e o desvelo que merece, aqui nas dependências da Academia de Letras do Noroeste de Minas, aonde ocupa, por meritocracia, a cadeira número dois, na condição de co-fundador. Concluímos nós: Vagando no xipante pela terceira margem do Rio do autoconhecimento, autorrealização, autoajuda, autoconsciência, crescimento pessoal e evolução humana, encontramos as ostras aljôfares, de cujas conchas, saltaram as mais belas pérolas, que, luzidias, enriquecem as páginas de, "VENTOS FORTES, RAÍZES PROFUNDAS", publicado por uma editora de projeção nacional - a MADRAS, de São Paulo, Capital. Razão porque, está sendo distribuído e posto à venda em todas as livrarias dos Shoppings do Brasil. Na nossa limitada crítica, pensamos: Paracatu (MG) tem muito em AGRADECER a Eugenio Santana, ao ex-Ministro presidente do STF Joaquim Barbosa, Afonso Arinos de Melo Franco, Fernando Santana Rubinger, Jorge Vargas e Nestório de Paula Ribeiro por ser a Terra Natal destes bravos guerreiros, homens obstinados, nobres, ilustres, cultos, éticos, resilientes, criativos, talentosos e íntegros. Orgulho de Minas Gerais e do Brasil! Belo Horizonte, setembro de 2016 (*) Professor Doutor OSWALDO COSTA é Bioquímico, Empresário, Escritor, Analista de Políticas; Aposentado. Mineiro de Paracatu. Atualmente, radicado em Anápolis e Belo Horizonte)

sexta-feira, 8 de junho de 2018

QUEM SÃO MEUS FILHOS? OS MEUS LIVROS PUBLICADOS

Meus livros são água; aqueles dos grandes gênios são vinho – e todos bebem água. Se pouco se ouve falar de meus livros é porque eles são companheiros de criados-mudos.Eu adormeço inclinado sobre os meus livros; eles me afagam, consolam, sussurram milhares de palavras, e o melhor, compartilham comigo os seus sonhos... Livros, não devore o resto dos meus olhos, e não enlouqueça o que resta da minha mente. Não. Eu não sou de outro planeta. Mas meus livros são. Outono quente onde escondo a minha alma na gaveta da cômoda. E os meus olhos entre os livros no cesto do nosso quarto. O poder do meu talismã são os meus livros, pois já de tantos males, os livros me livraram. Meus livros são órgãos vitais, minha música tem a coreografia que só meu cérebro sabe fazer, minhas mãos contém uma língua que dança em meio a movimentos, meus desejos me mostram que sou humano, meus pares minha singularidade, meu amor minha dádiva. Orgias de pensamentos cretinos. As músicas e os livros são os meus melhores companheiros. Para mim, a morte terá chegado quando não puder mais ler os meus livros, mesmo que vivo. Eu não preciso viajar. Para conhecer outros lugares, posso viajar nos meus livros. Eu não acredito no tipo de magia dos meus livros. Mas eu acredito que algo muito mágico pode acontecer quando você lê um bom livro. Meus amigos são poucos, meu mundo é vasto, a solidão é doce, os livros sempre foram minha melhor companhia. (Escritor/jornalista EUGENIO SANTANA, FRC)