sábado, 10 de agosto de 2019

DEPOIS DO CAOS, A TERRA E EROS NASCERAM (*)

Eros era um grande deus, um deus digno de admiração dos homens e dos outros deuses, por muitas razões, mas, sobretudo, pela sua origem. Eros tem a honra de figurar entre os deuses mais antigos e prova disso é que não tem pai nem mãe, e nenhum prosador ou poeta lhe atribuem progenitores. Hesíodo afirma que: “Primeiro foi o Caos; depois a Terra de grande seio, eterno e seguro fundamentado de todas as coisas e, depois, Eros”. Acusilau pensa como Hesíodo. Para ele, foi depois do Caos que a Terra e Eros, isto é, a Terra e o Amor, nasceram. Por outro lado, Parmênides diz o seguinte a respeito da Origem: “A Eros ela inventou como primeiro de todos os deuses”. Assim, diferentes pontos de vista concordam que o deus do amor é um dos mais antigos. Este deus tão antigo é também a causa do bem que recebemos, porque não conheço maior bem para um jovem do que amá-lo com virtude, nem para um amante do que amar um objeto virtuoso. Esse é o sentimento que deve reger toda conduta nossa, se quisermos viver honestamente. A esse sentimento, nem as genealogias, nem as honras, nem as riquezas e nem nada, podem inspirá-lo tão bem como Eros! Que entendo por amor? – As ações desonestas ligam-se à desonra, e as boas ações ligam-se ao amor. Sem essas duas coisas, nem o Estado, nem o cidadão podem realizar o bem e o belo. Ouso afirmar, que se um homem ama e for surpreendido em um delito vergonhoso, ou suporta um ultraje sem saber defender-se, sofre menos ao ser repreendido pelo pai; por um parente; ou por qualquer outra pessoa, do que por aquele a quem ama. Verificamos, também, que é diante do ser amado que se sente mais vergonha. Assim, se houvesse a possibilidade de formar um Estado ou um exército, composto somente por amantes e amados, obteríamos a constituição política insuperável, pois ninguém praticaria ações desonestas e eles se estimulariam reciprocamente para a prática das belas coisas. E quando esses homens lutassem juntos, apesar do seu reduzido número, poderiam vencer quase o mundo inteiro. Com efeito, um amante teria menos vergonha de abandonar seu posto, ou de lançar fora as armas perante o olhar de um exército inteiro, do que sob o olhar de quem ama; preferiria mil vezes morrer a sofrer tal vergonha! Quanto à possibilidade de o amante abandonar o amado durante o perigo, e negar-lhe socorro, não há homem, mesmo entre os mais covardes, que Eros não inflamasse de coragem a ponto de fazer dele um herói autêntico! Exatamente como disse Homero na Ilíada: “O deus insuflou coragem a alguns dos heróis”. É isso que Eros faz àqueles que amam. (*)EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta. Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro

EFÊMERO, EU TE SEGUIREI PELOS CAMINHOS DE LUZ (*)

Estou de partida. Breve me mudarei para a curva do teu braço. Busco a terra sem vento, a mansa terra do teu seio. E a batida surda e quente do magma mais profundo para embalar o meu sono. Busco a tranquilidade do oásis miragem. Já conheci as águas que eu preciso saber. Fui bem além das colunas de Alexandria, e há muito descobri que, por mais longe o oceano, jamais despenco. Conquistei os mares, lancei-me por entre espumas. Naveguei seguindo as estrelas do céu, contando as estrelas do mar, até chegar a portos dos quais nem suspeitava a existência. Agora é tempo de lançar meus braços à água, deixando que enlacem nos rochedos ancorando - me ao meu destino. Escolho o teu lado esquerdo , onde me beija o sol ao crepúsculo. E espero que tua mão esquerda amaine minhas velas. Assim, acima do teu coração, encosto a cabeça. E pequeno como um grão de mostarda, deito raízes e preparo asas. Aprenderei a conhecer-te através da planta dos meus pés 42, como o cego sabe onde pisa, como o índio que conhece a trilha inimaginável. (Escritor/jornalista/ensaísta EUGENIO SANTANA, FRC)

DÉJÀ VU

Muitos de nós também temos pressentimentos e intuições que depois se confirmam. Às vezes o telefone toca e, antes de atender, você sabe quem está chamando. Ou talvez tenha uma experiência do que se chama “déjà vu”: a sensação de já ter visto algo ou vivido uma situação que se repete no presente, sem que você saiba precisar quando ou onde foi. A maioria de nós já viveu esses tipos de experiência: eles são alguns dos exemplos mais simples de fenômenos sensitivos. Imagine como sua vida seria muito melhor se você pudesse confiar nesse sentido interior para fazer as escolhas certas e ter sucesso na busca de seus objetivos. A verdade é que tudo o que queremos saber já está dentro de nós e basta tomar consciência para apossar-se disso. (Jornalista/escritor/ensaísta EUGENIO SANTANA)

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O CICLO DOMINADO PELOS IDIOTAS COM DIPLOMAS (*)

Os jornalistas dizem: “Sem nós não haveria cultura!”. Os vermes dizem: “Sem nós não haveria cadáveres!”. Não ter pensamentos e ser capaz de expressá-los – eis um jornalista. Os jornalistas escrevem porque não têm nada a dizer, e têm algo a dizer porque escrevem. O pintor tem em comum com pintor de paredes o fato de sujar as mãos. Precisamente isso distingue o escritor do jornalista. Com freqüência, o historiador é apenas um jornalista voltado para o passado. O que é um historiador? Alguém que escreve muito mal para poder colaborar num jornal. Muitas vezes, a filosofia não é mais do que a coragem de entrar num labirinto. E quem se esquecer do portão de entrada, pode facilmente adquirir a reputação de pensador independente. Se lhe roubam alguma coisa, não vá à polícia, à qual isso não interessa, e também não vá ao psicólogo, a quem só interessa, no fundo, o fato de ter sido você que roubou alguma coisa. Os psicólogos são perscrutadores do vazio e farsantes da profundidade. Megalomania não é nos considerarmos mais do que somos, mas nos considerarmos aquilo que somos. Formação é aquilo que a maioria recebe, muitos passam adiante e poucos possuem. O que os professores digerem, os alunos comem. Pessoas que beberam além da conta para matar sua sede de conhecimento são uma praga social. Não devemos aprender mais do que o absolutamente necessário contra a vida. Quando chegará o tempo em que se precisará informar no recenseamento o número de abortos feitos em cada casa? O humanitarismo é uma lavadeira que torce as roupas sujas da sociedade enquanto se desfaz em lágrimas. Vivemos numa época dominada pelos idiotas. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que, apenas porque têm boca, podem emitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o “conhecimento” virou ferramenta de ascensão social, hoje os idiotas têm diplomas. Mais um dos danos da sociedade do “acesso” em que todo mundo tem “acesso”, na qual quase não há conteúdos que valham qualquer “acesso”. A maioria da humanidade sempre foi ignorante, mas, com o advento da sensibilidade democrática para o número e a estatística, essa maioria tomou a palavra. Toda a “ética” democrática é voltada para a banalização do conhecimento a serviço da autoestima dos idiotas. Não os ofenda porque eles venceram. Acreditam firmemente no que pensam enquanto vêem novelas na TV. Deduzem argumentos sobre a vida a partir de suas experiências paroquiais. Quando se sofisticam, isto é, quando atingem um tipo de cartão de crédito mais “exclusivo” ou “esquentam” seus diplomas tirados em universidades periféricas, tornam-se mais ruidosos. Dedico essas palavras a todos os nossos fracassos, e com esses olhos atentos ao medo que porta seu nome próprio é que o leitor deve ler estes ensaios e fragmentos aos pedaços. Sinto-me em casa numa filosofia que tem uma razão cética e uma sensibilidade trágica. Carrego uma sensibilidade trágica, independentemente de minha vontade filosófica. E por quê? Porque o que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável, miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano. Falo aos homens e às mulheres do mundo contemporâneo, sem tempo, sempre com pressa e sem tempo; com pressa e fazendo contas; falando ao celular, enquanto fazem contas; correndo, assim como insetos assustados que correm como crianças com medo, em busca do repouso oferecido pela sombra e pelo esquecimento. E, no futuro, sonhando com a vida silenciosa na forma pura da pedra. Uma pedra que pressente a divindade. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, Biógrafo, Redator publicitário, Revisor de texto e Gestor Editorial. Fundador e Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

VAMPIROS ASTRAIS (*)

Sinto-me na obrigação de explicar como é importante compreender a transferência de energia e como certas pessoas podem nos afetar negativamente. Esses vampiros astrais são capazes de sugar nossa energia, deixando-nos completamente debilitados. Muitos deles vibram em baixos níveis de freqüência e atraem entidades negativas. Quando você está perto de vampiros astrais, pode sentir essa vibração baixa. Talvez você não saiba o que está sentindo, mas intuitivamente tem conhecimento de que alguma coisa é opressiva, depressiva ou instável. Quando as pessoas projetam raiva, ciúme, ódio, inveja, medo e ressentimento, você fica vulnerável, sem energia. Geralmente elas não se dão conta de que sua energia negativa está indo além delas e prejudicando outras pessoas, porque estão envolvidas em sua própria infelicidade. Uma pessoa cheia de pessimismo e amargura, que só vê o lado negro da vida, descarrega vibrações baixas na atmosfera. Como ondinhas num lago, essas vibrações exteriorizam e afetam todos e tudo dentro de seu âmbito. O mesmo acontece com alguém extremamente medroso e arrasado pela dúvida e desconfiança: para essa pessoa, tudo é sinistro e sem solução. Pode ser qualquer um: seu colega de trabalho, marido, esposa, amigo, o caixa do supermercado ou seu dentista. O medo constante é um convite aberto às entidades astrais. É importante observar quando seu corpo está perturbado ou suas emoções descontroladas. Comece a reconhecer mudanças no seu comportamento quando estiver perto de certas pessoas e em certos ambientes. Repare se você fica sempre com dor de cabeça ao entrar na casa de um amigo. Você sente inquietação ou nervosismo quando pensa em se encontrar com uma determinada pessoa? Seu humor se modifica quando você entra em certos edifícios? Respeite sua intuição e preste atenção aos sinais vindos de seus corpos emocionais e físicos. Você não pode se isolar do mundo, pois faz parte dele, mas pode minimizar os efeitos das influências negativas que nos cercam, mantendo-se consciente e alerta. (*)EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta e consultor em gestão de pessoas; redator publicitário, revisor de texto, gestor editorial. Autor de dez livros publicados. (41) 9 9547-0100 WhatsApp

domingo, 28 de julho de 2019

OS INTENSOS MERGULHAM EM ÁGUAS PROFUNDAS E SURFAM NO OLHO DO FURACÃO (*)

Ser uma pessoa intensa é ser indeciso, mas não ter medo dessa indecisão, é entrar de cabeça em tudo, sem receio, sem freio. O próprio intenso sofre com tantos sentimentos dentro de si, mas se existissem pessoas capazes de partilharem desses sentimentos com ele, seria tudo mais fácil. Ser intenso é ser impulsivo, é sentir e logo depois não sentir mais, é se atrapalhar com tudo que sente dentro de si, e é tudo isso que faz desse tipo de pessoa algo tão especial e tão desejado na vida, mas também, tão solitário. É difícil de entender, e só pode ser compreendido com intimidade e o coração aberto. Seu problema maior é a complexidade de tanto ímpeto, tem tanta personalidade que não sabe deixar um assunto para depois, não recua perante injustiças, não recua perante a oportunidade de um amor, não recua perante conhecer melhor outras pessoas. E é exatamente esse olhar perante a vida que afugenta, oprime, assusta aqueles que estão acostumados somente com coisas mornas. As pessoas preferem comer pelas beiradas, ficar apenas no raso. Conhecer dá frio na barriga, ou você passa a odiar a pessoa, ou ela te cativa de tal modo que você se torna totalmente dependente. Mas nesse mundo de fast food ninguém tem tempo para se deixar cativar, quando você está começando a conhecer uma pessoa, ela perde a graça, passa do tempo de validade. Para o intenso o entusiasmo é algo corriqueiro na vida, ele se entusiasma com desafios, se entusiasma com momentos, se entusiasma com pessoas, e isso é mais uma coisa que afugenta os outros, esse entusiasmo ao invés de contagiar, acaba por afastar pessoas que tem medo de se entregar. O intenso vive em cima da corda bamba, se ele se desequilibra para um lado, a vida é 8, se ele se equilibra para o outro, a vida é 80. É difícil desacelerar, e ainda mais parar por um momento e refletir sobre o que ele está fazendo, mas quando ele para, e vê que sua intensidade está sendo usada no local errado, ele parte sem dúvidas para um próximo porto. Nunca peça para um intenso ser menos, isso é rouba-lo de si próprio. Viver com um intenso não é fácil, mas te prometo que não existem dias monótonos do lado de alguém assim. Cada dia é uma aventura e a descoberta de que os sentimentos podem ser muito maiores do que você imagina. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A ESCRAVIDÃO NO TERCEIRO MILÊNIO (*)

Na maior parte do mundo antigo, a escravidão era aceita e muitos povos eram escravizados ao se tornarem prisioneiros de guerra. Havia escravos em Roma, na Grécia, no Egito, mas também entre os povos Incas, Maias e Astecas. Praticamente, os reinados da antiguidade se mantinham e se sustentavam sobre o trabalho escravo. Em algumas culturas patriarcais, as mulheres em geral tinham uma situação parecida com a dos escravos, onde lhe eram negados os direitos básicos de um cidadão. Na antiguidade não era incomum que pais vendessem suas próprias filhas aos mercadores de escravos para quitar dívidas. E no que diz respeito à exploração sexual de todo tipo, mulheres e crianças são, até hoje, os mais vulneráveis. No Novo Testamento, em Efésios 6:5 está escrito sobre escravos: "Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo." A bíblia embora traga vários preceitos sobre escravos e regulamente aspectos da escravidão, em nenhum momento, condena a prática da escravidão em si, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, apesar da igreja católica a partir do século XV, através de seus papas, passar a dar início a uma campanha contra a escravidão. Na era moderna, os negros foram escravizados por crenças na superioridade racial dos europeus, num período em que o comércio de escravos entre países africanos e as américas tornou-se bastante lucrativo, e os próprios reis de tribos africanas comercializavam seus conterrâneos. Antes, na América espanhola, por ocasião das descobertas de Cristóvão Colombo, a escravidão dos nativos também se deu pelas mesmas questões de cor da pele. O Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão em 1888. Infelizmente para decepção dos que dizem que “fator social” é coisa da histeria sociológica de alguns que insistem em ver problema social em tudo, não há como negar que sim, há uma estreita relação entre a prática da escravidão e as condições das sociedades onde ela se manifesta. Situações de pobreza é uma das principais razões para qualquer tipo de exploração.Tanto que os países com maior índice de escravidão, são aqueles subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, com democracias recentes ou não consolidadas como China, Índia, Rússia, Brasil, Oriente Médio, alguns países do leste europeu e África. Hoje a escravidão no mundo se dá muito mais por condições socioeconômicas desfavoráveis, e prospera pela conivência de sistemas políticos onde falta a aplicação de leis severas que punam os exploradores. Quem são hoje os escravos? Pessoas de classes menos favorecidas dentro do próprio país e com pouca instrução que precisam de um trabalho para seu sustento, e imigrantes na mesma condição que se tornam presas fáceis ao ingressarem clandestinamente em um determinado país fugindo da pobreza, e aqueles que são traficados atraídos por falsas promessas . A escravidão continua sendo um bom negócio tanto para o crime organizado internacional quanto para empresários e donos de terras gananciosos. Um caso recente e interessante, não fosse sua dimensão trágica, é o de um chinês de nome Zhang. Em 2011 a americana Julie Keith foi ao mercado comprar artigos de decoração para o Halloween. Um ano depois, qual não foi sua surpresa quando dentro de um brinquedo ela encontrou um bilhete, um pedido de socorro em um inglês meio torto, de um escravo chinês que vivia em condições desumanas em um campo de trabalho forçado na China, chamado Masanjia. Era Zhang, na verdade um codinome escolhido por ele. Zhang havia sido mandado para lá por divergências político religiosas com o regime, e relata que tinha jornadas de trabalho de mais de 12 horas, sem descanso nos fins de semana, além de sofrer espancamentos, privação de sono e torturas psicológicas. Ele escreveu em 2008 mas o bilhete só foi encontrado em 2012. Sua carta foi parar nas mãos da Organização Mundial de Direitos Humanos e as coisas terminaram bem para Zhang, hoje ele está livre e denunciou a existência de outros campos de trabalho forçado naquele país. Em geral os escravos são levados para trabalhar em fábricas, lavouras, casas de família, bordéis, etc. O Brasil tem ainda o agravante do tamanho do seu território para fiscalização, e não há uma estatística confiável, mas segundo o Ministério do Trabalho, de 2003 a janeiro de 2011, foram resgatadas 33.392 pessoas em situação de trabalho escravo ou quase escravo, que se concentra nas indústrias madeireira, carvoeira e de mineração, de construção civil e nas lavouras de cana, algodão e soja, além do turismo sexual no Nordeste e a exploração da mão de obra de imigrantes bolivianos e asiáticos em oficinas de costura. O Maranhão é ainda o principal fornecedor de escravos e o Pará, o principal usuário. Conforme o jornal Correio do Estado, o número de trabalhadores em situação de escravidão cresce também no Amazonas, principalmente em atividades agropecuárias. É inconcebível a escravização de seres humanos na avançada civilização do século XXI, mas este cenário só mudará através das ações de outros seres humanos. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp

terça-feira, 9 de julho de 2019

O MUNDO QUE ENCONTREI JÁ ERA ISSO. O JEITO FOI ENFEITÁ-LO COM PALAVRAS DE LUZ (*)

A sociedade está corrompida ou o amor foi mal entendido por todos? Porque a falta de amor, de entendimento nas relações, a carência, o abandono e a barbárie humana só aumentam. Apesar de vivermos cercados de tantas tecnologias e inovações, como a Internet e as redes sociais, que deveriam melhorar a comunicação e os relacionamentos entre as pessoas, empresas e governos, o ambiente social ainda é muito difícil e, muitas vezes, destrutível. É tanta notícia ruim, tanta disputa e ganância, preconceito social e de raça, falta de sensibilidade, de liberdade e de fé na vida! Eu falo de fé no sentido de acreditar na verdade, na justiça, na fraternidade, igualdade, bondade, união, bem comum, amizade, fortaleza, enfim, o nome disso tudo é Amor! Ter fé é ter uma atitude positiva perante a vida. É renovar sempre a nossa fé em nós mesmos e no outro, apesar de tudo. Os desafios são imensos e não vamos conseguir sozinhos. Precisamos de um pensamento e de uma prática mais humana, principalmente porque vivemos em uma sociedade que se constrói o tempo todo em práticas desumanas. A exploração, a segregação, o racismo e discriminação social estão presentes ao longo da história da humanidade. Avançamos e retrocedemos. Damos um passo à frente e tantos outros atrás. Por um lado, o amor é um valor raro e caro e por outro não conseguimos nem ver onde está o amor. Estamos amando apenas as coisas, os outros e as suas coisas, as coisas dos outros, mas nunca somente o outro. O outro que está despossuído de qualquer coisa não tem valor e direito ao amor. O outro precisa “ter “para “ser amado” ou odiado também. O amor às coisas não traz felicidade ou paz. Pelo contrário. Eu sempre ficarei correndo atrás das coisas novas que surgem, das novidades tecnológicas do capitalismo, dos novos smartphones e aplicativos, que não param para descansar e apreciar a vista. Você está sempre tirando fotos e postando sem ver de fato o que está a sua frente. O tempo hoje te controla porque tudo precisa ser reportado ao vivo e ai você não vive os seus melhores momentos. É tudo uma tremenda confusão e correria - parar e observar com tempo ou apenas consumir coisas que dão status para que você consiga mais aprovação, mais likes, e no fundo consiga o seu maior desejo - ser amado. O mundo sempre viveu de aparências, a sociedade das aparências é antiga e controladora. Mas hoje vivemos na sociedade da imagem, daquilo que aparece na sua tela e, portanto, da aparência digital. Aparecer na tela é como dar atestado de existência. Eu posto, logo existo. Eu apareço e sou reconhecido como gente. Eu posso ser amado assim. E muita gente vive da ilusão de likes. A real proximidade, o relacionamento íntimo com alguém é algo bem mais profundo e complexo, que exige tempo, dedicação e compreensão de ambas as partes. Isso, exatamente isso, que tanto amamos, nós estamos perdendo. Estamos nos distanciando uns dos outros. Pela falta de tempo deste mundo acelerado e competitivo, do capitalismo e do consumo frenético para ser visto e apreciado. E o que buscamos, o amor, ficou contraditoriamente mais difícil de ser concretizado. Há uma tela, uma invenção tecnológica entre a gente, e nós não nos tocamos mais, não nos olhamos olho no olho, não sentimos a respiração e o calor do toque do outro. Estamos como as máquinas robotizados, só levantamos o pescoço para cima e para baixo para checar o celular. Qualquer outra forma de expressão ficou ultrapassada, antiga! Se você não se atualiza de segundo a segundo está perdido. Não precisamos ser viciados em tecnologia para sobreviver e o tempo que gastamos com ela, nos subtrai um tempo precioso para o amor. Não que você não deva jogar mais na Internet e conversar com seus amigos. Mas acredito que evitar um contato prolongado nas redes sociais, e a vontade de saber de tudo e acompanhar tudo em matéria de notícias e atualidades, já seja um bom caminho. Não dar conta de tudo é uma realidade. É melhor deixar pra lá, por um tempo. É preciso descansar da avalanche de informações, de conversas e de comentários que não fazem sentido. É preciso selecionar e muito o que vale a pena ler e refletir sobre. Quando começo a ler algo tóxico, envenenado, já saio correndo. Não dá para perder tempo com falta de amor. Dizem que a gente precisa encontrar o amor, aquele dito “sentimento”, rotulado de encantador de gente e sedutor, mas que, na verdade, é a nossa grande fonte e ponte de conexão humana, é o que nos une e nos recompõe. A gente devia era resgatar este "amor maior" que existe dentro de todo mundo, porque faz falta sentir empatia, compaixão, gratidão, ser corajoso e vulnerável. Faz falta se colocar no lugar do outro e sentir como ele sente a sua dor. Faz falta ter coragem de falar dos nossos sentimentos verdadeiros e se expor, se abrir de verdade para o outro e para a vida. Faz falta ser quem somos de verdade. Faz falta a nossa verdade, o nosso sonho, a nossa luta pelo melhor. Um mundo sem amor de verdade, é um mundo sem sentido e sentidos. É um mundo perigoso e beligerante. Porque no lugar do amor estamos colocando o ódio! Não há como ser humano e não sentir nada. Há sempre tempo para apreciar e ser apreciado se você realmente pratica o amor desinteressado! Este amor que quer apenas ser olhado demoradamente, suavemente, quer ser ouvido atentamente e embalado! Ele não precisa de presentes caros, de jóias e coisas reais e concretas para ser expressado! Amar é olhar para o outro e vê-lo como realmente é, sem filtros, sem amarras, livre, dono de si. Se a gente ainda vai conseguir amar de verdade, eu não sei! Mas é preciso entender e se desvencilhar das correntes do nosso tempo, do uso e da dependência excessiva da tecnologia que dita as regras, e das aparências (imagens) que no fundo nunca dizem nada sobre quem somos e o que queremos. Por mais modernos que aparentamos ser com nossos celulares em punho e atualizados, ainda somos antigos e sofredores. Ainda sofremos com os julgamentos alheios, com a falta de humanidade e de amor. E ainda sentimos que estamos sozinhos e precisamos do outro. Quem sabe para construir uma nova história, uma nova realidade. Então há uma chance. E como seres humanos no meio da jornada, há muitos caminhos, muitas encruzilhadas, oportunidades de mudança de rumo, de reencontro consigo. Sempre há uma porta a ser aberta, uma nova estória a ser contada. Precisamos falar das nossas emoções, das nossas relações de amor, de amizade, de trabalho, na família, enfim, precisamos nos conectar mais profundamente conosco e com os outros. Mas precisamos muito mais de ouvir, ser bons ouvintes. É preciso deixar o outro falar de verdade e simplesmente ouvir – em uma escuta ativa, focada, interessada e amorosa. É preciso querer de verdade ouvir e entender o outro, as suas razões, motivações e sentimentos. Precisamos ter tempo e um olhar ativo para o amor, para a prática amorosa em todas as suas formas de expressão – ouvir, falar, ver, sentir e tocar. O Amor anda carente de atenção, de olhares compassivos e carinhosos. Amar é se doar ao outro. Dar um beijo, um abraço, um colo e um ouvido! Há muitas pessoas, escritores, estudiosos e pesquisadores falando sobre o mundo contemporâneo e as influências das novas tecnologias nas relações humanas na atualidade. Vale muito a pena ouvir e refletir sobre as visões de cada um. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

UMA JANELA PARA OUTRAS REALIDADES (*)

Uma ideia mobilizou milhares de pessoas a compartilhar alguns momentos de seus dias com o resto do mundo. Em 2010, o site de vídeos Youtube pediu que seus usuários enviassem gravações sobre suas vidas a fim de reuni-las em um único vídeo. O projeto, intitulado “Um dia em sua vida” tinha como objetivo muito mais do que entreter milhares de pessoas ao redor do globo: pretendia torná-las conscientes do conceito de coletividade. A ideia gerou uma resposta de mais de 80 mil vídeos, com cerca de 4.500 horas de gravações, vindas de 192 países. Tudo filmado num único dia, 24 de Julho de 2010. Tal entusiasmo, de pessoas de todas as partes do mundo, inspirou o diretor e produtor executivo Ridley Scott que, junto a Tony Scott, Kevin MacDonald e o próprio Youtube, decidiram produzir um documentário baseado nas gravações. O documentário mostra a disparidade dos cotidianos, da vida que pulsa ao nosso redor, dá voz a outras culturas e costumes, é uma janela para outras realidades. E qual a importância disso? Nenhuma, para quem pensa que o universo gira e funciona somente no perímetro que lhe interessa - geralmente, o próprio umbigo. Estamos tão acostumados a nos interessar e a nos preocupar apenas com o que acontece ao alcance de nossos olhos que nos esquecemos, com generosa indiferença, que o mundo acontece também, e intensamente, distante de nós. “Life in a Day” deixa claro que, apesar da dissonância que borbulha na Terra entre os povos, as raças, as línguas e as culturas, todos compartilham de um mesmo anseio: o de se expressar. Compartilhar um dia-a-dia banal, ou a complexidade do amor e da dor, o sofrimento, a solidariedade e a resignação é, aparentemente, uma necessidade de todas as pessoas. Um mundo que a cada dia facilita a maneira como comunicamos e partilhamos informações, que facilita a troca de opiniões, deve também estar apto e preparado para aceitar essa extraordinária disparidade de visões e conceitos, como podemos perceber no documentário. Os colaboradores que entraram para a produção final foram creditados como co-diretores e participaram da exibição no Sudance Film Festival em Janeiro de 2011, um dos maiores e mais respeitados festivais do cinema. O lançamento ocorreu ao vivo pelo canal do projeto no Youtube, no dia 31 de outubro de 2011. O filme foi distribuído pela National Geographic Films. A luta pela aceitação e pela união, pelo respeito ao outro e à sua cultura, deve ser travada e cobrada. Por isso penso que todos deveriam assistir ao filme, para entender a grandiosidade dos outros como extensão de nós mesmos. Fazendo isso, estamos engrandecendo todo o planeta. Compartilhamos o instinto e a matéria, a simplicidade que reside no dia-a-dia, assim como compartilhamos, também, a complexidade que transcende nosso entendimento do que existe e acontece além de nós, debaixo do mesmo sol. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

segunda-feira, 8 de julho de 2019

HOMEM ENTERRADO VIVO PELA MULHER AMADA - LADRA DE SEUS PROJETOS E PLANOS (*)

O filósofo Mario Sérgio Cortella diz que seu talento para discursar vem de pessoas que o inspiraram. Jean Perdu, personagem do livro A Livraria Mágica de Paris, de Nina George, encontrou inspiração em um encontro inesperado para voltar ao mundo dos vivos. Estes dois fatos se encontram em um dos mais delicados setores das relações humanas: o quanto uma vida toca a outra ao ponto de transformá-la. Da mesma forma que um número incontável de pessoas passa por nossas vidas sem deixar marcas, há aqueles despertadores de admiração, de afeto e inquietação. Enquanto a inspiração de Cortella veio no sentido de se espelhar, a inspiração de Perdu veio da combustão entre o presente e o passado. Alguém que o inspirou no passado, fez dele oxigênio, sugando sua vontade de viver. E um outro alguém que no presente o inalou com suavidade, mas o expirou de volta para o mundo, uma outra versão de Perdu, não necessariamente mais viva, mas definitivamente mais atenta, inquieta e com mais fome de sentir e reagir. Um homem atormentado e enterrado vivo por vinte e um anos após ser deixado pelo diabo da mulher amada, idolatrada, ladra de seus planos e de praticamente toda sua existência. Dona que partiu deixando apenas uma carta e as sombras de um ex amor rondando a casa. Perdu tornou-se cinza após ser deixado. Viveu por vinte e um anos com sorriso apagado, passos arrastados e sonhos desligados. O amor latente deu tanta vida à sua vida que quando partiu se sentiu no direito de tirá-la, mas deixou seu talento para ler almas e receitar livros em seu barco-livraria como quem receita remédios. Perdu não estava totalmente morto, era alma penada, rodeando o corpo ainda quente à espera de um outro suspiro que pudesse acenar um possível caminho de volta à vida. Ele permitiu que o inalassem, como tantas outras pessoas permitem. Não apenas enquanto o amor esteve presente, pois a coragem de almas que se amam não é doce quando não há entrega. Permitiu ser aspirado quase por completo na dor de ser deixado pela pessoa que mais confiava no mundo. Sem razão e explicação. Esqueceu que mesmo sendo um na cama, eram dois. E ela estava no seu mais justo direito de partir pelo motivo que achou pertinente. Perdu escolheu ser o oxigênio de alguém e esqueceu de recolher um pouco para continuar vivendo. A reviravolta do livro é tão sútil quanto as reviravoltas da vida. O encontro com outro alguém que inala a fumaça das cinzas da morte que escolhemos em vida. Felizes são aqueles que encontram inspiração em seu interior. A maioria dos mortais, assim como Perdu, necessita de uma luz externa para tirar o cimento que cobre os olhos e assim descortinar possíveis caminhos. Perdu sentiu os primeiros sinais de vida germinar. Se arrepiou, chorou, se irritou e desejou. Tudo ao mesmo tempo. Bastou uma faísca para que a velha e boa saudade de si mesmo surgisse. Abriu mão da morte naquele encontro, rastejou como se estivesse ligado a aparelhos, mas era enfim uma alma que resistia, como toda alma que tenta se recuperar de uma grande perda, seja pela morte propriamente dita ou pela morte de tudo que planejava e acreditava. Perdu morreu em vida por vinte e um anos por escolha e por estar cercado de apenas pessoas. Nenhuma dessas pessoas o inspiravam a ser diferente ou transformavam as toxinas de sua fumaça em algo melhor. Precisou de mais de duas décadas para permitir que um estranho fizesse o que um bom amigo costuma fazer: nos inspirar a respirar de verdade, outra vez e outra vez, para que a dor deixe de ser constante e vire um raro visitante, aquele que nunca desaparece, mas nos perturba com uma frequência suportável dentro de um suspiro. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

terça-feira, 2 de julho de 2019

INSÓLITA PERMUTA (*)

O sonho de Antonio Couto ganhou ambiência improvável nos labirintos oníricos e habitou sótãos de memórias ancestrais. Seu desejo obstinado: encontrar uma mulher que o completasse. Aquela surrada história da cara-metade, tampa da panela, metade da laranja, alma gêmea ou almas que gemem? O fato é que ele acreditava nisso tudo. Viajava nas asas do sonho para encontrar um "grande amor", do tipo "pra sempre". Até que um dia ele ganhou a sorte grande. E sozinho. Foi o único naquela Lotomania de São João. Acumulada. Que lhe rendeu alguns consideráveis milhões. E o surpreendente: ele ficou arrasado. Lembrou o provérbio milenar: "Sorte no jogo, azar no Amor". A frase não lhe escapava da cabeça, das vísceras e do coração, que acelerado batia. Ficou frustrado porquê o sonho de encontrar o grande amor adquiriu asas velozes e alçou um voo enigmático para o Antigo Egito. Mas uma visita inesperada mudou seu futuro. Uma figura muito inusitada. Deus ou o "encardido", não soube identificar, mas com certeza alguém com muito poder apresentou uma proposta inimaginável: trocar todo o dinheiro da loteria pela experiência de vivenciar um grande amor. Antonio Couto não vacilou, O HOMEM MAIS ROMÂNTICO DO PLANETA BLUE aceitou a permuta com uma veemência de apresentador de TV. Resumo da ópera: Antonio Couto ficou sem o dinheiro e o "grande amor" durou pouco mais de três anos. O quarto ano foi arrasado por conflitos e atritos. E quase o levou ao feminicídio. Deprimido, a neuroforia invadiu o seu ser. Desceu ao fundo do poço e lá percebeu que precisava mesmo era de uma psicanalista. Delirou com a possibilidade de um enorme e confortável Divã Oriental. Depois fez teatro. Virou ator e escreveu algumas peças razoáveis... E, por fim, depois de muita extrema dedicação e árduo trabalho, Antonio Couto encontrou o grande amor de sua vida: O AMOR PRÓPRIO... E viveram felizes para sempre. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

sexta-feira, 28 de junho de 2019

A FÓRMULA PARA ESCREVER BEM: MANTENHA UM FLUXO PERMANENTE DE INSIGHTS (*)

Para escrever boas histórias você precisará correr… literalmente! Pelo menos essa é uma condição essencial para Haruki Murakami, autor de 1Q84, Kafka à beira-mar, entre outros títulos de sucesso mundial. Quando está no chamado "modo escrita" para um novo romance, o escritor japonês acorda diariamente às 4 da manhã para começar a sua rotina de seis horas de trabalho. Mas, durante a tarde, Murakami se dedica ao exercício de seu corpo, correndo aproximadamente 10 quilômetros ou nadando cerca de 500 metros todos os dias! Manter uma rotina é muito importante para o processo criativo de Murakami, que consegue atingir desta maneira estágios mentais profundos. Outros autores também consideram o exercício físico um grande aliado durante o processo de desenvolvimento criativo. O esporte está presente na rotina de muitos escritores. É, indubitavelmente, uma excelente forma de clarear as ideias, aquela distância que se faz necessária às vezes, para que possamos enxergar as coisas melhor. Se for possível determinar um padrão entre todos os grandes nomes da literatura mundial, a preferência por escrever durante as primeiras horas da manhã seria uma característica compartilhada por muitos! Ernest Hemingway, por exemplo, declarou certa vez numa entrevista que o seu horário preferido para escrever é ainda antes do surgimento dos primeiros raios de sol. Jane Austen, Victor Hugo e vários outros autores também assumiram que a primeira coisa que fazem ao acordar é “correr” para a escrita. Ter como hábito a obrigação de fazer sempre o trabalho mais importante primeiro é essencial para a criação de uma rotina de produção menos procrastinadora e eficaz, conforme a maioria dos grandes autores. Mas também, como tudo, sempre existe uma exceção para fugir à regra. Marcel Proust e Franz Kafka são exemplos de autores que só conseguiam produzir depois do pôr-do-sol. Na realidade, caros amigos escritores, não importa se é de manhã, tarde, noite ou madrugada, o importante é dedicar-se religiosamente durante um período de tempo ao seu trabalho! A exemplo de Henry Miller (autor de Trópico de Câncer, Nexus, Plexus, Sexus, entre outros títulos), uma alternativa para conseguir organizar a rotina de trabalho é estabelecer um “Mandamento”, uma lista de regras específicas que são responsáveis por reger o desenvolvimento da sua escrita. Algumas das tarefas definidas nos “Mandamentos de Miller” são: trabalhar uma coisa de cada vez até esta estar concluída; quando você não pode criar você pode trabalhar; trabalhe de acordo com o seu programa e não conforme o seu humor; esqueça os livros que você quer escrever, e pense apenas no livro que está escrevendo; entre outras. Definir um conjunto de obrigações e limites, em forma de lista, para seguir durante o período de desenvolvimento da escrita pode ser uma excelente ferramenta norteadora, principalmente para as pessoas que são por natureza menos organizadas. Nomeada para o Prêmio Pulitzer, Barbara Kingsolver, comprova que até os escritores de maior sucesso precisam escrever dezenas de páginas para obter uma que lhes agrade. Acostumada a acordar antes do sol nascer, Barbara está sempre “cheia de palavras” na cabeça e a primeira coisa que faz logo pela manhã é transcrever tudo para o seu computador. De acordo com a escritora, são páginas e páginas de frases desconexas ou pequenos textos soltos. Enquanto os seus filhos estão na escola, Barbara consegue reler tudo o que escreveu, editando e adaptando os trechos que mais gostou, mas também deletando grande parte do conteúdo… Para a autora o escritor deve escrever (óbvio, não?), ou seja, mesmo quando não tiver algo concreto ou um desenvolvimento sólido sobre determinado tema, escreva as frases que lhe vierem à mente, como se fossem mini flashbacks. Os maiores aliados da procrastinação são as redes sociais e o seu celular. Acredite. Por isso, Nathan Englander sempre desliga o seu smartphone e se desconecta de todas as suas redes sociais durante as horas que se dedica ao trabalho. Sabemos que a vontade de checar as novidades no Twitter ou as fotos dos seus amigos no Instagram é tentadora, mas se você quiser realmente ser um escritor de sucesso, o autocontrole, a disciplina e o compromisso com o seu trabalho devem vir em primeiro lugar! Encha a sua cabeça com doses diárias de novas ideias! Pelo menos este é um dos segredos do jornalista e escritor norte-americano A. J. Jacobs: manter um fluxo constante de insights. O autor aconselha que todos os jovens escritores separem alguns minutos do dia para um brainstorm antes de começar a trabalhar. Um momento de reflexão, onde a pessoa deve rever tudo o que está a sua volta e, aliado à sua criatividade e imaginação, construir um universo que será posteriormente materializado pelas suas palavras! Faça como o “rei do terror”, Stephen King que escreve diariamente mais de 2 mil palavras. Ele segue essa rotina sete dias por semana, mesmo durante as férias ou feriados... Ok, talvez você não precise ser tão "drástico", mas a mensagem importante aqui é: não deixe de exercitar constantemente a sua escrita! Para King, assim como tudo na vida, a melhoria vem com a prática. Escrever todos os dias, de acordo com o autor, ajuda a não “enferrujar” o seu estilo de escrita. O hábito de Khaled Housseni é escrever e reescrever todos os dias. A cada nova reescrita, o autor adiciona novas camadas ao texto, novos nuances, novas perspectivas, novas formas e assim consegue tornar a sua história mais rica e completa. Housseni ainda dá uma dica importante para os aspirantes a escritor: ESCREVAM! O primordial para um escritor é escrever, por mais óbvio que isso possa parecer (e é!). Housseni sugere que se escreva todos os dias, mesmo quando não estiver se sentindo o “maior dos escritores”. Ah, e o mais importante, escreva para você mesmo! Não pense num público específico, pois nunca conseguirá agradar a todos os gostos. Reserve-se a escrever uma história que você precisa contar e que gostaria de ler. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp

quarta-feira, 26 de junho de 2019

MANTENHA POR PERTO QUEM ACRESCENTAR ALGO EM SUA VIDA (*)

Logicamente, por vivermos em sociedade, não poderemos agir como quisermos, falar o que vier à cabeça, nem levar a vida como bem entendermos, sem pensar em ninguém mais. Nossas ações alcançam mais pessoas do que imaginamos e somos responsáveis, até certo ponto, também com quem nos ama e faz parte de nossas vidas. Não podemos machucar as pessoas e achar que está tudo bem; não é assim que funciona o mundo. O melhor a se fazer é tentar manter a consciência tranquila, sabendo que agimos da melhor forma, que vivemos de acordo com as batidas de nossos corações, sem pisar pessoas pelo caminho. Não conseguiremos agradar todo mundo, mas, agindo com responsabilidade, conseguiremos manter por perto quem realmente acrescenta algo em nossa jornada. Aliás, para nossa sobrevivência, teremos que nos libertar da necessidade de agradar o tempo todo, entendendo que, às vezes, teremos que escolher a nós mesmos e isso pode soar antipático a algumas pessoas. A necessidade de agradar quase sempre está relacionada ao desconforto que muitos sentem quando percebem que tem alguém chateado com eles. Muitos de nós não sabemos lidar direito com as situações em que alguém fica bravo ou chateado conosco e isso incomoda. Aprender a lidar com essas situações, em que o outro se magoa ou fica bravo conosco, será providencial para nosso equilíbrio emocional. Caso não tenhamos sido injustos ou maldosos, o outro é que terá de ajustar sua conduta, nós não. É preciso entender que dizer não, repreender, advertir, impor limites, também são atitudes de quem cuida, de quem quer ajudar, de quem ama de verdade. Quem se importa realmente com o outro não diz amém a tudo nem sorri o tempo todo, isso seria indiferença, seria tanto faz. Além disso, precisaremos nos conscientizar de que certas pessoas não merecerão um segundo de nosso dia, inclusive muitas delas deveremos mandar se lascar mesmo, para que nos deixem em paz de uma vez por todas. As pessoas confundem muito ser bom com ser bonzinho e uma coisa não necessariamente tem a ver com a outra. Para ser bonzinho o tempo todo, é preciso um tanto de encenação, porém, bondade tem a ver com ser verdadeiro, com seguir em busca dos sonhos de maneira limpa e ética, mesmo que discordem de sua jornada. Somos bons, inclusive, falando o que deve ser dito, para o bem do outro, para o bem de nós mesmos. Não seja unanimidade, seja querido por quem vale a pena. E isso é tudo. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp

O PLANETA TERRA DEVASTADO A CAMINHO DA EXTINÇÃO (*)

Nenhuma outra espécie causou tamanha devastação para este planeta senão o ser humano; nem mesmo os dinossauros, seres gigantescos e poderosos, que existiram por mais de 150 milhões de anos e desapareceram há cerca de 65 milhões de anos, não causaram tantos danos quanto o Ser Humano que, naqueles tempos, sequer cogitava existir... outras espécies animais muito mais numerosas, como os insetos e os microrganismos, que se contam aos trilhões de indivíduos distribuídos em mais de cinco milhões de espécies jamais ameaçaram a existência de vida na Terra. O que nos fez, ao mesmo tempo tão pequenos e poderosos, e, no entanto, tão predadores a ponto de ameaçar toda a a vida existente no planeta, inclusive a nós próprios? Fomos os primeiros a ter uma vida sedentária, fixando nossas moradias nas cidades, vilas, fazendas e sítios, cultivando a terra e criando animais, abandonando a caça, a pesca e a coleta de alimentos, hoje relegadas a pequenos grupos mais pobres e menos desenvolvidos. Também somos os únicos mamíferos a expandir continuamente nossa população, ameaçando a própria vida que nos sustenta, através do extermínio de todas as outras espécies, devastando as florestas, extinguindo drasticamente as fontes de água potável, principal razão da existência de vida na Terra, e exaurindo os limitados recursos naturais desse frágil e pequeno planeta. Estima-se que hoje somos cerca de 7,5 bilhões de seres humanos, e que chegaremos a 10 bilhões de indivíduos até o ano de 2050 - sim, daqui a apenas 30 anos! É importante destacar que, em 1950, ano em que nasci, a população humana era de 2,5 bilhões de habitantes!... portanto, no curto espaço de uma vida humana triplicamos nossa população! Por que a Humanidade evoluiu tanto na Ciência, na Tecnologia, em outras áreas do Conhecimento e na Cultura em geral, mas continua sendo tão violenta e primitiva em suas relações políticas e sociais, através dos assassinatos, das guerras, dos ataques terroristas e do desprezo pelos demais seres humanos? O que é feito do tão decantado Processo Civilizatório que conduziu nossa História? O que nos torna tão incompetentes para gerir nosso desenvolvimento a ponto de massacrar outros seres vivos, igualmente indispensáveis para o equilíbrio da biodiversidade do planeta, e causar tamanho desequilíbrio ecológico e social, pelos preconceitos, o desemprego, a violência, o ódio e a ambição desmesurada, "pecados" que compelem bilhões de pessoas a viver em condições sub-humanas, da fome, da miséria e da ignorância,enquanto uma parcela insignificante da população usufrui de riquezas e privilégios sem limites? Desde os primórdios da Civilização, as sociedades se organizaram em castas dominantes, compostas pela nobreza, pelos sacerdotes e pelos militares, contrapondo-se a escravos, plebeus e miseráveis, que trabalhavam em condições extremamente precárias para assegurar a riqueza e o poder de pequena parcela da humanidade. Poderíamos dizer, portanto, que as religiões, a política, os exércitos e a nobreza subjugaram o povo, que existia apenas para servir a essa minoria perversa e detentora dos bens materiais cultuados por todos os povos. E por que essa maioria tão desigual, massacrada e oprimida nunca se rebelou para sufocar tamanhas injustiças? A razão é que sempre que tais condições desumanas se tornavam insuportáveis, as massas rebeladas nada faziam senão trocar aqueles nobres, sacerdotes, governantes e militares por aqueles seres humilhados, que nada faziam senão assumir os mesmos postos de dominação, as mesmas atitudes de poder e de riqueza, sem, contudo, modificar seu modo de vida, sem eliminar a distribuição desigual das riquezas e privilégios dos seus antecessores, que permaneciam, através dos tempos, sempre nas mãos de poucos privilegiados. E assim permanece a sociedade até hoje, sejam quais forem os grupos sociais, as ideologias, as raças, as religiões e os meios de produção daqueles que estão no poder. Esses polos extremos do poder são irreconciliáveis: as crenças religiosas são antagônicas entre si, edificadas sobre escrituras "sagradas e profanas", quase todas baseadas em supostas divindades, supostos paraísos e infernos, supostos salvadores e messias, e terríveis regras provindas da "palavra de Deus", que mantêm a si submissas, hordas de desamparados pela "sorte" e vítimas da ira dos deuses e sacerdotes terrenos. Convicções ideológicas são igualmente antagônicas na medida em que se baseiam em teorias construídas em um momento histórico da sociedade, como o marxismo das lutas de classe e da mais valia (agregação de valor na cadeia produtiva), ou o capitalismo da apropriação dos bens de capital, que preconiza o estado de bem estar social (Welfare State), em que haveria pleno emprego e acesso à riqueza para todos os cidadãos. Ocorre que, em ambas as teorias econômico-sociais, existem (e persistem) as mesmas classes sociais onde minorias dominam o poder e a riqueza, enquanto a plebe fornece mão-de-obra para o trabalho e favorece o enriquecimento das classes dominantes, que continuam sempre as mesmas: a igreja, os militares, os milionários e os políticos que, estando no poder, abdicam (ou ignoram) seu papel de "salvadores da pátria". A permanente luta entre o "Bem e o Mal" pressupõe esse desequilíbrio socioeconômico, militar e político, que mantém os detentores do poder a explorar o trabalho subalterno e submisso, a miséria renitente, a prepotência, as crendices religiosas e a dominação ideológica dos supremacistas brancos sobre outras etnias de negros, indígenas, mulatos, mamelucos, cafusos e povos subjugados nas lutas pela dominação histórica de invasores europeus aos territórios conquistados das Américas, da África, da Ásia e do Oriente, colonizados pelos últimos dez séculos. Se a Cultura humana evoluiu, isso não bastou para que o espírito humano se desenvolvesse, pondo um fim e um "basta" a um milhão de anos de guerras, escravidão, exploração de todo tipo, e devastação de nosso triste planeta Terra... (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp

segunda-feira, 24 de junho de 2019

A DOR NA ALMA DE ALMODÓVAR E O REENCONTRO COM A INFÂNCIA (*)

Dor e Glória, (2019)último filme de Almodóvar, faz um caminho em direção à sua história, principalmente pelo tom pessoal e emocionado do protagonista Salvador, interpretado com primor por Antônio Bandeiras. O diretor, depois da morte de sua querida mãe, busca na infância suas melhores recordações com ela, a presença do catolicismo em sua educação, com restrições e muita disciplina. E, finalmente, seu primeiro desejo por outro homem, aos nove anos de idade.. Esse movimento de volta ao passado permeia a narrativa e costura com primor, o passado ao presente o que nos permite sentir a criança que existe nele e seu poder de superação da crise de depressão em que se encontra. Salvador, teve glória, filmes afamados conquistados com dor, drogas e solidão. Desde criança, tinha grande capacidade de comunicação dentro de um universo muito pobre, onde só ele e a mãe habitam com um laço forte de afetividade. Ele passa então a reviver momentos marcantes de sua infância introspectiva, na educação católica que recebeu dos padres e sua rejeição à religião católica. Salvador é um vencedor que agora aos setenta, sente uma grande nostalgia somada à dor física e moral. Contudo, fica mais complacente com os desafetos e a saudade de amores que não viveu. O tempo acentua as dores do corpo, mas alivia as da alma. O perdão, por exemplo, torna-se mais fácil quando a discussão já está no passado, como pontua a cena em que Salvador perdoa Alberto, e a superação de um amor perdido já não dói tanto, como mostra o momento que o protagonista encontra um ex-namorado. Sua energia criativa, na velhice, cheia de dor física, sintomas na coluna vertebral que sustenta nossos corpos, são sanados com médicos, drogas e a solidão de um homem que não quer mais produzir. Seu entusiasmo volta ao ver encenada uma peça antiga, com um antigo amigo de traz sucesso de bilheteria. Assim, ao rever a beleza e os sonhos de sua infância, Salvador se salva do abismo e volta a acreditar na sua arte e talento, terminando do começo, com a filmagem de O primeiro Desejo, como um resgate de sua alma e o reencontro consigo mesmo. Belo, intenso e principalmente, filmado com cores vivas que contracenam com a falta das mesmas, num polaridade que encanta nossos olhos e nossas almas. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp

sábado, 22 de junho de 2019

INESQUECÍVEIS, RECLUSOS, EXÓTICOS, TRÁGICOS E MELANCÓLICOS ARTISTAS (*)

A arte sempre reuniu gente interessante: excêntricos, revolucionários, intelectuais, nerds e "loucos". Porém, poucos grupos são tão interessantes quanto o dos artistas melancólicos, formado por pessoas que manifestam, através de suas obras, todo o sentimento de solidão e agonia que têm. As personalidades que se encaixam nessa descrição são inúmeras e falar sobre cada uma delas em um mesmo texto seria uma tarefa praticamente impossível. Por isso, já antecipo as minhas desculpas por deixar tantos gênios de fora dessa lista. O Romantismo, movimento literário que surgiu na Europa, traz claramente características melancólicas. Os poetas britânicos Lord Byron e John Keats são exemplos perfeitos disso. Trazem em seus poemas todo o pessimismo e a tristeza do mundo. Viviam deprimidos e expressavam isso em seus belos, mas perturbadores, poemas. O norte-americano Edgar Allan Poe é outro exemplo. O escritor, considerado o pai do romance policial, teve uma vida trágica. Perdeu os pais, sua amada e morreu praticamente desconhecido, muito afetado pelos efeitos do alcoolismo. Suas obras são repletas de mortes, dor e sofrimento. Em muitas delas, fantasmas e outros seres que atormentam os protagonistas, na verdade não existem. São criações da mente dos personagens, que sofrem com o remorso ou a solidão. Na pintura, poucas almas são tão atormentadas quanto a de Van Gogh. Por mais genial que o pintor tenha sido, o reconhecimento veio apenas depois de sua morte. O artista fracassou em muitas coisas que tentou, inclusive, constituir uma família. À beira da loucura, Van Gogh deu fim à sua própria vida, em 1890. Na música os exemplos são muitos e abrangem praticamente todos os estilos. No rock, existem diversos exemplos, como Jim Morrison, Kurt Cobain, Syd Barrett e Renato Russo. Morrison, líder do The Doors, sempre foi polêmico e triste. Suas letras, que mais pareciam poemas pela métrica e linguagem, demonstram isso com exatidão. Usuário de drogas, Morrison foi encontrado morto em sua banheira, aos 27 anos de idade. A história de Kurt Cobain, vocalista e guitarrista do Nirvana, é bem parecida. Ele vivia deprimido e abusava das drogas. Quando conseguiu a fama, sua tristeza aumentou. Ficava frequentemente recluso e acabou se matando, em 1994, depois de deixar uma carta de despedida. O guitarrista Syd Barrett, um dos fundadores do Pink Floyd, era um gênio à frente do seu tempo. Porém, deprimido e usuário constante de alucinógenos, especialmente o LSD, o músico acabou recluso. Passou vários anos isolado, pintando quadros. Em uma ocasião, já depois de ter saído da banda, Barrett apareceu no estúdio em que o Pink Floyd gravava o disco Wish You Were Here. Estava obeso, careca, com as sobrancelhas raspadas e, segundo os membros do próprio Pink Floyd, com o olhar perdido, mais parecido com uma TV fora do ar. No Brasil, provavelmente, o maior exemplo é Renato Russo. As letras da Legião Urbana são, na maior parte, repletas de dor e tristeza. O músico sofria com depressão e tentou o suicídio algumas vezes. A Via Láctea, canção do álbum Tempestade, demonstra muito bem o que sentia Renato Russo, morto em 1996, em decorrência da aids. O cineasta Tim Burton é um exemplo bem contemporâneo daqueles que utilizam a melancolia através da arte. Muitos de seus filmes não têm o tradicional final feliz. Além disso, os personagens de suas animações – que normalmente têm crianças como público-alvo – são bem aterrorizantes. Burton geralmente constrói histórias em que o protagonista não se encaixa na sociedade. Um sentimento que ele tem desde que era criança, quando teve sérios problemas emocionais. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp