sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

FRAGMENTOS DE ANSIEDADE (*)

Dormia e me remexia na cama, o coração apertado, a respiração ofegante. Pensava: - eu deveria estar dormindo melhor, por quê não me acalmo? Estou com sono, quero dormir em paz. Me reviro, me reviro e começo a despertar aos poucos. Olhei para o relógio. Eram 07:30. Mas como se fui dormir às quatro? Lembrei que cheguei um pouco alegre, derrubei algumas coisas, mas estava bem. Passei a lembrar daquele pub, muito Rock n`Roll, muitas pessoas bonitas, mas o clima era pesado. Voltei a tentar dormir, não conseguia. Fui ficando com frio, mais frio e os pensamentos de culpa não saíam de minha cabeça. Pensava que logo teria que me arrumar para viajar, mas não me sentia bem. Como sairia daquela cama sem me sentir bem? Coração acelerado, frio, enjôo e dor de barriga. Decidi me levantar e tomar um banho. Durante o banho, sentia aquela ducha quente tentar me acalmar. Tentava me convencer de que aquela ducha me acalmaria. Coração apertado, ofegante e cabeça a mil. Começava então a me culpar. Você não conseguiu nada de útil em sua vida até hoje. Quem é você? Quando terá uma vida melhor? Por quê não consegue levantar cedo e ir caminhar como as pessoas sãs conseguem? Você está sozinho, está longe de tudo e de todos. Quem é o seu grupo? O que faz neste mundo? Quantos anos você tem? Como esperava que sua vida estivesse quando atingisse esta idade? Onde mora? O que te pertence? Quem te pertence? O que você fez até hoje? Para onde quer ir? (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 WhatsApp

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

EFÊMERO VÔO DO TEMPO (*)

Quanto tempo é para sempre? É o tempo em que ficamos ou a promessa de partirmos? É nunca mais; até à próxima, um instante? Um até já; um momento, um breve fragmento? É um raio de sol que nos cega num morno fim de tarde de Agosto? É a realidade captada pela tua lente: para sempre? É uma ausência que dói; uma gota que se faz mar; um acorde perfeito; uma sinfonia; um choro; um grito? É uma porta que fechas; mais um degrau que avanças; um capítulo encerrado num livro escrito pelo vento ou pintura improvisada na tela quente do teu corpo? Uma reta; uma espera; um passeio? A espuma do nosso banho; a chama daquela vela; a chuva a bater na janela? É a distância que a tua boca demora? Uma carta de despedida, escrita a tinta permanente? Uma árvore que plantas; uma estrela que prometes; uma nuvem que ofereces? Um poema roubado; um fim de tarde inventado? Um banco de jardim e um livro? São memórias, lembranças e histórias, bilhetes confessados em pedaços de papéis rasgados? Para sempre é o tempo suficiente; o tempo que não chega - o tempo que perdemos.Todo o tempo do mundo. Para sempre é um lugar onde moram as promessas, os planos, os sussurros, os pecados; nas madrugadas que não terminam, com corpos que não são nossos em vidas que não nos pertencem. Quanto tempo é para sempre? É hoje: agora - o presente. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial, analista de marketing digital e palestrante. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contatos: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

TU DORMIS ET TEMPUS AMBULAT (*)

E vendo o homem com os olhos abertos como tudo passa, só nós vivemos como se não passássemos. Todos vamos embarcados na mesma nau, que é a vida, e todos navegamos com o mesmo vento, que é o tempo; e assim como na nau uns governam o leme, outros mareiam as velas; uns vigiam, outros dormem; uns passeiam, outros estão assentados; uns cantam, outros jogam, outros comem, outros nenhuma coisa fazem e todos igualmente caminham ao mesmo porto; assim nós, ainda que não pareça, insensivelmente vamos passando sempre e avizinhando-se cada um a seu fim: porque, tu dormes e o tempo anda. Se o Sol que sempre é o mesmo, todos os dias tem um novo nascimento e um novo ocaso, quanto mais o homem por sua natural inconstância tão mutável, que nenhum é hoje o que foi ontem, nem há de ser amanhã o que é hoje! (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial, analista de marketing digital e palestrante. Nove livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contatos: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

domingo, 10 de fevereiro de 2019

MUNDO GLOBALIZADO: DOR E TRAGÉDIA (*)

Alguns historiadores acreditam que a globalização se iniciou no período das Grandes Navegações nos séculos XV e XVI. Motivadas pela expansão do comércio europeu, essas viagens conduziram esses desbravadores ao continente americano, e a algumas áreas na África e Ásia. Com isto, se deu o fim do isolamento em que viviam alguns povos em relação ao resto do mundo. Mas, sem dúvida, o processo se acelerou em todo o planeta nas duas últimas décadas do século XX. Hoje, o mundo inteiro fala de globalização, mas em geral os meios de comunicação e as pessoas dão maior ênfase à globalização da economia mundial e da produção. Quando muito, se fala em um intercâmbio sociocultural sob uma ótica burguesa de troca positiva entre hábitos, costumes, línguas e culturas diferentes. Mas, a pergunta que não quer calar é a seguinte: num mundo onde claramente não existem mais fronteiras nítidas entre os países, onde a interdependência econômica entre as nações é cada vez maior, onde fica o aspecto humano? Será que a globalização só é boa para a expansão de mercados, para a democratização e difusão da informação e de conteúdo científico e para construir fábricas com mão de obra barata para vender produtos a preços inacreditavelmente reduzidos? Quando surge a pedra no sapato da globalização, a gente simplesmente remove e joga-a no lixo, ou deixa a pedra, reacomoda ela dentro do sapato e investiga novas formas de andar? A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) calcula que hoje existem 60 milhões de pessoas que tiveram que ser deslocadas de seus países por conta de guerras e conflitos. A quantidade de pessoas vem crescendo em números alarmantes, tendo aumentado em quase 9 milhões somente em 2013. Esta tendência de crescimento se intensificou desde 2011, com o início da guerra na Síria, que se transformou “no maior evento individual causador de deslocamento no mundo”. Ainda segundo estatísticas das Nações Unidas, 1 em cada 122 indivíduos, no mundo, é refugiado ou solicita refúgio, e se todos juntos formassem a população de um país, seriam “a 24a nação mais populosa do planeta”. De acordo com dados da CNN, a Turquia atualmente abriga quase a metade dos refugiados sírios, cerca de 1.9 milhão (sendo a metade formada por crianças e adolescentes). O Líbano acolheu 1.1 milhão (fazendo com que sua população aumentasse em 25%); a Jordânia recebeu 629.000 refugiados não somente da Síria, mas do Sudão, da Somália e do Iraque; o Egito, 132.000. Até o Iraque, que historicamente enviou milhares de refugiados para a Síria entre 2003 e 2011, fez o fluxo inverso e passou a receber sua população de volta, além dos sírios em busca de asilo. Já foram abrigadas 249.000 pessoas. Este grande fluxo migratório tem enorme impacto na vida da população destes países, visto que não possuem uma economia tão forte quanto a de grandes nações. O que o resto do mundo está fazendo? Diversos países estão recebendo solicitação de asilo, a Alemanha 98.700 (com expectativas destes números aumentarem após o anúncio da Chanceler Angela Merkel de que estariam dispostos a receber 800.000 pessoas); Suécia 64.700 (já tendo demonstrado solidariedade nos anos 90 ao receber 84.000 refugiados dos Balcãs); Reino Unido 7.000 (mas o Primeiro Ministro David Cameron já anunciou que tem capacidade para receber 20.000); França 6.700 (após o presidente François Hollande ter anunciado que poderiam acolher 24.000 estes números devem aumentar); Dinamarca 11.800 (embora as autoridades tenham anunciado via redes sociais e através de anúncios em árabe em jornais libaneses que estão fechando rodovias e estreitando o acesso ao país, pois afirmam não terem condições de acomodar este imenso fluxo de refugiados); e a Hungria, que recebeu 18.800 propostas, mas já deixou uma clara mensagem ao construir uma cerca de arame farpado ao longo de sua fronteira de 160 km. Os EUA, por enquanto, só receberam 1.500 refugiados desde o início do conflito, em 2011. Já o Brasil acolheu cerca de 2.000 sírios no mesmo período. Abrir ou não as fronteiras é uma questão complexa, sem dúvida. Mas é importante lembrar que não estamos passando por uma crise de migração e sim, por uma crise humanitária, de refugiados em busca de asilo. É um problema mundial e como tal, deveria ter uma solução globalmente elaborada, com a devida representação de cada país e levando em consideração suas limitações respectivas: de espaço físico, de empregos, de transporte, de educação e de moradia. A propósito, essa enxurrada de gente não é ativo estático. Em pouco tempo, esse grupo vira mão-de-obra, começa a consumir, a pagar impostos, e, consequentemente, a movimentar a economia. Acredito que com um pouco de planejamento o Brasil poderia, por exemplo, desenvolver programas de incentivo à vinda destes refugiados, com moradia e carteira assinada, para se estabelecerem nas áreas do interior do país. Hoje, 4.1 milhões de pessoas, independentemente de suas nacionalidades, precisam de teto para morar, comida para sobreviver, trabalho para se sustentar e dignidade para viver. Como você e eu. Num mundo globalizado, partilhamos a economia, os mercados e os meios de produção. Mas partilhamos também a dor e a angústia. O sofrimento sírio é meu, é seu, é nosso. A pedra está no sapato de todos nós. (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 WhatsApp

sábado, 9 de fevereiro de 2019

PARA AS PESSOAS INTENSAS CADA DIA É UMA AVENTURA (*)

Todo homem sonha com uma mulher intensa, apaixonada, fogosa, tão quente que bote fogo só de andar até a sua presença, mas vocês já pararam para pensar que existem milhares de mulheres tão vigorosas como as grandes divas de Hollywood e vocês se põem em disparada quando conhecem uma dessas? Será a profundidade que os assusta? Intensidade é algo forte demais, faz cair máscaras, faz você não querer mais nada de superficial. Quando você encontra alguém intenso, sabe que dali para a frente não tem mais volta, cada gole que você dá no fulgor da intensidade, é uma caminhada sem volta para o aprofundamento da alma. Tocar nessa intensidade é uma abertura para novos mundos, é sentir à flor da pele, é descobrir que amor é “fogo que arde sem se ver”. Ser uma pessoa intensa é ser indecisa, mas não ter medo dessa indecisão, é entrar de cabeça em tudo, sem receio, sem freio. O próprio intenso sofre com tantos sentimentos dentro de si, mas se existissem pessoas aptas a partilharem desses sentimentos com ele, seria tudo mais fácil. Ser intenso é ser impulsivo, é sentir e logo depois não sentir mais, é se atrapalhar com tudo que sente dentro de si, e é tudo isso que faz desse tipo de pessoa algo tão especial e tão desejado na vida, mas também, tão solitário. É difícil de entender, e só pode ser compreendido com intimidade e o coração aberto. Seu problema maior é a complexidade de tanto ímpeto, tem tanta personalidade que não sabe deixar um assunto para depois, não recua perante injustiças, não recua perante a oportunidade de um amor, não recua perante conhecer melhor outras pessoas. E é exatamente esse olhar perante a vida que afugenta, oprime, assusta aqueles que estão acostumados somente com coisas mornas. As pessoas preferem comer pelas beiradas, ficar apenas no raso. Conhecer dá frio na barriga, ou você passa a odiar a pessoa, ou ela te cativa de tal modo que você se torna totalmente dependente. Mas nesse mundo de fast food ninguém tem tempo para se deixar cativar, quando você está começando a conhecer uma pessoa, ela perde a graça, passa do tempo de validade. Para o intenso o entusiasmo é algo corriqueiro na vida, ele se entusiasma com desafios, se entusiasma com momentos, se entusiasma com pessoas, e isso é mais uma coisa que afugenta os outros, esse entusiasmo ao invés de contagiar, acaba por afastar pessoas que tem medo de se entregar. O intenso vive em cima da corda bamba, se ele se desequilibra para um lado, a vida é 8, se ele se equilibra para o outro, a vida é 80. É difícil desacelerar, e ainda mais parar por um momento e refletir sobre o que ele está fazendo, mas quando ele para, e vê que sua intensidade está sendo usada no local errado, ele parte sem dúvidas para um próximo porto. Nunca peça para um intenso ser menos, isso é rouba-lo de si próprio. Viver com um intenso não é fácil, mas te prometo que não existem dias chatos do lado de alguém assim. Cada dia é uma aventura e a descoberta de que os sentimentos podem ser muito maiores do que você imagina. (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 WhatsApp

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ALMAS ENTERRADAS NA LAMA (*)

Onde os urubus e abutres desfilam de gravata, sapatos lustrados e ternos, não muito longe de lá, alguns homens de poucos risos, bravios, guerreiros, esbaforidos se atiram na lama com a língua para fora da boca. Contextualização: Mais uma vez prevaleceu a irresponsabilidade, a falta de escrúpulo, a falta de caráter, a falta de critérios técnicos, a falta de respeito e compromisso com a Vida, a falta profissionalismo daqueles que se intitulam como administradores, gabaritados coordenadores e gerenciadores de projetos que ganham rios de dinheiro para falar o óbvio; em contrapartida, sobrou lamaçal nos olhos dos humildes operários; sobrou o solícito rejeito químico pincelando flores, casas, carros e folhagens de barro com a cor densa/avermelhada. Ambientalmente, por onde a tragédia passou, levou consigo a fauna e flora. Não raro, a poesia está para o caos, assim como a racionalidade está para a comprometida verdade; e fundindo poesia e racionalidade, temos a TCA: Trágica Cultura do Absurdo; sob a qual, tudo torna-se normalidade diante das justificativas humanas, quando não, insinuam que foi fatalidade advinda da maldita Natureza. Será? Dizendo adeus ao pequeno relato sobre certo período do Império e ao mando estabelecido, viajamos por mais de um século nas asas do tempo e aterrissamos nos dias atuais. Sórdidos dias atuais, os quais tudo se teoriza, tudo se sabe, tudo se explica e não aparece um, apenas um dos que teorizam e explicam para resolver; e quando não se prevê e resolve antecipadamente as tragédias do eterno retorno, salve-se quem puder. Por outro lado, morre quem morre! O Brazil não conhece, tapa os olhos para a alma líquida que o Brasil carrega na mala, levando-a para banhar-se em um mar de lama. Lamas na mala, almas na lama! Uma vez que a linguagem poética imita a vida e ninguém morre no lugar de ninguém, conclui-se que nem toda desgraça é desprezível, vil, má, ignóbil, inútil e ainda que ínfima, alguma coisa dos restos e sobras prestam aos homens que ficaram para contar a história da tragédia. Atente-se o leitor, que o Profeta do Arauto criou um lindo e expressivo anagrama. Sinta-se capaz, e crie coisas legais com as desgraças advindas do rompimento da barragem. Porém, se não for suficiente, repare bem o cotidiano ao seu redor e verás que inspiração é o que não falta. Quem sabe o caro leitor se descubra um artista de alto valor em potencial e concorra ao Prêmio Nobel na modalidade de arte escolhida. Desde já, a cultura intelectual seletiva brasileira agradece! Por que de charlatanismo acusador, basta o escritor furacão Profeta do Arauto. Em novembro de 2015, na mesma região onde está situado o quadrilátero ferrífero, segundo palavras de Ambientalistas, houve o maior desastre, a maior catástrofe ambiental brasileira. A tragédia ocorrera em Mariana e na ocasião, o lamaçal proveniente barragem de Fundão fizera um estrago sem proporções; com a grossa lama química dizimando gente; atropelando casas e carros; desapropriando escolas e hospitais; desalojando escolares, professores, litros de soro, remédios e pacientes; criando redemoinhos insanos; pondo abaixo volumosas árvores seculares; poluindo rios, efluentes e afluentes límpidos, indo parar em determinado ponto da costa marítima do Espírito Santo. A tragédia e as muitas sêquelas deixadas foram motivo de alarde geral e dignas dos maiores impropérios contra a Samarco; empresa prestadora de serviços para a Vale do Rio Doce. Contudo, de lá para cá, 3 anos se passaram e como diz o ditado, cão que muito late, nada abocanha o afanador e ladrão de joias; e fora as absurdas imagens que tatuaram as emoções e mentes dos lesionados, o restante da tragédia caíra em inerte sonolência; em profundo esquecimento. Até o instante que escrevia o segundo parágrafo deste sinistro texto, silêncio de morte. Contudo, ao iniciar o terceiro parágrafo, um berro gutural escapou das entranhas da Natureza; e alvoroçada pela atrocidade a qual fora acometida, pedia socorro urgente. Afinal, diante de tantos pequenos desastres suportados por ele no dia a dia, qual a dimensão da tragédia ocorrida para deixar o Meio Ambiente tão atônito e apreensivo de um momento ao outro?! Ao ouvir os berros ensurdecedores, lembrei-me da analfabeta, estúpida, sábia, filósofa, psicóloga, devota de Santa Retidão e minha mãe, que paulatinamente alertava-me dizendo que quando o sujeito perde a vergonha, torna-se safado por fé e crença, pode caminhar em passos lentos, observando minuciosamente a estrada de mão única de Ushuaia ao pé da Argentina, até o Japão, que jamais encontrará o tesouro que perdeu. Afirmava a filósofa de tempos que estavam por vir, que o fulano cruzaria com a vergonha inúmeras vezes, sem no entanto, ser reconhecido por ela. Então, eu que tomasse cuidado, pois para perder a vergonha era fácil; difícil era achá-la, como também não seria nada fácil tornar-me confiável o bastante, para reconquistá-la. Sem sair do lugar e apenas idealizando um mundo humanista/vivencial, a minha orientadora tinha razão, conhecimento e bagagem experiencial suficientes, a ponto de jamais gastar saliva, jogando conversa fora. Cada palavra era fundamentada sob verdade absoluta vista à olhos nus. Pois bem, infelizmente, o homem (letras minúsculas) tem a capacidade inata, tem o dom único, para produzir tragédias. Niilista, esse traste não comete pequenos erros, mas sim tsunamis e terremotos. Em nome do progresso e na busca incessante dos lucros, o homem acaba cometendo as maiores barbáries e atrocidades, quando não é contra o homem, é contra o meio ambiente; mas também pode ser contra Natureza e homem. Desgraça pouca é tolice; e está escrito nos anais de História que essa plaga destruidora universal, quando é para o seu interesse e mais meia dúzia de capangas aliados, é versátil e presta, quase que exclusivamente à destruição em massa. Existe um dito chinês que diz o seguinte: “Quem abre o coração à ambição, fecha-o à tranquilidade”. Aquilo que para minha mãe não passava de uma “Grande Tragédia Anunciada”, os usurpadores da Natureza e governantes costumam resumir num simples eufemismo: “fatalidade fortuita", como disse Sérgio Bermudes, advogado - rábula, por assim dizer - da Vale. Quanto ganha em dinheiro vivo um egrégio doutor "Gravatinha" para defender uma tese infeliz, absurda, grotesca, disparatada, como a dita acima? Recordando Machado de Assis, "há pessoas elegantes e pessoas enfeitadas". Permita-me Machado, dizer que, claro que há umas poucas pessoas de rara gentileza e elegantes no trato humano; e fazem o bem sem barganhar, sem pedir nada em troca. Mas, repito: é raro, é uma em cada um milhão de pessoas. Todavia, de fatalidade e tragédia natural não houve nada; mesmo porquê, o número de barragens de rejeito de materiais condenadas ao uso na região, é quase totalidade. Além do mais, a profícua e indefesa Natureza é dadivosa e trabalhando em silêncio, produz, renovam as belezas, sem no entanto, deixar rastros de destruição. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, gestor editorial, biógrafo, ensaísta e redator publicitário. Dez livros publicados. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 / Email: autoreugeniosantana9@gmail.com

HÁ AQUELES QUE INVEJAM QUALQUER BRILHO QUE ENCONTREM EM SEU OLHAR (*)

Não controlaremos os acontecimentos, o rumo dos comportamentos alheios, as escolhas dos outros, nem a forma como cada um decidirá viver. Quando muito, conseguiremos planejar nossas ações e torcer para que deem certo. Sabedoria, portanto, é controlar a forma como reagimos ao que nos acontece. Precisamos entender que as pessoas vêm de lugares diferentes, passaram por experiências únicas, carregando dentro de si bagagens muito peculiares. A vida derruba todo mundo, de uma ou de outra forma, e cada um lida com aquilo tudo à sua própria maneira. Cada ser é um universo, felizmente, e responderá ao que chega de acordo com as batidas do próprio coração. Da mesma forma, cada um dá o que possui dentro de si, ou seja, esperarmos demais de quem tem a oferecer de menos será infrutífero. Existem pessoas machucadas, perdidas, infelizes, que não sabem lidar com as próprias dores, não possuem coragem para enfrentar os próprios fantasmas, tampouco assumem o que são realmente. Com isso, acabam destilando por aí todo o veneno que lhes corrói a alma, na vã tentativa de se livrarem do enorme incômodo que lhes perturba os pensamentos. O mau humor será a companhia deles, que não conseguirão ser leais e gentis, desrespeitando quem encontrarem pela frente. Há aqueles que invejam qualquer brilho que encontrem por aí. Sentem-se diminutos e incapazes de conquistar qualquer coisa e, por isso, desejam que todos, à sua volta, percam e não deem certo. Em vez de usarem as habilidades que possuem para chegar até onde o outro está, tentam destruir o invejado, com atitudes desonestas, mentiras, fofocas e difamação. Sentem-se infelizes e incapazes e jamais perdoarão a quem conseguir alcançar qualquer sonho que seja. Eis algumas razões por que encontraremos quem não nos respeitará, pois, na verdade, trata-se de pessoas que não se respeitam e não respeitam ninguém. Portanto, enquanto seguir, você terá que se recusar a ser desrespeitado, impondo limites, negando-se a ouvir o que não deve, a aceitar o que não lhe cabe, a receber menos do que merece, afastando-se de lugares e de pessoas onde sua dignidade é açoitada, onde suas verdades são desprezadas, onde você tenha que se humilhar para ser ouvido. É assim que conseguirá viver o que faz vibrar o seu coração, sem se afogar em palavras não ditas e em desejos enterrados sob os mandos e desmandos de quem não respeita quem você é de fato. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, ensaísta, redator publicitário, copidesque, revisor de texto, blogueiro, biógrafo e jornalista profissional. Autor de dez livros publicados. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp - email: autoreugeniosantana11.11@gmail.com

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

FALHA E LIMITADA, EIS A NATUREZA HUMANA (*)

A sociedade perde a cada dia que passa o resto de humanidade que existe no anseio de uma esperança por dias melhores. Quem se depara com o atual cenário de injustiças sociais em que o mundo se encontra e não se comove é porque já está morto por dentro e de que vale viver então? A gente tem deixado o mais importante de lado e focado apenas nas nossas próprias ambições, em nossos próprios desejos, e o pecado disso está baseado em uma vida que não respeita a vida do outro, que não enxerga limite, que se acha superior a alguém. E enquanto a gente busca ser e estar melhor do que o outro, a gente perde o pouco quase nada que sobrava da nossa humanidade. A gente não tolera. A gente não suporta. A gente não pratica empatia. A gente em nenhuma hipótese tem um bom coração. Qual o significado real de se sentir melhor e querer estar superior a alguém? De que vale a nossa ambição alicerçada em um egoísmo, em um egocentrismo capaz de destruir o nosso sentimento de humanidade? Quando a gente lamenta que a pessoa não morreu com a facada, quando a gente acha graça em pessoas que quebram a placa de homenagem para uma pessoa que foi assassinada por defender os direitos humanos, quando a gente faz piada porque alguém está sofrendo ameaças de morte, a gente perdeu. A gente falhou como ser humano. Tudo isso porque a gente cai na graça infeliz da hipocrisia dos nossos discursos dado que na realidade poucos são aqueles que realmente se abrem ao diálogo e respeita o outro, o espaço do outro, a liberdade do outro. Todo mundo que fere a liberdade de alguém não passa de uma pessoa perdida pelas coisas do mundo. Quando a gente quer ter o poder e o controle de algo que ultrapassa o sentido da individualidade e da singularidade de cada um, a gente quer que apenas o nosso seja reconhecido, a gente pensa que só o nosso importa e está certo. E a partir disso, a gente vira uma casta de pessoas que não se importam com o necessário. Não se importam com o amor. O que falta no mundo, eu não sei se é uma falta, mas o problema mesmo da prática disso que é tanto dito. Falta a prática do amor e com isso eu quero dizer um respeito, um companheirismo, uma solidariedade, uma empatia com o outro. Se a gente não ama e não vive atrelada a consciência de que existem pessoas e em uma hora todas vão morrer e então se deve aproveitar isso aqui com delicadeza, sentimentos bons e verdade, a gente escolhe viver se direcionando para coisas que só nos mostra o quanto ninguém entendeu nada e está todo mundo perdido. Querer se sentir melhor que o outro, procurar ofender alguém e coisas desse teor é viver por uma aparência e de nada adianta se tornar alguém perante a sociedade se no fundo você é vazio e totalmente desrespeitou o outro e a sua própria oportunidade de viver e fazer o bem. Amar. Como já dizia Freud, ame para não adoecer. (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 WhatsApp

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

DOENÇAS DA ALMA: ANGÚSTIA, ANSIEDADE, BIPOLARIDADE, DEPRESSÃO (*)

Existe certa dificuldade de se aceitarem as chamadas “doenças da alma”, uma vez que seus sintomas muitas vezes não são visíveis fisicamente. Estamos tão acostumados a enxergar apenas o que pode ser visto, que tudo aquilo que os olhos não veem cerca-se de hesitações. Materialistas que somos, amantes das aparências, tendemos a neutralizar o que requer profundidade e sentimento. Nesse contexto, pode-se dizer que há um certo preconceito em relação a estados de espírito, pois, caso não existam sintomas visíveis, a doença existe como? E é assim que muitas pessoas reagem mal ao se depararem com doenças e/ou transtornos mentais, não os aceitando, inclusive desdenhando de quem padece desses males. Afinal, vendo a pessoa, ali na frente, sem manchas pelo corpo, sem febre, aparentemente normal, a muitos não ocorre perceber que há um mundo dentro de cada um de nós. Possivelmente, somente quem já passou por um quadro depressivo ou viu algum familiar assim pode dimensionar a dor que isso traz, tanto para quem sofre como para quem ama e convive com ele, da mesma forma ocorrendo com transtorno ansiedade generalizada e bipolaridade. Todos os envolvidos acabam atingidos de alguma forma, porque as cicatrizes são invisíveis e o pedido de socorro vem do fundo do olhar. Se atentarmos para as características da sociedade de hoje, perceberemos que há um terreno propício para que o emocional se abale, haja vista a pouca importância dada ao que vem de dentro de cada um. A supervalorização das superficialidades, a superexposição de conquistas materiais, a busca desenfreada pela fama virtual, entre outros, caracterizam uma sociedade descuidada com o que os sentimentos possam dizer e, portanto, claramente suscetível a padecer de doenças emocionais. A depressão é escuridão. A ansiedade é desespero. A bipolaridade é insegurança. E vice-versa. Enquanto os sentimentos não forem valorizados pela sociedade, as doenças da alma dificilmente serão encaradas socialmente com a urgência que se requer, como realmente deveria ser. Se o essencial é invisível aos olhos, as escuridões dolorosas de uma alma que sofre também o são. Entender isso é o mínimo a se fazer. Com urgência. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial, analista de marketing digital e palestrante. Nove livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contatos: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

sábado, 2 de fevereiro de 2019

QUEM É O GUARDIÃO DA PALAVRA? (*)

Eis a essência da sombra: o princípio e o fim da tua procura catártica. Aqui, as pessoas se confundem, se refugiam, se despem, se questionam: cobras, lagartos, colibris, borboletas, morcegos; aqueles que habitam as teias espessas do anonimato e formam tentáculos de Ariadne. Individualmente, cada um pode ser o que quiser, fazer o que quiser: os olhos na tela e o mundo nas mãos. Não interessa de onde venha ou para onde vá: ninguém passa impunemente por esse espaço de fragmentos, miscelâneas, economia verbal; linguagem coloquial e monossilábica; artigos prolixos – pró-lixos, jurássicos ou não – artigos longos e enfadonhos, palavrórios, estilhaços filosóficos, estilhaços oníricos e holísticos... Aqui sobrepõe e sobressai o livre-arbítrio e nenhuma mordaça jamais nos alcançará. Não acreditamos em almas-gêmeas. Algemas explodidas, implodidas. Este é o território inóspito do caos. É também solo do sagrado, onde reinam homens e mulheres, anciãos e bebês, carne e osso, Deus e o “encardido”. Onde (re)encontro você. Onde transcendo. E atinjo o zênite e o self e, por vezes, encontro a mimesmo. Você me questiona quem sou e, no instante em que sua curiosidade beira a insanidade, torno-me o nítido e letal veneno do seu temor e te convido a voar por meio de minha alma alada. Eu sou o guardião das sombras esquecidas e o Anjo da Luz revisitado. A nau é frágil? Naufrágio. Ícaro que inibe e instiga. Ânfora com sede. O ponto de exclamação. Junto ocidente e oriente; vida e transição; yin e yang; caos, utopia e paixão. Crepúsculos e Auroras. Nasço a cada findar de um novo dia. Permaneço pequeno, ínfimo. O olhar, ainda gótico. Orgulho-me de ter crescido envolto em névoa e neblina de Arte e Cultura. Lamento meu piano fechado, minha flauta quebrada, meu violino de cordas partidas. Meu pulo impreciso. Decidi viver do limbo virtual e real, arquiteto da pá lavra... basta-me existir e persistir e seguir resiliente aonde as estradas são janelas do Nada. Nadar. Nadir? Inspiro quando leio, escravo enquanto escrevo. Os dedos e os olhos sempre inquietos, a cabeça pulsante, buscando a ousadia, criativo e perfeccionista. E o pássaro voa, sobrevoando pudores, sentindo outros odores, alçando vôos inimagináveis; cantando para deixar brotar a Utopia. Aproxime-se! Há repulsa e irresistível atração. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, gestor editorial, assessor de imprensa, relações, redator publicitário, biógrafo e blogueiro; Ex Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro. Nove livros publicados. Atualmente, radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

AS CANÇÕES DO ESQUECIMENTO (*)

Ironicamente minhas canções do “ouvido” são saboreadas, hoje, apenas por meio de Sarah Brightman, Loreena Mckinnit, Vander Lee, Paulinho Pedra Azul, Legião Urbana, Ana Carolina, Zeca Baleiro, Madredeus, e Marisa Monte. Para ouvir e escrever, em meus devaneios notívagos, aprecio Gheorge Zamfir, Debussy, Beethoven, Mozart e Secret Garden. “As Canções do Olvido” fogem à encantadora magia musical. Ainda que, música e literatura transforma-se em uma simbiose perfeita. São fragmentos arrancados das Asas da Memória do mineiro-menino de Paracatu de antanho e do moço-velho de hoje. Cidades são pessoas e seus bairros braços-tentáculos, coração, músculo, alma noturna, caos urbano, agressão à Natureza, devastação do Meio Ambiente de forma gratuita, cruel. Meio século de vivência no planeta-escola. E as pessoas? Continuam vivenciando a zona de conforto na mesmice robotizada; não mudaram a essência que as caracterizam: inveja, pré-conceito, pré-julgamento, falta de ética. Continuam arrogantes, pretensiosas, autoritárias, vingativas, hedonistas, cruéis, sarcásticas, hipócritas e medíocres. Salvo raríssimas e honrosas exceções. E o século vinte e um é marcado pela inversão de valores, cujo epicentro é o cérebro guiado pelo reflexo condicionado às novas tecnologias que robotiza e coisifica. Quanto às drogas pululam por aí uma centena delas, atuando como fuga e válvula de escape, inapelavelmente. E o ser despersonalizado comete os piores abusos a si mesmo e inomináveis atrocidades contra pessoas inocentes e indefesas. A harmonia do planeta Terra acabou: por conta do desmatamento liquidaram com os rios, as florestas, o cerrado, a fauna, a flora e os pássaros; e o clima? As estações estão em desequilíbrio e a temperatura até 2039 está prevista para os 50 graus. Em as “As Canções do Olvido”, reafirmo que fui feliz e me senti realizado: minha infância em Paracatu, Minas Gerais, a adolescência em Anápolis, o alumbramento ao conhecer e morar no Rio de Janeiro e experimentá-lo; e a juventude, em Brasília, cidade na qual vivi o apogeu do aperfeiçoamento profissional e intelectual. O casamento, os dois primeiros livros publicados, a faculdade, a Rosacruz e a boêmia musical e literária na Asa Norte de Renato Russo e cia. Concernente aos amigos, intermináveis frustrações e traições dissimuladas. Guardo cicatrizes ocultas nas costas, por conta de incontáveis punhaladas. Ainda assim, agradeço o aprendizado e os perdôo. Sei que Dói, fere, machuca. Não há nada comparável ao perdão para sairmos de alma lavada de qualquer situação-limite. Meu estigma positivo: vim a este mundo para perdoar, amar e esquecer o mal que ousaram inutilmente me insuflar e, assim, viajo, sereno, através das Asas do Esquecimento. Afinal, o escritor é a antena do mundo e um inquestionável Lobo Solitário; o poeta, um Anjo visionário de Asas líquidas sobre a terra. O jornalista, como formador de opinião e comprometido com a Verdade, está constantemente contrariando os imbecis e sob a mira ameaçadora do “Sistema” e dos poderosos que o compõem. Fica fora do Esquecimento o Amor verdadeiro, incondicional e autêntico do meu pai e de minha mãe que estão, cumprindo novo ciclo, no Plano Infinito. São os autores de minha vida, devo a eles tudo o que eu sou e, diariamente, lembro-me deles com saudade e sussurro que são os únicos amores confiáveis, eternamente. Quanto ao resto é resto mesmo. Dejeto não reciclável. Lixo humano. Prolixos na tarefa abjeta de caluniar, difamar, invejar e prejudicar. Eu os entrego, víboras malditas, canalhas e pusilânimes, para a Justiça Divina - A Justiça Azul e Cósmica. Essa age célere e é extremamente eficaz e implacável. E na voz do silêncio do Esquecimento, aos que me torturaram e causaram perdas irreparáveis, o meu perdão. Sigo o exemplo e os passos do Mestre do Amor e da Sabedoria. Contudo, ninguém retira de mim “As Canções do Olvido”. Ainda que, os dispensáveis seres sombrios e rastejantes tenham dúvida: SER ESCRITOR é uma MISSÃO que o TODO-PODEROSO me concedeu. Prometo cumpri-la até o último dia de minha vida. Palavra de Autor! “As Canções do Olvido”, não serão ouvidas. Será lida pela minha “tribo cósmica” e o meu grupo de Leitores vorazes, leais e fiéis. Maktub. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial, analista de marketing digital e palestrante. Nove livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contatos: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

UMA SAUDADE QUE NÃO DÓI (*)

A vida é uma eterna estrada cheia de idas e vindas. É como uma estação de trem com chegadas e partidas das quais não temos controle algum. Algumas dessas chegadas e partidas são permanentes, outras são provisórias, entretanto, isso não define a intensidade dos relacionamentos que construímos e tão pouco a profundidade de nosso amor. Às vezes uma pessoa que está em nossa vida há seis meses significa mais do que uma que está há cinco anos. O tempo mede momentos, mas não sentimentos. Apesar de saber que as pessoas vêm e vão, ainda assim, nunca estaremos preparados para ganhar ou perder, pelo menos não quando se trata de alguém que nos é tão caro. Ao longo da nossa jornada encontramos vários tipos de pessoas. Algumas nos marcam demais, nos deixam cicatrizes eternas. Algumas chegam e ficam para sempre. Outras vêm e vão sem deixar marcas. Algumas não querem partir, mas às vezes precisam. Outras não fazem o mínimo esforço para ficar. E há ainda aquelas que deixam apenas uma saudade que apesar de ser saudade não dói. Seja como for, cada pessoa tem seu propósito em nossa vida, mesmo quando não sabemos o significado dele. Uma vez eu li a seguinte frase: “cada pessoa que passa em nossa vida, deixa um pedaço de si e leva um pedaço nosso”, essa é uma das frases mais verdadeiras que já li. Somos a junção de todos aqueles que de algum modo já foram nosso e doamos, mesmo que involuntariamente, um pedaço nosso para aqueles que decidem seguir por um caminho diferente. Podemos facilmente nos habituar a ganhar pessoas, mas dificilmente saberemos lidar com as perdas, não importa quantas delas aconteçam ao longo da estrada, sempre parecerá a primeira vez. Então, acho que depois de tantas chegadas e partidas posso dizer: se quer entrar em minha vida fique à vontade, a porta está aberta. Se quiser fazer morada em meu coração eu certamente te receberei com muito carinho. Mas só entre se for para ficar. Aqui não é estadia temporária, é lar permanente. (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 WhatsApp

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

FRAGMENTOS DO CORAÇÃO (*)

Todo relacionamento deve ser cultivado visando criar a maior sinergia possível entre o casal. Entretanto, algumas pessoas têm a terrível mania de consertar o que não tem mais jeito. Seu relacionamento está passando por uma crise ou já terminou faz tempo? Na vida é preciso fazer alguns ajustes, consertos fazem parte. Entretanto, o remendo enquanto hábito evidencia que algo está errado. Viver uma relação abusiva que traz só tormenta não é a resposta para nada. Passar os anos como um “remendador” destrói a autoestima e o valor próprio ao se comportar como um escravo sentimental. Será a pessoa capaz de remendar a si mesma depois de tanto tempo tentando remendar uma relação quebrada? Quem vive juntando os próprios cacos emocionais está mais perto das trevas do que a luz do amor libertador. Uma relação amorosa de excelência infelizmente ainda são exceções. Boa parte das pessoas finge não apenas para o grande público, mas sobretudo para si mesmo. E desse modo vão seguindo os dias como se não tivessem outras alternativas ou esperança de uma mudança maior. Preferem a certeza dos remendos ao invés do desconhecido longe da zona de conforto. Remende suas feridas, remende seu comportamento, remende até o que não for seu. No entanto, não reclame se o universo não o remendar de alguma forma. Afinal, de que adiante pedir uma solução ao cosmos se nem ao menos o seu coração você dá ouvidos? E muitas vezes é melhor recomeçar uma centena de vezes ao invés de ficar aprisionado na primeira armadilha. Um conserto que nunca tem fim é uma forma de autocastigo? (*) EUGENIO SANTANA é Gestor editorial, Assessor de imprensa, Analista de Marketing digital, Crítico literário, Outsider, Blogueiro; Self-made man. Escreve Biografias. Autor de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. (41) 9547-0100 ZapZap