sábado, 23 de novembro de 2019

COMO SUPERAR O FIM DE UM RELACIONAMENTO AFETIVO? (*)

Para curar um “coração partido”, você precisa se isolar de todas as lembranças e referências do ex-companheiro ou companheira. Para isso, evite falar ou encontrar com a pessoa que deseja “esquecer”. Sabemos que pode ser muito difícil, pois provavelmente vocês têm muitos amigos em comum, mas acredite que este é o primeiro grande passo rumo à sua "desintoxicação". Como já dizia a antiga máxima popular: “o que os olhos não vêem, o coração não sente”. Quando estamos num relacionamento por muito tempo, podemos “perder” ou “esquecer” a essência de quem somos como seres individuais para viver a vida de casal. Bem, está na hora de (re)descobrir a sua identidade! Quem você é? O que te deixa feliz, triste, irritado? Quais as suas aspirações e desejos pessoais? Se concentre em tentar se autoconhecer e invista em VOCÊ! Se inscreva na academia, mude de look, se matricule num curso que sempre sonhou em se especializar, enfim… as opções são inesgotáveis! Muitas coisas ficam por dizer no fim de um relacionamento, na maioria das vezes… Pensamentos, histórias, frases, idéias… Palavras que não foram ditas, mas que permanecem presas na sua cabeça. Liberte-as! Escrever é uma ótima alternativa para te ajudar a descarregar toda a carga emocional que dificulta a superação do fim do relacionamento. Ninguém precisa ler o que você escreve, não se preocupe. Encare isso apenas como uma terapia pessoal, ok? Foque toda a sua energia em algo que possa servir como uma “distração” para a montanha-russa de sentimentos que insistem em te tirar o sono. Seja um projeto filantrópico, um curso de culinária oriental ou aulas de salsa, não importa, contanto que você tenha rotinas diárias e objetivos para atingir. Esta também pode ser uma excelente oportunidade de pensar em dar um novo passo no seu trabalho, investindo toda a sua concentração e tempo na evolução da sua carreira. Se você tem um “pé de meia” guardado, aproveite para fazer aquela viagem que sempre sonhou! Tire um tempo para conhecer novas culturas, viver aventuras diferentes e conhecer lugares inusitados. Além de ser uma excelente oportunidade de autoconhecimento e crescimento pessoal, também conhecerá muitas pessoas interessantes pelo caminho… quem sabe até mesmo um novo amor. Remoer o passado pensando no que poderia ter feito para evitar o fim do relacionamento ou nutrir raiva e sentimento de vingança contra o/a ex não vai te ajudar a dar a volta por cima! Como eu disse antes, se concentre nas coisas que fará DAQUI PARA FRENTE! Pense no SEU futuro, afinal de contas você ainda tem uma vida inteira pela frente! E mesmo seguindo todas as minhas dicas, não esqueça: dê tempo ao tempo! Não tenha vergonha de desabafar com o melhor amigo, chorar ou passar o fim de semana vendo filmes românticos e comendo sorvete de pijamas na cama… Existe um limite daquilo que você poderá fazer para se sentir bem e o resto… Bem, o resto é com o tempo. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 9.9667-8484 WhatsApp

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

RICO E ATEMPORAL É O LEGADO FILOSÓFICO DE NIETZSCHE (*)

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 1844 na cidade de Röcken, Alemanha. Ele cresceu em um ambiente ortodoxo e protestante dominado por mulheres; seu pai era pastor evangélico e faleceu quando ele tinha cinco anos de idade. Nietzsche estudou em um orfanato na maior parte de sua formação escolar. Ele se interessava principalmente por antiguidade grega e romana. Cursou filosofia clássica nas universidades de Bonn e Leipzig. Nesta última, ele estabeleceu contato primordial com as ideias de Arthur Schopenhauer, seu maior influenciador literário, e com a música clássica de Wagner, compositor que admirava e que mais tarde se tornaria seu amigo pessoal. Em 1869, com 25 anos de idade, Nietzsche atuava como professor de filologia clássica na Universidade da Basileia. Contudo, seu ofício foi interrompido um ano depois, quando eclodiu a Guerra Franco-Prussiana. O alemão participou ativamente do conflito como enfermeiro, até ser obrigado a abandonar a função por causa de uma gravíssima disenteria, da qual nunca se recuperou totalmente. No ano de 1881, Nietzsche conheceu a mulher de sua vida: Lou Andreas Salomé, por quem se apaixonou perdidamente. Mas, por crueldade do destino, ela acabou se casando com um amigo seu. Essa traição estapafúrdia foi o estopim para consolidar nele uma forte misoginia e ceticismo em relação ao amor. O coração de Nietzsche nunca mais seria habitado por alguém além de si mesmo. O alemão passou a desenvolver uma resistência afetiva quase que completamente ascética, do que surpreende sua estrondosa sensibilidade na investigação de assuntos humanos. Solitário e inconsolável de amor, mais frívolo do que antes, o filósofo estabeleceu-se na Riviera francesa e no norte da Itália, lugares que ele considerava frutíferos para pensar e escrever. Imensamente frustrado por suas obras não serem consideradas pelo público, ele passou a sofrer de acessos de loucura e paranoia em 1889, quando morava em Turim e já estava praticamente cego, literal e naturalmente. Depois de ficar internado em algumas clínicas de reabilitação na Basileia, Nietzsche passaria o fim de sua vida na casa da mãe e da irmã, esta que cuidou dele até ele morrer. O alemão se foi em 1900. Apesar do melancólico fim, Nietzsche deixou um legado filosófico riquíssimo que até hoje não perdeu o poder inspirador e efetivo. A seguir, encontram-se 20 das maiores ideias do filósofo: 1. O destino dos homens é feito de momentos felizes e não de épocas felizes A felicidade costuma ser frágil e volátil, por isso só é possível senti-la em certos momentos. Se pudéssemos experimentar a felicidade ininterruptamente, ela perderia todo seu valor, uma vez que só percebemos ser felizes por comparação. Após um dia inteiro de trabalho, um pouco de descanso é tudo que queremos. Após um dia inteiro de chuva, o raiar do sol nos é maravilhoso. Da mesma forma, a alegria aparenta ser genuína e intensa quando atravessamos um período de tristeza. A obrigação de ser feliz é grande motivadora de estresse e frustração. Nietzsche nos lembra: "A felicidade vem em lampejos. Tentar fazer com que ela dure para sempre é aniquilar esses lampejos que nos ajudam a seguir em frente no longo e tortuoso caminho da vida." 2. A verdade é uma vontade de engano Nietzsche pensava que a verdade em que se acredita nada mais é do que uma crença na veracidade de um engano. Sendo assim, a verdade seria uma ilusão de criação. O autor refere-se à verdade como sendo uma vontade. Para ele, a verdade não é uma coisa que está ali para se descobrir, mas algo que está por criar e que dá nome a um processo. Nietzsche entende que a vontade de verdade decorre de uma vontade de engano: a necessidade de se atribuir um determinado valor à categoria de verdade para fazê-lo mais forte e poderoso a fim de que se possa acreditar nele. Porém, como este valor foi criado historicamente, seria um engano tê-lo por definitivo. "Verdade: em minha maneira de pensar, a verdade não significa necessariamente o contrário de um erro, mas, somente, e em todos os casos mais decisivos, a posição ocupada por diferentes erros uns em relação aos outros." Se se aceita a verdade como moral, ela representa uma conduta necessária. É impossível viver sem ter representações morais da verdade. Precisamos acreditar na verdade para validarmos nossa existência, por exemplo, sem a qual não haveria engano. Para Nietzsche, a vontade de verdade e a vontade de engano são a mesma, só que observadas de duas perspectivas diferentes. A vontade de verdade, a busca da verdade e a crença nesta verdade decorrem da necessidade de se acreditar nas construções históricas e culturais. 3. A mentira mais comum é a que um homem usa para enganar a si mesmo Mentimos para sermos mais felizes, embora se prefira negar. Niezsche costumava dizer que "enganar os outros é um defeito insignificante, pois o que nos transforma em monstros é o autoengano". De fato, é muito mais fácil não admitir que se está errado do que aceitar o próprio erro. Às vezes, basta assumir humildemente um erro; apenas dessa forma nos contentaremos com as consequências de uma ilusão que possa ser vivida. 4. A potência intelectual de um homem se mede pelo humor que ele é capaz de manifestar Por várias vezes, Nietzsche falou sobre a importância do humor, que ele considerava uma tábua de salvação para os desgostos que a vida oferece: "O homem sofre tão terrivelmente no mundo que se viu obrigado a inventar o riso." Para o filósofo, as pessoas deveriam tachar de falsa toda verdade que não seja acompanhada por um sorriso. Essa é uma ideia acalentadora, embora possa ser mentirosa em sua própria atribuição. Mas os benefícios são evidentes. 5. O homem amadurece quando reencontra a seriedade que demonstrava em suas brincadeiras de criança "Em qualquer homem autêntico existe uma criança querendo brincar." Para Nietzsche, considerar fábulas e jogos coisas infantis é sinal de grande pobreza de espírito, pois somente as pessoas capazes de manter a curiosidade e o senso lúdico da infância terão sempre novos êxitos ao seu alcance. Crianças encaram a vida como uma brincadeira, e pensam que contos de fada são verdadeiros. Não significa que devemos agir de forma ingênua, mas é essencial mantermos um pé no mundo da fantasia, o que aflora nossa imaginação e nos torna mais criativos e producentes. Às vezes, tudo que precisamos é deixar de lado o mundo dos adultos e assumir a persona que já fomos antes. 6. Não se aprende a voar voando De acordo com o filósofo, quem deseja aprender a voar deve primeiro aprender a caminhar. Fazer qualquer coisa sem estar preparado gera decepção iminente: "Quem espera levantar voo sem antes passar pelo aprendizado básico está condenado a uma queda da qual não se reerguerá." Aquele que conhece suas capacidades e, mais importante, suas limitações, sabe exatamente quais lutas pode lutar e quais não. 7. Quem luta contra monstros deve ter cuidado para não se transformar em um deles "Os cínicos costumam se esconder por trás da maldade do mundo para dar asas à própria perversão. No entanto, os atos alheios nunca justificam os nossos." Com esta reflexão, Nietzsche refere-se às dificuldades da vida, que podem fazer com que uma pessoa aparentemente benevolente se torne malévola por uma justiça fraudulenta. Entretanto, ele lembra que, no final, uma decisão, mesmo terrível, é opção pessoal, e a responsabilidade, intransferível. 8. É muito difícil os homens entenderem sua ignorância no que diz respeito a eles mesmos "Somente quando o homem tiver adquirido o conhecimento de todas as coisas poderá conhecer plenamente a si mesmo. Porque as coisas nada mais são que as fronteiras do homem." O filósofo sugere que não há nada mais trabalhoso que o autoconhecimento. Então, para se chegar a um elevado nível de sabedoria, o homem precisa se dispor a aceitar seus limites intelectuais, é claro, com ambição e humildade suficientes. 9. O sucesso sempre foi um grande mentiroso O êxito costuma ser um veneno, pois um privilegiado pode agir como prepotente, e assim ficar estagnado. Nietzsche ensina que, quando a sorte deixa de sorrir para o bem-sucedido, de uma hora para outra seu mundo vira de cabeça para baixo. O fracasso, por sua vez, representa sempre uma oportunidade para melhorar; favorece a humildade, nos ajuda a manter o pé no chão, estimula nossa imaginação e nos faz explorar novas perspectivas. Aqueles que se dispõem a alcançar algo precisam estar devidamente preparados para derrocar, ao passo que novas oportunidades possam ser almejadas. 10. A melhor arma contra o inimigo é outro inimigo Segundo Nietzsche: "Uma guerra não é travada apenas nos campos de batalha tradicionais, em que tropas tentam aniquilar umas às outras. A luta acontece em qualquer área em que os seres humanos disputem influência." Existem disputas de poder em toda e qualquer circunstância, seja em casa, no trabalho ou onde for, quando duas ou mais pessoas usam suas armas para conseguir o papel central. Assim como os animais, seres humanos são territoriais e constantemente buscam aumentar seus domínios, inclusive o emocional. Mas, como lembra Nietzsche, nem sempre encontramos um inimigo para opor àquele em perspectiva que está nos enfrentando e, às vezes, precisamos de fato recorrer a outras estratégias. 11. A essência de toda arte é a gratidão De acordo com o alemão, a gratidão é uma condição indispensável para apreciar a beleza do mundo. Algumas pessoas aparentemente têm tudo, e sentem como se não tivessem porcaria nenhuma, ao passo que outras realmente têm pouco, mas maravilham-se com o pouco. Nietzsche ressalta que, se praticarmos a arte da gratidão, alimentaremos nosso ser emocional de boas sensações, principalmente nas horas de dificuldade. Mesmo em ocasiões de tensão e estresse, basta deixarmos agraciar pelas belezas do mundo para encontrar forças que nos permitam superar as árduas provações que advirem. 12. As pessoas nos castigam por nossas virtudes. Só perdoam sinceramente nossos erros Para Nietzsche, o contrário do amor não é ódio, mas indiferença. A fúria de quem odeia é nutrida por uma admiração oculta, e assim também acontece com a inveja. Schopenhauer, um dos mestres de Nietzsche, bem afirmou: "A inveja dos homens mostra quão infelizes eles se sentem, e a atenção constante que dão ao que fazem os demais mostra como sua vida é tediosa." Se contamos uma boa novidade a uma pessoa e logo ela evoca nossos defeitos, decerto não deseja que sigamos adiante. Os amigos verdadeiros abundam-se em felicidade ao ouvir nossas histórias de sucesso. Todavia, convém ocultar nossos êxitos em determinadas oportunidades, pois assim evitamos uma carga emocional negativa e indesejada de quem poderia facilmente nos atingir. 13. Se a consciência nos torna humanos, a imperfeição é um traço distintivo de nossa espécie De acordo com Nietzsche: "O homem que imagina ser completamente bom é um idiota." Passamos tanto tempo consertando erros quanto construindo coisas de valor. Assumir essa realidade nos torna mais perseverantes e, o que é mais importante, nos faz tomar consciência do quanto ainda precisamos melhorar. Errar faz parte do processo de aprendizagem. Como denota Nietzsche, as pessoas perfeccionistas acabam por sofrer as consequências de seus atos imperfeitos e, se algo dá errado, costumam transferir a culpa para os outros, mesmo que falha alguma seja cometida. O filósofo nos lembra que é inútil desejarmos ser bons o tempo todo, o que importa é estarmos dispostos a fazer um pouco melhor hoje do que fizemos ontem. 14. Só quem constrói o futuro tem o direito de julgar o passado "Quem constrói o futuro está muito ocupado para julgar o passado". Por vezes nos pegamos desprevenidos em memórias e lembranças passadas a fim de guiarmo-nos para o futuro. No entanto, tais julgamentos do passado escondem o orgulho premente de quem se considera dono da verdade, e também revela grande insegurança. Como diz Nietzsche: "É mais produtivo construir o que vai acontecer do que analisar o que se passou." Quem age está menos preocupado do que quem não ocupa a mente. 15. É importante nos orgulharmos de nossos inimigos Na visão de Nietzsche, não devemos ter mais inimigos que as pessoas dignas de ódio, tampouco devemos ter inimigos dignos de desprezo. O filósofo afirma ser necessário reservar-nos para os adversários, pois frequentemente temos que lidar com muitas ofensas, e passar por cima de muitos para não sermos massacrados. "Escolhe inimigos que te mereçam." 16. Nós nos sentimos bem em meio à natureza porque ela não nos julga O ser humano é um animal que julga, e muitas vezes somos desnaturalizados pelos outros, o que nos faz sentir estranhos em um mundo de supostos humanos. Nietzsche ressalta que, ao sentirmos o cheiro de terra fresca, o ar limpo e o silêncio, apenas quebrado pelas criaturas ao redor, reencontramos nossa essência há tanto tempo abandonada. "Na cidade, precisamos representar um papel porque estamos muito preocupados com o que pensam de nós. Mas, ao voltar à natureza, podemos nos dar ao luxo de ser nós mesmos. Não precisamos nos vestir bem, falar ou atuar de maneira especial. Basta nos deixar levar pelo mundo natural em direção ao nosso interior, onde um manancial de tranquilidade nos espera." 17. Não há apenas uma morte ao longo da existência Nietzsche sugere que precisamos pagar pela imortalidade e morrer várias vezes enquanto vivos. Segundo ele, não há apenas uma morte ao longo da existência. No transcorrer da vida, vamos vencendo etapas e superando desafios, simbolicamente, para renascer em estágios posteriores. Essas transições de uma vida para outra Nietzsche denominava "ritos de passagem". 18. Quem vê mal sempre vê pouco. Quem escuta mal sempre escuta demais Muitas vezes, só ouvimos o que queremos ouvir, já que o murmúrio das nossas ideias preconcebidas se sobrepõe à realidade, sempre mais simples que a opinião que formamos dela. Nietzsche propõe que devemos buscar o pensamento com clareza; do contrário, estaremos apenas seguindo ecos e ruídos de nossos preconceitos. 19. Quem tem uma razão de viver é capaz de suportar qualquer coisa Assim como a maioria dos filósofos, Nietzsche sempre destacou a importância de se buscar uma razão de viver. Quando nossa vida se torna plena de sentido, nossos esforços já não são cansativos, e sim passos seguros em direção às metas que estabelecemos. 20. O que não nos mata nos fortalece Como dizia Nietzsche: "Se a correnteza não nos mata, acabamos ganhando uma experiência essencial que nos ajudará a salvar a nós mesmos e as demais pessoas em futuras provações." (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, gestor editorial e biógrafo. Onze livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 9.9667-8484 WhatsApp

terça-feira, 19 de novembro de 2019

ESCOLHAS E PREFERÊNCIAS TE PERTENCEM. MANTENHA INTACTA A SUA ESSÊNCIA (*)

Você não tem obrigação de explicar suas escolhas. Escolhas de vida são pessoais e não agradarão a todos. Somos rodeados de pessoas que pensam diferente de nós, com crenças e valores que podem se chocar com o que vivemos. Caso a sua escolha não chegue a ferir a dignidade de ninguém, a necessidade de explicá-la é desnecessária. Você não tem obrigação de explicar suas preferências. Você pode preferir o doce ao salgado, a montanha à praia, o azul ao marrom, pode até preferir ficar em casa no fim de semana. Trata-se de seu bem estar, de fazer aquilo que vai ao encontro do que você é, sente, pensa. Cabe aos outros apenas entender isso e, caso haja quem não compreenda, nunca será um problema seu. Você não tem obrigação de explicar os seus sonhos. Tudo bem se o seu sonho for se casar com 22 anos ou nunca se casar. Pode sonhar em ter três filhos ou em nunca ser mãe. Pode querer comprar uma franquia ou vender roupas. Sonhe com muito, com pouco, apenas sonhe e acredite. A satisfação de conseguir alcançar seus desejos será sua, acontecerá aí dentro de você, ou seja, que os outros sonhem com o que quiserem. Você não tem obrigação de explicar seus sentimentos. Quando dói, é você que sente a dor. Quando escurece, é dentro de você que falta luz. Quando some o chão, são seus pés que ficam ao léu. É em você que sangra, que falta ar, que dá insônia. Ninguém tem o direito de julgar a dor ou o prazer que você sente, além de você mesmo. Ninguém tem que julgar nem quem você ama, pois o êxtase é seu. Ninguém consegue fugir aos olhares alheios, aos julgamentos e reprimendas descabidas que vêm de fora. O que importa é aí dentro, tudo aquilo que preenche a sua essência, os seus sonhos, o seu coração. Quando não estamos machucando ninguém, nem passando por cima dos outros, temos mais é que seguir o ritmo de nossa alma, buscando a felicidade do jeitinho que queremos. Não se explique demais, as pessoas vão entender do jeito delas mesmo. Vai, segue sua trilha e seja feliz. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, gestor editorial e biógrafo. Onze livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 9.9667-8484 WhatsApp

domingo, 17 de novembro de 2019

QUANDO EU FOR SAUDADE, LEMBRANÇA, ESQUECIMENTO... (*)

Refletir sobre a morte, transição para os Rosacruzes, é meditar sobre a liberdade; quem aprendeu a morrer, desaprendeu de servir; nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação da vida não é um mal; saber morrer nos exime de toda a sujeição e constrangimento. A morte não deveria se apresentar numa rua, num poste, ponte, numa bala de revólver. Nunca fria e soturna num quarto de hospital, numa UTI, com suas multidões de zumbis e médicos e barulhos de bips e luz cinza. O certo seria corar a vida com um fim cheio de flores e perfumes suaves; de um jeito que o corpo fosse ficando tão leve, tão suave, tão translúcido que desaparecesse como mágica, como pó - cinzas jogadas ao vento. Um jeito que fosse dando tanto prazer que despertasse aquela estranha sensação de querer morrer de felicidade. E assim, a morte chegaria, para cumprir uma vontade sem trauma e sem dor. Ao atravessar o limite do prazer, uma morte colorida e delicada. Poderia ser num caminho feito de ipês amarelos. Corredor de árvores tão repletas que sacudissem com brisa e derramassem flores. Ou que chegasse de mansinho, mão estendida e sorriso terno, vestido azul esvoaçante, segurando um buquê de rosas vermelhas, a entoar Debussy. A morte poderia ser uma parceira, amiga e confidente, que, atenta, compreendesse a hora exata para se apresentar. Educada e elegante, soubesse também o momento de sair, mesmo que isso lhe custasse viagem inútil. Se errasse o endereço ou o horário, paciência, iria embora de mãos abanando, sem recolher nada no caminho. Mas a morte não faz isso. Ela se impõe, dona do ar, senhora do tempo, pontualíssima com suas vontades. Promove as mais estranhas perguntas e os piores sustos. Cria e recria mistérios. É pesada feito pedra. Dura como aço. Rija, inflexível, incansável, incontornável. A morte não quer saber que o amanhã chegará e se ele aparecer vazio ou cinza, isso não lhe diz respeito porque não há rosas vermelhas, não há ipês, não há suavidade. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 9.9667-8484 WhatsApp

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

A PESSOA QUE ODIAMOS É O NOSSO ESPELHO (*)

Muitas pessoas acreditam equivocadamente que o ódio é o oposto do amor, quando a única coisa que é contrária ao amor é a indiferença. O que não amamos não existe para nós. Se um país não nos atrai, simplesmente nunca pensamos nele. Quando odiamos alguém, é porque essa pessoa possui algo que nos toca profundamente e nos provoca mal-estar. Esse alguém está espelhando algo que há dentro de nós e que não queremos reconhecer. Se não fosse assim, não nos incomodaria. Desse modo, o invejoso sofre a inveja alheia com mais intensidade do que qualquer um; o indiscreto se irrita de forma desproporcional quando sofre uma indiscrição. A pessoa que odiamos é o nosso espelho e, portanto, um mestre espiritual que não devemos desprezar. O ódio é uma deformação do amor, mas é amor, no fim das contas. E, se temos amor, também temos a capacidade de transformá-lo em algo positivo, como foi o caso de um casal de colegas de trabalho que brigavam muito e trocaram as discussões por uma aventura amorosa. Talvez brigassem porque o amor, ao ser detectado, produz medo, e esse medo muitas vezes se disfarça de aversão. Portanto, na próxima vez que você sentir ódio de alguém, pergunte a si mesmo o que esse sentimento está refletindo e qual é a lição que ele tem a ensinar. Depois examine aquilo de que não gosta em si mesmo e tente livrar-se disso. Certa vez, quando um jornalista perguntou ao ator John Malkovich sua opinião sobre os movimentos de extrema direita, ele respondeu: “Não me preocupo com o nazista que cruza comigo na rua. O que me preocupa é o nazista que vive dentro de mim.” (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Onze livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana999@gmail.com e (41) 9.9667-8484 WhatsApp

VÊNUS CALIPÍGIA (*)

CALIPÍGIA: do Grego “kallipygos”, belas nádegas. Como em caligrafia (escrita bonita): “kalli”, bonita, “grapphein”, escrever; em calidoscópio, cuja variante é caleidoscópio, com três compostos gregos: “kalli”, belo; “eidos”, imagem; e “skopein”, ver. O étimo “pygos” – “pygium”, em Latim – designa extremidade, como em “uropygium, sambiquira. Entre as várias representações de Vênus, a deusa romana do amor, há a Vênus Calipígia, exposta no Museu Nacional de Nápoles, na Itália, que aparece levantando a roupa para mostrar as nádegas, perfeitamente proporcionais. No Brasil, as mulheres mais admiradas têm seios médios ou grandes e são calipígias. Por isso, é elevada a procura de próteses para compensar eventual economia da natureza. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Onze livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana999@gmail.com e (41) 9.9667-8484 WhatsApp

PHOENIX: RENASCENDO DAS CINZAS (*)

No dia 29 de janeiro de 1996, uma labareda tomou conta de uma das construções mais valiosas de Veneza: a casa de ópera La Fenice, de 204 anos de idade. Centenas de pessoas viram o edifício ser consumido pelas chamas. Isso causou tristeza? Sem dúvida. Causou desespero? Não. A construção da La Fenice já havia sido retardada em 1792 por causa de um incêndio. Outro incêndio, em 1836, obrigou a população a reconstruir a casa de ópera. Também, após o incêndio de 1996, os venezianos começaram a reconstruí-la. Por coincidência, La Fenice significa "a Fênix", referindo-se à ave mitológica de grande porte que merecia o título de animal mais raro da face da terra, simplesmente por ser a única de sua espécie. A Fênix possuía uma parte da plumagem feita de ouro e a outra colorida de um vermelho incomparável. A isso ainda aliava uma longevidade jamais observada em nenhum outro animal. Seu habitat era os desertos escaldantes e inóspitos da Arábia, o que justifica sua fama de quase nunca ter sido vista por ninguém. Quando a Fênix percebia que sua vida secular estava chegando ao fim, fazia um ninho com ervas aromáticas, que entrava em combustão ao ser exposto aos raios do Sol. Em seguida atirava-se em meio às chamas para ser consumida até quase não deixar vestígios. Do pouco que sobrava de seus restos mortais, arrastava-se milagrosamente uma espécie de verme que se desenvolvia de maneira rápida para se transformar em uma nova ave, idêntica à que havia morrido. A crença nessa ave lendária figura na mitologia de vários e diferentes povos antigos, tais como gregos, egípcios e chineses. Apesar disso, em todas essas civilizações, seu mito preserva o mesmo significado simbólico: o renascer das próprias cinzas. Até hoje, essa idéia é bastante conhecida e explorada simbolicamente. Podemos restaurar o que os incêndios destroem em nossa vida? Às vezes. Em outras circunstâncias é melhor que as cinzas sejam esquecidas, para que algo completamente novo seja construido. Renascer é o processo através do qual você lamenta sua perda e depois se levanta e começa tudo de novo. É um dos principais segredos para alcançar o sucesso. As pessoas realizadas são aquelas que nunca desistiram de tentar ser assim. Enquanto você está processando integralmente os aspectos físico, psicológico e emocional da decepção, vai começar a notar que continua vivo. Algumas pessoas pensam que não podem suportar aquela crise de jeito nenhum porque é demais para elas. Conscientizar-se de que você é um sobrevivente daquela experiência ruim é muito importante. Isso é chamado de viver o tempo presente. Você não está mais revivendo repetidamente o passado na sua cabeça. Está pronto para viver o presente, aqui e agora. O que aflora em seguida é a noção de que pode existir um futuro. Considerar um futuro significa preparar-se para olhar para frente e imaginar que existem opções. A criatividade entra no quadro quando você acredita que na verdade poderia visualizar uma vida, elaborar um plano para concretizá-la e então resolver avançar passo a passo. Você considera as possibilidades que nunca imaginou e começa a estabelecer objetivos, atividades que o colocam mais uma vez no tabuleiro do jogo da vida. Será preciso avaliar se é mais sensato continuar a batalhar pelo mesmo objetivo que perseguia antes, ou se é melhor formular uma nova meta. Também terá de determinar um novo curso de ação, construído sobre as lições que aprendeu com a crise, revisando seus planos em tudo que for necessário. Depois de uma decepção, seus objetivos iniciais não serão monumentais. Serão passos minúsculos de bebê que vão aumentando aos poucos. Não serão passos para trás, retrocedendo aos velhos e bons tempos, nem farão com que você ande em círculos, sem saber direito o que fazer com sua vida. Esses novos passos serão dados para frente, na direção do seu futuro. Seu novo futuro pode até ser semelhante ao passado, antes da crise, mas agora você pode abordá-lo com olhos mais abertos e com a vantagem do conhecimento que adquiriu. Apesar de não serem passos gigantescos associados a conquistas significativas, seus objetivos novos o levarão na direção certa. Não deixe de reconhecê-los. Tenha o cuidado de não menosprezá-los, desacreditá-los ou desqualificá-los por não estarem no mesmo nível de realizações anteriores. Parte desse processo de andar para frente é dar-se permissão para estar em um nível
diferente, apesar de novo, de realização. Como diz o ditado, as vezes você precisa "ir mais devagar para ir mais depressa". Algumas vezes, como a Fênix, temos de renascer das cinzas, devemos passar pelo fogo e sair fortalecidos, renovados e renascidos. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Onze livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana999@gmail.com e (41) 9.9667-8484 WhatsApp

sábado, 10 de agosto de 2019

DEPOIS DO CAOS, A TERRA E EROS NASCERAM (*)

Eros era um grande deus, um deus digno de admiração dos homens e dos outros deuses, por muitas razões, mas, sobretudo, pela sua origem. Eros tem a honra de figurar entre os deuses mais antigos e prova disso é que não tem pai nem mãe, e nenhum prosador ou poeta lhe atribuem progenitores. Hesíodo afirma que: “Primeiro foi o Caos; depois a Terra de grande seio, eterno e seguro fundamentado de todas as coisas e, depois, Eros”. Acusilau pensa como Hesíodo. Para ele, foi depois do Caos que a Terra e Eros, isto é, a Terra e o Amor, nasceram. Por outro lado, Parmênides diz o seguinte a respeito da Origem: “A Eros ela inventou como primeiro de todos os deuses”. Assim, diferentes pontos de vista concordam que o deus do amor é um dos mais antigos. Este deus tão antigo é também a causa do bem que recebemos, porque não conheço maior bem para um jovem do que amá-lo com virtude, nem para um amante do que amar um objeto virtuoso. Esse é o sentimento que deve reger toda conduta nossa, se quisermos viver honestamente. A esse sentimento, nem as genealogias, nem as honras, nem as riquezas e nem nada, podem inspirá-lo tão bem como Eros! Que entendo por amor? – As ações desonestas ligam-se à desonra, e as boas ações ligam-se ao amor. Sem essas duas coisas, nem o Estado, nem o cidadão podem realizar o bem e o belo. Ouso afirmar, que se um homem ama e for surpreendido em um delito vergonhoso, ou suporta um ultraje sem saber defender-se, sofre menos ao ser repreendido pelo pai; por um parente; ou por qualquer outra pessoa, do que por aquele a quem ama. Verificamos, também, que é diante do ser amado que se sente mais vergonha. Assim, se houvesse a possibilidade de formar um Estado ou um exército, composto somente por amantes e amados, obteríamos a constituição política insuperável, pois ninguém praticaria ações desonestas e eles se estimulariam reciprocamente para a prática das belas coisas. E quando esses homens lutassem juntos, apesar do seu reduzido número, poderiam vencer quase o mundo inteiro. Com efeito, um amante teria menos vergonha de abandonar seu posto, ou de lançar fora as armas perante o olhar de um exército inteiro, do que sob o olhar de quem ama; preferiria mil vezes morrer a sofrer tal vergonha! Quanto à possibilidade de o amante abandonar o amado durante o perigo, e negar-lhe socorro, não há homem, mesmo entre os mais covardes, que Eros não inflamasse de coragem a ponto de fazer dele um herói autêntico! Exatamente como disse Homero na Ilíada: “O deus insuflou coragem a alguns dos heróis”. É isso que Eros faz àqueles que amam. (*)EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta. Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro

EFÊMERO, EU TE SEGUIREI PELOS CAMINHOS DE LUZ (*)

Estou de partida. Breve me mudarei para a curva do teu braço. Busco a terra sem vento, a mansa terra do teu seio. E a batida surda e quente do magma mais profundo para embalar o meu sono. Busco a tranquilidade do oásis miragem. Já conheci as águas que eu preciso saber. Fui bem além das colunas de Alexandria, e há muito descobri que, por mais longe o oceano, jamais despenco. Conquistei os mares, lancei-me por entre espumas. Naveguei seguindo as estrelas do céu, contando as estrelas do mar, até chegar a portos dos quais nem suspeitava a existência. Agora é tempo de lançar meus braços à água, deixando que enlacem nos rochedos ancorando - me ao meu destino. Escolho o teu lado esquerdo , onde me beija o sol ao crepúsculo. E espero que tua mão esquerda amaine minhas velas. Assim, acima do teu coração, encosto a cabeça. E pequeno como um grão de mostarda, deito raízes e preparo asas. Aprenderei a conhecer-te através da planta dos meus pés 42, como o cego sabe onde pisa, como o índio que conhece a trilha inimaginável. (Escritor/jornalista/ensaísta EUGENIO SANTANA, FRC)

DÉJÀ VU

Muitos de nós também temos pressentimentos e intuições que depois se confirmam. Às vezes o telefone toca e, antes de atender, você sabe quem está chamando. Ou talvez tenha uma experiência do que se chama “déjà vu”: a sensação de já ter visto algo ou vivido uma situação que se repete no presente, sem que você saiba precisar quando ou onde foi. A maioria de nós já viveu esses tipos de experiência: eles são alguns dos exemplos mais simples de fenômenos sensitivos. Imagine como sua vida seria muito melhor se você pudesse confiar nesse sentido interior para fazer as escolhas certas e ter sucesso na busca de seus objetivos. A verdade é que tudo o que queremos saber já está dentro de nós e basta tomar consciência para apossar-se disso. (Jornalista/escritor/ensaísta EUGENIO SANTANA)

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

O CICLO DOMINADO PELOS IDIOTAS COM DIPLOMAS (*)

Os jornalistas dizem: “Sem nós não haveria cultura!”. Os vermes dizem: “Sem nós não haveria cadáveres!”. Não ter pensamentos e ser capaz de expressá-los – eis um jornalista. Os jornalistas escrevem porque não têm nada a dizer, e têm algo a dizer porque escrevem. O pintor tem em comum com pintor de paredes o fato de sujar as mãos. Precisamente isso distingue o escritor do jornalista. Com freqüência, o historiador é apenas um jornalista voltado para o passado. O que é um historiador? Alguém que escreve muito mal para poder colaborar num jornal. Muitas vezes, a filosofia não é mais do que a coragem de entrar num labirinto. E quem se esquecer do portão de entrada, pode facilmente adquirir a reputação de pensador independente. Se lhe roubam alguma coisa, não vá à polícia, à qual isso não interessa, e também não vá ao psicólogo, a quem só interessa, no fundo, o fato de ter sido você que roubou alguma coisa. Os psicólogos são perscrutadores do vazio e farsantes da profundidade. Megalomania não é nos considerarmos mais do que somos, mas nos considerarmos aquilo que somos. Formação é aquilo que a maioria recebe, muitos passam adiante e poucos possuem. O que os professores digerem, os alunos comem. Pessoas que beberam além da conta para matar sua sede de conhecimento são uma praga social. Não devemos aprender mais do que o absolutamente necessário contra a vida. Quando chegará o tempo em que se precisará informar no recenseamento o número de abortos feitos em cada casa? O humanitarismo é uma lavadeira que torce as roupas sujas da sociedade enquanto se desfaz em lágrimas. Vivemos numa época dominada pelos idiotas. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que, apenas porque têm boca, podem emitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o “conhecimento” virou ferramenta de ascensão social, hoje os idiotas têm diplomas. Mais um dos danos da sociedade do “acesso” em que todo mundo tem “acesso”, na qual quase não há conteúdos que valham qualquer “acesso”. A maioria da humanidade sempre foi ignorante, mas, com o advento da sensibilidade democrática para o número e a estatística, essa maioria tomou a palavra. Toda a “ética” democrática é voltada para a banalização do conhecimento a serviço da autoestima dos idiotas. Não os ofenda porque eles venceram. Acreditam firmemente no que pensam enquanto vêem novelas na TV. Deduzem argumentos sobre a vida a partir de suas experiências paroquiais. Quando se sofisticam, isto é, quando atingem um tipo de cartão de crédito mais “exclusivo” ou “esquentam” seus diplomas tirados em universidades periféricas, tornam-se mais ruidosos. Dedico essas palavras a todos os nossos fracassos, e com esses olhos atentos ao medo que porta seu nome próprio é que o leitor deve ler estes ensaios e fragmentos aos pedaços. Sinto-me em casa numa filosofia que tem uma razão cética e uma sensibilidade trágica. Carrego uma sensibilidade trágica, independentemente de minha vontade filosófica. E por quê? Porque o que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável, miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano. Falo aos homens e às mulheres do mundo contemporâneo, sem tempo, sempre com pressa e sem tempo; com pressa e fazendo contas; falando ao celular, enquanto fazem contas; correndo, assim como insetos assustados que correm como crianças com medo, em busca do repouso oferecido pela sombra e pelo esquecimento. E, no futuro, sonhando com a vida silenciosa na forma pura da pedra. Uma pedra que pressente a divindade. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, Biógrafo, Redator publicitário, Revisor de texto e Gestor Editorial. Fundador e Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

VAMPIROS ASTRAIS (*)

Sinto-me na obrigação de explicar como é importante compreender a transferência de energia e como certas pessoas podem nos afetar negativamente. Esses vampiros astrais são capazes de sugar nossa energia, deixando-nos completamente debilitados. Muitos deles vibram em baixos níveis de freqüência e atraem entidades negativas. Quando você está perto de vampiros astrais, pode sentir essa vibração baixa. Talvez você não saiba o que está sentindo, mas intuitivamente tem conhecimento de que alguma coisa é opressiva, depressiva ou instável. Quando as pessoas projetam raiva, ciúme, ódio, inveja, medo e ressentimento, você fica vulnerável, sem energia. Geralmente elas não se dão conta de que sua energia negativa está indo além delas e prejudicando outras pessoas, porque estão envolvidas em sua própria infelicidade. Uma pessoa cheia de pessimismo e amargura, que só vê o lado negro da vida, descarrega vibrações baixas na atmosfera. Como ondinhas num lago, essas vibrações exteriorizam e afetam todos e tudo dentro de seu âmbito. O mesmo acontece com alguém extremamente medroso e arrasado pela dúvida e desconfiança: para essa pessoa, tudo é sinistro e sem solução. Pode ser qualquer um: seu colega de trabalho, marido, esposa, amigo, o caixa do supermercado ou seu dentista. O medo constante é um convite aberto às entidades astrais. É importante observar quando seu corpo está perturbado ou suas emoções descontroladas. Comece a reconhecer mudanças no seu comportamento quando estiver perto de certas pessoas e em certos ambientes. Repare se você fica sempre com dor de cabeça ao entrar na casa de um amigo. Você sente inquietação ou nervosismo quando pensa em se encontrar com uma determinada pessoa? Seu humor se modifica quando você entra em certos edifícios? Respeite sua intuição e preste atenção aos sinais vindos de seus corpos emocionais e físicos. Você não pode se isolar do mundo, pois faz parte dele, mas pode minimizar os efeitos das influências negativas que nos cercam, mantendo-se consciente e alerta. (*)EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta e consultor em gestão de pessoas; redator publicitário, revisor de texto, gestor editorial. Autor de dez livros publicados. (41) 9 9547-0100 WhatsApp

domingo, 28 de julho de 2019

OS INTENSOS MERGULHAM EM ÁGUAS PROFUNDAS E SURFAM NO OLHO DO FURACÃO (*)

Ser uma pessoa intensa é ser indeciso, mas não ter medo dessa indecisão, é entrar de cabeça em tudo, sem receio, sem freio. O próprio intenso sofre com tantos sentimentos dentro de si, mas se existissem pessoas capazes de partilharem desses sentimentos com ele, seria tudo mais fácil. Ser intenso é ser impulsivo, é sentir e logo depois não sentir mais, é se atrapalhar com tudo que sente dentro de si, e é tudo isso que faz desse tipo de pessoa algo tão especial e tão desejado na vida, mas também, tão solitário. É difícil de entender, e só pode ser compreendido com intimidade e o coração aberto. Seu problema maior é a complexidade de tanto ímpeto, tem tanta personalidade que não sabe deixar um assunto para depois, não recua perante injustiças, não recua perante a oportunidade de um amor, não recua perante conhecer melhor outras pessoas. E é exatamente esse olhar perante a vida que afugenta, oprime, assusta aqueles que estão acostumados somente com coisas mornas. As pessoas preferem comer pelas beiradas, ficar apenas no raso. Conhecer dá frio na barriga, ou você passa a odiar a pessoa, ou ela te cativa de tal modo que você se torna totalmente dependente. Mas nesse mundo de fast food ninguém tem tempo para se deixar cativar, quando você está começando a conhecer uma pessoa, ela perde a graça, passa do tempo de validade. Para o intenso o entusiasmo é algo corriqueiro na vida, ele se entusiasma com desafios, se entusiasma com momentos, se entusiasma com pessoas, e isso é mais uma coisa que afugenta os outros, esse entusiasmo ao invés de contagiar, acaba por afastar pessoas que tem medo de se entregar. O intenso vive em cima da corda bamba, se ele se desequilibra para um lado, a vida é 8, se ele se equilibra para o outro, a vida é 80. É difícil desacelerar, e ainda mais parar por um momento e refletir sobre o que ele está fazendo, mas quando ele para, e vê que sua intensidade está sendo usada no local errado, ele parte sem dúvidas para um próximo porto. Nunca peça para um intenso ser menos, isso é rouba-lo de si próprio. Viver com um intenso não é fácil, mas te prometo que não existem dias monótonos do lado de alguém assim. Cada dia é uma aventura e a descoberta de que os sentimentos podem ser muito maiores do que você imagina. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, agente literário, publicitário, gestor editorial e influenciador digital. Dez livros publicados. Membro benemérito "ad honorem" do Centro Cultural, Literário e Artístico de PORTUGAL. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e (41) 99547-0100 WhatsApp

sexta-feira, 26 de julho de 2019

A ESCRAVIDÃO NO TERCEIRO MILÊNIO (*)

Na maior parte do mundo antigo, a escravidão era aceita e muitos povos eram escravizados ao se tornarem prisioneiros de guerra. Havia escravos em Roma, na Grécia, no Egito, mas também entre os povos Incas, Maias e Astecas. Praticamente, os reinados da antiguidade se mantinham e se sustentavam sobre o trabalho escravo. Em algumas culturas patriarcais, as mulheres em geral tinham uma situação parecida com a dos escravos, onde lhe eram negados os direitos básicos de um cidadão. Na antiguidade não era incomum que pais vendessem suas próprias filhas aos mercadores de escravos para quitar dívidas. E no que diz respeito à exploração sexual de todo tipo, mulheres e crianças são, até hoje, os mais vulneráveis. No Novo Testamento, em Efésios 6:5 está escrito sobre escravos: "Vós, servos, obedecei a vossos senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade de vosso coração, como a Cristo." A bíblia embora traga vários preceitos sobre escravos e regulamente aspectos da escravidão, em nenhum momento, condena a prática da escravidão em si, tanto no Velho quanto no Novo Testamento, apesar da igreja católica a partir do século XV, através de seus papas, passar a dar início a uma campanha contra a escravidão. Na era moderna, os negros foram escravizados por crenças na superioridade racial dos europeus, num período em que o comércio de escravos entre países africanos e as américas tornou-se bastante lucrativo, e os próprios reis de tribos africanas comercializavam seus conterrâneos. Antes, na América espanhola, por ocasião das descobertas de Cristóvão Colombo, a escravidão dos nativos também se deu pelas mesmas questões de cor da pele. O Brasil foi o último país ocidental a abolir a escravidão em 1888. Infelizmente para decepção dos que dizem que “fator social” é coisa da histeria sociológica de alguns que insistem em ver problema social em tudo, não há como negar que sim, há uma estreita relação entre a prática da escravidão e as condições das sociedades onde ela se manifesta. Situações de pobreza é uma das principais razões para qualquer tipo de exploração.Tanto que os países com maior índice de escravidão, são aqueles subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, com democracias recentes ou não consolidadas como China, Índia, Rússia, Brasil, Oriente Médio, alguns países do leste europeu e África. Hoje a escravidão no mundo se dá muito mais por condições socioeconômicas desfavoráveis, e prospera pela conivência de sistemas políticos onde falta a aplicação de leis severas que punam os exploradores. Quem são hoje os escravos? Pessoas de classes menos favorecidas dentro do próprio país e com pouca instrução que precisam de um trabalho para seu sustento, e imigrantes na mesma condição que se tornam presas fáceis ao ingressarem clandestinamente em um determinado país fugindo da pobreza, e aqueles que são traficados atraídos por falsas promessas . A escravidão continua sendo um bom negócio tanto para o crime organizado internacional quanto para empresários e donos de terras gananciosos. Um caso recente e interessante, não fosse sua dimensão trágica, é o de um chinês de nome Zhang. Em 2011 a americana Julie Keith foi ao mercado comprar artigos de decoração para o Halloween. Um ano depois, qual não foi sua surpresa quando dentro de um brinquedo ela encontrou um bilhete, um pedido de socorro em um inglês meio torto, de um escravo chinês que vivia em condições desumanas em um campo de trabalho forçado na China, chamado Masanjia. Era Zhang, na verdade um codinome escolhido por ele. Zhang havia sido mandado para lá por divergências político religiosas com o regime, e relata que tinha jornadas de trabalho de mais de 12 horas, sem descanso nos fins de semana, além de sofrer espancamentos, privação de sono e torturas psicológicas. Ele escreveu em 2008 mas o bilhete só foi encontrado em 2012. Sua carta foi parar nas mãos da Organização Mundial de Direitos Humanos e as coisas terminaram bem para Zhang, hoje ele está livre e denunciou a existência de outros campos de trabalho forçado naquele país. Em geral os escravos são levados para trabalhar em fábricas, lavouras, casas de família, bordéis, etc. O Brasil tem ainda o agravante do tamanho do seu território para fiscalização, e não há uma estatística confiável, mas segundo o Ministério do Trabalho, de 2003 a janeiro de 2011, foram resgatadas 33.392 pessoas em situação de trabalho escravo ou quase escravo, que se concentra nas indústrias madeireira, carvoeira e de mineração, de construção civil e nas lavouras de cana, algodão e soja, além do turismo sexual no Nordeste e a exploração da mão de obra de imigrantes bolivianos e asiáticos em oficinas de costura. O Maranhão é ainda o principal fornecedor de escravos e o Pará, o principal usuário. Conforme o jornal Correio do Estado, o número de trabalhadores em situação de escravidão cresce também no Amazonas, principalmente em atividades agropecuárias. É inconcebível a escravização de seres humanos na avançada civilização do século XXI, mas este cenário só mudará através das ações de outros seres humanos. (*) EUGENIO SANTANA é Escritor, Gestor editorial, Assessor de imprensa, Ensaísta, Redator publicitário, Blogueiro, Biógrafo, Agente literário. Onze livros publicados. Autor, entre outros, de "Ventos Fortes, Raízes Profundas", autoajuda, Madras editora. Radicado em Curitiba, PR. (41) 99547-0100 WhatsApp