sexta-feira, 17 de novembro de 2017

COISAS QUE UM AUTOR NÃO DEVE FAZER PARA PUBLICAR SEU LIVRO (*)

1. Nunca imponha seu trabalho aos outros. Você é livre para publicar o que quiser em suas redes sociais, mas não tem o direito de invadir, uma vez por semana, as redes sociais alheias com links sobre seus projetos, seus textos, suas publicações. E isso inclui marcar pessoas no Facebook. Não existe nada mais desagradável do que postagens onde o autor marca 749 amigos, literalmente obrigando a geral a curtir e comentar o dito post. Não é - definitivamente não é - uma forma inteligente de divulgar seu trabalho. Comentários em textos alheios do tipo "oi, adorei, visite meu blog" também devem ser evitados, assim como o diabo evita a cruz. E, muito importante: não entre em contato com editores, produtores, revisores, ou mesmo com outros escritores, pedindo que leiam seu texto e "digam sua opinião sincera". Primeiro por que o sujeito provavelmente não tem tempo livre para ler e escrever uma avaliação sobre seu texto. Isso demora e exige dedicação. Se quiser que alguém leia e dê uma opinião sincera sobre seu texto, contrate os serviços de um profissional da área. Por fim, não entre em contato com seus amigos pedindo que "ajudem a divulgar seu texto/livro/lançamento/site". É chato, incomodativo, detestável. Se o sujeito quiser divulgar seu trabalho, o fará. Se não quiser, não o obrigue nem o constranja a fazê-lo. Se preocupe em realizar um bom trabalho, que automaticamente ele será divulgado, sem que você precise implorar. 2. Não fale sobre o que não sabe. Tem um ditado que diz "É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota, do que falar e acabar com esta dúvida". Isso vale para tudo e para todos, e vale para o novo autor também. Vejo dezenas, talvez centenas de novos escritores vomitando internet afora, sobre preço de livro, distribuição, publicação, mercado editorial. Opiniões absurdas, baseadas em nada além da fértil imaginação do novo autor. Uma vez, um escritor conhecido meu postou no Facebook uma mensagem que recebeu de uma determinada editora, com sua proposta de publicação. Esta proposta incluía a aquisição, por parte do autor, de um número X de exemplares. Pois o autor postou o e-mail na íntegra, citou o nome da editora, e logo abaixo publicou um pequeno texto, ridicularizando sua proposta e colocando em xeque sua credibilidade ("acha que eu sou palhaço de pagar essa fortuna para publicar, mimimi, blábláblá). Uma postura infantil, dispensável e que certamente desqualifica este autor para publicar em qualquer editora - inclusive uma onde ele não precise pagar. Qualquer editor, de qualquer editora (grande, média, pequena), que viu esta postagem, pensará dez vezes antes de cogitar a possibilidade de publicar este cara, pois ele já demonstrou falta de profissionalismo e respeito uma vez, e certamente poderá fazer isso outras vezes. Se não gostou da proposta, amigo, ignore-a sumariamente e vá em busca de outra editora. Simples que nem um copo d'água. 3. Cuidado com o peso do seu ego. Muitos autores juram que são gênios, e nada pode ser pior do que isso. Já vi autores entrarem em contato com editoras escrevendo besteiras do tipo "Em anexo encaminho o novo best seller brasileiro", sendo que best-seller, Sr. Gênio da Literatura, se escreve com hífen. E mesmo que o livro em questão tenha potencial para, de fato, se tornar um novo campeão de vendas, isso lá é maneira de se comportar, meu filho? Imagino esse cara chegando numa moça em uma festa e dizendo "Oi, você quer ter a sorte, a honra e a incrível oportunidade de ficar comigo?". Muitos editores costumam levar em conta não somente o talento, mas a postura do escritor, e se o sujeito já chega se achando a Rainha de Sabá, as possibilidades de enfrentar grandes problemas futuramente são imensas. E é assim que mais um original é sumariamente descartado. 4. Não subestime o trabalho alheio. O novo autor tem mania de querer tudo (quase) de graça. Reclama do investimento em revisão, do preço final do livro, dos custos envolvendo distribuição e divulgação, do lucro sobre a venda de cada exemplar. Certa ocasião, um autor escreveu pra mim: "Tá difícil ser um novo autor sem dinheiro, né?". Deu vontade de responder: "Olha, é difícil VIVER sem dinheiro, camarada". Esse autor é dentista. Pensei em procurar seu consultório, pedir um clareamento e, após receber a conta, reclamar: "Tá difícil ter um sorriso Colgate sem dinheiro, né?". 5. Saiba escrever. Parece óbvio, e é. Mas, mesmo assim, muitos autores não entendem. Não foi nem um e nem dois autores que já me disseram que não revisam o que escrevem por que "são escritores, não revisores". Risos. Olha, amigo, a revisão faz parte da produção literária, caso você não saiba. Escrever e não revisar é igual querer cozinhar sem acender o fogão ("sou cozinheiro, não acendedor de fogão"). Saber escrever também não significa escrever um milhão de páginas. Muito pelo contrário. Vocês conhecem aquela história, de um cara que enviou uma correspondência para seu irmão, dizendo "Escrevo-te esta carta em dez páginas por que não tive tempo de escrevê-la em três"? É isso. Escrever é a arte de cortar. Quanto mais você corta, melhor fica o texto - eis uma lei universal. E, tirando raríssimas exceções, quem escreve um livro de 650 páginas geralmente mais encheu linguiça do que qualquer outra coisa. Além do que, um livro de 650 páginas, após ser publicado, acaba ficando com seu preço altíssimo. Sei de muitas editoras que descartam livros com mais de 300 páginas sem sequer avaliá-los, justamente por que seu preço ao consumidor final ficará muito alto, inviabilizando a publicação. Evite. 6. Não exija o que não pode oferecer. O autor quer ser lido, publicado, divulgado, comprado, idolatrado. Mas não quer fazer absolutamente nada para que isso aconteça. Acredita piamente que basta ser quem ele é e escrever o que escreve, e tudo acontecerá como num passe de mágica. Quer ser lido; mas escreve mal e errado ("sou escritor, não revisor"). Quer ser publicado; mas, além de escrever mal e errado por que "não é revisor", ainda trata sua editora como se esta devesse se ajoelhar e agradecer aos céus pela oportunidade única de publicar este futuro best seller (sem hífen mesmo). Quer ser divulgado; de graça, né? Por que, afinal, quem trabalha com marketing literário não precisa pagar aluguel e nem comer. Continua querendo ser divulgado, agora pelos seus amigos do Facebook; mas nunca curte, compartilha, comenta, e muito menos divulga o trabalho destes mesmos amigos. Quer ser comprado; mas escreveu um livro de 650 páginas que custa R$85. Quer ser idolatrado; mas não será. Talvez no dia em que entender que, para receber, é preciso também oferecer. Mas até lá, não. Editoras existem desde que o Brasil foi descoberto, mas somente na última década o mercado editorial se democratizou e se expandiu, permitindo que pessoas sem costas quentes nem padrinhos influentes também pudessem publicar, e vender, e se dizer escritores. Se quisermos tornar nosso mercado editorial um mercado sério, que trabalhe em cima de qualidade, com comprometimento e competência, e que remunere adequadamente todos os profissionais envolvidos (incluindo o próprio escritor), precisamos, enquanto autores, também fazer a nossa parte. Mas não se engane, acreditando que estes predicados (qualidade, comprometimento, competência e remuneração) devem partir somente das editoras. O autor também precisa se profissionalizar e parar de tratar a literatura como uma brincadeira. Afinal, escritores que brincam de serem escritores acabam caindo nas mãos de editoras que brincam de ser editoras. E não podem sequer reclamar. (*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, escritor, jornalista e ensaísta. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

ESCOLHI A VIAGEM: EU PRECISO SEGUIR EM FRENTE (*)

Prefiro a viagem. Demorei a aceitar, mas vivo com passagem para a vida. E entre a partida e a chegada, escolho a viagem; o caminho é o fruto que enche a minha boca de desejo. Viajo com o rosto grudado na janela, meus olhos são janelas e com eles ilumino o trajeto para avistar as cenas de beleza que sigo colhendo na estrada e plantando no canteiro da minha alma. Coloquei uma placa em meu canteiro e o chamei de saudade, nele sinto perto os aromas do longe. Em um passeio na infância revelou-se meu gosto pela estrada. Aconteceu quando me vi hospedado por uma noite na rodoviária, cheguei tarde e ainda era cedo para partir, por isso ficamos ali aguardando a chegada do ônibus até o amanhecer. No emaranhado entre parentes e estranhos, entre idas e vindas, adormeci e descobri que o sonho me despertava mais do que a realidade. Quando acordei, percebi que ainda não havia chegado. Muitos desistem da jornada, transformando o navio em porto e o porto em navio, para estes o mar se torna tormenta ao invés de companheiro. Sigo desatracando do porto, com a mochila nas costas, porque sei que ainda não cheguei. Na aventura de viver, estamos todos na estrada, no caminho, por isso é preciso seguir. (*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista e ensaísta. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

SEMENTES DO OÁSIS QUE SONHAMOS (*)

Quando a lágrima se debruça sobre a sacada dos olhos, é sinal de que muitas vezes os cômodos e corredores da alma se converteram em rios. Enquanto isso, o rosto aguarda em silente expectativa pelo momento em que se transformará em cascata, uma cachoeira se abrindo das janelas da alma com raízes em silêncio de concerto, fincadas nos porões do coração, sendo contidas apenas por uma frágil represa feita de cílios. Há quem imagine que tristeza é coisa feita na fraqueza de suspiros, no entanto, tristeza é também ventania que esculpe com sua força novas fissuras e contornos na face desfigurada, despovoa ruas antes habitadas por passos extrovertidos e faz ruídos de solidão na concha do ouvido. A tristeza é dotada de uma inacreditável capacidade de subverter meteorologias, visto que pode até fazer Sol do lado de fora, mas em seus domínios paira uma neblina cinzenta que gruda na retina e embaça as cores, de modo que do lado de dentro escurecemos com nuvens de cortinas e cobertores. Reconheço que nem sempre a lágrima da tristeza é auto referência, visto que emprestamos vez por outra nossas lágrimas às causas e dores do outro, bem como por vezes abrimos as comportas para desrepresar o choro real por conta de tramas imaginárias que tem o poder de nos tocar de modo mais humano do que muitos que se desumanizaram. Dizem que lágrimas assim têm o poder de nos devolver a humanidade. É necessário ainda dizer que, se não fossem as cebolas, o que seriam das lágrimas censuradas? As cebolas prestam um serviço inestimável aos que sem se permitirem ou mesmo serem permitidos a chorar, ao manuseá-las encontram autorização que lhes isentam do pedágio das explicações e justificativas; lágrimas de cebola são confessionários que nos viabilizam tirar o cadeado de afetos aprisionados, permitindo a esses um banho de sol. Entretanto, vale enfatizar que as lágrimas não dizem respeito apenas aos lamentos e angústias, visto que na tristeza nosso corpo chora uma fina chuva regando o chão duro da existência por aqueles que não aceitam aquilo que é, na esperança de que aquilo que ainda não é, possa finalmente vir a florescer. Descubro que tristeza também pode ser prenunciadora de alegrias quando se revela em resistência frente aos desertos e absurdos que nos cercam, a fim de regar com nossas lágrimas as sementes do oásis que sonhamos. (*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista e ensaísta. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

sábado, 11 de novembro de 2017

CRENÇAZUL (*)

Raras palavras têm uma carga lírica tão forte quanto “Azul”. Basta colocar o adjetivo azul ao lado de um substantivo para que ele se ilumine, cresça em símbolos e significados: Aurazul, almazul, pazul, rosazul, aurorazul, azulilás; poetazul de uma poematicazul. Abraço o meu “Eu Lírico” e a uma idéiazul, e assim escrevo: é um êxtase deitar a cabeça numa nuvem azul e sonhar azul, como uma asazul ou uma rosazul que se abre de boca para o céu. O poeta é sócio-administrador de um campo de trigo onde as espigas são azuis. Por enquanto, o escritor deixou aqui uma belíssima pintura: telazul de suas esperanças, sonhos, convicções e sentimentos do mundo. (Eugenio Santana é jornalista, escritor, ensaísta, redator publicitário. Nove livros publicados)

O AMOR: PONTE ENTRE O INVISÍVEL E O VISÍVEL (*)

O amor era a única ponte entre o invisível e o visível que todas as pessoas conheciam. Era a única linguagem eficiente para traduzir as lições que o Universo todo dia ensinava aos seres humanos. Ninguém pode possuir um nascer do sol como aquele que vimos uma tarde. Assim como ninguém pode possuir uma tarde com a chuva batendo na vidraça, ou a serenidade que uma criança dormindo espalha ao seu redor, ou o momento mágico das ondas quebrando nas rochas. Ninguém pode possuir o que existe de mais belo na Terra – mas podemos conhecer e amar. As pessoas dão flores de presente porque nas flores está o verdadeiro sentido do Amor. Quem tentar possuir uma flor, verá a sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor do campo, permanecerá para sempre com ela. Porque ela combina com a tarde, com o pôr-do-sol, com o cheiro de terra molhada e com as nuvens no horizonte. Vou me lembrar sempre que o Amor é a liberdade. Esta foi a lição que demorei tantos anos para aprender. Esta foi a lição que me exilou, e que agora me liberta. A vida inteira eu me lembrarei de você, e você se lembrará de mim. Assim como nos lembraremos do entardecer, das janelas com chuva, das coisas que teremos sempre porque não podemos possuir. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista e ensaísta. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

OS QUE REJEITAM A INTIMIDADE (*)

Não tenho medo da intimidade; tenho medo de me ferir. Fico logo zangado com os relacionamentos. Assim que nos conhecemos e desaparece a novidade, o entusiasmo também desaparece. As pessoas não querem intimidade, só querem saber de sexo. Tenho medo de deixar que saibam como sou realmente; se soubessem, ficariam horrorizados. Não acredito na intimidade. Não creio que seja possível. As pessoas são diferentes demais. A intimidade sempre me faz sentir-me inseguro e com ciúmes. Quanto mais sinto por alguém, mais profundos a insegurança e os ciúmes, de modo que prefiro ser negligente, para não me magoar. Só brigo e firo as pessoas com quem tenho intimidade. Cada vez que formo um relacionamento íntimo, sempre me sinto fragmentado. Sei que deve haver mais alguma coisa, de modo que fico procurando por isso e estrago tudo. Podemos dar a volta ao globo, podemos chegar à luz, mas esta sociedade ainda não descobriu um meio de duas pessoas viverem juntas em harmonia durante sete dias seguidos sem quererem se estrangular. Dizem que a intimidade está fora de moda, mas eu digo que a intimidade é absolutamente essencial, do contrário vamos todos enlouquecer. Vá viver em isolamento, se puder. Acredito que você pode julgar o seu nível de saúde mental dependendo de se conseguir formar relacionamentos significativos e duradouros. Não a quantidade desses relacionamentos, mas a qualidade deles. (EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta e consultor. Membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira 2. Membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem” do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal; Autor de nove livros publicados)

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

O ORNITÓLOGO (*)

O filme, protagonizado por Paul Hamy, conta a história de um investigador que se dedica ao estudo dos pássaros e enfrentará medos e o risco de quase se afogar durante um trabalho de campo, na descida de um rio numa floresta. Fernando (Paul Hamy) é um ornitólogo solitário que decide pegar no seu caiaque e descer um rio em busca das raras cegonhas pretas, conhecidas por apenas se encontrarem em regiões inóspitas, longe dos olhares humanos. Depois de algum tempo em viagem, distraído com a beleza da paisagem, é surpreendido pelos rápidos e quase morre afogado. Na luta pela sobrevivência, vai confrontar-se com alguns dos seus demônios mais íntimos e medos mais primitivos. Ao encarar-se desta maneira, vai sair de lá um homem irremediavelmente transformado… João Pedro Rodrigues deu umas pequenas palavras ao público antes da estréia portuguesa de ‘O Ornitólogo’, o seu mais recente filme. Nada de mais, apenas os agradecimentos que havia a fazer. O filme falaria por si, como toda a gente na sala veria logo a seguir. O filme abre com um segmento relativamente longo que parece algo saído do National Geographic. Apenas um homem, Fernando (Paul Hamy), a andar de kayak e a observar pássaros. É um segmento imersivo, que nos transporta para as paisagens do Norte de Portugal, através de imagens lindas e sons evocativos. Não se arrasta o suficiente para ser aborrecido e serve como uma boa introdução a um filme que acompanha o percurso de um ornitólogo. Mas o filme é bem mais do que a observação de pássaros. Após ser levado por correntes fortes, Fernando perde-se pelo meio das florestas que rodeiam o Douro. As personagens com que se cruza e acontecimentos a que se submete, tudo do mais caricato que pode haver, levam-no à exploração da temática principal do filme, a recriação do mito de Santo Antônio. Por esse motivo, o filme é povoado de referências e imagética cristãs, progressivamente menos sutis. Passamos por imagens que se assemelham a cenas religiosas (Fernando coberto com o seu saco-cama parece um santo); a roupagem e poses assumidas pela personagem principal, uma das quais eternizadas no excelente cartaz; Jesus e as suas chagas; a pomba branca representando o Espírito Santo; culminando então no bem conhecido sermão aos peixes, de um outro famoso homônimo do padroeiro de Lisboa: o Padre Antônio Vieira. No entanto, mais do que a componente religiosa, o filme é, sobretudo autobiográfico. Paul Hamy apenas dá o corpo e gestualidade à personagem que é claramente uma extrapolação do realizador. Ornitólogo era a profissão com que João Pedro Rodrigues sonhava quando era mais jovem. A poetização deste desejo é feita através da visão dos pássaros, que vêem o realizador, e não o ator que até então acompanhamos nesta demanda. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista e ensaísta. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

E VOCÊ, POR QUE ESCREVE? (*)

Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que foi essa que segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os onze anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E, no entanto, cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever. Por que escrevo é um negócio complicado… Eu tenho a impressão de que a gente escreve por dois motivos. Ou por excesso de ser — é o tipo do escritor transbordante, como a maioria dos escritores brasileiros; é uma atitude completamente romântica — ou por falta de ser. Eu sinto que me falta alguma coisa. Então, escrever é uma maneira que eu tenho de me completar. Sou como aquele sujeito que não tem perna e usa uma perna de pau, uma muleta. A literatura preenche um vazio existencial. Às vezes, eu escrevo porque quero dizer determinada coisa que eu acho que não foi dita; às vezes, porque me interessa que conheçam meu ponto de vista. Às vezes, escrevo também por prazer. Quando criança, eu era adepto à literatura, não podia ficar sem ler. A minha conexão com a vida acontecia via literatura. Eu lia para aprender a viver, para saber o que fazer. É claro que isso provoca muitas desilusões, muitos choques, porque a vida não é a literatura. Assim, quando comecei a escrever, foi porque lia. Numa noite quente como essa, as pessoas do meu bairro se reuniam para contar histórias, o que, desde muito cedo se incorporou em mim, passou a ser uma coisa que eu também queria fazer, só que à minha maneira, escrevendo. Acho que para cada escritor há uma razão diferente. No meu caso, num certo sentido, é o desejo interior de dar um testemunho do meu tempo, da minha gente e principalmente de mim mesmo: eu existi, eu sou, eu pensei, eu senti, e eu queria que você soubesse. No fundo, é esse o grito do escritor, de todo artista. Creio que o impulso de todo artista é esse. É se fazer ver. Eu existo, olha pra mim, escuta o que eu quero dizer: tenho uma coisa pra te contar. Creio que é por isso que a gente escreve. (*) copydesk/fragment by Escritor, jornalista e ensaísta EUGENIO SANTANA. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

PAPAI: ÚNICO, INCOMPARÁVEL, INDESCRITÍVEL; MARCANTE, INESQUECÍVEL! (*)

Escrevi, açodadamente, o seu insólito romance com minha inolvidável mãe. Pequeno – o livro – intensa a narrativa. Escrevi, empolgado, em apenas uma semana; vovó materna devia estar me cutucando, com vigor, lá do Plano Astral. Cumpri a missão, com as limitações de quem jamais teve memória de elefante. Viajei... Viajei... Refleti. Refleti: o senhor, papai, é o protagonista do livro, com todo o carinho e amor à minha mãe, não posso faltar com a verdade. É inconcebível a brevidade da vida, ainda que, intensa foi a sua existência. Inconformismo com o seu vôo: apenas 67 anos incompletos. Não há paróquia de são Judas Tadeu em Macapá. Ainda assim, papai, fiz uma vigília noturna e fiquei orando e agradecendo à Deus pelo pai extraordinário e incomparável que o Todo-Poderoso me concedeu: * 28/10/1930 + 21/10/1997. Teu nome foi TRABALHO, papai. Eu e são Judas Tadeu, te admiramos e amamos e todos os seus filhos e netos e bisnetos. Como time rebaixado para a série B, sigo em frente, apenas pra cumprir tabela. Queria que os cientistas explicassem a “matemática” da vida. Jamais serão convincentes. E neste hiato de lonjuras, minha conexão é com o Céu... O Céu que me protege. Maktub. (Escritor/jornalista EUGENIO SANTANA)

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

SER JORNALISTA É NÃO ACEITAR MORDAÇA (*)

Existem certos tipos de personas que não têm alcance para dimensionar os gritantes contrastes sociais deste país corrupto. Covardes e ociosos temem tomar partido ou se posicionar sobre temas graves que afetam pelo menos 90 milhões de brasileiros. Amam o meio-termo e o melhor lugar que apreciam é sentar-se encima do muro. Ficam, comodistas, na toca, apreciando de camarote com seu riso hipócrita de hiena. Criticam quem FAZ, tentam - mas não conseguem - ridicularizar os heróis do nosso tempo: repórteres destemidos, prontos para DENUNCIAR as lambanças que proliferam de Porto Velho a Porto Alegre. A IMPRENSA - e sou integrante dela - continua a ocupar, honrosamente, na hierarquia dos poderes, o 4º lugar. Escolhi essa profissão por que sou um humanista de carteirinha desde o final dos anos 70, quando terminava o regime ditatorial - triste memória do medo! Ao estilo de Arnaldo Jabor, continuarei na estrada com a boca seca - insaciável por Justiça Social neste país das falcatruas intermináveis; da fome e da exclusão. A Educação tem um papel primordial. Mestre Darcy Ribeiro, profetizou: "Os professores fingem que ensinam e os alunos fingem que aprendem." E isto contribui para que o país continue elegendo seus hilários facínoras. Continua sendo uma nação sem cultura e sem educação de qualidade. JORNALISTA kamikaze? Com muito orgulho, por sinal. E minha caneta da VERDADE será empunhada até o último dia de minha vida. Diariamente cometo um "delito": SINCERICÍDIO! (*) Escritor, jornalista e ensaísta EUGENIO SANTANA. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

RÉQUIEM DO VELHO PSICOPOMPO (*)

Hoje. A data mais importante de minha vida. Enfatizá-la e decliná-la é uma honra, dever, uma lágrima na asa de memória que, infinita, me faz viajar no tempo. 25/10/1929. A data de nascimento do meu ponto de Luz aqui na Terra e que Deus chamou em 02/05/2011. Doravante, perdi minha “referência”, fiquei sem rumo, saí dos trilhos; retornei às raízes mais profundas, inutilmente. A Dor lancinante é interminável. Inventei fugas rápidas na tentativa precária de fugir das pegadas do tempo aonde pisamos o mesmo solo. Premonições do “velho” psicopompo se concretizaram inapelavelmente. Quando soube da notícia, abandonei cargo e casa, no Rio de Janeiro, inconformado entrei no meu carro e empreendi uma viagem com duas garrafas de vinho e quase tive um acidente grave próximo à Petrópolis; Deus não permitiu e São Judas Tadeu prestou auxílio. Não sei como venci, às lágrimas, os 1.350 quilômetros que separam o Rio de Janeiro de Anápolis. Meu gesto de amor resultou inútil, gerou conflitos internos na família; intempestivo, confesso que desta vez fui longe demais. Imperdoável. Ademais, o ser humano procura, incessantemente, olhar só nossos atos falhos. Fiz minha parte dentro de minhas limitações e equívocos e fui crucificado de forma velada e cruel, mas, sensitivo meu Mestre interior me revelou e constatei que todos, sem exceção, tiveram consideráveis parcelas de culpa em um momento que havia uma necessidade profunda de serenidade, paciência, tolerância, humildade, cooperação. Nem mais, nem menos. O “cão” desafeto que me acusa, já foi mordido pelo encardido e jamais saberá que “somostodosum” no Plano Cósmico. Encerrei-me durante nove meses num ostracismo voluntário; numa reflexão que mudou, para sempre, os rumos de minha vida. Perceptivo, não odeio ninguém: calúnias, difamações, danos morais, crimes digitais, desrespeito, torturas mentais, Jung, do túmulo, explica com riqueza de detalhes. É imprescindível que se tenha compaixão em relação aos que não evoluem e, talvez, jamais serão evoluídos. Neste planeta-escola já se estabeleceu o caos. O “encardido” e o mal andam juntos, um de Ferrari e o outro, de Porsche. Creio na parusia e aguardo o meu Mestre de Amor e Sabedoria, para colocar ordem no Governo do Mundo e na Humanidade robotizada e perdida. Hoje: a carga emocional da palavra saudade é ínfima para definir a falta que a senhora faz mamãe ADÍLIA SANTANA. Amo-te. Ternamente. Eternamente. Infinitamente. No “meio do mundo”, leia-se Macapá, acordei mais triste hoje... (*) Escritor, jornalista e ensaísta EUGENIO SANTANA. Autor de nove livros publicados. Contratado, por cinco anos, pela MADRAS Editora, de SP. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM) e membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem”, do Centro Cultural, Literário e Artístico de Portugal.

terça-feira, 24 de outubro de 2017

LIÇÕES FUNDAMENTAIS SOBRE ESCREVER (*)

1 - Apenas COMECE... - seja lá o que você deseja, simplesmente vá lá e comece a escrever; 2 - Siga sua PAIXÃO - não importa o que os outros digam, faça o que você gosta de fazer; 3 - Faça por PRAZER - se não houver prazer, não funciona. Escrever não é ficar rico, não é ficar famoso, não é fazer amigos. Escreva o que te inspira; 4 - MANTENHA-SE em seu propósito - nunca desista de seu sonho não importa quão difícil seja mantê-lo em boa parte do tempo; 5 - Não tenha medo de REJEIÇÃO - seu livro não está fazendo sucesso mas você viu que fez um bom trabalho? Mantenha-se nessa perspectiva. Talvez você só não tenha ainda alcançado seu público alvo; 6 - Encontre o seu ESPAÇO - quando começar a escrever, isole-se, mantenha longe todo tipo de distração. Desligue a TV, música, telefone, o que for que possa atrapalhar seu processo criativo; 7 - Torne-se ÚNICO - insira sua personalidade em sua forma de escrita. Faça com que seus leitores identifiquem um livro seu já nas primeiras páginas. Não tenha medo de expor ideias e conceitos; 8 - Torne a leitura de sua escrita em algo AGRADÁVEL - logo no início já se percebe se a história será de fácil leitura ou arrastada. Tome cuidado para não perder um leitor logo nas primeiras linhas; 9 - EDITE - escreva, deixe a história amadurecer por um tempo, vá fazer outra coisa, depois volte a ela e tire os erros, os excessos, as inconsistências. Corte toda a m*** desnecessária da história; 10 - Não tem como AGRADAR a todos - você não tem como agradar a todos os leitores o tempo todo. Não tem nem mesmo como agradar alguns leitores o tempo todo, mas você deveria sempre tentar agradar alguns leitores em alguns momentos; 11 - Ensine A SI MESMO - esqueça as aulas, lições e seminários... As lições mais valiosas de todas são aquelas que você mesmo se ensinou; 12 - Escreva MUITO - não fique falando sobre projeto disso, projeto daquilo. Vá lá e FAÇA!; 13 - LEIA - se você não tem tempo de ler outras coisas, não terá tempo e as ferramentas corretas para melhorar sua escrita. Ler bom material te ajuda a mirar mais alto e trabalhar com mais afinco. Você vê o que precisa ser feito e experimenta novos estilos. Ler material ruim também te ajuda... a reconhecer o que não deve ser feito. 14 - PUBLIQUE - Publique com uma editora que acredita no seu talento, que lhe dê possibilidades de você ser você, de poder participar da construção de seu livro. Muitas das grandes editoras não fazem isto - fuja delas inicialmente. Procure as editoras parceiras, que vão ser teu apoio inicial. Comece pequeno, plantando e cultivando seu caminho... 15 – Razão pela qual, descobri o “Caminho das pedras”, enviei meus originais para uma grande editora que possui estrutura de distribuição, logística e marketing: por acreditar em meu talento e criatividade, fui contratado por cinco anos, em 04/04/2016, pela MADRAS Editora, de São Paulo, Capital. Já publicou meu livro “VENTOS FORTES, RAÍZES PROFUNDAS”, de autorrealização, autoestima, afetividade, crescimento pessoal e consultoria em relações afetivas e autosuperação de perdas em geral. Encontra-se a venda em todo o Brasil por meio das livrarias: Leitura, Saraiva e Lojas Americanas. (*) Copydesk/fragment by escritor/jornalista EUGENIO SANTANA – Membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas, ocupante da cadeira númerodois; Membro Acadêmico Benemérito “Ad Honorem” do Centro Cultural, Literário e Artístico, de Portugal)

domingo, 22 de outubro de 2017

QUANTO EU AINDA TENHO DE SALDO NA VIDA, NO FLUXO DA IMPERMANÊNCIA?

QUANTO EU AINDA TENHO DE SALDO NA VIDA, NO FLUXO DA IMPERMANÊNCIA? Os ponteiros do relógio giram incessantemente. A asa do tempo voa de forma impiedosa e veloz. O mecanismo blindado do equipamento não revela o nível de desgaste. A qualquer momento poderá fenecer. Estaria perdido no olho do furacão, flutuando no ciclone, sem saber o que virá. Sou dependente do imprevisível, do improvável. Resta-nos vivenciar o que nos resta, envelhecendo a cada dia, experimentando os percalços, desfrutando variadas experiências, aproveitando os momentos de felicidade. Vou seguir a caminhada, sem saber até quando, sem saber até onde. Confiante nos Mistérios do insondável... Mesmo que as pernas falhem, a alma permanecerá forte, confiando que o fim da trilha é uma metáfora do impronunciável. Apenas um recomeço. Renascerei das cinzas tal qual a Phoenix... (Jornalista/escritor Eugenio Santana, FRC)

sábado, 21 de outubro de 2017

REFLEXOS DE UMA FLOR-ESTRELA (*)

Nunca diga que algo é impossível: as coisas são no máximo improváveis, mas nunca são impossíveis. Nunca desista antes de tentar. E, se você for se arrepender de algo, não se arrependa do que você fez e sim do que você deixou de fazer. Porque tentar e errar, é ao menos aprender. Enquanto nem mesmo tentar, é desperdício. Não desperdice nenhuma chance da sua vida, afinal, a sorte não bate todos os dias à sua porta. Tenha discernimento e não se deixe influenciar, mas saiba ouvir sempre a opinião dos outros. E saiba admitir seus erros. Seja humilde e sempre fiel a Deus. Você é um soldado d’Ele e está aqui em busca da felicidade. Da sua e dos outros. Procure-a, ela está dentro de você! E você naturalmente a merece! Corra atrás de seus sonhos, porque sem eles não chegamos a lugar nenhum. Não seja comodista e vá atrás do que você quer, lute! A vida é linda e a esperança jamais deve fenecer, bem como não deve acabar o amor que existe dentro de nós. Saiba sobreviver à depressão, saiba se erguer após cada queda. E saiba amar sem medo, pois o medo não traz nada, apenas leva... Saiba se entregar por inteiro, abaixar todos os escudos e dizer: eu te amo, mesmo que depois esse amor termine. Aproveite cada momento, cada minuto do seu viver, pois é como dizem: no fim, o que importa, não são os anos de sua vida, e sim, a vida em seus anos. Assim sendo, espero sempre que seus anos sejam plenos de vida. Não abandone esse anjo que existe dentro de você, esse anjo que fornece toda luz imprescindível para a nossa caminhada neste mundo. Liberte-o para habitar em seu coração, só assim sua alma alada continuará livre do mal. E se você tiver o seu espírito protegido por esse anjo de luz, nada de desagradável vai lhe tocar, porque estará sempre ao lado do Altíssimo. Não cultive ódio por ninguém, mesmo que desejem o pior para você. Se você tiver ódio, seu escudo cai. E ai sim, poderá lhe atingir. Tenha compaixão dessas pessoas, visto que, elas mataram o anjo que havia dentro delas. E se esqueceram que somos todos iguais, filhos e filhas de Deus. E merecemos respeito, carinho, amor e solidariedade... Toda vez que você passar por algum momento difícil, erga a cabeça, olhe para o céu e diga: O Senhor está comigo e vai me ajudar! Eis a realidade. Ele sempre estará nos ajudando. Só que às vezes ficamos surdos à sua ajuda e não percebemos o quanto Ele nos ama. Chegamos até a pensar que Ele nos ama. Chegamos até a pensar que Ele nos abandonou. Ore e agradeça. Deus nos deu o maior e mais precioso presente: A VIDA! (*) EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copidesque, revisor de textos e biógrafo; Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de nove livros publicados. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/2012). Autor contratado, por 5 anos, pela MADRAS Editora, de São Paulo, Capital. Radicado em Macapá, está atuando no jornal “on-line” “TRIBUNA AMAPAENSE”, exercendo as funções de Jornalista e Revisor de textos. autoreugeniosantana9@gmail.com