quinta-feira, 30 de junho de 2016

QUANDO O IMPROVÁVEL ABRAÇA A SABEDORIA

Os que sabem não falam. Os que falam não sabem. O Indefinível é a origem do Céu e da Terra. O sábio tem, mas não possui, age, mas nada espera. Quando seu trabalho está concluído, ele o esquece. Por isso dura para sempre. Quando acreditam saber as respostas, as pessoas são difíceis de guiar. Quando sabem que não sabem, as pessoas descobrem o seu próprio caminho. A sabedoria é conhecida como A Grande Mãe: vazia, contudo inesgotável, dá vida a infinitos mundos. Sempre está presente dentro de ti. Podes usá-la da forma que desejares. A sabedoria é chamada de fêmea sutil e profunda. A forma suprema da bondade é como a água. A água sabe como beneficiar a todos sem lutar contra eles. Acalma-se em lugares que todos os seres humanos odeiam. E é por isso que se aproxima da sabedoria milenar. Quando estiveres satisfeito em ser simplesmente tu mesmo e não te comparares ou competires, todos te respeitarão. Nada há no mundo mais suave e flexível que a água. Contudo, para dissolver o que é duro e inflexível, nada há que a supere. Se quiseres que algo se contraia, primeiro deves deixar que se dilate. Se quiseres te desfazer de algo, primeiro deves deixar que te seja dado. Isto se chama a sutil percepção da forma como são as coisas. A fêmea sempre supera o macho mediante a sua serenidade. Os objetos preciosos desviam o homem. Por isso o sábio guia-se pelo que sente e não pelo que vê. Ele rejeita isto e escolhe aquilo. Quem pode esperar tranquilamente o lodo assentar? Quem pode permanecer imóvel até chegar o momento da ação? Se quiseres chegar a ser inteiro, permite-te ser parcial. Se quiseres chegar a ser reto, permite-te ser torto. Se quiseres estar pleno, deixa-te estar vazio. Se quiseres renascer, deixa-te fenecer. O homem imita a Terra. A Terra imita o Céu. O Céu imita a sabedoria. E a sabedoria imita a Natureza. Mesmo que haja muitas coisas lindas de se ver, o sábio permanece desapegado e tranqüilo. Se te deixares levar como uma folha ao vento, perdes o contato com as tuas raízes. Se deixares que a inquietude te agite perdes o contato com quem realmente és. O homem verdadeiramente grande se concentra no que é real e não naquilo que está na superfície. No fruto e não na flor. Tendo compaixão por ti mesmo, consegues reconciliar todos os seres do mundo. Um bom viajante não tem planos definidos nem está preocupado em chegar. Um bom artista deixa que sua intuição o leve aonde ela quiser. Um bom cientista se liberta de conceitos e se mantém aberto ao que é... Ele está pronto para usar todas as situações e nada desperdiça. Isto é o que se chama de “seguir a luz”. Achas que podes te apoderar do universo e melhorá-lo? Não acredito que isso possa ser feito. O universo é sagrado. Não podes melhorá-lo. Se tentares mudá-lo, o arruinarás. Se tentares te apropriar dele, o perderás. Para encontrar a origem, procura-a nas manifestações. Quando reconheceres os filhos e encontrares a mãe, serás livre... Aquele que está repleto de Virtude se assemelha ao recém-nascido... Que cresce na sua totalidade e mantém a sua vitalidade perfeitamente íntegra. Sê a corrente do universo! Sendo que o curso do universo é sempre verdadeiro e imutável, volta novamente a ser como a criança. Por isso, a satisfação que sentimos quando sabemos que já temos o bastante, é uma satisfação realmente duradoura. Entre o teu nome e o teu corpo, qual é o mais querido? Entre o teu corpo e as tuas riquezas, qual é o mais apreciado? Entre o perder e o ganhar, o que é mais doloroso? Por isso, o excessivo amor por alguma coisa, com o tempo, custar-te-á muito caro. Armazenar muitos bens acarretará uma dura perda. Saber quando se tem o suficiente, é tornar-se imune à desgraça. Saber quando parar,é prevenir muitos perigos. Só assim poderás perdurar por um longo tempo. Alegra-te com o que tens; regozija-te com o que as coisas são. Quando perceberes que nada te falta, o mundo inteiro te pertencerá. (EUGENIO SANTANA é Escritor, Jornalista, Ensaísta, Revisor de textos, Blogueiro, Consultor, Copydesk e Self-made man.)

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O DOADOR DA VERDADE

Um antigo egípcio foi o ancestral de uma ampla gama de filosofia mística e escritos que florescem até os dias de hoje, os quais denominamos “herméticos” porque seu progenitor veio a ser conhecido no mundo ocidental como Hermes Trismegistus, ou Hermes Três Vezes Grande. Quem foi ele realmente ou em que período viveu é apenas hipotético. A Tradição Rosacruz, que tanto extrai dessa fonte, situa-o na 18ª Dinastia de Faraós do Egito, em aproximadamente 1400 a.C. No antigo Egito ele era conhecido como Toth, às vezes chamado de “segundo Toth” para distingui-lo do lendário deus Toth, o “Doador da Verdade”. Entretanto, esse mago já era lendário muito antes que o mundo ocidental tivesse ouvido falar dele – e tornou-se ainda mais depois. No Ocidente, seus ensinamentos apareceram e desapareceram muitas vezes, sempre envoltos em algum grau de segredo. Devido principalmente a esse segredo, hoje nada temos dos escritos de Hermes exceto em parte, e essa parte apenas de segunda ou terceira mão, em traduções no grego e no latim mais recentes. E esse pouco foi preservado apenas graças a uns tantos incidentes afortunados. Depois que Alexandre conquistou o mundo ocidental, a nova cidade grega de Alexandria na costa do Egito, com seus vastos museus e bibliotecas, tornou-se o centro predominante da aprendizagem. Parte dessa aprendizagem consistia em traduzir a sabedoria antiga para o grego, incluindo pelo menos uma parte do antigo Livro de Toth. Nessa tradução, o nome do autor ficou sendo Hermes, pela simples substituição do nome do deus grego que mais se assemelhava ao deus egípcio Toth. Posteriormente, tradutores latinos deram-lhe o nome do deus romano correspondente, Mercúrio. O principal tradutor para o grego era Manetho, sacerdote do templo de Heliópolis, que viveu numa época anterior a 250 a.C. Segundo um escriba posterior, Manetho escreveu a Ptolomeu Philadelphus: “Conforme vossas ordens, os sagrados livros escritos por nosso ancestral Hermes Três Vezes Grande, os quais estudei , serão mostrados a vós”. Ptolomeu II também patrocinou a primeira tradução para o grego das escrituras hebraicas, trabalho que é conhecido como os Setenta. É possível que houvesse um plano para reunir toda a sabedoria do mundo num só lugar e numa só língua, sendo esta o grego e o lugar, a grande biblioteca de Alexandria. Infelizmente, essa biblioteca foi depois destruída; podemos apenas especular sobre o que poderia haver ali. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta. Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)

HÁBITOS E VÍCIOS NOCIVOS SÃO INVENÇÕES DO MALIGNO

Podemos dizer também com toda certeza que os hábitos podem ser modificados ou abolidos pelo mesmo processo que os traz à existência; e assim sendo, podemos facilmente, embora de modo lento, alcançar um verdadeiro domínio dos hábitos. A maioria dos hábitos tem sua origem em práticas conscientes, voluntárias e determinadas. Há também alguns hábitos que são adquiridos, quer dizer, adquiridos através de hereditariedade ou de ação ou pensamento inconsciente de nossa parte. Ao analisarmos qualquer hábito ou considerá-lo como passível de mudança ou eliminação, o primeiro passo é vê-lo como uma entidade, uma coisa separada de nossa vida cotidiana. Se for o hábito de tomar bebidas intoxicantes, podemos ver claramente que esse hábito, em si mesmo e por si mesmo, não encontra qualquer lugar real no esquema geral das coisas, e tem apenas um lugar muito pequeno em nossa vida pessoal. Quanto mais intenso, mais escravizador for o hábito, mais ele fica semelhante a um desnecessário e maligno espírito em nossa análise dele. Se pegarmos o hábito de fumar e o transformarmos numa personalidade, ele nos dirá: “Você não pode me remover; não pode me vencer; dificilmente poderá reduzir meu poder, porque estou muito bem instalado neste pequeno reino!” E muitos são desencorajados por essas palavras, em sua tentativa de vencer o hábito. E há o hábito da procrastinação. Esse também pode ser personificado como uma deusa, com um corpo comprido e pesado como uma grande serpente marinha, volumosa demais para se mover rapidamente, tendo por natureza a indolência e a ociosidade, geralmente causadora de várias enfermidades, uma espoliadora de toda pureza de ação e pensamento, voltando as costas ao movimento de todos os corpos progressistas à sua volta, preferindo ficar para trás ou deitar-se e dormir enquanto o mundo vai em frente. Quando olhamos para a procrastinação e descobrimos que as horas, os dias e os meses vão passando e ela nada produz, nada realiza, está sempre atravessando o caminho de todo e qualquer movimento à frente, e em desarmonia com a natureza em todos os sentidos, perguntamo-nos como pode uma tal criatura ter realmente algum lugar no esquema das ações do mundo. O único movimento que notamos nela é a colocação de seu enorme, pesado e indolente corpo no caminho de um outro corpo louco para ir adiante. Temos vontade de lançá-la para bem longe das nossas vistas como a um incômodo, um obstáculo. E aí, quando a vemos como uma parte de nossa própria existência, ficamos horrorizados com o poder que ela tem para nos fazer ficar para trás e arruinar nossos projetos de vida. Mas, do mesmo modo, a procrastinação tem no direito à nossa tolerância a lei que gera sua existência em nossa vida. Por grande, pesada e enorme que possa ser essa deusa, ela pode ser completamente eliminada e afastada pelo exercício do mesmo poder mental que a criou. Consideremos outra vez o deus do hábito de fumar. Conforme o domínio que tenha sobre nós, nossa indulgência, podemos ter um deus de tamanho e poder pequeno ou grande. Vamos pensar em um do tamanho grande: todo feito de folhas de tabaco, cheio de nicotina, de químicos conservantes, aromatizantes. Pequenos insetos vivem escondidos em cada ranhura do corpo desse deus. Cinzas, nuvens de fumaça e calor saem de todas as partes de seu corpo. Quando vemos esse hábito personificado, com seu poder, sua tentação e sua possibilidade de causar danos, dificilmente podemos dizer que ele tenha um lugar real no esquema das coisas na natureza. No mínimo, não podemos dizer que esse hábito tenha um lugar realmente construtivo. E se o virmos como algo que pusemos voluntariamente no esquema de nossa vida pessoal, encontraremos bem pouca desculpa para sua existência. Podemos ver esse hábito como um deus que o tempo todo nos dá um pequeno prazer ou nos acalma os nervos; mas quando ao mesmo tempo notamos a inconveniência e o dano que advêm dele, temos de concordar que ele não é tão bom em seu aspecto divino quanto é mau em seu aspecto diabólico. E tenham em mente que, tal como os pagãos, nós criamos esse deus, grande ou pequeno, dotamo-lo de todo o poder e sedução que ele possui, tornamo-nos cegos às suas partes desagradáveis e malignas, e depois o aceitamos dentro do nosso próprio corpo como um dos governantes da nossa vida. O deus da blasfêmia, das palavras vulgares, como todos esses outros deuses, existe em nossa consciência, em nossa vida pessoal, devido à nossa própria tolerância. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta. Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)