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domingo, 20 de setembro de 2026
METÁFORA DOS PORCOS-ESPINHOS
A história se passa em um dia gélido de inverno. Para não morrerem congelados, um grupo de porcos-espinhos decide se aproximar para compartilhar o calor mútuo. No entanto, ao ficarem muito juntos, os espinhos de cada um começam a ferir os companheiros mais próximos. Por causa da dor, eles se afastam, mas o frio intenso logo os obriga a se unirem novamente. Esse ciclo de aproximação e afastamento se repete até que eles finalmente encontram a distância ideal: um espaço onde conseguem se aquecer mutuamente sem se machucarem. Os espinhos representam os defeitos, as divergências e as características repulsivas que descobrimos nos outros quando criamos laços muito íntimos. A solução: A "distância adequada" representa a civilidade, as boas maneiras e o respeito mútuo, permitindo a convivência pacífica sem grandes feridas emocionais. O conceito tornou-se tão influente que foi posteriormente adotado por Sigmund Freud na psicanálise para ilustrar a ambivalência das relações humanas e o medo da vulnerabilidade. (Escritor/jornalista/filósofo EUGENIO SANTANA, FRC)
sábado, 19 de setembro de 2026
UMA ROSA BRANCA SOBRE O TÚMULO...
Um homem relativamente jovem – um moço-velho – com uns poucos cabelos grisalhos e uma sombra no olhar caminha ao sol do meio-dia entre as lápides do cemitério, sob um céu preso no azul do mar.
Leva nos braços um menino que mal pode entender suas palavras, mas que sorri quando encontra seus olhos.
O homem permanece ali por um momento, em silêncio, as pálpebras apertadas para conter as lágrimas.
A voz de seu filho o traz de volta ao presente e quando ele abre os olhos vê que o menino está apontando para uma estatueta que desponta entre as pétalas de flores secas, à sombra de um vaso de cristal. Sua mão procura entre as flores e pega uma figurinha de gesso, tão pequena que cabe na mão fechada. Um Anjo. As palavras que pensava esquecidas se reabrem em sua memória como uma velha ferida.
O menino tenta pegar o Anjo que repousa na mão do pai e, ao tocá-lo, seus dedos o empurram sem querer. A estatueta cai sobre o mármore e se quebra. E então ele vê. É um papelzinho dobrado escondido no interior do gesso. O papel é fino, quase diáfano. Ele abre com a ponta dos dedos e, na mesma hora, reconhece a “caligrafia”.
A brisa do mar se levanta entre as lápides e o alento de uma maldição dos antepassados acaricia seu rosto desfigurado. Guarda o papel no bolso. Em seguida, deixa uma rosa branca em cima do túmulo e retorna sobre seus passos com o menino nos braços, até a galeria de ciprestes onde a mãe de seu filho espera por ele. Os três fundem num abraço e quando ela o encara no fundo dos olhos, descobre neles alguma coisa que não estava lá antes. Algo turvo e escuro que lhe dá medo.
- você está bem, João Guilherme?
Ele olha para ela longamente e sorri.
- Eu te amo – diz, e a beija, sabendo que a história, sua história, ainda não terminou.
Acabou de começar.
(Writer and Journalist by EUGENIO SANTANA, FRC)
BIBLIOTECA DE LIVROS ABANDONADOS...
Soube que um dia voltaria a estas ruas para contar a história do homem que perdeu a alma e o nome entre as sombras de uma Florianópolis submersa no sono medroso de um tempo de cinzas e silêncio. São páginas escritas com fogo e gelo, palavras gravadas na asa da memória daquele que retornou de entre os mortos, por meio de um psicopompo, com uma promessa cravada no coração e pagando o elevado preço de uma maldição dos antepassados. A cortina se abre, o público silencia e, antes de a sombra que espreita seu destino descer sobre o palco, um elenco de espíritos brancos entra em cena com o texto de uma tragicomédia nos lábios afiados e aquela bendita pureza de quem, pensando que o terceiro ato é o último, começa a narrar um conto kafkiano sem saber que, ao virar a última página, a tinta de sua alma azul o arrastará, lenta e inapelavelmente, ao coração das trevas. A claridade caía numa cascata de vapor pelos meandros do grande labirinto de corredores, túneis, escadas, arcos e abóbadas que pareciam brotar do solo como o tronco de uma árvore infinita feita de livros, que se abria para o céu numa geometria impossível. Parei no início de uma passarela que penetrava como uma ponte na base da estrutura e, perplexo, contemplei o espetáculo. Cheguei junto dela silenciosamente e pousei a mão em seu ombro. - Bem-vinda à Biblioteca dos Livros Abandonados, Nuria. Uma Alexandria às avessas. De acordo com minha experiência pessoal, quando alguém descobria aquele lugar, sua reação era de encantamento, magia e assombro. A beleza e o mistério do recinto reduziam o visitante ao silêncio, à reflexão e ao sonho.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, biógrafo, filósofo. Autor do best-seller, "Ventos Fortes, Raízes Profundas", Madras editora, SP, entre outros.
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
NÃO SE CULPE PELOS QUE SE FORAM...
Ninguém lhe deixou, o Universo apenas removeu do seu caminho aqueles que não podiam lhe fazer feliz. É preciso cuidado com quem você quer para a sua vida. O ego, a ilusão e a carência costumam nublar a visão de quem realmente é bom para você. Por isso, um conselho importante sobre o afeto é: não force. Não faça questão de querer na sua vida aqueles que de livre vontade não optam em permanecer. Presença saudável é daquele que faz questão de estar ali. Quando alguém sai da sua vida, mesmo você dando o seu melhor, relaxe. Apesar de toda a dor que você possa sentir no momento, confie, a vida nunca tira do seu lado aqueles que realmente fazem parte da sua história. Algumas pessoas simplesmente precisam ir. Porque sua jornada não compactua com a sua caminhada. São pessoas que chegam em nossas vidas por uma estação. Permanecem durante um período. Muitas vezes nos ensinam algo ou são um exercício para o nosso emocional e para a nossa evolução. Mas não vieram para ficar. (Writer and Journalist by EUGENIO SANTANA)
O ESCRITOR. UMA ALMA QUE HABITA NAS PALAVRAS (*)
Todo grande escritor passa a vida inteira rondando os mesmos temas profundos — a morte, a efemeridade do tempo, o amor, a solidão ou a busca por identidade. Mudar os personagens ou o cenário é apenas uma forma de vestir a mesma obsessão com roupas diferentes. A relação entre a essência e os fragmentos de um escritor habita justamente no paradoxo de que um autor só se faz inteiro quando se divide em pedaços. — o escritor que se torna "escravo enquanto escreve" —, essa dinâmica revela como a identidade de quem cria literatura é moldada. O escritor funciona como uma esponja que absorve as dores, os silêncios e as contradições humanas para tentar decifrá-las em palavras. A escrita é feita de estilhaços da memória real misturados com a imaginação. O escritor reconstrói vidraças inteiras a partir de um único caco de lembrança da infância ou de uma conversa ouvida no metrô.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta, filósofo Rosacruz. Autor de 23 livros publicados, incluindo o seu best-seller, "Ventos Fortes, Raízes Profundas", Madras editora, entre outros.
sábado, 12 de setembro de 2026
A IMPERMANÊNCIA E O ÚLTIMO CICLO...
Muitas vezes associado à colheita, à sabedoria e à conclusão da jornada — carrega um peso emocional, mas também uma oportunidade única de transcendência.A impermanência, que antes parecia um conceito abstrato, torna-se muito mais tangível nesta fase. A Beleza e os Desafios do Terceiro Ciclo. O Olhar da Sabedoria: Este ciclo não se resume ao declínio, mas sim ao ápice da sua história. É o momento em que a pressa diminui e a profundidade de compreensão sobre o mundo aumenta. A Prática do Desapego Real: É a fase de desatar nós, perdoar o passado e focar estritamente no que possui valor real: o afeto, a paz de espírito e o momento presente. O Legado Emocional: Mais do que bens materiais, este ciclo é sobre o que você transmite através de sua presença, suas memórias e seus aprendizados para quem fica. Como Habitar este Ciclo com Leveza. Aceitação Ativa: Em vez de lutar contra o tempo, acolha o ritmo atual do seu corpo e da sua mente com gentileza. Celebração da Bagagem: Olhe para trás não com nostalgia dolorosa, mas com o orgulho de quem atravessou tempestades e construiu uma trajetória inteira. Foco no "Hoje": O amanhã perde a urgência. A beleza da vida passa a se manifestar nas pequenas coisas: o gosto de um café, o calor do sol, o silêncio reconfortante. Este ciclo final é, em essência, o fechamento de uma obra de arte que você passou a vida inteira pintando. (EUGENIO SANTANA é Escritor, jornalista e filósofo Rosacruz)





