quarta-feira, 27 de julho de 2016

VENTOS FORTES, RAÍZES PROFUNDAS: A ALMA DO LIVRO...

As pessoas normais trazem filhos ao mundo; os escritores trazem livros. Cada livro tem uma alma, a alma de quem o escreve e a alma de quem o lê. O bom livro quando se apresenta não fica vermelho; se é desprezado, não se importa; lido, ensina a verdade com calma; ofendido, não se lamenta e provoca o remorso que talvez desperta o desejo de conhecer a verdade, pois está sempre pronto a ensiná-la. Às vezes fica empoeirado em cima de uma mesinha ou em uma biblioteca. Ninguém pensa nele, mas chega a hora da solidão ou da tristeza, ou da dor, ou da rotina, ou da necessidade de descanso, ou da espera ansiosa pelo futuro; e este amigo fiel sacode a poeira, abre suas folhas aladas, e acontecem admiráveis insights de sabedoria e uma imarcescível compulsão de reinventar a vida. “VENTOS FORTES, RAÍZES PROFUNDAS”, ousa sintetizar, um pouquinho, o aprendizado milenar do homem no ato continuado de pensar, falar, gritar, refletir, meditar, gravar o seu espanto de estar no mundo. E cultivar – na alma e no coração – a paixão pelas palavras. (EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta e consultor em gestão de pessoas. Membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira 2. Sócio-correspondente do Centro Artístico e Literário de Portugal; Autor da Biografia de João de Deus – o médium de Abadiânia)

sábado, 23 de julho de 2016

CENÁRIO PARA O LEITOR NA CONTEMPORANEIDADE

É plausível, de outra maneira, indagar se a velocidade, a fugacidade, a situacionalidade e a opacidade da “era contemporânea”, ou, em melhor expressão, da contemporaneidade, permitem, ainda, as virtudes da calma, da paciência, da iniciação a textos de nível mais elevado, da busca de experimentalismos no estilo ou de uma abstração mais profunda e simbólica. É pertinente, até, perguntar se a universalidade da palavra e do texto escrito mantém o mesmo sentido, tanto para o prazer quanto para a instrumentalização da necessidade. E, mesmo assim, se crianças, adolescentes e pais querem ainda a busca de uma educação clássica ou vernácula, de iniciações no noviciado das letras e a eterna busca do imperativo kantiano do “ousar saber” e da “saída da menoridade”. Para o prazer ou para o entretenimento, o inimigo declarado do lema “deixar de ser menor” é a resignação. Uma resignação aparentemente sem culpas, que é madrasta do individualismo consumista e caminha na contramão do agenciamento coletivo, de liderança e da cooperação. Ser leitor na contemporaneidade é ser um agente de comunicação. Infância e maturidade dos intelectuais. Ao invés de mero consumidor, o leitor é, simultaneamente, um agente cultural e comunicacional com grandes possibilidades de exercício de suas “vontades de potência”. Sua volição é mudar a si mesmo e mudar o mundo. Sua voluntariedade oscila entre a competição e a cooperação. A leitura é, outrossim, agenciamento e enfrentamento político. Como atitude, enfrentar um texto escrito é ação serigráfica: marca superfícies reais e simbólicas. Marca o papel, marca a página, risca a dobra do livro, marca a memória e risca a imaginação. Como enfrentamento do mundo, a leitura não é uma boa amiga da resignação. Abraçar a leitura, hoje, é ato de coragem e escolha. A passividade é outra inimiga do leitor e da leitura. Verdade que aceitá-la é resignar-se aos possíveis frutos da perdição. O caminho da leitura é da atividade e do enfrentamento. A estrada do leitor, que lê por prazer ou por necessidade, por fantasia ou instrumento, é de tomada de posição, afirmação de palavra, vocativo da imaginação. Não importa – e não importará tanto – se as narrativas serão ágeis ou lentas, descritivas ou dialogais, lineares ou não-lineares. Importa que o leitor, como produtor ou co-produtor, associado ou não às pautas do mercado editorial, precisa, necessária e inevitavelmente, de realizar o imperativo da escolha. As implicações da escolha são, decerto, mais que culturais, científicas, artísticas, sociais, psíquicas, estéticas ou comunicacionais: são políticas e ideológicas. A humanização do leitr se dá, de fato, pela hesitação diante da pluralidade de possibilidades. No limite, conformam “muitos mundos” (pluriversos), para intercambiar sua identidade. O bom leitor sabe que, pela leitura, pode obter “acesso” a processos simbólicos que o auxiliem a escolher o que almeja da vida e até a alteração de rotas e trajetos efetuados. (EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor e ensaísta. Autor da biografia de João de Deus – o médium de Abadiânia) WhatsApp (61) 99581-4765

domingo, 17 de julho de 2016

CON-VIVÊNCIA ENTRE HOMENS E MULHERES...

Dentro do que o psicanalista Gustav Jung denominou de Inconsciente Coletivo, podem ser encontradas muitas das características psicológicas que moldaram a mente da espécie humana e que, de certa forma, explicam nosso comportamento, mesmo aqueles mais desprezíveis. Por razões que remontam à pré-história e aos primeiros hominídeos, alguns comportamentos do tipo oculto e inato foram sendo transmitidos às gerações futuras, por necessidade de sobrevivência, frente a um mundo hostil e inóspito. O machismo é uma dessas heranças ocultas. Trata-se, segundo especialistas no assunto, de uma força arquetípica. Como tal se fincou no inconsciente de todos. Em outras palavras, nascemos machistas, homens e mulheres, sendo que esse comportamento é mais ou menos reforçado ao longo da vida, de acordo com cada sociedade em que o indivíduo está inserido. Obviamente esse comportamento primitivo não isenta ninguém de cometer verdadeiras atrocidades contra o sexo oposto. No Brasil, de formação histórica patriarcalista, fincada na desigualdade patente de classes, esse comportamento encontrou ambiente amplamente favorável, dentro e fora de casa, para florescer e se multiplicar. Isso não quer dizer que em outras partes do mundo o problema não ocorra. Pesquisas indicam ainda que o álcool, as drogas e o mais antigo e nefasto dos vícios humanos, o ciúme, respondem pela maioria das causas da violência contra as mulheres. Como sempre, o caminho mais curto e recomendado pelos estudiosos para se chegar a uma convivência de paz entre homens e mulheres ainda parece ser a EDUCAÇÃO. (Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, jornalista, escritor, redator publicitário e ensaísta. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas – ALNM. Cadeira número 2)

sábado, 16 de julho de 2016

EDITORA-LABORATÓRIO E LIVRO-MERCADORIA...

CASAS EDITORIAIS SÃO MINI-LABORATÓRIOS, OS LIVROS SÃO PRODUTOS E OS LEITORES O PÚBLICO-ALVO – Uma boa perspectiva como ponto-de-partida seria pensar as casas editoriais como mini-laboratórios, livros como a excelsa mercadoria, leitores como público e as práticas da leitura como o espaço da interatividade capaz de produzir ou gerar representações de imagens, interpretações imagéticas ou simplesmente fabulações e/ou devaneios. Parte-se do pressuposto de que a estrada construtiva desta argumentação sugere, como conditio sine qua non, a elaboração de modelos para exegese ou variáveis programáticas para sondagens e verificações empíricas, perfiladas, inicialmente, como questões. Se pensarmos a editora como laboratório e o livro como e o livro como mercadoria é lícito indagar: Como pesquisar as estratégias de marketing e/ou mercadológicas para atingir o leitor e seu imaginário? O imaginário social que, no leitor, uma editora é capaz de suscitar a partir de seu “fundo editorial” operacionaliza-se de que forma? As artes gráficas envolvem a produção do livro como forma, design e “embalagem” são ou não capazes de seduzir os leitores; caso positivo, como? Como o leitor é levado em consideração na elaboração e negociação das seleções editoriais perpetradas pelos conselhos? O que emerge no imaginário cognitivo do leitor ao adquirir um livro? Quais os processos de decisão envolvidos nesta trama que se trava entre leitor e livro? O livro é uma mercadoria capaz de conduzir o seu público consumidor a uma maximização de interesses e/ou uma otimização de fins? (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta e diretor executivo da Hórus/9 Editora. Autor de oito livros publicados)

domingo, 10 de julho de 2016

IDÉIAS AVANÇADAS E CRIATIVAS

Atualmente, qualquer computador, por mais lento que seja, tem capacidade de “armazenar” e resgatar mais dados que os cérebros mais geniais. Mas não é a quantidade de dados que dá relevância da criatividade e da eficiência intelectual. Estou convicto de que a ousadia, a autocrítica, a resiliência, a empatia, a autoconfiança, a autoestima, a imaginação são mais importantes para a produção de novas soluções, de inovação, de respostas brilhantes do que uma supermemória saturada de dados. Computadores se formam com um excelente programa e um superbanco de dados; pensadores se formam com um bom banco de dados e com doses elevadas das funções mais complexas da inteligência. Quem não seleciona livros, textos, técnicas, cursos, artigos tem potencial para bloquear sua criatividade. Lembre-se de que Einstein, Freud e tantos outros produtores de conhecimento tinham menos dados em sua memória do que a maioria de seus discípulos das gerações seguintes. Então como foram tão longe? Eles reciclaram suas falsas crenças e seu sentimento de incapacidade. Eram inquiridores, críticos, determinados e, além disso, foram destemidos, intuitivos, imaginativos, sensitivos, mentalmente livres. Claro que falharam muito, tiveram intermináveis noites de insônia, foram zombados, excluídos, desacreditados. Apesar dos percalços enfrentados, venceram com meritocracia. Resilientes, eles jamais desistiram de suas idéias avançadas e criativas. (EUGENIO SANTANA é jornalista, ensaísta, escritor e redator publicitário. Editor executivo da “Revista Cenário Goiano”, foi Revisor de textos do jornal “Diário da Manhã”, fundador do blog “Guardião da Palavra”. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)

HORA DE TIRAR A MÁSCARA...

As pessoas, de um modo geral, teimam em ser otimistas. Na maioria dos textos que leio sobre o país e a crise, apesar de análises realistas diante de um cenário pouquíssimo promissor, resvalam doses de esperança. Seria porque o Brasil é uma potência, em termos de recursos naturais e riquezas? Seria porque somos um país resiliente, que se adapta, agüenta o tranco e retoma o rumo? Seria porque, nosso povo trabalhador e festivo é capaz de segurar o leme na tempestade? Não sei. E a primeira razão pelas quais digo “não sei” é porque duvido dos clichês que nos definem há tanto tempo. Esse país não existe, a não ser na nossa infinita ignorância a respeito do que somos, de onde viemos e para onde vamos. Continuamos existindo, mas perdemos sentido. Precisamos encontrá-lo. Lá no futuro, vamos agradecer por tudo o que vivemos. E olhar para aquele fundo do poço com mais simpatia, enxergando luz onde só havia escuridão. Então me perguntei: de certa forma será que isso se aplicaria ao Brasil? Creio que sim. Se desconstruirmos uma imagem mentirosa de nós mesmos, talvez consigamos construir uma nova identidade depois dessa crise. Não somos um país pacífico. Isso é uma mentira. Vivemos em guerra. Maltratamos os velhos, batemos nas mulheres, matamos os negros e pobres, somos selvagens no trânsito. Não “estamos” corruptos; somos corruptos, desde o cara que enforca a sexta-feira até o político que faz casamento de luxo, sustenta amante, compra votos e se elege com dinheiro público roubado. E a crise de identidade? Que país queremos ser, o que ainda vive de uma imagem mentirosa? Eu confio que não. A despeito de tanta intolerância vindo à tona, tenho visto tantos movimentos por um novo Brasil que só posso acreditar em mudança. Sigo otimista. (EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, consultor e redator publicitário. 8 livros publicados. 18 prêmios literários. Editor do blog “Guardião da Palavra”.)