quarta-feira, 29 de junho de 2016

O DOADOR DA VERDADE

Um antigo egípcio foi o ancestral de uma ampla gama de filosofia mística e escritos que florescem até os dias de hoje, os quais denominamos “herméticos” porque seu progenitor veio a ser conhecido no mundo ocidental como Hermes Trismegistus, ou Hermes Três Vezes Grande. Quem foi ele realmente ou em que período viveu é apenas hipotético. A Tradição Rosacruz, que tanto extrai dessa fonte, situa-o na 18ª Dinastia de Faraós do Egito, em aproximadamente 1400 a.C. No antigo Egito ele era conhecido como Toth, às vezes chamado de “segundo Toth” para distingui-lo do lendário deus Toth, o “Doador da Verdade”. Entretanto, esse mago já era lendário muito antes que o mundo ocidental tivesse ouvido falar dele – e tornou-se ainda mais depois. No Ocidente, seus ensinamentos apareceram e desapareceram muitas vezes, sempre envoltos em algum grau de segredo. Devido principalmente a esse segredo, hoje nada temos dos escritos de Hermes exceto em parte, e essa parte apenas de segunda ou terceira mão, em traduções no grego e no latim mais recentes. E esse pouco foi preservado apenas graças a uns tantos incidentes afortunados. Depois que Alexandre conquistou o mundo ocidental, a nova cidade grega de Alexandria na costa do Egito, com seus vastos museus e bibliotecas, tornou-se o centro predominante da aprendizagem. Parte dessa aprendizagem consistia em traduzir a sabedoria antiga para o grego, incluindo pelo menos uma parte do antigo Livro de Toth. Nessa tradução, o nome do autor ficou sendo Hermes, pela simples substituição do nome do deus grego que mais se assemelhava ao deus egípcio Toth. Posteriormente, tradutores latinos deram-lhe o nome do deus romano correspondente, Mercúrio. O principal tradutor para o grego era Manetho, sacerdote do templo de Heliópolis, que viveu numa época anterior a 250 a.C. Segundo um escriba posterior, Manetho escreveu a Ptolomeu Philadelphus: “Conforme vossas ordens, os sagrados livros escritos por nosso ancestral Hermes Três Vezes Grande, os quais estudei , serão mostrados a vós”. Ptolomeu II também patrocinou a primeira tradução para o grego das escrituras hebraicas, trabalho que é conhecido como os Setenta. É possível que houvesse um plano para reunir toda a sabedoria do mundo num só lugar e numa só língua, sendo esta o grego e o lugar, a grande biblioteca de Alexandria. Infelizmente, essa biblioteca foi depois destruída; podemos apenas especular sobre o que poderia haver ali. (EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, ensaísta. Diretor de Redação da revista Cenário; foi Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro)