sexta-feira, 22 de abril de 2016

ANJOS DE LUZ CLARIVIDENTES

Os Anjos são tristes. Os Anjos não traem. Só um Anjo traiu. Os Anjos são espertos. Os Anjos são negros. Os Anjos gostam de ouvir música, Chopin, Mozart, Debussy e mantras. Os Anjos passam flanela no altar. Os Anjos brincam de esconder. Os Anjos gostam de chocolate. Os Anjos são eternos. Os Anjos transmutam instantes em Infinitos. Os Anjos enternecem os momentos. Os Anjos pintam as casas de azul e branco. Os Anjos nadam como peixes multiplicados. Os Anjos acordam às três horas da manhã. Os Anjos pintam a boca. Os Anjos têm cílios longos. Os Anjos não falam de sexo. Os Anjos percorrem poemas distantes. Os Anjos pintam quadros de Goya, Da Vinci, Rafael, Botticelli. Os Anjos existem no olhar dos velhos. Os Anjos percorrem alamedas escuras na capa vermelha de Carlos Drummond de Andrade. Os Anjos se vestem de sombras com Mario Quintana. Os Anjos guardam ovelhas nas montanhas. Os Anjos guiam os profetas que morreram. Os Anjos bebem licor de aniz. Os Anjos jantam juntos juras e chás de jasmim. Os Anjos gostam de flores. Os Anjos tocam guitarras. Os Anjos gesticulam do outro lado da margem. Deus não inventou os Anjos. Deus recolheu os Anjos dos jardins cósmicos. Rimbaud escondeu um Anjo no bolso do casaco. Os Anjos não desconhecem a poesia. Os Anjos decoram poemas em recitais de platéias ausentes. O Anjo está na moldura dos quadros. O Anjo tem medo de solidão. Os Anjos são plural. O Anjo é singular. Um Anjo nunca usa guarda-chuva. Os Anjos gostam de ser desenhados pelas crianças. (Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, FRC)