quinta-feira, 20 de agosto de 2015

MÚSICA CLÁSSICA: UM ÊXTASE QUE ENLEVA A ALMA E O CORAÇÃO (*)

A música produz silêncio. Toda palavra é profana. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do cósmico. Ouvir música é oração, reflexão, meditação. A música clássica proporciona alegria. Há músicas que nos inspiram prazerosamente. Mas a alegria é muito mais que prazer. O prazer é coisa humana, deliciosa. Mas é criatura do primeiro olho, onde moram as coisas do tempo, efêmeras, que aparecem e logo desaparecem. A alegria, ao contrário, é criatura do segundo olho, das coisas eternas que permanecem. Superior ao êxtase, a alegria tem o poder divino de transmutar a tristeza. Haverá maior explosão de alegria do que a parte final da Nona Sinfonia? E, no entanto, a vida de Beethoven chegava ao fim, marcada pela tristeza suprema de não poder ouvir o que mais amava, a música. Estava totalmente surdo. Mas é precisamente dessa tristeza que nasce a beleza. A vida é triste. E nisso está a honestidade da música clássica: ela não mente. Se soubéssemos disso, se sentíssemos a tristeza da vida, seríamos mais serenos, mais sábios, mais bonitos. Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos sentimentos... Lembrar-se do passado é triste-alegre... Alegre porque houve beleza de que nos lembramos. Triste porque a beleza é apenas lembrança... Não mais existe. Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu. É uma saudade indefinível, sentimento puro, sem conteúdo. Não nos lembramos de nada. Apenas sentimos. Sentimos a presença de uma ausência. Há músicas que nos levam para o tempo antes de nós mesmos e para lugares onde nunca estivemos. Talvez o que Ângelus Silésius disse para os olhos possa ser dito também para os ouvidos. Parafraseando-o: Temos dois ouvidos. Com um, ouvimos as coisas que no tempo existem e desaparecem. Com o outro, ouvimos as coisas divinas, eternas, que para sempre permanecem. A música tem virtudes médicas. Cura. Nesse tempo em que todo mundo sofre de estresse, aconselha-se música do estilo new age para acalmar. Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart, Beethoven, Schumann, Chopin, Bach, Vivaldi, Brahms, Ravel, Debussy. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, com os remédios bioquímicos, a música... Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas indústrias, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. O Rio de Janeiro e Brasília exercitam essa cultura musical. A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, assessor de comunicação, publicitário, ensaísta, relações públicas, revisor de textos e copidesque. Autor de livros publicados. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas e da UBE – União Brasileira de Escritores. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp: (34) 9241-3331