domingo, 26 de julho de 2015

O AVANÇO TECNOLÓGICO DESTRÓI VALORES FAMILIARES (*)

As transformações sociais, o avanço tecnológico, a inversão de valores, acontecem numa velocidade assustadora. Está em andamento uma aceleração histórica que nos faz refletir e rever conceitos. Quando se fala em família, hoje, nem sempre se refere àquele tipo de família que vivenciamos. Não estou lembrando a família patriarcal, dominada pela implacável autoridade paterna. Falo da família comum, onde fomos criados. O ambiente era diferente. Havia um relacionamento de respeito, segurança, permanência. A casa, falo do espaço físico, geográfico, nos dava um sentido de solidez. “A minha casa”, “o meu lar”, o “meu teto seguro”. Lá onde eu encontrava paz, afeto, harmonia, diálogo, compreensão, amor incondicional. Havia falhas. Havia muitas coisas limitadas, mas as consequências eram menos dolorosas. Eu tinha meu pai. Eu tinha minha mãe. Meus irmãos eram filhos do mesmo pai, da mesma mãe. Ninguém nascia in vitro. Nem se falava em embriões. Os filhos não eram escolhidos nos artifícios que proliferam via Internet. Quando se falava em família, pensava-se naquele triângulo básico: pai, mãe, filhos. O termo família, hoje, tomou um sentido muito amplo, distorcido, pejorativo. Existe muita família assim constituída: pai, pai, filho (adotivo). Ou então: mãe, mãe, filho (adotivo). De família só se tem as arestas, o conceito, o contexto e o conteúdo são outros. Há uma escola sociológica que, explicando a origem da família, afirma que, no princípio, os homens e mulheres andavam em bandos. Todos eram de uma e um era de todas. Às vezes chego a cogitar que, mais umas três décadas, as coisas não serão muito diferentes. Tudo o que estou dizendo não significa que estou lutando para uma volta à família ancestral. Sei que os conceitos mudam. Sei que os valores se alternam de acordo com a especificidade de cada geração. É imprescindível impor alguns limites. Ser moderno e estar atualizado não significa ignorar os valores do passado. Existe algo que se chama bom-senso que não pode e não deve ser esquecido. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário e editor. Autor de seis livros publicados. Articulista e colaborador do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp: (34) 9241-3331