sexta-feira, 10 de julho de 2015

NINGUÉM PODE NOS DECEPCIONAR MAIS DO QUE AS PESSOAS A QUEM NOS DEDICAMOS (*)

Preocupar-se com o bem-estar dos outros é uma ótima forma de minimizar os fantasmas que criamos. É um privilégio e uma obrigação nos doar socialmente, já que o essencial para a sobrevivência é gratuito: o ar, o pulsar do coração. Contudo, quem se preocupa com a dor dos outros tem de gerenciar seus pensamentos com maior eficiência, pois o altruísmo, como afirmei, sempre cobrará um preço psicológico alto. E um dos mecanismos que mais podem aliviar a tensão e nos proteger é a diminuição ao máximo da expectativa do retorno. Ninguém pode nos frustrar mais do que as pessoas a quem nos doamos. Sob o ângulo estritamente profissional, o problema é que pessoas muito eficientes e responsáveis são irresponsáveis com sua saúde emocional. Não desligam nunca. Não sentem o êxtase do seu êxito. Quanto maior for o sucesso financeiro, mais elas querem trabalhar. Quando alcançam o apogeu, sua alegria dura pouco, pois logo mergulham em outra jornada. Se as colocarmos numa varanda para visualizar o belo por uma ou duas horas, sentem tédio. Não conseguem desacelerar. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário e editor. Autor de seis livros publicados. Articulista e colaborador do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro.