sábado, 23 de maio de 2015

NO ARQUIVO DA MEMÓRIA GUARDAMOS AS COISAS QUE AMAMOS E PERDEMOS (*)

Nem todos sabem o que são espelhos. Jorge Luis Borges conta de um selvagem que caiu morto de susto ao ver sua imagem refletida no espelho. Ele pensou que seu rosto havia sido roubado por aquele objeto mágico. É verdade que, vez por outra, também nos assustamos ao ver nossa própria imagem refletida num espelho – mas por outras razões. Nem sempre é prazeroso ver o nosso próprio rosto. O místico Ângelus Silésius disse, num poema, que nós temos dois olhos. Com um olho nós vemos as coisas do mundo de fora, efêmeras. Com o outro nós vemos as coisas do mundo de dentro, eternas. Efêmeras são as nuvens, efêmeras são as florações dos ipês, efêmero é o nosso próprio rosto. Heráclito, filósofo grego, para falar do efêmero das coisas, disse que elas são rio, que elas são fogo. O rio é sempre outro. O fogo é sempre outro. A cada momento que passa, as coisas que eram não são mais. Todas as coisas do mundo de fora, efêmeras, refletem-se em espelhos. Olhamos para a superfície do lago, espelho. Nele aparecem refletidas as nuvens, os ipês, o nosso rosto. E sabemos que são reflexos. Mas dentro de nós existe um outro mundo que está fora do tempo. Na memória ficam arquivadas as coisas que amamos e perdemos. Não existem mais, no mundo de fora. Mas são reais, no mundo de dentro. Na alma as coisas ficam eternas porque ela, a memória, é o lugar do amor. E o amor não suporta que as coisas amadas sejam engolidas pelo tempo. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A BELEZA QUE ESTAVA ADORMECIDA EM VOCÊS (*)

Meu pai me empurrava para a engenharia mecânica, que ele achava a coisa mais importante do mundo. Pelo menos fiz o curso técnico de mecânica de autos no SENAI, aos 14 anos. E assim fui, achando que seria engenheiro. Depois mudei visceralmente de ideia. Resolvi ser violinista. Estudei muito, não decolei, eu não tinha talento. Norman Vincent Peale e Lair Ribeiro são enganadores: não é verdade que “querer é poder”. Por mais que a tartaruga reze, Deus não vai lhe dar asas para ela voar como Águia. O que nunca me passou pela cabeça é que algum dia eu seria escritor. Menino, eu gostava de ler. Adolescente, só lia os filósofos gregos e revista policial, especialmente Jacques Douglas, que era o terror da minha mãe. Virei escritor num estouro de pipoca. Independentemente de vontade, planos e preparo. Puro hobby. Não me perguntem como escrevo. Diotima, sacerdotisa que deu aulas de sabedoria a Sócrates, disse que todos nós estamos grávidos de beleza. A beleza está dentro da gente, querendo sair. E, de repente, chega a hora do parto e ela nasce. Assim aconteceu comigo, do jeito mesmo como acontece com a pipoca. Vivo repetindo àqueles que gostam das coisas que escrevo: “Vocês gostam do que escrevo porque o que escrevo faz despertar a beleza que estava adormecida em vocês”. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

domingo, 3 de maio de 2015

AS CANÇÕES DO ESQUECIMENTO... (*)

Ironicamente minhas canções do “ouvido” são saboreadas, hoje, apenas por meio de Sarah Brightman, Loreena Mckinnit, Vander Lee, Paulinho Pedra Azul, Legião Urbana, Ana Carolina e Marisa Monte. Para ouvir e escrever, em meus devaneios notívagos, aprecio Gheorge Zanfir, Debussy, Beethoven, Mozart e Secret Garden.“As Canções do Olvido” fogem à encantadora magia musical. Ainda que, música e literatura é uma simbiose perfeita. São fragmentos arrancados das Asas da Memória do mineiro-menino de Paracatu de antanho e do moço-velho de hoje. Cidades são pessoas e seus bairros, braços-tentáculos, coração, músculo, alma noturna, violência urbana gratuita, inapelavelmente, cruel. Meio século de vivência no planeta-escola. E as pessoas não mudaram a essência que as caracterizam: inveja, pré-conceito, pré-julgamento, ausência de ética. Continuam arrogantes, pretensiosas, autoritárias, vingativas, hedonistas, cruéis, sarcásticas, hipócritas e medíocres. Salvo raríssimas e honrosas exceções. E o século vinte e um é marcado pela inversão de valores, cujo epicentro é o cérebro guiado pelo reflexo condicionado às novas tecnologias que robotiza e coisifica. Quanto às drogas pululam por aí uma centena delas, atuando como fuga e válvula de escape. E o ser despersonalizado comete os piores abusos a si mesmo e inomináveis atrocidades contra pessoas inocentes e indefesas. A harmonia do planeta terra acabou: por conta do desmatamento liquidaram com os rios, as florestas, o cerrado, a fauna, a flora e os pássaros; e o clima? As estações estão em desequilíbrio e a temperatura até 2019 está prevista para os 50 graus. Em as “As Canções do Olvido”, confirmo que fui feliz e me senti realizado: minha infância em Paracatu, a adolescência em Anápolis, o alumbramento ao conhecer e morar no Rio de Janeiro e experimentá-lo; e a juventude, em Brasília, cidade na qual vivi o apogeu do aperfeiçoamento profissional e intelectual. Concernente aos amigos, intermináveis frustrações e traições dissimuladas. Guardo cicatrizes ocultas nas costas, por conta de incontáveis punhaladas. Ainda assim, agradeço o aprendizado e os perdôo. Sei que Dói, fere, machuca. Não há nada comparável ao perdão para sairmos de alma lavada de qualquer situação-limite. Meu estigma positivo: vim a este mundo para perdoar, amar e esquecer o mal que ousaram inutilmente me insuflar e, assim, viajo, sereno, através das Asas do Esquecimento. Afinal, o escritor é a antena do mundo e um inquestionável Lobo Solitário; o poeta, um Anjo visionário de Asas líquidas sobre a terra. O jornalista, como formador de opinião e comprometido com a Verdade, está constantemente contrariando os imbecis e sob a mira ameaçadora do “Sistema” e dos poderosos que o compõem. Fica fora do Esquecimento o Amor verdadeiro, incondicional e autêntico do meu pai e de minha mãe que estão, cumprindo novo ciclo, no Plano Infinito. São os autores de minha vida, devo a eles tudo o que eu sou. E na voz do silêncio do Esquecimento, aos que me torturaram e causaram perdas irreparáveis, o meu perdão. Sigo o exemplo e os passos do Mestre do Amor e da Sabedoria. Contudo, ninguém retira de mim “As Canções do Olvido”. Ainda que, os dispensáveis seres sombrios e rastejantes tenham dúvida, SER ESCRITOR é uma MISSÃO que o TODO-PODEROSO me concedeu. Prometo cumpri-la até o último dia de minha vida. Palavra de Autor!“As Canções do Olvido”, não serão ouvidas. Serão lidas pela minha “tribo cósmica” e o meu grupo de Leitores vorazes, leais e fiéis. (*) por EUGENIO SANTANA, Jornalista, Escritor, Ensaísta, Relações públicas, Publicitário e Analista de Marketing digital. Pertence à Academia de Letras de Uruguaiana-RS, UBE - União Brasileira de Escritores, SC/GO. Autor de seis livros publicados. Coordenador executivo da Sampa Publicidade Editora. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (34) 9241-3331 e 9775-6679