terça-feira, 24 de março de 2015

SOCIEDADE SEM ESCOLAS (*)

Pensam alguns que o problema da educação no Brasil é a falta de recursos. É verdade que há falta de recursos. Mas é mentira que se vierem os recursos a escola vai ficar inteligente. Computadores, satélites, parabólicas e televisões não substituem o cérebro. Panelas novas não transformam um cozinheiro ruim num cozinheiro bom. Cozinheiro não se faz com panelas, muito embora as panelas sejam indispensáveis. Escolas não se fazem com meios técnicos, embora estes possam ajudar. É perigoso dar meios eficazes a quem falta inteligência. Não admira que Ivan Ilitch tivesse mesmo sonhado com a utopia de uma sociedade sem escolas. Minha experiência pessoal com a escola foi semelhante. De todos os professores que tive, só me lembro com alegria de um professor de literatura que não dava provas e passava todo mundo. Mas ele falava sobre literatura com tal paixão que era impossível não ficar contagiado. Avaliações que nada avaliam porque, felizmente, logo a maioria do supostamente aprendido é esquecido. Um exame nos jovens, seis meses depois dos vestibulares, revelará que a maior parte daquilo que eles “sabiam” para o exame terá sido esquecida. Passado um ano pouca coisa restará. Concluirão que os métodos de ensino foram inadequados. Discordo. O problema não está nos métodos de ensino. O problema se encontra naquilo que foi ensinado. Aquilo sobre o que se fala tem de estar ligado à vida. O conhecimento que não faz sentido é prontamente esquecido. A mente não é burra. Ela não carrega carga inútil. A mente procede do mesmo jeito. Ela se livra do conhecimento inútil por meio do esquecimento. Esquecimento é prova de inteligência. A escola é burra e incompetente porque ela não fala sobre aquilo que é vitalmente importante para as crianças e jovens. Isso foi dito por Piaget no seu livro Biologia e conhecimento. (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta, relações públicas e self-made man. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)