sábado, 14 de março de 2015

COM ESSA ESQUERDA NO PODER, PRA QUE SERVE A DIREITA? (*)

A cabeça pensa onde os pés pisam. Será muito difícil a esquerda não ceder diante das migalhas que lhe sobraram do festim dos eleitos se não estiver sintonizada com a pauta dos excluídos, dos sem-terra, dos movimentos populares e sindicais, da sociedade civil ávida de ética na política e indignada com tamanha miséria. Se abrir mão de princípios em troca de votos e favores, sua função de ponte entre o Brasil real e as esferas do poder será diluída no fosso político aprofundado pelo abismo econômico que divide a nação em classes tão desiguais. A lógica dos imperativos do mercado não devem impedir que as questões sociais figurem como prioridades de governo. As reformas de estrutura – exigência de modernização do capitalismo brasileiro – adiadas há 50 anos, não podem ficar para as calendas, nem a fome voltar a ser registrada nos atestados de óbito como “anorexia aguda”. Caso contrário, greves e mobilizações populares serão tratadas sempre como caso de polícia. Pós-liberalismo, marxismo, comunitarismo ou socialismo, não importa o nome. Importa enfrentar o fenômeno mais escandaloso de nossa realidade: a esmagadora pobreza, seres humanos privados de direitos tão elementares como saúde, alimentação, trabalho, transporte, educação, moradia, terra, cultura e lazer. É tão ingênuo imaginar que um banqueiro promoverá a reforma agrária, como acreditar na sensibilidade de uma esquerda que prefere mansões e palácios a fábricas e assentamentos, mercadologicamente maquiada para consumo, surda ao clamor de quem sofre por pertencer ao mundo dos vivos. E neste país não é preciso ir longe para descobrir quem são eles: basta pôr os dois pés na cozinha e constatar como vive a família da faxineira. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de cinco livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...