sábado, 28 de março de 2015

GERAÇÃO COISIFICADA E ROBOTIZADA (*)

Vivemos bombardeados por informação o dia todo, em todos os lugares. São os meios de comunicação, especialmente os aparelhos celulares que nos conectam com pessoas que nem conhecemos, com locais que nunca visitamos. E são jornais, televisões, outdoors, palavras, palavras, palavras... Mundo barulhento, vida corrida, e todos nós precisando de um pouco de silêncio para nos ouvir, pensar nas decisões que vamos tomando, a maior parte das vezes, sem qualquer análise, por falta de tempo. Muito perigoso viver dessa forma, pois para cada atitude geramos uma conseqüência e sem reflexão consciente, podemos estar sendo influenciados pela opinião da maioria, pela voz das ruas, que necessariamente pode não ser a nossa. Lembro-me da época em que os telefones não eram tão disponíveis, as ligações interurbanas muito difíceis, não havia celular, mas sobrevivíamos. Pessoas se relacionavam com outras de estados ou países distantes, pois o que une, nem sempre são as palavras, mas o sentimento, a vibração emitida por ambos. Hoje todos nos falamos muito, excessivamente, mas será que nos comunicamos melhor? Esta compulsão por clicar o celular melhorou as relações entre as pessoas? Se entrarmos em qualquer local público, é impressionante o número de pessoas que estão presas ao celular. Não percebem sequer quem está passando ao lado, as de verdade, não as imaginadas. Verdade que hoje em dia temos acesso a qualquer informação, através da internet - para o Bem ou para o Mal. Com tanto conhecimento, será que estamos deixando de avaliar questões primordiais, tais como: o que estou fazendo neste planeta? Quem sou eu, na realidade? Por que não me encontro feliz comigo mesmo? O que pretendo realizar nesta vida? Enfim, tantos números, tantas palavras, tantas fisionomias, tantos "amigos" nas redes sociais... Será que tenho mesmo um amigo? Alguém com quem possa ser eu mesmo, de quem possa receber um incentivo sincero, uma orientação proveitosa? Alguém que não precise de palavras pra me dizer o que sente, mas cujo olhar diga tudo que preciso saber? É um fenômeno assustador este. E que se alastra rapidamente. Não somos seres robotizados, mas espíritos estagiando num corpo físico. Sentimento e emoção é nossa essência. Somos Amor e pra amar existimos. Se a vida corre e não nos damos chance de conhecer, de abraçar, de trocar uma olhar carinhoso, de beijar alguém que muitas vezes esteve sempre ao nosso lado - mas que não percebemos - substituindo tudo isso por uma fantasiosa conversa pela internet, acho que corremos o perigo de chegarmos ao dia da partida com as mãos vazias e o coração triste. Uma conspiração terrível está ocorrendo e é preciso uma tomada de consciência. Não que a gente deixe de usar a internet, mas que a gente se defenda dela, pra não se perder. Entre os mais jovens, a exposição é terrível! Com a postagem de fotos na internet, fica fácil conhecer qualquer pessoa, principalmente aquela que a gente tem curiosidade de saber como é, pois no momento é alguém que me ameaça, num relacionamento. As pessoas, sem perceberem, se colocam alvos da inveja, da vibração doentia de muitos. Fica fácil, após uma curta pesquisa, saber do que gosta, o que faz, onde vive, com quem se relaciona. Será que isto é bom? Num mundo em crise de valores, ser visto e analisado por tantas pessoas diferentes não acredito que traga resultados positivos. E o pior - a gente fala, alerta e de nada adianta. Está virando um vício olhar o celular. Acreditem que fui testemunha de gente que escreve mensagens enquanto dorme - acho que devem ser sonâmbulas. O que importa perceber é que nem dormindo se desligam do "companheiro". Triste mundo o nosso, onde estamos tão carentes de um sorriso, de um caloroso aperto de mão, de um abraço apertado e sincero, que diminuam a dor de conviver com tanta violência e tanta tristeza, e tudo isso é trocado por uma mensagem fria, muitas vezes fingida, num celular. E o Amor é que poderia nos salvar! Ao diminuir a violência, a desesperança, o vazio existencial... Andamos como humanidade no caminho oposto - correndo, nos afastando de nós mesmos e do encontro real com o outro que nos espera, como nós a ele! Um pouco de silêncio... Calma, atenção, ao que se passa em nós e em torno de nós! Pra que o Amor possa nos alimentar e fazer nossos dias valerem a pena. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, publicitário, copydesk, revisor de textos, autor de livros publicados, consultor e relações públicas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

UM SONHO COM O JARDIM CÓSMICO (*)

Faz de conta que sua alma é um útero. Ela está grávida. Dentro dela há um feto que quer nascer. Esse feto que quer nascer é o seu sonho. Quem engravidou sua alma, eu não sei. Acho que foi um ser de um universo paralelo... Imagino que o tal big-bang a que se referem os astrônomos foi Deus ejaculando seu grande sonho e soltando pelo vazio de milhões, bilhões, trilhões de sementes. Em cada uma delas estava o sonho fundamental de Deus: um jardim, um paraíso... Assim, sua alma está grávida com o sonho essencial de Deus... Mas toda semente quer brotar, todo feto quer nascer, todo sonho quer se realizar. Sementes que não nascem, fetos que são abortados, sonhos que não são realizados transformam-se em demônios dentro da alma. E ficam a nos atormentar. Aquelas tristezas, aquelas depressões, aquelas irritações – vez por outra elas tomam conta de você – aposto que são o sonho de jardim que está dentro e não consegue nascer. Deus não tem muita paciência com pessoas que não gostam de jardins... Os jardins começaram a ter para mim um sentido poético e espiritual. Percebi que a Bíblia Sagrada é um livro construído em torno de um jardim. Deus se cansou da imensidão do céu e sonhou... Sonhou com um... Jardim. Se ele – ou ela – estivesse feliz lá no céu, ele ou ela não teria se dado o trabalho de plantar um jardim. A gente só cria quando aquilo que se tem não corresponde ao sonho. Todo ato de criação tem por objetivo realizar um sonho. E quando o sonho se realiza vem a experiência de alegria. O mais alto sonho de Deus é um jardim. Essa é a razão porque no Paraíso não havia templos e altares. Para quê? Deus andava pelo meio do jardim... Uma coisa eu garanto: não foi ideia dele. Seria bonito se as religiões, em vez de gastar dinheiro construindo templos e catedrais, usassem esse mesmo dinheiro para fazer jardins onde, evidentemente, crianças, adultos e idosos poderiam balançar e tocar os pés nas folhas das árvores. Ninguém jamais viu Deus. Um jardim é o seu rosto sorridente... (*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL), à UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing na Editora Saúde Total. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275 e 8529-6482

quarta-feira, 25 de março de 2015

O AMOR QUE SÓ ACORDA SOB A LUZ DA LUA (*)

Os pores do sol nos comovem porque somos seres diurnos. Pôr do sol é fim do dia. Metáfora do fim da vida. Daí sua tristeza. Mas, e se fôssemos seres noturnos, aves para as quais o pôr do sol não é o fim mas o início – início da noite? Então, o Sol poente anunciaria a madrugada da noite, o nascer do viver. Põe-se o Sol; nasce a Lua. Com a Lua nascente, para os seres noturnos, começa o tempo da vida, o tempo do amor. O cri-cri dos grilos, o coaxar dos sapos, o pio das corujas, o piscar dos vaga-lumes, o voo frenético das mariposas – tudo são pulsações de uma vida que desperta quando a noite cai e a Lua nasce. Então, para os seres noturnos, um pôr da lua deve ter a mesma beleza triste que tem um pôr do sol para os seres diurnos. Entre nós, humanos, não haverá seres noturnos? Ou, indo um pouco mais fundo: não haverá em todos nós um ser noturno que aparece quando o ser diurno vai dormir? O Sol desperta em nós o ser que pensa, age e trabalha. A Lua desperta em nós o ser que sonha, contempla e ama. A luz da Lua desperta em nós o ser tranquilo. Quer ficar tranquilo? Contemple a Lua que faz mansamente o seu trabalho de luz. Os amantes, contemplando a Lua refletida sobre o mar, estão vivendo a mansidão lisa que é necessária para o amor. Há recantos da alma que só acordam sob a luz branca e fria da Lua. Ouça os “Noturnos” de Chopin – sua nostálgica beleza: como o seu nome está dizendo, foi no silêncio da noite que Chopin os ouviu. E o Clair de lune, de Debussy? Debussy tinha de estar contemplando a Lua, quando a melodia lhe veio. É verdade que, lá pelo meio, há vestígios de agitação, os rápidos arpejos da mão esquerda, talvez nuvens negras que encobriram momentaneamente a Lua. Mas elas logo se foram, levadas pelo vento, e a agitação se dissolve na tranquilidade dos acordes simples, vagarosos e inquisitivos. A psicanálise é um ser noturno. Ela só acorda quando o Sol se põe e a noite desce. Ela só vê bem na escuridão. A luz do Sol a ofusca. Por isso, durante o dia, ela fica em silêncio, deixando que outros falem. Descendo a noite, entretanto, os homens se põem a sonhar e a amar. É aí, em meio ao sonhar e ao amar, que a psicanálise acorda e se põe a cantar seu canto manso – coruja Minerva... Na noite escura do inconsciente, brilham luzes suaves: estrelas, vaga-lumes, meteoros, luas, muitas luas... Quando essas luzes brilham, acordam os artistas, os poetas, os místicos, os intérpretes de sonhos... (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta, relações públicas e self-made man. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)