sábado, 28 de março de 2015

AMOR(TALIDADE) (*)

Contenção do processo de envelhecimento escondendo a maior parte de seus sinais visíveis. “Amortalidade” é uma palavra cunhada em 2009 pela jornalista americana Catherine Mayer para descrever a tendência crescente dos homens e mulheres ocidentais de disfarçarem e, em certo grau, adiar o processo normal de envelhecimento. Assim, cada vez menos pessoas de meia-idade e idosas exibem os sinais externos do declínio físico, ocultos sob bronzeados artificiais, disfarçados por tratamentos com Botox e, em casos extremos, removidos por cirurgia plástica. Os ricos não terminam mais suas vidas como William Shakespeare propôs em forma de verdade universal em sua peça Como gostais (c. 1599): “Sem dentes, sem visão, sem gosto, sem nada.” Os dentistas dão aos octogenários sorrisos de adolescente. A cirurgia a laser restaura a visão de pessoas que sem ela estariam funcionalmente cegas. O Viagra sustenta a libido dos homens bem depois de passarem da terceira idade de Shakespeare. Nenhuma dessas intervenções evita que as pessoas morram: elas se tornam amortais, mas não imortais. A característica definidora dos amortais é que vivem da mesma forma do final da adolescência até a morte, constantemente combatendo os sinais externos da decadência. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

GERAÇÃO COISIFICADA E ROBOTIZADA (*)

Vivemos bombardeados por informação o dia todo, em todos os lugares. São os meios de comunicação, especialmente os aparelhos celulares que nos conectam com pessoas que nem conhecemos, com locais que nunca visitamos. E são jornais, televisões, outdoors, palavras, palavras, palavras... Mundo barulhento, vida corrida, e todos nós precisando de um pouco de silêncio para nos ouvir, pensar nas decisões que vamos tomando, a maior parte das vezes, sem qualquer análise, por falta de tempo. Muito perigoso viver dessa forma, pois para cada atitude geramos uma conseqüência e sem reflexão consciente, podemos estar sendo influenciados pela opinião da maioria, pela voz das ruas, que necessariamente pode não ser a nossa. Lembro-me da época em que os telefones não eram tão disponíveis, as ligações interurbanas muito difíceis, não havia celular, mas sobrevivíamos. Pessoas se relacionavam com outras de estados ou países distantes, pois o que une, nem sempre são as palavras, mas o sentimento, a vibração emitida por ambos. Hoje todos nos falamos muito, excessivamente, mas será que nos comunicamos melhor? Esta compulsão por clicar o celular melhorou as relações entre as pessoas? Se entrarmos em qualquer local público, é impressionante o número de pessoas que estão presas ao celular. Não percebem sequer quem está passando ao lado, as de verdade, não as imaginadas. Verdade que hoje em dia temos acesso a qualquer informação, através da internet - para o Bem ou para o Mal. Com tanto conhecimento, será que estamos deixando de avaliar questões primordiais, tais como: o que estou fazendo neste planeta? Quem sou eu, na realidade? Por que não me encontro feliz comigo mesmo? O que pretendo realizar nesta vida? Enfim, tantos números, tantas palavras, tantas fisionomias, tantos "amigos" nas redes sociais... Será que tenho mesmo um amigo? Alguém com quem possa ser eu mesmo, de quem possa receber um incentivo sincero, uma orientação proveitosa? Alguém que não precise de palavras pra me dizer o que sente, mas cujo olhar diga tudo que preciso saber? É um fenômeno assustador este. E que se alastra rapidamente. Não somos seres robotizados, mas espíritos estagiando num corpo físico. Sentimento e emoção é nossa essência. Somos Amor e pra amar existimos. Se a vida corre e não nos damos chance de conhecer, de abraçar, de trocar uma olhar carinhoso, de beijar alguém que muitas vezes esteve sempre ao nosso lado - mas que não percebemos - substituindo tudo isso por uma fantasiosa conversa pela internet, acho que corremos o perigo de chegarmos ao dia da partida com as mãos vazias e o coração triste. Uma conspiração terrível está ocorrendo e é preciso uma tomada de consciência. Não que a gente deixe de usar a internet, mas que a gente se defenda dela, pra não se perder. Entre os mais jovens, a exposição é terrível! Com a postagem de fotos na internet, fica fácil conhecer qualquer pessoa, principalmente aquela que a gente tem curiosidade de saber como é, pois no momento é alguém que me ameaça, num relacionamento. As pessoas, sem perceberem, se colocam alvos da inveja, da vibração doentia de muitos. Fica fácil, após uma curta pesquisa, saber do que gosta, o que faz, onde vive, com quem se relaciona. Será que isto é bom? Num mundo em crise de valores, ser visto e analisado por tantas pessoas diferentes não acredito que traga resultados positivos. E o pior - a gente fala, alerta e de nada adianta. Está virando um vício olhar o celular. Acreditem que fui testemunha de gente que escreve mensagens enquanto dorme - acho que devem ser sonâmbulas. O que importa perceber é que nem dormindo se desligam do "companheiro". Triste mundo o nosso, onde estamos tão carentes de um sorriso, de um caloroso aperto de mão, de um abraço apertado e sincero, que diminuam a dor de conviver com tanta violência e tanta tristeza, e tudo isso é trocado por uma mensagem fria, muitas vezes fingida, num celular. E o Amor é que poderia nos salvar! Ao diminuir a violência, a desesperança, o vazio existencial... Andamos como humanidade no caminho oposto - correndo, nos afastando de nós mesmos e do encontro real com o outro que nos espera, como nós a ele! Um pouco de silêncio... Calma, atenção, ao que se passa em nós e em torno de nós! Pra que o Amor possa nos alimentar e fazer nossos dias valerem a pena. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, publicitário, copydesk, revisor de textos, autor de livros publicados, consultor e relações públicas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

UM SONHO COM O JARDIM CÓSMICO (*)

Faz de conta que sua alma é um útero. Ela está grávida. Dentro dela há um feto que quer nascer. Esse feto que quer nascer é o seu sonho. Quem engravidou sua alma, eu não sei. Acho que foi um ser de um universo paralelo... Imagino que o tal big-bang a que se referem os astrônomos foi Deus ejaculando seu grande sonho e soltando pelo vazio de milhões, bilhões, trilhões de sementes. Em cada uma delas estava o sonho fundamental de Deus: um jardim, um paraíso... Assim, sua alma está grávida com o sonho essencial de Deus... Mas toda semente quer brotar, todo feto quer nascer, todo sonho quer se realizar. Sementes que não nascem, fetos que são abortados, sonhos que não são realizados transformam-se em demônios dentro da alma. E ficam a nos atormentar. Aquelas tristezas, aquelas depressões, aquelas irritações – vez por outra elas tomam conta de você – aposto que são o sonho de jardim que está dentro e não consegue nascer. Deus não tem muita paciência com pessoas que não gostam de jardins... Os jardins começaram a ter para mim um sentido poético e espiritual. Percebi que a Bíblia Sagrada é um livro construído em torno de um jardim. Deus se cansou da imensidão do céu e sonhou... Sonhou com um... Jardim. Se ele – ou ela – estivesse feliz lá no céu, ele ou ela não teria se dado o trabalho de plantar um jardim. A gente só cria quando aquilo que se tem não corresponde ao sonho. Todo ato de criação tem por objetivo realizar um sonho. E quando o sonho se realiza vem a experiência de alegria. O mais alto sonho de Deus é um jardim. Essa é a razão porque no Paraíso não havia templos e altares. Para quê? Deus andava pelo meio do jardim... Uma coisa eu garanto: não foi ideia dele. Seria bonito se as religiões, em vez de gastar dinheiro construindo templos e catedrais, usassem esse mesmo dinheiro para fazer jardins onde, evidentemente, crianças, adultos e idosos poderiam balançar e tocar os pés nas folhas das árvores. Ninguém jamais viu Deus. Um jardim é o seu rosto sorridente... (*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL), à UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing na Editora Saúde Total. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275 e 8529-6482

quarta-feira, 25 de março de 2015

O AMOR QUE SÓ ACORDA SOB A LUZ DA LUA (*)

Os pores do sol nos comovem porque somos seres diurnos. Pôr do sol é fim do dia. Metáfora do fim da vida. Daí sua tristeza. Mas, e se fôssemos seres noturnos, aves para as quais o pôr do sol não é o fim mas o início – início da noite? Então, o Sol poente anunciaria a madrugada da noite, o nascer do viver. Põe-se o Sol; nasce a Lua. Com a Lua nascente, para os seres noturnos, começa o tempo da vida, o tempo do amor. O cri-cri dos grilos, o coaxar dos sapos, o pio das corujas, o piscar dos vaga-lumes, o voo frenético das mariposas – tudo são pulsações de uma vida que desperta quando a noite cai e a Lua nasce. Então, para os seres noturnos, um pôr da lua deve ter a mesma beleza triste que tem um pôr do sol para os seres diurnos. Entre nós, humanos, não haverá seres noturnos? Ou, indo um pouco mais fundo: não haverá em todos nós um ser noturno que aparece quando o ser diurno vai dormir? O Sol desperta em nós o ser que pensa, age e trabalha. A Lua desperta em nós o ser que sonha, contempla e ama. A luz da Lua desperta em nós o ser tranquilo. Quer ficar tranquilo? Contemple a Lua que faz mansamente o seu trabalho de luz. Os amantes, contemplando a Lua refletida sobre o mar, estão vivendo a mansidão lisa que é necessária para o amor. Há recantos da alma que só acordam sob a luz branca e fria da Lua. Ouça os “Noturnos” de Chopin – sua nostálgica beleza: como o seu nome está dizendo, foi no silêncio da noite que Chopin os ouviu. E o Clair de lune, de Debussy? Debussy tinha de estar contemplando a Lua, quando a melodia lhe veio. É verdade que, lá pelo meio, há vestígios de agitação, os rápidos arpejos da mão esquerda, talvez nuvens negras que encobriram momentaneamente a Lua. Mas elas logo se foram, levadas pelo vento, e a agitação se dissolve na tranquilidade dos acordes simples, vagarosos e inquisitivos. A psicanálise é um ser noturno. Ela só acorda quando o Sol se põe e a noite desce. Ela só vê bem na escuridão. A luz do Sol a ofusca. Por isso, durante o dia, ela fica em silêncio, deixando que outros falem. Descendo a noite, entretanto, os homens se põem a sonhar e a amar. É aí, em meio ao sonhar e ao amar, que a psicanálise acorda e se põe a cantar seu canto manso – coruja Minerva... Na noite escura do inconsciente, brilham luzes suaves: estrelas, vaga-lumes, meteoros, luas, muitas luas... Quando essas luzes brilham, acordam os artistas, os poetas, os místicos, os intérpretes de sonhos... (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta, relações públicas e self-made man. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)

terça-feira, 24 de março de 2015

SOCIEDADE SEM ESCOLAS (*)

Pensam alguns que o problema da educação no Brasil é a falta de recursos. É verdade que há falta de recursos. Mas é mentira que se vierem os recursos a escola vai ficar inteligente. Computadores, satélites, parabólicas e televisões não substituem o cérebro. Panelas novas não transformam um cozinheiro ruim num cozinheiro bom. Cozinheiro não se faz com panelas, muito embora as panelas sejam indispensáveis. Escolas não se fazem com meios técnicos, embora estes possam ajudar. É perigoso dar meios eficazes a quem falta inteligência. Não admira que Ivan Ilitch tivesse mesmo sonhado com a utopia de uma sociedade sem escolas. Minha experiência pessoal com a escola foi semelhante. De todos os professores que tive, só me lembro com alegria de um professor de literatura que não dava provas e passava todo mundo. Mas ele falava sobre literatura com tal paixão que era impossível não ficar contagiado. Avaliações que nada avaliam porque, felizmente, logo a maioria do supostamente aprendido é esquecido. Um exame nos jovens, seis meses depois dos vestibulares, revelará que a maior parte daquilo que eles “sabiam” para o exame terá sido esquecida. Passado um ano pouca coisa restará. Concluirão que os métodos de ensino foram inadequados. Discordo. O problema não está nos métodos de ensino. O problema se encontra naquilo que foi ensinado. Aquilo sobre o que se fala tem de estar ligado à vida. O conhecimento que não faz sentido é prontamente esquecido. A mente não é burra. Ela não carrega carga inútil. A mente procede do mesmo jeito. Ela se livra do conhecimento inútil por meio do esquecimento. Esquecimento é prova de inteligência. A escola é burra e incompetente porque ela não fala sobre aquilo que é vitalmente importante para as crianças e jovens. Isso foi dito por Piaget no seu livro Biologia e conhecimento. (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta, relações públicas e self-made man. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)

sábado, 14 de março de 2015

NEUROFORIAZUL (*)

A presunção de eternizar o presente é uma das modalidades da cultura neoliberal que transpiramos. Agora, todos os nossos sonhos azuis estão reduzidos a produtos à venda no mercado: um novo televisor, um carro de sofisticado, uma casa na praia. Fadas, duendes e bruxas estão cada vez mais distantes do nosso imaginário, inclusive das crianças, ora mais interessadas no tênis da moda ou na blusa nova. O corpo, sempre jovem, se entrega à incessante malhação, complementada por um variado coquetel de vitaminas miraculosas. Nossos ideais foram trocados por equipamentos de alta tecnologia. Queremos nos cercar de telefone celular, iPad, iPod, Smartphone, laptop, computadores de última geração. Viramos cabides ambulantes de produtos importados, quais índios de caricatura que se cobrem de apetrechos dados pelos brancos. No caso, os brancos são os nossos colonizadores, aqueles que divulgam que privatizar é melhor que socializar e competir é mais saudável que cooperar, não obstante a vertiginosa elevação da miséria mundial. O jovem sabe que seus arquétipos já não se encarnam em figuras que pautaram a formação de seus avós: Jesus, Maria, Gandhi, São Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá e tantos nobres exemplos de dedicação e integridade. Nem se parecem aos heróis da geração de seus pais: Che Guevara, Ho Chi Minh, Marighela e inúmeros homens e mulheres que deram a vida em busca de um mundo sem injustiças. Já ninguém quer imitar o corpo obeso curvilíneo de Marilyn Monroe, o olhar irreverente de James Dean, o inconformismo radical de Marlon Brando, a beleza esguia e principesca Grace Kelly ou o jeito blasé de Alain Delon. Os ídolos de hoje não precisam ser criativos como os Beatles. Basta que figurem na revista Forbes com o sorriso maquiado de quem traz no bolso bilhões de dólares. Hoje, a quantidade impressiona mais que a qualidade. Tudo é aferido: o número de livros que vende um autor, de carros que possui uma família, de vezes que se viajou a Nova York ou Paris, de audiências que se teve com uma autoridade, de recepções a que se foi convidado. Ansiamos por multiplicar e buscamos somar; tememos dividir e temos horror à subtração. Contava minha avó, quando eu era menino, a história do homem que colecionava borboletas azuis. Caçava-as na floresta, espetava-as com um alfinete e cravava-as num mostruário envidraçado, expostas à visitação. Um dia soube que um menino, do outro da montanha, possuía uma coleção mais completa do que a dele. E todas eram mantidas vivas e livres. Incrédulo e com inveja, o homem foi ao encontro de seu concorrente. Encontrou-o e pediu para ver a coleção. O menino apontou para o céu: “Lá estão, todas juntas, voando”. O homem forçou os olhos para melhor visualizar. Por mais que se esforçasse, só via o fundo anil da vastidão celestial. “Só vejo o azul do céu. Onde estão as borboletas?” O menino respondeu: “O senhor não vê que o céu é azul porque todas voam abraçadas. Se não enxerga, a culpa não é minha, é de seus olhos que já não conseguem vislumbrar o belo”. Há borboletas azuis por todo lado, em nossa família e no local de trabalho, nas ruas e no noticiário da mídia. Talvez não tenhamos olhos para vê-las, mas elas estão lá, convidando-nos ao voo libertário. (*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL), à UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing na Editora Saúde Total. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275

COM ESSA ESQUERDA NO PODER, PRA QUE SERVE A DIREITA? (*)

A cabeça pensa onde os pés pisam. Será muito difícil a esquerda não ceder diante das migalhas que lhe sobraram do festim dos eleitos se não estiver sintonizada com a pauta dos excluídos, dos sem-terra, dos movimentos populares e sindicais, da sociedade civil ávida de ética na política e indignada com tamanha miséria. Se abrir mão de princípios em troca de votos e favores, sua função de ponte entre o Brasil real e as esferas do poder será diluída no fosso político aprofundado pelo abismo econômico que divide a nação em classes tão desiguais. A lógica dos imperativos do mercado não devem impedir que as questões sociais figurem como prioridades de governo. As reformas de estrutura – exigência de modernização do capitalismo brasileiro – adiadas há 50 anos, não podem ficar para as calendas, nem a fome voltar a ser registrada nos atestados de óbito como “anorexia aguda”. Caso contrário, greves e mobilizações populares serão tratadas sempre como caso de polícia. Pós-liberalismo, marxismo, comunitarismo ou socialismo, não importa o nome. Importa enfrentar o fenômeno mais escandaloso de nossa realidade: a esmagadora pobreza, seres humanos privados de direitos tão elementares como saúde, alimentação, trabalho, transporte, educação, moradia, terra, cultura e lazer. É tão ingênuo imaginar que um banqueiro promoverá a reforma agrária, como acreditar na sensibilidade de uma esquerda que prefere mansões e palácios a fábricas e assentamentos, mercadologicamente maquiada para consumo, surda ao clamor de quem sofre por pertencer ao mundo dos vivos. E neste país não é preciso ir longe para descobrir quem são eles: basta pôr os dois pés na cozinha e constatar como vive a família da faxineira. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de cinco livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

segunda-feira, 2 de março de 2015

SOMOS TODOS TRAIDORES (*)

SOMOS TODOS TRAIDORES – Permita-me perguntar: você já foi traído de alguma forma? Não poucos de nós já foram traídos. Só os amigos nos traem; os inimigos nos decepcionam. Só as pessoas a quem nos doamos muito podem nos ferir tanto. E você, já traiu? Talvez fiquemos inibidos em responder. Mas, sinceramente, todos nós já traímos! E, o que é pior, traímos aquilo que é mais relevante para ter uma mente livre e uma emoção saudável. Traímos nosso sono, nossos finais de semana, nossas férias, nosso relaxamento. Traímos o tempo precioso que poderíamos gastar conosco, fazendo uma higiene mental, reciclando nossas falsas verdades, nutrindo-nos com prazer de viver. Somos todos traidores. (*)
Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de cinco livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...)