terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

MUDANÇA DE PARADIGMA: DE LUCRATIVIDADE PARA SUSTENTABILIDADE (*)

MUDANÇA DE PARADIGMA: DE LUCRATIVIDADE PARA SUSTENTABILIDADE – O fim do mundo sempre me pareceu algo muito longínquo. Até um contrassenso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano começou a provocá-lo, através da degradação da natureza. Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e 1,2 bilhão padecerem fome, é uma só: foram impedidos de acesso à terra, à água, a sementes, a novas técnicas de cultivo e aos sistemas de comercialização de produtos. EUA e China são os principais emissores de CO2 na atmosfera e, portanto, os grandes culpados pelo aquecimento global. Há uma lógica atrás da posição ecocida dos EUA e da China. São dois países capitalistas. O primeiro abraça o capitalismo de mercado; o segundo, o de Estado. Ambos coincidem no objetivo maior: a lucratividade, não a sustentabilidade. O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica. Sabe que medidas de efeito haverão de redundar inevitavelmente na redução dos lucros, do crescimento do PIB, da acumulação de riquezas. Se vivesse hoje, Marx haveria de admitir que a crise do capitalismo já não resulta das contradições das forças produtivas. Resulta do projeto tecnocientífico que beneficia quase que exclusivamente apenas 20% da população mundial. Esse projeto respalda-se numa visão de qualidade de vida que coincide com a opulência e o luxo. Sua lógica se resume a “consumo, logo existo”. O planeta em que vivemos já atingiu seu limite físico. Por enquanto não há como buscar recursos fora dele. O jeito é preservar o que ainda não foi totalmente destruído pela ganância humana, como as fontes de água potável, e tentar recuperar o que for possível através da despoluição de rios e mares e do reflorestamento de áreas desmatadas. Os rios foram poluídos; os mares, contaminados; o ar que respiramos, envenenado. Agora, corremos contra o relógio do tempo. O Apocalipse desponta no horizonte e só há uma maneira de evitá-lo: passar do paradigma de lucratividade para o da sustentabilidade apoiado na solidariedade. (Jornalista/Escritor EUGENIO SANTANA, FRC – Registro MTb 1319/JP – O encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...)