sábado, 14 de fevereiro de 2015

ADORAR O MARKETING EQUIVOCADO E AMAR O CONSUMISMO EXACERBADO (*)

TUDO SE VENDE OU SE TROCA: objetos, cargos públicos, influências, idéias. Nada se dá. Em economias arcaicas, ainda presentes em regiões da América Latina, a partilha de bens materiais e simbólicos e fálicos e falidos, assegurava a sobrevivência humana. Agora, ao valor de uso se sobrepõe o de troca. Embora nas ruas das grandes cidades pessoas morram de fome, nada justifica, aos grandes olhos do mercado, as ocupações de terra ociosas realizadas por representantes de 5,4 milhões de famílias sem-terra existentes no Brasil. Nem que sejam abertas as portas dos “suprimentos” que guardam os estoques de alimentos do (des)governo. O mercado reagiria mal. É preferível vê-los apodrecer. Cairiam os preços exigidos pelos produtores. Segundo o mercado, tombam os seres humanos, mas seguram-se os preços. O mercado é um ser sensível, facilmente irascível. Por isso, informações do Banco Central, como a iminente quebra de um banco, não devem vazar. O mercado oscilaria e entraria em crise. Suas bolsas de valores perderiam dinheiro. É melhor perder a ética, o decoro público, a dignidade, desde que se salve a saúde do mercado, esse demiurgo para o qual todos se sentem chamados... mas poucos são os escolhidos. (*) Jornalista/Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de cinco livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas e diamantes...