sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A SOLIDÃO QUE NOS PERSEGUE NO VASTO E AGITADO FORMIGUEIRO DAS GRANDES METRÓPOLES (*)

Um famoso filósofo inglês disse que “os vizinhos ideais são aqueles com quem você não é obrigado a esbarrar todos os dias”. Impossível imaginar ponto de vista mais conveniente para quem vive na grande cidade do século XXI – seria terrível desejar um contato mais íntimo e constante com nossos vizinhos quando o próprio tipo de vida que levamos nos dá poucas oportunidades de conviver com eles. A vida urbana poderia ser considerada uma fábrica de “vizinhos ideais”. Afasta os vizinhos próximos e os distantes, os desejáveis e os indesejáveis, os conhecidos e os que gostaríamos de conhecer. E no lugar de “vizinhos” pode-se dizer amigos, colegas, parentes, todos igualmente tragados pela selva de edifícios e avenidas. Como aquele filósofo, muitas pessoas fazem da necessidade um ideal, e “escolhem” um isolamento do qual dificilmente poderiam fugir: “Do alto de minha torre de vigia de divina solidão, contemplo lá embaixo a multidão medíocre”. Quantos indivíduos já não recitaram para si mesmos frases desse tipo, para no minuto seguinte se atirarem sofregamente sobre o primeiro desconhecido disposto a trocar confidências? Por mais que filósofos ou bebedores solitários procurem pintá-la de dourado, a solidão física ou emocional é um dos maiores inimigos dos seres humanos. Os psicólogos têm realizado diversos testes sobre as reações de indivíduos quase inteiramente isolados de contato social e sensorial. Os pacientes são colocados em situações em que não podem tocar, ouvir, ver ou cheirar nada nem ninguém. O tempo durante o qual as pessoas suportam a experiência é variável. Algumas não passam de poucas horas, outras resistem durante alguns dias. Contudo, ninguém agüenta uma privação total de contato com o mundo exterior por muito tempo. Vários voluntários submetidos a esse tipo de teste têm alucinações, acentuadas modificações na capacidade de raciocínio e sentimentos extremos de angústia. T.S. Eliot escreveu: “Sabe de uma coisa? Não vale mais a pena falar com ninguém. Não... não é que eu deseje ficar sozinho. Mas é que todo mundo está sozinho – ou ao menos assim me parece. Fazem ruídos e pensam que estão conversando entre si. Põem uma expressão no rosto e pensam que estão conversando entre si. Põem uma expressa no rosto e pensam que se entendem. E estou certo de que nada disso acontece”. E concluo com o nosso bardo maior, Drummond: “Nesta cidade do Rio, de dois milhões de habitantes, estou sozinho no quarto, estou sozinho na América... De dois milhões de habitantes! E nem precisava tanto... precisava de um amigo, desses calados, distantes, que lêem verso de Horácio, mas secretamente influem na vida, no amor, na carne. Estou só, não tenho amigo, e a essa hora tardia como procurar amigo?”. (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta e relações públicas. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio efetivo da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)