sábado, 31 de janeiro de 2015

NÃO CONTEMPLO LAREIRAS, SOU O FOGO ! (*)

NÃO CONTEMPLO LAREIRAS, SOU O FOGO! – Inútil escrever sobre a viagem astral. Nos confins do papel os reinos se principiam e se fundem em raios de Luz. Por isso estou sempre entre teus espaços e espasmos e meus trópicos de desassombro. Minhas mãos se perderam no delito das carícias, das despedidas sem nexo, sem sexo, nas paredes amputadas. Muito embora, aprendo e me atualizo, a conjugar o futuro com sotaque intraduzível. Tecelão da vida, faço a lã dos cordeiros para o inverno dos lobos. Não contemplo lareiras, sou fogo! Sou palavras que o papel devora e a terra esquece. Sou a sede finita de diversos infinitos. Contudo, árvores e homens se confundem: os escritores também já foram árvores. Eis aqui a ilha do tédio povoando as areias do deserto. Há muito me sinto escrito, portanto, cresço no pecado das palavras. Nada me pertence à existência, mas inquirir sobre ela a quem pertenceria? Nada mais sou do que o destino que herdei nas chegadas e partidas. Nenhuma descoberta exclui a geografia do ser-estar. Sei do sagrado caminho que me conduz ao Santuário dos Pássaros. Na asa do tempo procuro o reencontro que se transmuta em fuga e solidão, pois o plural dos homens acaba-se no singular da morte. E ao final de todos os frenesis colho o efêmero e esqueço a motivação de existir. Quem afirmou que a vida é sólida? Se alguém é líquido nas pérolas do oceano? Sou roteiro de pássaros e sigo a linha do horizonte, sem pressa de chegar.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta e relações públicas. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio efetivo da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (61) 8212-3275 (TIM)

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

AS CANÇÕES DO OLVIDO (*)

Ironicamente minhas canções do “ouvido” são saboreadas, hoje, apenas por meio de Sarah Brightman, Loreena Mckinnit, Vander Lee, Paulinho Pedra Azul, Legião Urbana, Ana Carolina e Marisa Monte. Para ouvir e escrever, em meus devaneios notívagos, aprecio Gheorge Zanfir, Debussy, Beethoven, Mozart e Secret Garden. “As Canções do Olvido” fogem à encantadora magia musical. Ainda que, música e literatura é uma simbiose perfeita. São fragmentos arrancados das Asas da Memória do mineiro-menino de Paracatu de antanho e do moço-velho de hoje. Cidades são pessoas e seus bairros, braços-tentáculos, coração, músculo, alma noturna, violência urbana gratuita, inapelavelmente, cruel. Meio século de vivência no planeta-escola. E as pessoas não mudaram a essência que as caracterizam: inveja, pré-conceito, pré-julgamento, ausência de ética. Continuam arrogantes, pretensiosas, autoritárias, vingativas, hedonistas, cruéis, sarcásticas, hipócritas e medíocres. Salvo raríssimas e honrosas exceções. E o século vinte e um é marcado pela inversão de valores, cujo epicentro é o cérebro guiado pelo reflexo condicionado às novas tecnologias que robotiza e coisifica. Quanto às drogas pululam por aí uma centena delas, atuando como fuga e válvula de escape. E o ser despersonalizado comete os piores abusos a si mesmo e inomináveis atrocidades contra pessoas inocentes e indefesas. A harmonia do planeta terra acabou: por conta do desmatamento liquidaram com os rios, as florestas, o cerrado, a fauna, a flora e os pássaros; e o clima? As estações estão em desequilíbrio e a temperatura até 2019 está prevista para os 50 graus. Em as “As Canções do Olvido”, confirmo que fui feliz e me senti realizado: minha infância em Paracatu, a adolescência em Anápolis, o alumbramento ao conhecer e morar no Rio de Janeiro e experimentá-lo; e a juventude, em Brasília, cidade na qual vivi o apogeu do aperfeiçoamento profissional e intelectual. Concernente aos amigos, intermináveis frustrações e traições dissimuladas. Guardo cicatrizes ocultas nas costas, por conta de incontáveis punhaladas. Ainda assim, agradeço o aprendizado e os perdôo. Sei que Dói, fere, machuca. Não há nada comparável ao perdão para sairmos de alma lavada de qualquer situação-limite. Meu estigma positivo: vim a este mundo para perdoar, amar e esquecer o mal que ousaram inutilmente me insuflar e, assim, viajo, sereno, através das Asas do Esquecimento. Afinal, o escritor é a antena do mundo e um inquestionável Lobo Solitário; o poeta, um Anjo visionário de Asas líquidas sobre a terra. O jornalista, como formador de opinião e comprometido com a Verdade, está constantemente contrariando os imbecis e sob a mira ameaçadora do “Sistema” e dos poderosos que o compõem. Fica fora do Esquecimento o Amor verdadeiro, incondicional e autêntico do meu pai e de minha mãe que estão, cumprindo novo ciclo, no Plano Infinito. São os autores de minha vida, devo a eles tudo o que eu sou e, diariamente, lembro-me deles com saudade e sussurro que são os únicos amores confiáveis, eternamente. Quanto ao resto é resto mesmo. Dejeto não reciclável. Lixo humano. Prolixos na tarefa abjeta de caluniar, difamar, invejar e prejudicar. Eu os entrego, víboras malditas, canalhas e pusilânimes, para a Justiça Divina. Essa age célere e é extremamente eficaz e implacável. E na voz do silêncio do Esquecimento, aos que me torturaram e causaram perdas irreparáveis, o meu perdão. Sigo o exemplo e os passos do Mestre do Amor e da Sabedoria. Contudo, ninguém retira de mim “As Canções do Olvido”. Ainda que, os dispensáveis seres sombrios e rastejantes tenham dúvida, SER ESCRITOR é uma MISSÃO que o TODO-PODEROSO me concedeu. Prometo cumpri-la até o último dia de minha vida. Palavra de Autor! “As Canções do Olvido”, não serão ouvidas. Será lida pela minha “tribo cósmica” e o meu grupo de Leitores vorazes, leais e fiéis.
(*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia de Letras de Uruguaiana, UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing na Editora Saúde Total. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

UMA FORMA DE FICAR E PARTIR... (*)

UMA FORMA DE FICAR E PARTIR – Há muito vou indo como zéfiro respirando pelas causas desta Terra e os sustos viajando íntimo de mim. Que se busca e se acha pelos meios de seu fim: o amor. A vida é sempre nua e crua em suspense de telenovela que atua pelos dias findos no resgate do legado quase vindo além do contrário de ser, ter o que não se tem lamentável mente. Só quem navega em luz sabe do naufrágio da escuridão escoando pelos dedos e o mar do coração. Inventariado – e isso faz de mim a pureza dos pecados por amar demais profundamente sob o raso das alturas e o repente ser. Nada me prende a nada senão o tudo da quase estrada para nunca mais! Sempre forte nunca vago na chegada da partida. Nenhum destino faz o homem senão pela carne e o sangue de seu nome. Nenhum navio chega ao porto senão pelas águas de seu torto oceano. Ninguém se sabe ou se busca muito além de si – e isso é uma forma de ficar e partir amando pela força de outra força e o amor sempre chegando. Infinitamente.
(Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, jornalista, escritor, ensaísta, consultor, analista de marketing digital e relações públicas – Encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...)

domingo, 25 de janeiro de 2015

ENSAIO METAFÍSICO SOBRE A SAUDADE (*)

SAUDADE. Que palavra estranha! Estranha e única, porque é privilégio da nossa bela e quase desconhecida língua portuguesa. É verdade. Nenhum idioma em todo o mundo possui termo equivalente à palavra saudade. Saudade... que sentimento estranho! Estranho e universal, porque é próprio de todas as gentes, comum a todas as nações, onipresente em todos os lugares. Que mistério! Se a saudade é, enquanto palavra, uma flor original e exclusiva do idioma português, como sentimento, no entanto, ela habita no coração de todos os homens e na sensibilidade de todas as mulheres: ergue um templo no íntimo de todas as almas aladas. É lembrança doce e triste de alguém ou algo indevidamente distante do coração; é melancolia da alma que se sente inerme e solitária. A saudade Consiste em abraçar e saborear lentamente a presença de uma ausência, a ausência de uma presença. A saudade é POESIA. E nada é mais poético do que a saudade. Poeticamente, a saudade é um triste consolo, uma bem-vinda e doce ilusão. Quem a conhece? Quem já lhe sondou os abismos? Quem já lhe tocou as mais profundas profundezas? Quem já viu o fundo mais fundo de sua natureza? Filosoficamente, a saudade é uma penumbra porque o homem é ainda uma sombra. Uma sombra, uma nostálgica e platônica sombra! O homem é, por um lado, filho da luz vertical, e, por outro, irmão dos tenebrosos abismos horizontais. Por isso, ele é luz. Ainda com aparência de trevas. Essencialmente divino e existencialmente humano, absoluto e relativo, imortal e fadado à morte, tem o homem, conseqüentemente, de sofrer todas as formas de saudade compatíveis com a sua natureza dualista. Saudade. Há vários tipos de saudade capazes de invadir a incauta e desprotegida catedral do coração humano. Todos, contudo, deságuam em dois grandes rios: o do tempo e da eternidade. O rio do tempo... é o rio da saudade finita que corre no plano horizontal da existência e envolve o homem no tempo e no espaço e é saudade bidimensional de coisas e pessoas! Nenhuma saudade é mais saudade do que a saudade das pessoas... dos parentes, dos amigos... e, fundamentalmente, da ideal e insubstituível criatura amada, dessa alma-irmã que encontramos ou almejamos encontrar num encontro-de-amor, para caminhar conosco e ao nosso lado nesses canais finitos de tempo e espaço. As coisas funcionam como veículo, suporte ou sustentáculo da saudade. Assim, o tamborilar da chuva na vidraça... os acordes duma música no ar, dentro da noite. Um álbum de fotografias que o tempo amarelou são gatilhos que disparam o certeiro projétil da saudade. A saudade chega, trazida, quase sempre nas asas das coisas. Sejam coisas concretas, abstratas ou, às vezes, imaginárias. Coisas como a noite misteriosa e as longínquas estrelas, a vastidão sideral do espaço, a música das águas, o canto dos pássaros, a contemplação de uma floresta. E outras mais, em adequadas condições e circunstancias, podem arremessar o homem como um bólido ao encontro de alguma sutil, diáfana, evanescente, indescritível e pulsante saudade! Os parentes são, antes de tudo, os companheiros que escolhemos para caminhar conosco em nossa presente jornada existencial. Com eles estamos no mesmo barco. Sofremos e nos alegramos juntos. Ninguém nos é mais próximo ou mais íntimo, ressalvada a criatura amada, do que a nossa mãe, o nosso pai, a nossa filha ou o nosso filho. Se algum desses nos falta, a saudade que daí resulta, é trágica e alucinante! Trago no recôndito mais íntimo da asa da memória, a melancólica saudade dos amigos e parentes que se foram, à minha frente, rasgando dimensões e abrindo as cortinas do Plano Infinito. Trago no meu coração cansado, a saudade doída da mulher-companheira que caminhava comigo, iluminando o meu dia e perfumando a minha longa noite...
(*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia de Letras de Uruguaiana, UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing Digital na Editora Viver Saudável. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275

sábado, 24 de janeiro de 2015

PÁSSARO DE IMENSO ANSEIO (*)

Às vezes, sou assim: misto de início e (mar) fim. Às vezes, me procuro na procura de algum questionamento qualquer: por que representar a vida e encenar a alma difusa, se ágil é o ser em ser confuso? Nem sempre me procuro na grave solidão de estar, mas ergo choros e delitos, como se fossem a bengala, o Chaplin, a alegrar em mim o súbito (só) riso de amar a eterna alegria de ser, sorrir, cantar! Em verdade, jogo o jogo do existir, muito embora estando longe e perto daqui. Eu sei, sempre soube: os homens criam seus muros de musgo, sombra e argila, edificando de falso mito sua mentira de ser, quase não sendo, o gelo no fogo ardendo, como, assim, as farpas e harpias de mundos incomuns, improváveis. Às vezes, sofro da fragilidade da vida, sem, no entanto, ater-me à saída pra lugar nenhum; e forte é a sangria de minhas vísceras sem destino algum! Alguns me dizem: o contrário da verdade não é a mentira – é a ilusão. Eu, do meu lado, prefiro antes ficar sem saber, entre o sim e o se – não. O negro não é o oposto ao branco, dizem. Tudo é ausência de luz. Como, então, saber o que é, ou não é, aquilo que me conduz? Ouço, às vezes, a linguagem das flores e percebo que uma flor só se sabe perfumada e bela enquanto existe um beija-flor amando a essência dela: nem ela é virgem sem ele; nem ele, ave sem ela! Sou o que sou: pássaro de imenso anseio e vôo por aí neste deserto de vasta solidão. Às vezes, me procuro no que acho, como da pedra a fonte, como da fonte o riacho; e não há, agora, nenhum suicídio de amor na paisagem derradeira senão a morte a farsa da vez primeira de saber-me aonde vou, ainda que a asa do Tempo se me faça impróprio no que sou; e, se sou assim, misto de início e (mar) fim, tenho mais é que me buscar por aí, tendo de Ícaro o vôo no voar, seguir, mesmo que, para os ícones e sombras do mais áspero abismo, possa eu erguer meu paraíso forrado de limalhas mirtos orquídeas em jardim da solidão, como do sonho os rios do mundo inundando o coração! (*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, jornalista, escritor, ensaísta, consultor, analista de marketing digital e relações públicas – Encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...

A DOR FEITO FLOR (*)

Os dentes do desejo, armas brancas afiadas para os beijos. A linguagem dos beijos, fauna e flora de figuras e desejos. Miosótis a florzinhazul no jardim, uma que também se chama não-me-esqueças, não-te-esqueças-de-mim. Amálgamas do lodo, o homem e sua alma: o lobo, a loba. Almas irmãs, almas-ímas, almas gêmeas, umbilicais, iguais a um par de algemas. Labirintos de achados e perdidos, os corações. Cachos de amora, os lábios maduros de amor. Cachos de sangue, os corações caídos de dor. A dor feito flor. Miosótis no jardim. Não-te-esqueças-de-mim.
(*) Copydesk/fragment by EUGENIO SANTANA, jornalista, escritor, ensaísta, consultor, analista de marketing digital e relações públicas – Encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

SOMOS ANIMAIS TERRITORIAIS (*)

UMA GUERRA É TRAVADA apenas nos campos de batalha tradicionais, em que tropas tentam aniquilar umas às outras. Graças à gana de poder a luta acontece em qualquer área em que os seres humanos disputam influência. Existem disputas pelo poder em qualquer grupo de trabalho e até mesmo em um casal, quando os dois membros usam suas armas para conseguir o papel de protagonista. Nós, seres humanos, somos animais territoriais e estamos o tempo todo tentando aumentar nossos domínios, inclusive o emocional. Como nem sempre encontramos um inimigo para opor ao inimigo que está nos assediando, às vezes precisamos recorrer a outras estratégias. O tratado mais antigo para qualquer tipo de luta nesses casos é “A arte da guerra”, de Sun Tzu, que chega à seguinte conclusão: Se conhecer seu inimigo e a si mesmo, ainda que você enfrente 100 batalhas, nunca sairá derrotado. Se não conhecer seu inimigo mas conhecer a si mesmo, suas chances de perder ou ganhar serão as mesmas. Se não conhecer o inimigo nem a si mesmo, pode ter certeza de que perderá as batalhas.
(*) EUGENIO SANTANA é Jornalista e Escritor. Pertence à Academia de Letras de Uruguaiana, UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SILOGISMOS DO PSICOPOMPO (*)

As paixões têm uma injustiça e um interesse próprio que fazem com que seja perigoso segui-las e que se deva desconfiar delas, por mais razoáveis que pareçam. A moderação das pessoas felizes vem da calma que a fortuna confere ao humor. A filosofia triunfa sem dificuldades sobre os males passados e futuros; mas os males presentes levam a melhor sobre a filosofia. O ciúme é, de alguma maneira, justo e razoável, pois tende somente a conservar um bem que nos pertence ou que acreditamos que nos pertença, ao passo que a inveja é um furor que não consegue suportar o bem dos outros. O ciúme se alimenta nas dúvidas e se torna furor ou acaba tão logo se passa da dúvida à certeza. Parece que a natureza, que dispôs tão sabiamente os órgãos de nosso corpo para nos tornar felizes, nos tenha dado também o orgulho para nos poupar a dor de conhecer nossas imperfeições. O interesse, que a uns cega, é a luz dos outros. Nosso humor põe preço a tudo o que nos vem da sorte. A felicidade está no gosto, não nas coisas; e é por ter o que amamos que somos felizes, não por ter o que os outros acham amável. Para nos instalarmos no mundo, fazemos tudo o que podemos para parecer que nele estamos instalados. A sinceridade é uma abertura do coração. Encontra-se em muito poucas pessoas; e aquela que geralmente vemos não passa de refinada dissimulação para atrair a confiança dos outros. É difícil definir o amor. O que dele se pode dizer é que na alma é uma paixão de reinar, nos espíritos é uma simpatia e no corpo não passa de uma vontade oculta e delicada de possuir o que se ama depois de muito mistério. Se existe amor puro e isento de mescla com nossas outras paixões, é aquele que está escondido no fundo do coração e que nós mesmos ignoramos. Não há disfarce que por muito tempo possa esconder o amor que existe, nem fingir aquele que não existe. A julgar pela maioria de seus efeitos, o amor mais se parece ao ódio que à amizade. Há uma só uma espécie de amor, mas há mil diferentes cópias dele. Os homens não viveriam muito tempo em sociedade se não fossem os joguetes uns dos outros. Para bem conhecer as coisas, é necessário conhecê-las em seus detalhes; como eles são quase infinitos, nossos conhecimentos são sempre superficiais e imperfeitos. É tão fácil enganar-se a si mesmo sem perceber como é difícil enganar os outros sem que eles percebam. A demasiada sutileza é uma falsa delicadeza e a verdadeira delicadeza é uma sólida sutileza. O menor defeito das mulheres que se entregaram a fazer amor é fazer amor. Há pessoas que nunca se teriam apaixonado se não tivessem ouvido falar do amor. Há reprimendas que elogiam e elogios que maldizem. A recusa dos elogios é desejo de ser elogiado duas vezes. A arte de saber bem empregar qualidades medíocres rende estima e muitas vezes confere mais reputação que o verdadeiro mérito. A esperança, por mais enganadora que seja, serve ao menos para nos levar até o fim da vida por um caminho agradável. As virtudes se perdem no interesse, como os rios se perdem no mar. A constância em amor é uma inconstância perpétua, que faz com que nosso coração se apegue sucessivamente a todas as qualidades da pessoa amada, dando preferência ora a uma, ora a outra, de modo que essa constância não é mais que uma inconstância, fixada e encerrada num mesmo sujeito. Há duas espécies de constância no amor: uma vem de encontrarmos incessantemente na pessoa amada novos motivos para amar e a outra vem de considerarmos uma honra ser constantes. Os vícios entram na composição das virtudes como os venenos entram na composição dos remédios. A prudência os junta e os tempera, servindo-se deles utilmente contra os males da vida. Confessamos nossos defeitos para reparar com nossa sinceridade o prejuízo que nos causam no espírito dos outros. O vocábulo virtude serve ao interesse tão utilmente quanto os vícios. Os defeitos da alma são como as feridas do corpo: por mais que cuidemos de curá-las, a cicatriz aparece sempre e a qualquer momento podem se reabrir. Os falsos honestos são aqueles que dissimulam seus defeitos para os outros e para si mesmos. Os verdadeiros honestos são aqueles que os conhecem e os confessam. O verdadeiro homem honesto é aquele que de nada se vangloria. A loucura nos acompanha em todas as etapas da vida. Se alguém parece sábio é somente porque suas loucuras são proporcionais à sua idade e à sua sorte. A hipocrisia é uma homenagem que o vício presta à virtude. Não há praticamente ninguém que, ao primeiro sinal da idade, deixe de mostrar por onde seu corpo e seu espírito devem começar a esmorecer. As pessoas felizes são praticamente incorrigíveis; acreditam sempre ter razão quando é a sorte que sustenta sua má conduta. O orgulho não quer dever e o amor-próprio não quer pagar. O bem que recebemos de alguém quer que respeitemos o mal que nos faz. Incomodamos muitas vezes os outros porque acreditamos que nunca podemos incomodá-los. O interesse põe em ação toda espécie de virtudes e de vícios. O prazer do amor é amar; e mais feliz se é com a paixão que se sente do que por aquela que se inspira. O encanto da novidade é para o amor o que a flor é para o fruto; confere-lhe um lustro que facilmente se apaga e que jamais voltará. As mulheres pensam muitas vezes amar quando realmente não amam. A preocupação com uma intriga, a emoção de espírito que o galanteio suscita, a inclinação natural ao prazer de ser amadas e o pesar de recusar as convencem de que estão apaixonadas quando na realidade só têm afetação. O orgulho, que tanta inveja nos inspira, nos serve muitas vezes também para moderá-la. Amamos sempre aqueles que nos admiram, mas nem sempre amamos aqueles que admiramos. Quando se ama, duvida-se muitas vezes daquilo em que mais se acredita. O maior milagre do amor é curar da afetação. Há poucas mulheres honestas que não estejam cansadas de suas tarefas. A maioria das mulheres honestas são tesouros escondidos, que só estão em segurança porque ninguém os procura. Os espíritos medíocres geralmente condenam tudo o que está fora de seu alcance. Há muitos remédios para curar o amor, mas não há nenhum infalível. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, consultor e relações públicas – Encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...

domingo, 11 de janeiro de 2015

AS MULHERES SÓ QUEREM TER RAZÃO (*)

“Precisamos conversar. Quero falar e você vai me escutar: Você tem medo de quê?”– questionam as mulheres. E o homem sabe que é inocente, que não fez nada de errado – pelo menos não tão errado assim – mas ainda assim recua. E a hesitação é a sua perdição. O poder de argumentação de uma mulher parece infindável, até porque é um novelo. O fio é conhecido, já foi todo mostrado, mas é outra vez desenrolado como se tudo ali fosse novo; assuntos dados como resolvidos voltam com a força de um titã, como revelações avassaladoras gravadas em pedra e os golpes são dados com a precisão de esgrimista. Você tem medo de quê? A pergunta sempre volta, reforçando os golpes, mantendo o homem nas cordas, acuado. Toda mulher tem uma certeza na vida: alguma culpa ele tem, mesmo que ela não saiba, muito menos ele. A elas não interessa o nocaute, a capitulação final. As mulheres só querem ter razão. São elas que determinam o fim da discussão, mas sempre depois de exauridas as forças do parceiro que concorda ainda atordoado. Também são elas que propõem as inegociáveis condições para a paz entre o casal.
No final de tudo, a gente não sabe por que a discussão começou, nem ao que levou. Mas sabe que vai ter mais. Sempre tem. (*) Jornalista/Escritor EUGENIO SANTANA, FRC – Registro MTb 1319/JP – O encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

QUANDO O INDEFINÍVEL ABRAÇA A SABEDORIA (*)

Os que sabem não falam. Os que falam não sabem. O Indefinível é a origem do Céu e da Terra. O sábio tem, mas não possui, age, mas nada espera. Quando seu trabalho está concluído, ele o esquece. Por isso dura para sempre. Quando acreditam saber as respostas, as pessoas são difíceis de guiar. Quando sabem que não sabem, as pessoas descobrem o seu próprio caminho. A sabedoria é conhecida como A Grande Mãe: vazia, contudo inesgotável, dá vida a infinitos mundos. Sempre está presente dentro de ti. Podes usá-la da forma que desejares. A sabedoria é chamada de fêmea sutil e profunda. A forma suprema da bondade é como a água. A água sabe como beneficiar a todos sem lutar contra eles. Acalma-se em lugares que todos os seres humanos odeiam. E é por isso que se aproxima da sabedoria milenar. Quando estiveres satisfeito em ser simplesmente tu mesmo e não te comparares ou competires, todos te respeitarão. Nada há no mundo mais suave e flexível que a água. Contudo, para dissolver o que é duro e inflexível, nada há que a supere. Se quiseres que algo se contraia, primeiro deves deixar que se dilate. Se quiseres te desfazer de algo, primeiro deves deixar que te seja dado. Isto se chama a sutil percepção da forma como são as coisas. A fêmea sempre supera o macho mediante a sua serenidade. Os objetos preciosos desviam o homem. Por isso o sábio guia-se pelo que sente e não pelo que vê. Ele rejeita isto e escolhe aquilo. Quem pode esperar tranquilamente o lodo assentar? Quem pode permanecer imóvel até chegar o momento da ação? Se quiseres chegar a ser inteiro, permite-te ser parcial. Se quiseres chegar a ser reto, permite-te ser torto. Se quiseres estar pleno, deixa-te estar vazio. Se quiseres renascer, deixa-te fenecer. O homem imita a Terra. A Terra imita o Céu. O Céu imita a sabedoria. E a sabedoria imita a Natureza. Mesmo que haja muitas coisas lindas de se ver, o sábio permanece desapegado e tranqüilo. Se te deixares levar como uma folha ao vento, perdes o contato com as tuas raízes. Se deixares que a inquietude te agite perdes o contato com quem realmente és. O homem verdadeiramente grande se concentra no que é real e não naquilo que está na superfície. No fruto e não na flor. Tendo compaixão por ti mesmo, consegues reconciliar todos os seres do mundo. Um bom viajante não tem planos definidos nem está preocupado em chegar. Um bom artista deixa que sua intuição o leve aonde ela quiser. Um bom cientista se liberta de conceitos e se mantém aberto ao que é... Ele está pronto para usar todas as situações e nada desperdiça. Isto é o que se chama de “seguir a luz”. Achas que podes te apoderar do universo e melhorá-lo? Não acredito que isso possa ser feito. O universo é sagrado. Não podes melhorá-lo. Se tentares mudá-lo, o arruinarás. Se tentares te apropriar dele, o perderás. Para encontrar a origem, procura-a nas manifestações. Quando reconheceres os filhos e encontrares a mãe, serás livre... Aquele que está repleto de Virtude se assemelha ao recém-nascido... Que cresce na sua totalidade e mantém a sua vitalidade perfeitamente íntegra. Sê a corrente do universo! Sendo que o curso do universo é sempre verdadeiro e imutável, volta novamente a ser como a criança. Por isso, a satisfação que sentimos quando sabemos que já temos o bastante, é uma satisfação realmente duradoura. Entre o teu nome e o teu corpo, qual é o mais querido? Entre o teu corpo e as tuas riquezas, qual é o mais apreciado? Entre o perder e o ganhar, o que é mais doloroso? Por isso, o excessivo amor por alguma coisa, com o tempo, custar-te-á muito caro. Armazenar muitos bens acarretará uma dura perda. Saber quando se tem o suficiente, é tornar-se imune à desgraça. Saber quando parar, é prevenir muitos perigos. Só assim poderás perdurar por um longo tempo. Alegra-te com o que tens; regozija-te com o que as coisas são. Quando perceberes que nada te falta, o mundo inteiro te pertencerá.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, autor de livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta e relações públicas. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio efetivo da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSapp: (61) 8212-3275 (TIM)