terça-feira, 24 de novembro de 2015

A CRISE ECOLÓGICA E A DEGRADAÇÃO DA NATUREZA

A CRISE ECOLÓGICA E A DEGRADAÇÃO DA NATUREZA – O fim do mundo, ou o Apocalipse, sempre me pareceu algo muito longínquo. Pode parecer um contrassenso. Deus haveria de destruir sua Criação? Hoje me convenço de que Deus nem precisa mais pensar em novo dilúvio. O próprio ser humano começou a provocá-lo, através da degradação da Natureza. Os bens da Terra tornaram-se posse privada de empresas e oligopólios. A causa de 4 bilhões de seres humanos viverem abaixo da linha da pobreza, e 1,3 bilhão padecerem fome, é uma só: foram impedidos de acesso à terra, à água, a sementes, a novas técnicas de cultivo e aos sistemas de comercialização de produtos. O capitalismo, como sistema, não tem solução para a crise ecológica. (Jornalista/escritor Eugenio Santana – MTE 1319/JP)

sábado, 3 de outubro de 2015

NO PLANETA-ESCOLA TODA FAMÍLIA É CÁRMICA (*)

Não existem ex-irmão, ex-mãe, ex-pai, e ex-filho. Estamos todos conectados por Laços Eternos determinados por Deus por meio do Plano Infinito. Muitos nascem para ajudar familiares a mudar sua visão de mundo e de vida ou para serem tratados, protegidos e apoiados por estes. Neste contexto, são mestres com específicas e fortes lições. É o caso de algumas crianças que trazem muito aprendizado de amor, paciência, aceitação, desapego e compaixão, para pais, irmãos, avós e outros. Hoje, colhemos o resultado do que escolhemos ontem e plantamos o que colheremos amanhã. E a vida vai num eterno escolher, colher, escolher, colher... Na relação familiar aparece outro verbo que é o "acolher". Será que precisamos acolher nossos parentes do jeito que são? Estarão espelhando a nossa sombra? Todo relacionamento espelha. Amar pessoas perfeitas é fácil. Mas, é com as difíceis que mais exercemos nosso lado sagrado e trabalhamos nossos defeitos, o que trazemos escondido e engavetado nos labirintos de nossa alma. Honre pai e mãe, agradeça e cultue a família, mas faça a sua vida! Nunca permita que os laços familiares se enrosquem no pescoço e o sufoquem! Principalmente, aceite, trabalhe e procure resgatar o seu carma, senão vai repetir a lição, em outra vida. (*)Jornalista/Escritor EUGENIO SANTANA, FRC – O Guardião de Memórias

terça-feira, 8 de setembro de 2015

SE DEUS ME FEZ DIAMANTE ÚNICO EU NÃO CONTEMPLO FLORES DE JARDINS QUE NÃO ME PERTENCEM (*)

Quando alguém não consegue uma vitória que havia buscado, há uma solidariedade por vezes camuflada. Nem todos se alegram, mas é verdade também que nem todos se compadecem. É mais fácil ser solidário na dor que se alegrar com as conquistas dos amigos. Ver a felicidade alheia causa sintomas que roubam a paz que falta no olhar de quem vê o sorriso da vitória. Um sorriso que não nasce dos nossos próprios lábios sempre é fácil de ser digerido. Bom mesmo é sorrir com nossas conquistas e ver o olhar do outro querendo consumir em prestações a nossa felicidade. Triste realidade de quem vive na dependência do consumismo alheio. Há diamantes querendo ser topázios, no entanto, não compreenderam que o rubi nunca será uma esmeralda. Cada um é um no projeto singular da existência humana. Se Deus nos fez diamantes, Ele irá, ao longo da vida, lapidar-nos para que sejamos um diamante mais bonito, mas nunca deixaremos de ser um diamante para nos tornarmos topázio. Precisamos aceitar nossas belezas e deixar que o outro seja tão belo quanto ele foi criado. Esse processo leva tempo, requer maturidade e confiança na graça de Deus, pois Ele nos fez únicos para sermos luz no mundo. A inveja talvez tenha sua raiz na incapacidade que uma pessoa carrega em si de fazer a diferença a partir de suas próprias capacidades. Quando o jardim do outro parece mais bonito do que o nosso próprio jardim, deixamos o cuidado do nosso tempo ao descuido e passamos a vida a contemplar as flores que não nos pertencem; deixamos as nossas morrerem secas pela inveja que não nos permite cuidar de nossa própria vida. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, publicitário, relações públicas, copidesque, revisor de textos, editor. Autor de livros publicados. Membro da ADESG-DF, AMORC, do Greenpeace, da UBE. Ocupa a cadeira número dois da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM). Dezoito prêmios literários em âmbito nacional. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro. Radicado em Uberaba-MG. Contato: WhatsApp: (34) 9241-3331. E-mail: es.journalist.copydesk@gmail.com

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

A MEMÓRIA É A MÃE DA SABEDORIA (*)

Permita sua mente diáfana como as águas de um lago na floresta te conduzir à reflexão profunda. Muitas pessoas deixam de se tornar pensadores e formadores de opinião porque não têm boa memória. Toda a nossa evolução é um desabrochar semelhante ao desabrochar de uma planta. Temos primeiro um instinto, depois uma opinião, a seguir um conhecimento, como a planta tem raiz, broto e fruto. Confie em sua intuição até o final, mesmo que não pareça haver uma razão. O conhecimento é apenas o brilho da organização das ideias. Não é sabedoria verdadeira. O verdadeiro sábio vai além do conhecimento. Não adianta lutar contra o inevitável. A única coisa a fazer contra o vento sul é vestir o blusão de couro. Em filosofia, os axiomas não são axiomas até terem sido provados: lemos coisas lindas, mas não entendemos totalmente o seu sentido até termos repetido os mesmos passos do autor. Os sábios aprendem muita coisa com os desafetos. A experiência é o pente que a natureza nos dá quando ficamos calvos. Os sábios dizem que o caminho da sabedoria é difícil como um labirinto e estreito como o fio de uma navalha. A boa filosofia não é aquela que faz um julgamento final e estabelece a verdade absoluta, mas aquela que causa desconforto e gera comoção. Entender a realidade não é o mesmo que ter ciência de acontecimentos exteriores, mas perceber a natureza fundamental das coisas. O homem mais bem informado não é necessariamente o mais sábio. Na verdade, existe o perigo de que, exatamente por causa de seu conhecimento múltiplo, ele perca de vista o essencial. Por outro lado, o conhecimento de um detalhe aparentemente fútil com frequência possibilita que se enxergue as coisas com profundidade. Assim, o homem sábio busca saber o máximo sem se tornar dependente desse conhecimento. Sábio é reconhecer o elemento expressivo em meio aos acontecimentos concretos. O caminho do céu é nutrir e não ferir. O caminho do sábio é lutar e não competir. Contemple as obras deste mundo, ouça as palavras do sábio, tome para si tudo o que é bom. Com essa base, abra suas portas para a verdade. Não deixe passar a verdade que está diante dos seus olhos. Observe como o riacho flui suave e livremente por entre as pedras. Aprenda também com os livros sagrados e as pessoas sábias. O mundo – inclusive as montanhas, os rios, as plantas e as árvores – é seu mestre. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário, relações públicas, copidesque e revisor de textos. Autor de seis livros publicados. Articulista do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro. E-mail: es.journalist.copydesk@gmail.com e WhatsApp: (34) 9241-3331

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

MÚSICA CLÁSSICA: UM ÊXTASE QUE ENLEVA A ALMA E O CORAÇÃO (*)

A música produz silêncio. Toda palavra é profana. Faz-se silêncio porque a beleza é uma epifania do cósmico. Ouvir música é oração, reflexão, meditação. A música clássica proporciona alegria. Há músicas que nos inspiram prazerosamente. Mas a alegria é muito mais que prazer. O prazer é coisa humana, deliciosa. Mas é criatura do primeiro olho, onde moram as coisas do tempo, efêmeras, que aparecem e logo desaparecem. A alegria, ao contrário, é criatura do segundo olho, das coisas eternas que permanecem. Superior ao êxtase, a alegria tem o poder divino de transmutar a tristeza. Haverá maior explosão de alegria do que a parte final da Nona Sinfonia? E, no entanto, a vida de Beethoven chegava ao fim, marcada pela tristeza suprema de não poder ouvir o que mais amava, a música. Estava totalmente surdo. Mas é precisamente dessa tristeza que nasce a beleza. A vida é triste. E nisso está a honestidade da música clássica: ela não mente. Se soubéssemos disso, se sentíssemos a tristeza da vida, seríamos mais serenos, mais sábios, mais bonitos. Há músicas que contêm memórias de momentos vividos. Trazem-nos sentimentos... Lembrar-se do passado é triste-alegre... Alegre porque houve beleza de que nos lembramos. Triste porque a beleza é apenas lembrança... Não mais existe. Mas há músicas que nos fazem retornar a um passado que nunca aconteceu. É uma saudade indefinível, sentimento puro, sem conteúdo. Não nos lembramos de nada. Apenas sentimos. Sentimos a presença de uma ausência. Há músicas que nos levam para o tempo antes de nós mesmos e para lugares onde nunca estivemos. Talvez o que Ângelus Silésius disse para os olhos possa ser dito também para os ouvidos. Parafraseando-o: Temos dois ouvidos. Com um, ouvimos as coisas que no tempo existem e desaparecem. Com o outro, ouvimos as coisas divinas, eternas, que para sempre permanecem. A música tem virtudes médicas. Cura. Nesse tempo em que todo mundo sofre de estresse, aconselha-se música do estilo new age para acalmar. Há música para os mais variados tipos de doença: Mozart, Beethoven, Schumann, Chopin, Bach, Vivaldi, Brahms, Ravel, Debussy. Os médicos deveriam receitar aos seus pacientes, com os remédios bioquímicos, a música... Bom seria se a música clássica se ouvisse nos consultórios médicos, nas escolas, nas indústrias, nos escritórios, nas rádios. Há cidades que têm essa felicidade: rádios FM que tocam música clássica o dia inteiro. O Rio de Janeiro e Brasília exercitam essa cultura musical. A música clássica desperta, nas pessoas, aquilo que elas têm de melhor e de mais bonito. Música clássica contribui para a cidadania. (*) EUGENIO SANTANA é escritor, jornalista, assessor de comunicação, publicitário, ensaísta, relações públicas, revisor de textos e copidesque. Autor de livros publicados. Da Academia de Letras do Noroeste de Minas e da UBE – União Brasileira de Escritores. Contato: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp: (34) 9241-3331

domingo, 26 de julho de 2015

O AVANÇO TECNOLÓGICO DESTRÓI VALORES FAMILIARES (*)

As transformações sociais, o avanço tecnológico, a inversão de valores, acontecem numa velocidade assustadora. Está em andamento uma aceleração histórica que nos faz refletir e rever conceitos. Quando se fala em família, hoje, nem sempre se refere àquele tipo de família que vivenciamos. Não estou lembrando a família patriarcal, dominada pela implacável autoridade paterna. Falo da família comum, onde fomos criados. O ambiente era diferente. Havia um relacionamento de respeito, segurança, permanência. A casa, falo do espaço físico, geográfico, nos dava um sentido de solidez. “A minha casa”, “o meu lar”, o “meu teto seguro”. Lá onde eu encontrava paz, afeto, harmonia, diálogo, compreensão, amor incondicional. Havia falhas. Havia muitas coisas limitadas, mas as consequências eram menos dolorosas. Eu tinha meu pai. Eu tinha minha mãe. Meus irmãos eram filhos do mesmo pai, da mesma mãe. Ninguém nascia in vitro. Nem se falava em embriões. Os filhos não eram escolhidos nos artifícios que proliferam via Internet. Quando se falava em família, pensava-se naquele triângulo básico: pai, mãe, filhos. O termo família, hoje, tomou um sentido muito amplo, distorcido, pejorativo. Existe muita família assim constituída: pai, pai, filho (adotivo). Ou então: mãe, mãe, filho (adotivo). De família só se tem as arestas, o conceito, o contexto e o conteúdo são outros. Há uma escola sociológica que, explicando a origem da família, afirma que, no princípio, os homens e mulheres andavam em bandos. Todos eram de uma e um era de todas. Às vezes chego a cogitar que, mais umas três décadas, as coisas não serão muito diferentes. Tudo o que estou dizendo não significa que estou lutando para uma volta à família ancestral. Sei que os conceitos mudam. Sei que os valores se alternam de acordo com a especificidade de cada geração. É imprescindível impor alguns limites. Ser moderno e estar atualizado não significa ignorar os valores do passado. Existe algo que se chama bom-senso que não pode e não deve ser esquecido. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário e editor. Autor de seis livros publicados. Articulista e colaborador do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatsApp: (34) 9241-3331

quarta-feira, 15 de julho de 2015

O AMOR NÃO SOBREVIVE APÓS A PESSOA AMADA ABRIR O SÓTÃO DOS HORRORES (*)

O castelo de cem quartos é metáfora do corpo humano. Noventa e nove quartos abertos à visitação do público. Ali, com os visitantes estranhos, tudo são sorrisos e conversa amigável. Mas o último quarto é o sótão que odiamos; ali mora nossa parte monstruosa. Gostaríamos de nunca visitá-lo. Gostaríamos de perder a sua chave. Na verdade o dono da casa não possui a chave. Nós não podemos, mesmo querendo, abrir o nosso sótão de horrores. Não queremos ver o que está lá dentro: nós mesmos – o retrato de Dorian Gray – nossa face desfigurada, horrenda, monstruosa e sinistra. Você já teve um ataque de ódio e fúria? Já se viu assim no espelho? Não podemos abrir o nosso quarto dos horrores, é a pessoa amada, a mais íntima, que possui a chave. E nem é preciso que ela lhe seja dada. E nem é preciso que seja roubada. A chave aparece, milagrosamente, na sua mão. Os desafetos podem atacar a casa. A batalha com eles me torna mais bonito e irresistível. Quanto mais luto, mais feliz eu fico com a minha imagem. O que me torna a pessoa mais íntima tem o poder de soltar. A chave não pode ser limpa: a imagem, depois de vista, não pode ser esquecida ou ignorada. Algumas estórias acabam com a morte. Não a morte física, seja da esposa, seja do marido. O trágico da estória é a morte do amor: o amor não sobrevive depois que a pessoa amada abre o sótão dos horrores. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário e editor. Autor de seis livros publicados. Articulista e colaborador do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

NINGUÉM PODE NOS DECEPCIONAR MAIS DO QUE AS PESSOAS A QUEM NOS DEDICAMOS (*)

Preocupar-se com o bem-estar dos outros é uma ótima forma de minimizar os fantasmas que criamos. É um privilégio e uma obrigação nos doar socialmente, já que o essencial para a sobrevivência é gratuito: o ar, o pulsar do coração. Contudo, quem se preocupa com a dor dos outros tem de gerenciar seus pensamentos com maior eficiência, pois o altruísmo, como afirmei, sempre cobrará um preço psicológico alto. E um dos mecanismos que mais podem aliviar a tensão e nos proteger é a diminuição ao máximo da expectativa do retorno. Ninguém pode nos frustrar mais do que as pessoas a quem nos doamos. Sob o ângulo estritamente profissional, o problema é que pessoas muito eficientes e responsáveis são irresponsáveis com sua saúde emocional. Não desligam nunca. Não sentem o êxtase do seu êxito. Quanto maior for o sucesso financeiro, mais elas querem trabalhar. Quando alcançam o apogeu, sua alegria dura pouco, pois logo mergulham em outra jornada. Se as colocarmos numa varanda para visualizar o belo por uma ou duas horas, sentem tédio. Não conseguem desacelerar. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, publicitário e editor. Autor de seis livros publicados. Articulista e colaborador do jornal Diário da Manhã. Ex-Superintendente de Imprensa no Governo do Rio de Janeiro.

sábado, 23 de maio de 2015

NO ARQUIVO DA MEMÓRIA GUARDAMOS AS COISAS QUE AMAMOS E PERDEMOS (*)

Nem todos sabem o que são espelhos. Jorge Luis Borges conta de um selvagem que caiu morto de susto ao ver sua imagem refletida no espelho. Ele pensou que seu rosto havia sido roubado por aquele objeto mágico. É verdade que, vez por outra, também nos assustamos ao ver nossa própria imagem refletida num espelho – mas por outras razões. Nem sempre é prazeroso ver o nosso próprio rosto. O místico Ângelus Silésius disse, num poema, que nós temos dois olhos. Com um olho nós vemos as coisas do mundo de fora, efêmeras. Com o outro nós vemos as coisas do mundo de dentro, eternas. Efêmeras são as nuvens, efêmeras são as florações dos ipês, efêmero é o nosso próprio rosto. Heráclito, filósofo grego, para falar do efêmero das coisas, disse que elas são rio, que elas são fogo. O rio é sempre outro. O fogo é sempre outro. A cada momento que passa, as coisas que eram não são mais. Todas as coisas do mundo de fora, efêmeras, refletem-se em espelhos. Olhamos para a superfície do lago, espelho. Nele aparecem refletidas as nuvens, os ipês, o nosso rosto. E sabemos que são reflexos. Mas dentro de nós existe um outro mundo que está fora do tempo. Na memória ficam arquivadas as coisas que amamos e perdemos. Não existem mais, no mundo de fora. Mas são reais, no mundo de dentro. Na alma as coisas ficam eternas porque ela, a memória, é o lugar do amor. E o amor não suporta que as coisas amadas sejam engolidas pelo tempo. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

segunda-feira, 18 de maio de 2015

A BELEZA QUE ESTAVA ADORMECIDA EM VOCÊS (*)

Meu pai me empurrava para a engenharia mecânica, que ele achava a coisa mais importante do mundo. Pelo menos fiz o curso técnico de mecânica de autos no SENAI, aos 14 anos. E assim fui, achando que seria engenheiro. Depois mudei visceralmente de ideia. Resolvi ser violinista. Estudei muito, não decolei, eu não tinha talento. Norman Vincent Peale e Lair Ribeiro são enganadores: não é verdade que “querer é poder”. Por mais que a tartaruga reze, Deus não vai lhe dar asas para ela voar como Águia. O que nunca me passou pela cabeça é que algum dia eu seria escritor. Menino, eu gostava de ler. Adolescente, só lia os filósofos gregos e revista policial, especialmente Jacques Douglas, que era o terror da minha mãe. Virei escritor num estouro de pipoca. Independentemente de vontade, planos e preparo. Puro hobby. Não me perguntem como escrevo. Diotima, sacerdotisa que deu aulas de sabedoria a Sócrates, disse que todos nós estamos grávidos de beleza. A beleza está dentro da gente, querendo sair. E, de repente, chega a hora do parto e ela nasce. Assim aconteceu comigo, do jeito mesmo como acontece com a pipoca. Vivo repetindo àqueles que gostam das coisas que escrevo: “Vocês gostam do que escrevo porque o que escrevo faz despertar a beleza que estava adormecida em vocês”. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

domingo, 3 de maio de 2015

AS CANÇÕES DO ESQUECIMENTO... (*)

Ironicamente minhas canções do “ouvido” são saboreadas, hoje, apenas por meio de Sarah Brightman, Loreena Mckinnit, Vander Lee, Paulinho Pedra Azul, Legião Urbana, Ana Carolina e Marisa Monte. Para ouvir e escrever, em meus devaneios notívagos, aprecio Gheorge Zanfir, Debussy, Beethoven, Mozart e Secret Garden.“As Canções do Olvido” fogem à encantadora magia musical. Ainda que, música e literatura é uma simbiose perfeita. São fragmentos arrancados das Asas da Memória do mineiro-menino de Paracatu de antanho e do moço-velho de hoje. Cidades são pessoas e seus bairros, braços-tentáculos, coração, músculo, alma noturna, violência urbana gratuita, inapelavelmente, cruel. Meio século de vivência no planeta-escola. E as pessoas não mudaram a essência que as caracterizam: inveja, pré-conceito, pré-julgamento, ausência de ética. Continuam arrogantes, pretensiosas, autoritárias, vingativas, hedonistas, cruéis, sarcásticas, hipócritas e medíocres. Salvo raríssimas e honrosas exceções. E o século vinte e um é marcado pela inversão de valores, cujo epicentro é o cérebro guiado pelo reflexo condicionado às novas tecnologias que robotiza e coisifica. Quanto às drogas pululam por aí uma centena delas, atuando como fuga e válvula de escape. E o ser despersonalizado comete os piores abusos a si mesmo e inomináveis atrocidades contra pessoas inocentes e indefesas. A harmonia do planeta terra acabou: por conta do desmatamento liquidaram com os rios, as florestas, o cerrado, a fauna, a flora e os pássaros; e o clima? As estações estão em desequilíbrio e a temperatura até 2019 está prevista para os 50 graus. Em as “As Canções do Olvido”, confirmo que fui feliz e me senti realizado: minha infância em Paracatu, a adolescência em Anápolis, o alumbramento ao conhecer e morar no Rio de Janeiro e experimentá-lo; e a juventude, em Brasília, cidade na qual vivi o apogeu do aperfeiçoamento profissional e intelectual. Concernente aos amigos, intermináveis frustrações e traições dissimuladas. Guardo cicatrizes ocultas nas costas, por conta de incontáveis punhaladas. Ainda assim, agradeço o aprendizado e os perdôo. Sei que Dói, fere, machuca. Não há nada comparável ao perdão para sairmos de alma lavada de qualquer situação-limite. Meu estigma positivo: vim a este mundo para perdoar, amar e esquecer o mal que ousaram inutilmente me insuflar e, assim, viajo, sereno, através das Asas do Esquecimento. Afinal, o escritor é a antena do mundo e um inquestionável Lobo Solitário; o poeta, um Anjo visionário de Asas líquidas sobre a terra. O jornalista, como formador de opinião e comprometido com a Verdade, está constantemente contrariando os imbecis e sob a mira ameaçadora do “Sistema” e dos poderosos que o compõem. Fica fora do Esquecimento o Amor verdadeiro, incondicional e autêntico do meu pai e de minha mãe que estão, cumprindo novo ciclo, no Plano Infinito. São os autores de minha vida, devo a eles tudo o que eu sou. E na voz do silêncio do Esquecimento, aos que me torturaram e causaram perdas irreparáveis, o meu perdão. Sigo o exemplo e os passos do Mestre do Amor e da Sabedoria. Contudo, ninguém retira de mim “As Canções do Olvido”. Ainda que, os dispensáveis seres sombrios e rastejantes tenham dúvida, SER ESCRITOR é uma MISSÃO que o TODO-PODEROSO me concedeu. Prometo cumpri-la até o último dia de minha vida. Palavra de Autor!“As Canções do Olvido”, não serão ouvidas. Serão lidas pela minha “tribo cósmica” e o meu grupo de Leitores vorazes, leais e fiéis. (*) por EUGENIO SANTANA, Jornalista, Escritor, Ensaísta, Relações públicas, Publicitário e Analista de Marketing digital. Pertence à Academia de Letras de Uruguaiana-RS, UBE - União Brasileira de Escritores, SC/GO. Autor de seis livros publicados. Coordenador executivo da Sampa Publicidade Editora. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (34) 9241-3331 e 9775-6679

quarta-feira, 29 de abril de 2015

SABEDORIA: CAPACIDADE DE SABOREAR O MUNDO (*)

Conheço muitos testes de inteligência. Não conheço nenhum teste de sabedoria. É fundamental saber a diferença entre essas duas, inteligência e sabedoria, frequentemente confundidas. A inteligência é a nossa capacidade de conhecer e dominar o mundo. Ela tem a ver com o poder. A sabedoria é o êxtase de saborear o mundo. Ela tem a ver com a felicidade. As escolas se dedicam a desenvolver e avaliar a inteligência. Para isso desenvolveram testes. Os testes avaliam a inteligência dos alunos por meio de números. Mas elas nada sabem sobre a sabedoria, e nem elaboram testes para avaliá-la. Nas escolas e universidades, muitos idiotas são aprovados. A inteligência é muito importante. Ela nos dá os “meios para viver”. Mas somente a sabedoria é capaz de nos dar “razões para viver”. Muitas pessoas se suicidam porque, tendo todos os “meios para viver”, não tinham as “razões para viver”. Proponho-lhe um teste de sabedoria. Ele é muito simples. O seu aniversário está chegando. Você já não é mais jovem. O espelho lhe revela coisas que você não gostaria de saber. Diante de sua imagem no espelho existe sempre o perigo de que uma magia perversa aconteça, e você seja repentinamente transformado em bruxa ou ogro – tal como aconteceu com a madrasta de Branca de Neve. Em desespero, você invoca os deuses. Eles vêm em seu auxílio e lhe dizem que atenderão a um desejo seu, a um único desejo. Que súplica você lhes faria? Digo-lhe que essa seria a hora da pureza de coração, quando todos os supérfluos têm de ser deixados de lado. “Pureza de coração” – assim disse Kierkegaard, meu querido filósofo solitário, companheiro já morto; por vezes os mortos são companhia melhor que os vivos, porque falam menos e ouvem mais – pureza de coração, ele disse, “é desejar uma só coisa”. Digo que isso é sabedoria, mas pode parecer mais coisa de neurótico obsessivo, ficar querendo uma coisa só, o tempo todo. Você entenderá o que digo se você prestar atenção no voo dos pássaros. E, para ajudá-lo nesse dever de casa, transcrevo o que Camus pensou, ao observá-los. “Se durante o dia o voo dos pássaros parece sempre sem destino, à noite, dir-se-ia reencontrar sempre uma finalidade. Voam para alguma coisa. Assim talvez, na noite da vida...” O texto termina assim, com essas reticências que, segundo Mario Quintana, são o caminho que o pensamento deve continuar a seguir. Assim é o coração. Há momentos na vida em que ele é como o voo dos pássaros durante o dia: oscila em todas as direções, sem saber direito o que quer, ao sabor das dez mil coisas que o fascinam, tão desejáveis, cada uma delas uma taça de êxtase supremo. Chega um momento, entretanto, em que é necessário escolher uma direção – é preciso descobrir aquela palavra, aquela única palavra que dá nome ao nosso sofrimento, que nomeia a nossa nostalgia, para que saibamos para onde ir. Há um ditado que diz que a melhor comida é angu com fome. Que adianta o bufê servido com dez mil pratos se o corpo não deseja nenhum? Mas se existe a fome, feijão com arroz é uma alegria incontida. Felizes os que têm fome... Os poetas rezam sempre. Rezam porque a poesia é coisa que se escreve diante do vazio, mínima refeição de palavras para matar uma fome que não pode ser matada: A fome de viver. Os poetas sabem que é inútil que se comprem todas as coisas. Diferentemente daqueles que rezam para que Deus lhes encha a barriga, eles rezam para que nunca deixem de ter fome. Porque, se deixarem de ter fome, eles deixarão de ser poetas. Nada mais triste que um corpo sem desejo. Disso sabem muito bem os que amam. Vejam essa terrível oração de T.S. Eliot: “Salva-me, ó Deus, da dor do amor não correspondido, e da dor muito maior do amor correspondido”. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

terça-feira, 21 de abril de 2015

A SOLIDÃO DE SER DIFERENTE (*)

Parece que há em nós cantos sombrios que toleram apenas uma luz bruxuleante. Um coração sensível gosta de valores frágeis. Entre as muitas coisas profundas que Sartre disse, esta é a que mais amo: “Não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Pare. Leia de novo. E pense. E reflita. Você lamenta essa maldade que a vida está fazendo com você, a solidão. Se Sartre está certo, essa maldade pode ser o lugar onde você vai plantar o seu jardim. Nietzsche também tinha a solidão como sua companheira. Sozinho, doente, tinha enxaquecas terríveis que duravam três dias e o deixavam cego. Ele tirava suas alegrias de longas caminhadas pelas montanhas, da música e de uns poucos livros que ele amava. Eis aí três companheiras maravilhosas! Vejo, frequentemente, pessoas que caminham por razões de saúde, incapazes de caminhar sozinhas, vão aos pares, aos bandos. E vão falando, falando, sem ver o mundo maravilhoso que as cerca. Falam porque não suportariam caminhar sozinhas. E, por isso mesmo, perdem a maior alegria das caminhadas, que é a alegria de estar em sintonia com a Natureza. Elas não veem as árvores, nem as flores, nem as nuvens, nem sentem a asa do vento acariciar o rosto. Que troca infeliz! Trocam as vozes do silêncio pelo diálogo prolixo e vulgar. Se estivessem a sós com a natureza, em silêncio, sua solidão tornaria possível que elas ouvissem o que a natureza tem a dizer. O estar juntos não quer dizer comunhão. O estar juntos, frequentemente, é uma forma terrível de solidão, um subterfúgio para evitar o contato com nós mesmos. Sartre chegou ao ponto de dizer que “o inferno são os outros”. Eis o que Nietzsche escreveu sobre a solidão: “Ó solidão! Solidão, meu lar!... tua voz – ela me fala com ternura e felicidade! Não discutimos, não queixamos e muitas vezes caminhamos juntos através de portas abertas. Pois onde quer que estas, ali as coisas são abertas e luminosas. E ate mesmo as horas caminham com pés saltitantes. Ali as palavras e os tempos, poemas de todo o ser se abrem diante de mim. Ali todo ser deseja transformar-se em palavra, e toda mudança pede para aprender de mim falar”. Rainer Maria Rilke, um dos poetas mais solitários e densos que conheço, disse o seguinte: “As obras de arte são de uma solidão infinita”. E na solidão que elas são geradas. Foi na casa vazia, num momento solitário, que o operário viu o mundo pela primeira vez e se transformou em poeta. O primeiro filosofo que li, o dinamarquês Soeren Kierkegaard, um solitário que me faz companhia ate hoje, observou que o inicio da infelicidade humana se encontra na comparação. Experimentei isso em minha própria pele. Foi quando eu, menino do interior de uma cidadezinha de Minas Gerais, me mudei para o Rio de Janeiro que conheci as dificuldades. Comparei-me com eles: cariocas, perspicazes, bem falantes, ricos. Eu diferente, sotaque ridículo, gaguejando de vergonha, pobre: entre eles eu não passava de um patinho feio que os outros se compraziam em bicar. Nunca convidei nenhum deles a ir onde eu morava: no apartamento do meu tio, na rua Senador Vergueiro, no bairro do Flamengo. Eu não me atreveria. Conheci, então, a solidão. A solidão de ser diferente. E sofri muito. Nem sequer me atrevi a compartilhar com meus pais esse meu sofrimento. Seria inútil. Eles não compreenderiam. E mesmo que compreendessem, eles nada podiam fazer. Assim, tive de sofrer a minha solidão duas vezes sozinho. Mas foi nela que se formou aquele que sou hoje. As caminhadas pelo deserto me fizeram forte. Aprendi a cuidar de mim mesmo. E aprendi a buscar as coisas que, para mim, solitário, faziam sentido. Como, por exemplo, a musica clássica, a beleza que torna alegre a minha solidão... Sofra a dor real da solidão porque a solidão dói. (*) por EUGENIO SANTANA, escritor, autor de seis livros publicados, jornalista de mídia impressa, ensaísta, relações públicas, Analista de Marketing e self-made man. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 11 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Gibran, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico objetivando a autorrealização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e WhatSApp: (34) 9241-3331 (TIM)

segunda-feira, 6 de abril de 2015

AS RAÍZES CRESCEM PROFUNDAMENTE QUANDO OS VENTOS SÃO FORTES (*)

Uma breve seca pode ter um efeito devastador em uma safra de brotos que recebeu muita chuva. Porque durante as chuvas freqüentes, os brotos da plantação não precisam lançar raízes profundas no solo em busca de água. Se mais tarde ocorrer uma seca, as plantas com raízes curtas logo vão morrer. Não tente dar um jeito no sofrimento de todas as pessoas. Para alguns, esta é uma ordem difícil de obedecer, porque somos inclinados a tentar dar um jeito em tudo. Gostamos de tornar as coisas mais fáceis para os outros, principalmente para aqueles que amamos, como nossos filhos. Queremos protegê-los e resguardá-los e, se possível, poupá-los da dor. Se existir uma maneira de sofrermos no lugar deles, nós o faremos, com alegria. Mas, se tentarmos fazer isso, eles aprenderão cada vez menos. Não devemos poupá-los das lições que a vida oferece. Deixe que aconteça. Deixe fluir. Com certeza, precisamos apoiá-los e permanecer ao lado deles, mas não tentar resolver os problemas deles. Como o título deste livro diz: “Ventos fortes, raízes profundas”. Ensurdeça um gênio compositor, e você tem um Ludwig Van Beethoven. Chame-o de alguém com dificuldade de aprendizado, “retardado” e rotule-o como incapaz, e você tem um Albert Einstein. Eduque-o em uma situação miserável, e você tem um Abraham Lincoln. Derrube-o com paralisia infantil e ele se torna Franklin Roosevelt. Enterre-o na neve de Valley Forge, e você tem um George Washington. Todas essas situações se incluem na categoria das lições duramente ensinadas nas salas de aula da dor. Devemos aprender a respeitar as lições duramente ensinadas porque descobriremos que é na bigorna da dor e da enfermidade, do sofrimento e da injustiça que se forja o caráter. Somente os que têm raízes profundas são capazes de suportar os ventos fortes. (*) por EUGENIO SANTANA, Escritor, Jornalista, Ensaísta, Copidesque, Revisor de textos, Relações públicas e Analista de Marketing. Autor de seis livros publicados. Sócio efetivo da Academia Cachoeirense de Letras (ACL) e da União Brasileira de Escritores (UBE). E-mail: eugeniosantana9@gmail.com – WhatSapp: (34) 9241-3331

sábado, 28 de março de 2015

AMOR(TALIDADE) (*)

Contenção do processo de envelhecimento escondendo a maior parte de seus sinais visíveis. “Amortalidade” é uma palavra cunhada em 2009 pela jornalista americana Catherine Mayer para descrever a tendência crescente dos homens e mulheres ocidentais de disfarçarem e, em certo grau, adiar o processo normal de envelhecimento. Assim, cada vez menos pessoas de meia-idade e idosas exibem os sinais externos do declínio físico, ocultos sob bronzeados artificiais, disfarçados por tratamentos com Botox e, em casos extremos, removidos por cirurgia plástica. Os ricos não terminam mais suas vidas como William Shakespeare propôs em forma de verdade universal em sua peça Como gostais (c. 1599): “Sem dentes, sem visão, sem gosto, sem nada.” Os dentistas dão aos octogenários sorrisos de adolescente. A cirurgia a laser restaura a visão de pessoas que sem ela estariam funcionalmente cegas. O Viagra sustenta a libido dos homens bem depois de passarem da terceira idade de Shakespeare. Nenhuma dessas intervenções evita que as pessoas morram: elas se tornam amortais, mas não imortais. A característica definidora dos amortais é que vivem da mesma forma do final da adolescência até a morte, constantemente combatendo os sinais externos da decadência. (*) Jornalista e Escritor EUGENIO SANTANA – Registro MTb 1319/JP. Autor de seis livros publicados – O encantador de leitores vorazes, estrelas, celebridades, pérolas, esmeraldas, rubis e diamantes...

GERAÇÃO COISIFICADA E ROBOTIZADA (*)

Vivemos bombardeados por informação o dia todo, em todos os lugares. São os meios de comunicação, especialmente os aparelhos celulares que nos conectam com pessoas que nem conhecemos, com locais que nunca visitamos. E são jornais, televisões, outdoors, palavras, palavras, palavras... Mundo barulhento, vida corrida, e todos nós precisando de um pouco de silêncio para nos ouvir, pensar nas decisões que vamos tomando, a maior parte das vezes, sem qualquer análise, por falta de tempo. Muito perigoso viver dessa forma, pois para cada atitude geramos uma conseqüência e sem reflexão consciente, podemos estar sendo influenciados pela opinião da maioria, pela voz das ruas, que necessariamente pode não ser a nossa. Lembro-me da época em que os telefones não eram tão disponíveis, as ligações interurbanas muito difíceis, não havia celular, mas sobrevivíamos. Pessoas se relacionavam com outras de estados ou países distantes, pois o que une, nem sempre são as palavras, mas o sentimento, a vibração emitida por ambos. Hoje todos nos falamos muito, excessivamente, mas será que nos comunicamos melhor? Esta compulsão por clicar o celular melhorou as relações entre as pessoas? Se entrarmos em qualquer local público, é impressionante o número de pessoas que estão presas ao celular. Não percebem sequer quem está passando ao lado, as de verdade, não as imaginadas. Verdade que hoje em dia temos acesso a qualquer informação, através da internet - para o Bem ou para o Mal. Com tanto conhecimento, será que estamos deixando de avaliar questões primordiais, tais como: o que estou fazendo neste planeta? Quem sou eu, na realidade? Por que não me encontro feliz comigo mesmo? O que pretendo realizar nesta vida? Enfim, tantos números, tantas palavras, tantas fisionomias, tantos "amigos" nas redes sociais... Será que tenho mesmo um amigo? Alguém com quem possa ser eu mesmo, de quem possa receber um incentivo sincero, uma orientação proveitosa? Alguém que não precise de palavras pra me dizer o que sente, mas cujo olhar diga tudo que preciso saber? É um fenômeno assustador este. E que se alastra rapidamente. Não somos seres robotizados, mas espíritos estagiando num corpo físico. Sentimento e emoção é nossa essência. Somos Amor e pra amar existimos. Se a vida corre e não nos damos chance de conhecer, de abraçar, de trocar uma olhar carinhoso, de beijar alguém que muitas vezes esteve sempre ao nosso lado - mas que não percebemos - substituindo tudo isso por uma fantasiosa conversa pela internet, acho que corremos o perigo de chegarmos ao dia da partida com as mãos vazias e o coração triste. Uma conspiração terrível está ocorrendo e é preciso uma tomada de consciência. Não que a gente deixe de usar a internet, mas que a gente se defenda dela, pra não se perder. Entre os mais jovens, a exposição é terrível! Com a postagem de fotos na internet, fica fácil conhecer qualquer pessoa, principalmente aquela que a gente tem curiosidade de saber como é, pois no momento é alguém que me ameaça, num relacionamento. As pessoas, sem perceberem, se colocam alvos da inveja, da vibração doentia de muitos. Fica fácil, após uma curta pesquisa, saber do que gosta, o que faz, onde vive, com quem se relaciona. Será que isto é bom? Num mundo em crise de valores, ser visto e analisado por tantas pessoas diferentes não acredito que traga resultados positivos. E o pior - a gente fala, alerta e de nada adianta. Está virando um vício olhar o celular. Acreditem que fui testemunha de gente que escreve mensagens enquanto dorme - acho que devem ser sonâmbulas. O que importa perceber é que nem dormindo se desligam do "companheiro". Triste mundo o nosso, onde estamos tão carentes de um sorriso, de um caloroso aperto de mão, de um abraço apertado e sincero, que diminuam a dor de conviver com tanta violência e tanta tristeza, e tudo isso é trocado por uma mensagem fria, muitas vezes fingida, num celular. E o Amor é que poderia nos salvar! Ao diminuir a violência, a desesperança, o vazio existencial... Andamos como humanidade no caminho oposto - correndo, nos afastando de nós mesmos e do encontro real com o outro que nos espera, como nós a ele! Um pouco de silêncio... Calma, atenção, ao que se passa em nós e em torno de nós! Pra que o Amor possa nos alimentar e fazer nossos dias valerem a pena. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, publicitário, copydesk, revisor de textos, autor de livros publicados, consultor e relações públicas.

sexta-feira, 27 de março de 2015

UM SONHO COM O JARDIM CÓSMICO (*)

Faz de conta que sua alma é um útero. Ela está grávida. Dentro dela há um feto que quer nascer. Esse feto que quer nascer é o seu sonho. Quem engravidou sua alma, eu não sei. Acho que foi um ser de um universo paralelo... Imagino que o tal big-bang a que se referem os astrônomos foi Deus ejaculando seu grande sonho e soltando pelo vazio de milhões, bilhões, trilhões de sementes. Em cada uma delas estava o sonho fundamental de Deus: um jardim, um paraíso... Assim, sua alma está grávida com o sonho essencial de Deus... Mas toda semente quer brotar, todo feto quer nascer, todo sonho quer se realizar. Sementes que não nascem, fetos que são abortados, sonhos que não são realizados transformam-se em demônios dentro da alma. E ficam a nos atormentar. Aquelas tristezas, aquelas depressões, aquelas irritações – vez por outra elas tomam conta de você – aposto que são o sonho de jardim que está dentro e não consegue nascer. Deus não tem muita paciência com pessoas que não gostam de jardins... Os jardins começaram a ter para mim um sentido poético e espiritual. Percebi que a Bíblia Sagrada é um livro construído em torno de um jardim. Deus se cansou da imensidão do céu e sonhou... Sonhou com um... Jardim. Se ele – ou ela – estivesse feliz lá no céu, ele ou ela não teria se dado o trabalho de plantar um jardim. A gente só cria quando aquilo que se tem não corresponde ao sonho. Todo ato de criação tem por objetivo realizar um sonho. E quando o sonho se realiza vem a experiência de alegria. O mais alto sonho de Deus é um jardim. Essa é a razão porque no Paraíso não havia templos e altares. Para quê? Deus andava pelo meio do jardim... Uma coisa eu garanto: não foi ideia dele. Seria bonito se as religiões, em vez de gastar dinheiro construindo templos e catedrais, usassem esse mesmo dinheiro para fazer jardins onde, evidentemente, crianças, adultos e idosos poderiam balançar e tocar os pés nas folhas das árvores. Ninguém jamais viu Deus. Um jardim é o seu rosto sorridente... (*) EUGENIO SANTANA, Jornalista e Escritor. Pertence à Academia Cachoeirense de Letras (ACL), à UBE - União Brasileira de Escritores, ADESG, AMORC e ao Greenpeace. Autor de livros publicados. Gestor e fundador da Hórus/9 Editora, da Revista Panorama Goiano, do jornal Verbo-pássaro, do Blog Guardião da Palavra e da ONG Neuroforiazul. Atualmente, é Analista de Marketing na Editora Saúde Total. E-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com - WatsApp: (61) 8212-3275 e 8529-6482