segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

OS SMARTPHONES ISOLAM AS PESSOAS E DIFICULTAM A COMUNICAÇÃO DIRETA E PESSOAL (*)

Obviamente a culpa não é do celular. Mas da atendente na padaria, que alegre fala no seu celular, enquanto me serve. Ou do homem de negócios no aeroporto, que sacode rapidamente a mão do seu amigo que acabou de chegar e continua telefonando, impassível. Não que eu possa renunciar ao celular. Mas tento ser rápido e discreto. Eu não quero me parecer com o fariseu do Evangelho de Mateus, que para rezar precisava de testemunhas e por isso rezava em público, possivelmente em voz alta e por bastante tempo. Recolham-se. Rezem em casa, Jesus ensinou a essas pessoas: Não se dêem tanta importância. Será que falar alto ao celular a todo o momento não é um modo de demonstrar importância? Pode ser. Essa poderia ser uma explicação para o vício do celular, que os psicólogos e os pesquisadores do consumismo constatam entre os jovens. O que me perturba nas pessoas com celular que falam nas ruas ou no restaurante com o olhar fixo à frente é principalmente o fato de elas darem a entender aos semelhantes: vocês não contam para nada. Para mim, vocês não existem. Podem tranquilamente ouvir tudo, isso me é totalmente indiferente. Eu sou o ponto central do mundo e vocês são apenas estatísticas. Acredito que nosso mundo, se tornou mais frio, menos amigável por isso. (*) EUGENIO SANTANA é jornalista, escritor, ensaísta, consultor e relações públicas – Encantador de pérolas, esmeraldas e diamantes...