sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O LUGAR PLANETÁRIO DO AMOR (*)

Noruega não é a mesma coisa que Nigéria, embora figurem no atlas e no dicionário, comecem com N, terminem com a, e tenham ambas sete letras. As duas estão no planeta: uma, localizada na Europa, conta com cinco milhões de habitantes e sua renda “per capita” é de 35 mil dólares. A outra está situada na África, povoada por 130 milhões de seres que distribuem escassamente entre si os quatrocentos dólares anuais por cabeça do produto bruto. São muitas as diferenças que nos separam no Planeta Azul; entretanto, mais capitais são as razões para a unidade. Em cada casa, bairro, vila, aldeia, distrito ou continente, as fronteiras fragmentam os pequenos territórios do isolamento e impedem a sinergia do conjunto, mas subjaz a unidade da condição humana e a orquestração universal da vida em si, sem cercas divisórias nem lutas por recursos. Ambos os países inauguraram o novo milênio com idênticas necessidades de auto-realização, mas com acentuadas diferenças de recursos, clima e sonhos. Trata-se das muitas indignidades planetárias dos velhos séculos, ainda vigentes, e que se multiplica em cada país, incluindo o Brasil – que possui o rótulo de emergente. Chiara Lubich, com o movimento dos focolares, espalhado pelo mundo, afirma “que toda nossa vida não é nada mais que procurar e encontrar o lugar do coração”, que não é a mesma coisa que consultar o cardiologista. Toda palavra que não se abra sobre o silêncio se faz ideologia, fundamentação teórica, esquema político, norma ou slogan para discurso de ocasião. O silêncio será a linguagem universal. A tradição monástica fala de “hesicasmo”, silêncio de união, que permite fazer comunhão com todas as coisas. A consciência então descende, ou ascende, ao coração, por fim encontra o lugar. Monge é aquele que, separado, está unido a todos. “Seja amigo de todos, mas em seu espírito permaneça sozinho”. Jesus, mestre que perdoa, expressou oportunamente a dificuldade que tinha para encontrar o lugar onde repousar sua cabeça. Nem no mapa nem no dicionário pode-se chegar a encontrar o lugar do amor, tampouco no templo nem em nenhum evento especial. O silêncio apropriado nos visita às vezes quando a disponibilidade interna é alta, quando o coração solidário oferece sem reservas o bom tratamento da unidade, quando o sagrado nos visita. O novo milênio é o reino da quinta dimensão. O lugar planetário do amor.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, autor de livros publicados e jornalista de mídia impressa. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio efetivo da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos nove anos já lia Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico com o propósito de auto-realização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato via e-mail: autoreugeniosantana9@gmail.com, Smartphone/Whatsapp: (61) 8212-3275 (TIM)