quarta-feira, 22 de outubro de 2014

NOSSO CAMINHO EM MEIO À NÉVOA (*)

TODA EXISTÊNCIA É UMA TRILHA a ser percorrida por cada pessoa. Ninguém pode fazer isso por nós, porque o caminho não está marcado no mapa; nós o construímos pouco a pouco, passo a passo, com nossas decisões e ações. O essencial é avançar, como o barco que deixa seu rastro entre as ondas. Se a embarcação pára, o rastro desaparece. Nesse caso, viveríamos uma existência sem rumo. O caminho da vida está cheio de mistérios, luzes e sombras. Não obstante, o maior mistério é descobrir quem somos nós próprios. Além de buscar o amor, o sucesso, a realização e o bem-estar, para que nossa experiência como seres humanos seja completa devemos nos encontrar traçando nosso próprio caminho. Contudo, estamos tão acostumados a que nos indiquem o caminho, nos marquem os pontos a seguir, nos digam “é por aqui”, que traçar um rumo particular pode nos deixar inseguros. Faz-se a estrada ao andar e vive-se a vida ao vivê-la, não ao contemplá-la. Se nossa experiência se transforma em algo passivo, que outros estabelecem por nós, nunca conheceremos a liberdade de ser quem realmente somos nem os benefícios da peregrinação ao nosso verdadeiro eu. Não deixaremos nem sequer um rastro próprio, porque iremos atrás de outra pessoa e o rastro dela será o nosso. Por isso é necessário traçar nossa rota, errar, corrigir, sentir medo e superá-lo. Conheceremos a nós mesmos a cada passo, descobriremos nossos sonhos, nossas motivações. E assim teremos a satisfação de criar nossa própria vida. Peregrinar em direção a si mesmo significa enfrentar sozinho as próprias contradições. É provável que erremos o traçado, que a trilha se bifurque ou se perca por uma zona pantanosa. Isso muitas vezes nos assusta e nos paralisa. Mas, se soubermos escutar nossa voz interior, encontraremos novamente nosso caminho em meio à névoa. O antropólogo Carlos Castañeda dizia que, quando nos encontramos diante de uma encruzilhada, escolhemos o caminho que “tem coração”, isto é, o que instintivamente sabemos ser o correto. Em certas ocasiões ficamos em silêncio, imóveis, porque não sabemos o que fazer com nossas vidas. Isso acontece, por exemplo, quando vivemos uma crise emocional, um rompimento amoroso, o fim de um ciclo ou a demissão de um emprego; são situações que alteram o rumo de nossa vida e provocam uma pausa em algum processo. O importante é não deixar parar o motor, não ficarmos na sarjeta, indecisos, sem saber o que fazer. É preciso enfrentar as situações sem afundar nelas. Se tomamos decisões equivocadas para chegar até aqui, não podemos apagar o caminho já percorrido, mas sempre temos tempo de fazer uma curva que nos coloque de volta na trilha de nossos sonhos.
(*) EUGENIO SANTANA é escritor, autor de livros publicados e jornalista de mídia impressa. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas, sócio efetivo da UBE – União Brasileira de Escritores. Aos 9 anos comecei a ler Aristóteles, Spinoza, Platão, Schopenhauer, Freud, Jung, Nietzsche, Hermann Hesse, Krishnamurti, Shakespeare e Rousseau. Escrevo e publico com o propósito de auto-realização dos meus leitores. Busco a Transcendência por meio da Literatura. Escrever é a minha Missão. Contato: via e-mail autoreugeniosantana9@gmail.com e Smartphone/WhatSapp: (61) 8212-3275 (TIM) e 9995-5412 (Vivo)