sábado, 6 de setembro de 2014

MEMORIA ALADA (*)

Encheram a ampulheta com areia ressequida e o relógio do tempo começou a marcar. Os ponteiros são imaginários e os minutos também. A terra escorrega de encontro ao espaço vazio e os últimos serão os primeiros. As grandes árvores farão sombra e as ervas daninhas não poderão explodir as sementes. Perecer é o destino dos pequenos e fracos que vivem distantes da luz. Hoje os que estão no cimo, amanhã estarão na base. Só as idéias criativas têm o poder de ocupar o vazio. Lancei mão do buril e desgastei as arestas da memória alada do tempo. Nos ombros suportei um fardo tão pesado quanto a soma de todos os dias. Cheguei a ouvir os gemidos de Jo...
(*) Escritor e Jornalista Eugenio Santana