sábado, 22 de fevereiro de 2014

O VÔO DO TEMPO (*)

Nosso cérebro funciona de forma inteligente, evitando fazer duas vezes o mesmo trabalho. Naturalmente, identifica e classifica experiências repetidas dando respostas de forma automática, as quais se expressam como reações-padrão. Ao vivenciarmos uma experiência nova, o cérebro utiliza muita energia e recursos para elaborar o que está acontecendo. Esse processo nos faz sentir mais vivos, por isso, os novos desafios são tão estimulantes. Quando estamos aprendendo a dirigir um carro, parece-nos tarefa difícil, o nível de adrenalina em nosso sangue sobe, nossa atenção consciente é utilizada ao máximo. Porém, a maior parte dos pensamentos de um adulto é automatizada, processa-se de forma inconsciente. Um motorista experiente chega inteiro ao trabalho todos os dias pela manhã, porém, não se lembra do percurso realizado até seu local de destino. Isso acontece porque o cérebro simplifica o processo, usando as experiências vivenciadas. A memória já registrou o conteúdo das placas, a marcha que deve ser utilizada, e a rota a ser percorrida. A mente não teve que parar e processar essas informações já conhecidas, todo o comportamento ocorreu de forma automática. Desta forma, fica a impressão de não se ter vivenciado aquela experiência. Com a maturidade, a quantidade de registros gravados na memória aumenta em nossa vida; há escassez de novidades, passamos repetidamente pelas mesmas ruas, temos contato com as mesmas pessoas, problemas e reclamações. O que traz a sensação de termos vivido intensamente a vida são as novas experiências, tudo aquilo que quebra a nossa rotina, fazendo com que a mente saia do automático e pense de forma criativa. Uma forma de identificar se há repetições em excesso em sua vida é perceber se existe aquela desagradável sensação de que não houve novidades na semana, ou mesmo durante um ano inteiro. Sua percepção é de que o tempo passa voando, pois não há nada de novo para pontuar os acontecimentos, o tempo é vivenciado acessando registros mentais de forma automática. A dica eficiente para solucionar esse problema é mudar a rotina e inovar os acontecimentos usuais, alimentando o cérebro com novidades constantes. Iniciar o aprendizado de uma nova língua, criar novas rotas para chegar ao mesmo destino, tirar férias sempre em lugares diferentes, usar roupas diferentes, cozinhar uma nova receita, criar novas situações e contatos.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da União Brasileira de Escritores de Goiás e Santa Catarina e autor de cinco livros publicados, entre os quais “INFINITOEFÊMERO”, de autoconhecimento, autorrealização e motivação. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9256-7754