sábado, 8 de fevereiro de 2014

DE VOLTA À ORIGEM (*)

Somente depois de ter andado por terras estranhas é que pude reconhecer a beleza de minha morada e do meu ponto de Luz. A ausência mensura o tamanho do local perdido, evidencia o que antes tornou-se oculto, por força do costume. Abri o portão principal cinza como quem abria um cofre que resguardava valores incomensuráveis. Olhei longamente minha Mãe como se fosse a primeira vez. Olhei como se voltasse a ser criança pequena e estivesse a descobrir-lhe as feições maternas mais sutis. As vozes e os ecos do passado estavam reinaugurados. Deitei-me em seu colo como se quisesse realizar a proeza de ser gerado de novo. Enquanto suas mãos desenhavam ternuras sobre os meus cabelos ralos, um outro movimento atingia minha alma alada e imolada. Mãos com poder de sutura existencial. Mãos de Luz que curam. Alinhavos de que os dedos amarravam, enquanto o calor daquele colo me devolvia ao meu porto seguro. De suas mãos um segredo se desprendia, uma voz delicada que só o amor nos proporciona ouvir. ‘dorme meu filho, dorme, porque enquanto você dormir eu o farei de novo. Dorme meu filho, dorme. ’
(*) Minha Viagem em março de 2011, retornando do Rio de Janeiro sozinho para Anápolis, em meu carro, onde eu trabalhava como jornalista, no cargo de Superintendente de Imprensa.