domingo, 12 de janeiro de 2014

VIDA EFÊMERA (*)

A maior parte dos mortais, Tatiana, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com a perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona. No entanto, como se imagina, não apenas o comum dos mortais ou a massa ignorante sofre desse mal geral, pois, ao afetar também os homens cultos, seus efeitos geram muitos lamentos. Por isso, aquela expressão do pai da medicina: “A vida é breve, a arte, longa”. Por isso, o intento de Aristóteles (não próprio de um homem sábio) com a Natureza, exigindo um mínimo de equidade: “A Natureza concede aos animais um tempo de vida tal, que lhes permite ver passar cinco ou dez gerações; ao homem, nascido para realizar muitas e grandes coisas, fica um limite mais breve”. Não temos exatamente uma vida curta, mas desperdiçamos uma grande parte dela. A vida, se bem empregada, é suficientemente longa e nos foi dada com muita generosidade para a realização de importantes atividades. Ao contrário, se desperdiçada no luxo e na indiferença, se nenhuma obra é concretizada, por fim, se não se respeita nenhum valor, não realizamos aquilo que deveríamos realizar, sentimos que ela realmente se esvai. Desse modo, não temos uma vida breve, mas fazemos com que seja assim. Não somos privados, mas pródigos de vida. Como grandes riquezas, quando chegam às mãos de um mau administrador, em um curto espaço de tempo, se dissipam, mas, se modestas e confiadas a um bom guardião, aumentam com o tempo, assim a existência se prolonga por um largo período para o que sabe dela usufruir.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, da Academia de Letras do Noroeste de Minas, é escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker; self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”. Ex-Revisor de textos jornalísticos do jornal “Diário da Manhã”, Goiânia-GO e Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). É Gestor de Conhecimento, em sua própria empresa, a Hórus/9 Editora, fundada em Brasília, 1989, objetivando projetos culturais e editoriais junto ao Ministério da Cultura. Contato: e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090