terça-feira, 28 de janeiro de 2014

OS MAIORES DEVERIAM SERVIR AOS MENORES (*)

Houve um homem que viveu há muitos séculos e que não apenas teve uma inteligência fascinante, mas também uma personalidade misteriosa. Ele conquistou uma fama indescritível. O mundo comemora seu nascimento. Suas idéias foram tão impressionantes que dividiram a História. Ele teve todos os motivos para ter depressão e ansiedade. Sua memória poderia estar saturada de zonas de conflito, mas ele foi livre, feliz, seguro e sábio. Seus inimigos ficavam perplexos diante da sua inteligência inigualável. Ele viveu a mais elevada inteligência lógica, emocional, espiritual e multiforme. Era uma pessoa tão deslumbrante e agradável que até seus inimigos faziam plantão para ouvi-lo. Alguns poderão achar que, pelo fato de ser o filho de Deus, ele não serve de exemplo para nós! Mas eu o estudo como um homem que participou de festas, chorou, sofreu, foi humilhado, procurou amigos, passou pelo caos físico, social e emocional. Jesus Cristo foi apaixonado por sua condição humana. Usava uma expressão que nunca vi alguém usar. Dizia orgulhosamente: “Eu sou o filho do homem!” Jamais analisei uma pessoa tão segura num ambiente ameaçador. Nunca investiguei alguém como ele, que soube navegar nas águas profundas da emoção e fazer dos solos de sua memória um campo fértil de flores. O jardineiro da vida era tão magnífico que preferiu ser preso num jardim, no jardim do Getsêmani. Milhões de pessoas visitam até hoje esse jardim em Israel. Apesar de ter muitos opositores, ele gerenciou seus pensamentos e transitou com tranqüilidade pelos sinuosos labirintos de Jerusalém. Ninguém roubava a sua serenidade. Ele considera cada ser humano um ser insubstituível. Por isso, para a nossa admiração, ele era capaz de colocar sua vida em perigo não apenas para defender uma multidão, mas até mesmo uma prostituta, e ainda por cima desconhecida. Fez não apenas dos grandes seus amigos, mas também dos leprosos e desprezados. Ao seu lado, os miseráveis encontravam conforto para sua alma. Eles exultavam, saíam correndo como meninos, ganhavam um novo sentido de vida. O mundo conspirava contra ele, mas, em vez de ficar perturbado, era possível encontrá-lo jantando na casa de amigos íntimos. Seus discípulos, que eram especialistas em navegação, se desesperavam quando o mar estava bravio, mas era possível achá-lo dormindo dentro de um barco. Sem dúvida ele foi “o mestre da emoção”. Qualquer cético que investigá-lo ficará surpreso. Seus comportamentos não têm precedente na História. Nunca impôs o que pensava. Jamais pressionou alguém a segui-lo. Ele apenas convidava as pessoas a beberem da sua sabedoria e compreenderem seu plano transcendental. Diferente de todos os poderosos, quem quisesse segui-lo e caminhar pelo labirinto em que ele caminhava tinha de aprender em primeiro lugar a linguagem do amor. Numa terra em que os homens se odiavam e a vida valia tão pouco, ele discursou sobre a revolução do amor. Elevou a autoestima dos seus íntimos num patamar incompreensível para a psicanálise. Gritava altissonante: “Amai o próximo como a ti mesmo!” Para amar o próximo era preciso primeiramente amar intensamente a vida que pulsava em si mesmo. Os que o seguiam, portanto, não sentiam tédio e vazio existencial. A vida era uma aventura sublime para eles. O mestre dos mestres teve uma pedagogia superior à das ciências da educação da atualidade. Foi um contador de histórias encantador. Com poucas palavras, ensinava coisas fundamentais para a existência humana. Utilizava com incrível habilidade os papéis da memória. Sabia que o registro era automático, que a qualidade da emoção determinava a qualidade do registro e que a memória não podia ser deletada, só reeditada. Por isso, em vez de usar milhares de palavras para ensinar as funções mais importantes da inteligência, utilizava gestos surpreendentes que marcavam para sempre a memória dos seus discípulos. Foi um mestre inesquecível, suas palavras e seus gestos atravessaram gerações. Queria que seus discípulos trabalhassem em equipe, não vivessem uma competição predatória, refinassem a arte da solidariedade e aprendessem a se doar uns aos outros. Almejava algo aparentemente absurdo para o nosso individualismo: que os maiores servissem aos menores. Como ensinar o que as universidades nunca conseguiram com milhões de informações? Como ensinar algo que contraria a cultura humana, pois sempre os menores serviram aos maiores? Para dar essas lições, ele teve a coragem e o desprendimento de sair da sua zona de conforto. Milhares de pessoas se prostravam aos seus pés, mas, para a surpresa de todos, ele se prostrou aos pés daqueles homens humildes para, com seu gesto, dar-lhes essas lições. Entrou profundamente no labirinto da escola da vida como ninguém havia penetrado antes.
(*) Copydesk/Fragment by EUGENIO SANTANA, membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas, escritor, jornalista, assessor de comunicação, relações públicas, copydesk, verse maker e self-made man. Sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e autor de cinco livros publicados, entre os quais “InfinitoEfêmero”, de autoajuda. Ex-Superintendente de Imprensa no Rio de Janeiro, RJ (2009/11). e-mail: eugeniosantana9@uol.com.br (34) 9297-6090