quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

AMOR PERFEITO? SÓ NOS JARDINS (*)

O único amor-perfeito que conheci ao longo de minha vida foi nos jardins. É uma florzinha miúda que tem uma beleza simples e que requer muito cuidado. O outro amor perfeito só existe nos livros r nas histórias das fadas. O mito do amor romântico parece fortalecer nas culturas o desejo que o ser humano tem de encontrar seu no seu mundo exterior a solução para suas imperfeições. É quase camuflagem. Desejosos de curar a consequências de nossas precariedades, passamos a buscar nas coisas, nas pessoas e nas situações, o remédio que sanaria nossas incompletudes. Amar não é cultivo de perfeição, mas o contrário. É empenho de superação de limites. É cultivo constante que nos aproxima da realidade e que nos capacita para continuar desejando que o outro continue ao nosso lado. Amar é exercício de descobrir o que o outro tem de mais precioso, mas também de mais vergonhoso. Amores perfeitos só existem nas projeções. Ou nos jardins.
(*) EUGENIO SANTANA é mineiro da cidade de Paracatu, Ciências Econômicas-DF, Técnico em Jornalismo-SP, Publicitário ESPM-SP, Técnico em Contabilidade-DF. Jornalista, Escritor, Relações públicas, Assessor de Comunicação. Pertence a ADESG-DF, a Academia Cachoeirense de Letras (ACL), e a UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores. Autor de cinco livros publicados.