segunda-feira, 29 de abril de 2013

REFLEXÕES DE UM CÉREBRO GULOSO E ÁVIDO (*)

O AUTOR inglês Anthony Storr, morto em 2011, era um médico apaixonado por artes, versado em psicanálise e biologia evolutiva e membro da Real Academia de Psiquiatria e da Real Sociedade de Literatura. Investiga em seu último livro, “A DINÂMICA DA CRIAÇÃO”, ensaio que estimula e move a criatividade humana por meio da análise da biografia de alguns gênios e de evidências que lhe permitem defender que a vontade e a necessidade de criar (seja na arte, seja na ciência) são reflexos de um cérebro guloso por informações e ávido por resolver dilemas internos. O especialista parte de uma crítica a Sigmund Freud, que considerava as aspirações e o trabalho dos artistas mera utopia, forma de fuga da realidade ou subliminar traumas da infância e insatisfações sexuais. Storr desmonta esse reducionismo argumentando que muitas mentes brilhantes foram bem casadas e amadas e que “foi com sua criatividade, tanto na arte como na ciência, que o homem sobreviveu e alcançou tanta coisa”. A partir disso, ele se volta a analisar perfis psicológicos que favorecem o nascimento de um gênio. Pessoas esquizóides, por exemplo, são aquelas mais isoladas do contato social e que recorrem a um alto grau de abstração para dar ordem ao seu mundo interno. Quem foi assim? Einstein e Newton, os homens que revolucionaram a Física. Outros perfis, como o depressivo (Michelangelo e Balzac) e o obsessivo (Rossini), são analisados, apontando que características herdadas da infância produzem cérebros inquietos capazes de parir obras extraordinárias. Mas Storr não fica só na cabeça dos gênios. Voltando à biologia, postula a hipótese de que o motor da criatividade do homem é construído pela sua infância prolongada, período em que o ser humano vive insatisfeito pela sua falta de compreensão e independência – nenhum outro animal tem uma infância tão longa quanto a nossa. Esse germe de descontentamento perpetua-se em nossa mente pela vida inteira e só pode ser apaziguado por meio de soluções simbólicas: brincar, jogar, apreciar obras de arte e, claro, criar. Em alguns, essa necessidade é mais pungente, de maneira que ela faz brotar ou perseguir idéias e concepções originais. O psiquiatra faz questão de lembrar, no entanto, que, embora a loucura, ou melhor, as neuroses espreitam o gênio, só se tornam grandes criadores aqueles que mantêm um pé na realidade. (*) EUGENIO SANTANA é Jornalista MTb 1319, escritor, consultor, ensaísta, copidesque, publicitário, relações públicas. Autor de cinco livros publicados. É membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas. Sócio da UBE-GO/SC; Professor de Português e Literatura, anos 80, ”Colégio Santa Rosa”, Jaraguá, GO. Ator de teatro, anos 80, Anápolis, GO. Integrante, anos 90, do “Grupo Zaragata”, de teatro e literatura, Joinville, SC. Autodidata. Self-made man. Superintendente de Jornalismo, Rio de Janeiro, RJ (2009/2011)