terça-feira, 9 de abril de 2013

PARA SEMPRE ARTHUR RIMBAUD! (*)

RIMBAUD está vivo. Rimbaud é um fenômeno literário que não morrerá em nossa memória. Rimbaud é um marco zero na história da Literatura. Sua radicalidade, que o levou à renúncia e ao silêncio, merece um tributo especial e uma reflexão permanente. Os poetas e os escritores do século XX, os surrealistas, os beatniks, os hippies, os jovens rebeldes – todos lhe são devedores. SULCOS – À direita a aurora de verão desperta as folhas, os vapores, e os rumores deste meandro do parque, e as vertentes da esquerda mantêm em suas sombras violáceas, os mil velozes sulcos da úmida senda. Desfile de encantamentos. De fato: carros carregados de animais de madeira dourada, de mastros e telas pintadas de cores mescladas, no grande galope de vinte cavalos circenses jaspeados, e as crianças e os homens, nos mais surpreendentes animais montados; - vinte veículos, floridos e enfeitados como as carruagens antigas ou de contos, abarrotadas de crianças adornadas para uma pastoral suburbana; - e até mesmo, os ataúdes sob seus noturnos dosséis, erguendo os penachos de ébano, desfilando ao trote de grandes éguas azuis e negras. Eu teria gostado de mostrar às crianças Botos de ouro, peixes cantantes, polvos. Escamas de flores ritmavam minhas danças, Dos ventos tive asas e momentos de vôos. Livre,ofegante, cavalgado por neblinas, Eu que furava o muro dos céus avermelhados, Que traz o que seria delícia dos poetas Os liquens do sol e fungos celestiais; Vi arquipélagos siderais e ilhas Cujos céus delirantes abriam-se ao sonho. Nessas noites sem fundo é que dormes e exilas Milhão de aves de ouro, o futuro vigor? Mas chega, chorei demais. Auroras não têm graça, Toda lua é atroz e todo sol amargo; O amor me encheu de torpores agridoces; Que minha quilha estoure, que me faça ao mar! (copydesk/fragment by Eugenio Santana – Escritor, jornalista, ensaísta literário)