sexta-feira, 26 de abril de 2013

O VERDADEIRO SENTIDO DO ÓCIO CRIATIVO (*)

Hoje, o emprego exige a diluição das fronteiras entre vida para o trabalho e o tempo domiciliar, criando-se assim indivíduos dedicados exaustivamente à empresa. O comportamento workaholic é cada vez mais aceito e considerado normal. As pessoas entregam suas vidas às empresas e muitas vezes viram dependentes do trabalho, por ter perdido outros sentidos para a vida. O tempo livre, industrializado e programado, cria indivíduos apáticos e despolitizados, que acreditam neste tempo como um “presente”, uma recompensa e criam a consciência da necessidade de trabalhar mais para usufruir de tais momentos. “Na Atenas de Péricles havia quase mais feriado que dias úteis”, afirma o sociólogo italiano Domenico de Masi em sua obra “O futuro do trabalho”. Nela, de Masi explica detalhadamente todas as celebrações, cultos e concursos líricos e musicais daquela civilização grega antiga. Mas completa: “Tratava-se de uma reflexão alegre e coral, de cujo húmus se originou uma das maiores civilizações dos últimos tempos. Tratava-se do ócio elevado à condição de arte”. No seu estudo sobre o Ócio Criativo, de Masi diz que a sociedade pós-industrial precisa buscar três elementos para alcançar tal condição: comércio, estudo e raciocínio lógico. Assim, “segundo ele, para a atividade criativa, estudo, trabalho e tempo livre precisam se confundir.”... o homem, tendo transferido às máquinas o trabalho cansativo, enfadonho, nocivo e banal, poderá se dar ao luxo de atividades criativas em que estudo, trabalho e tempo livre finalmente conviverão”. O que ocorre hoje, no entanto, é que os trabalhadores, em raros momentos de descanso, o desfrutam carregado de culpa, quando, até por essa culpa, não levam trabalho para a casa nos finais de semana e períodos que não estão na empresa ou no escritório. As férias e períodos de feriado para os trabalhadores da sociedade pós-moderna, segundo de Masi, representam uma “improdutividade ocupacional” ao qual os trabalhadores são forçados. (*) EUGENIO SANTANA é Jornalista MTb 1319, escritor, consultor, ensaísta, copidesque, publicitário, relações públicas. Autor de cinco livros publicados. É membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas. Sócio da UBE-GO/SC; Professor de Português e Literatura, anos 80, ”Colégio Santa Rosa”, Jaraguá, GO. Ator de teatro, anos 80, Anápolis, GO. Integrante, anos 90, do “Grupo Zaragata”, de teatro e literatura, Joinville, SC. Autodidata. Self-made man. Superintendente de Jornalismo, Rio de Janeiro (2009/2011)