segunda-feira, 22 de abril de 2013

CRUELDADE (*)

CRUELDADE – Qual crime é mais grave: desviar fortunas do tesouro público, impedindo o tratamento de doentes, a educação de crianças, a criação de empregos – ou o estupro? Essa questão não é fácil. Porque o caráter mau de um ato não está só nos danos que causa, mas no modo como o criminoso enuncia sua humanidade. Um corrupto ou um sonegador podem ser pessoalmente carinhosos e até caridosos. Não os defendo, mas não há experiência pior que a ausência total de compaixão. Compaixão quer dizer "sentir com”: sentir com o outro a dor ou o sofrimento (paixão, pathos) pelo qual ele passa. A maior contribuição de Jean-Jacques Rousseau à Filosofia foi pôr a compaixão, ou piedade, no centro da condição humana. Dizia ele que o homem sente uma “repugnância inata ao ver sofrer o seu próximo”. Espontaneamente, sofremos com alguém que padece. É o laço mais fundo que temos com os outros. O que tem isso a ver com os dois tipos de crimes de que falei: o que é terrível por seus efeitos, o que é horrível por seu modo de ser? A piedade faz que não suportemos infligir dor ao outro. Mas, para isso, precisamos ver o outro, estar em contato com ele. (*) EUGENIO SANTANA é Jornalista MTb 1319, escritor, consultor, ensaísta, copidesque, publicitário, relações públicas. Autor de cinco livros publicados. É membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas. Sócio da UBE-GO/SC; Professor de Português e Literatura, anos 80, ”Colégio Santa Rosa”, Jaraguá, GO. Ator de teatro, anos 80, Anápolis, GO. Integrante, anos 90, do “Grupo Zaragata”, de teatro e literatura, Joinville, SC. Autodidata. Self-made man. Superintendente de Jornalismo, Rio de Janeiro (2009/2011)