segunda-feira, 4 de março de 2013

NÃO HÁ RECEITA PARA SER FELIZ (*)

Se eu quero todas as cores, todas as marcas, todos os carros, todas as mulheres ricas ou mulheres gostosas, preparo a minha frustração. Está decretada a dificuldade de ser feliz. Não vou dar, pois não tenho, receita de ser feliz. Não vou querer, pois não consigo, dar lição de coisa alguma. Decido escrever sobre esse tema tão gasto, tão vago, quase sem nexo porque leio sobre felicidade. Recebo livros sobre felicidade. Vejo que, longe de ser objeto de certa ironia e atribuída somente a livros de autoajuda (hoje em dia o melhor meio de querer insultar um escritor é dizer que ele escreve autoajuda), ela serve para análises filosóficas, psicanalíticas. Parece que existe até um movimento idiota para que a felicidade seja um direito do ser humano, oficializado, como casa, comida, dignidade, educação. Mas ela é um estado de espírito. Não depende de atributos físicos. Nem de inteligência: acho até que, quanto mais inteligente se é, mais possibilidade de ser infeliz, porque se analisa o mundo, a vida, tudo, e o resultado tende a não ser cor-de-rosa. Posso estar saudabilíssimo, e infeliz. Posso ter montanhas de dinheiro, mas viver ansioso, solitário. Talvez felicidade seja uma harmonia com nós mesmos, com os outros, com o mundo. Portanto, cada um é infeliz à sua maneira. Acho que felicidade também é uma predisposição genética: vemos bebês e criancinhas mal-humorados ou luminosos. Parte dela se constrói com projetos e afetos. O que se precisa para ser feliz?, me perguntam meus colegas jornalistas. Melhor seria: O que é preciso para não ser infeliz? Pois a infelicidade é mais fácil de avaliar, ela dói. Uma boa rima para felicidade pode ser simplicidade. Ainda tenho projetos, sempre tive bons afetos. O que mais devo querer? A pele imaculada, o corpo perfeito, a carteira recheada, a bolsa ou a vida? Acho que, pensando bem, com altos e baixos, dores e amores, e luzes e sombras, eu ainda prefiro a vida. (*) Copydesk/Fragment by Eugenio Santana, Jornalista, Relações públicas, Consultor, Publicitário, Escritor e Crítico literário