segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

INVENTÁRIO DE CICATRIZES II (*)

As Flores foram podadas – algumas murcharam; O jardim suspenso de Adília “das flores” – desfigurado. O seu jardim-pomar – irreconhecível Será que tudo é dinâmico e mutante? Miosótis imortal de minha vida... As Rosas, a madressilva, a flor-de-maio, A “nossa” Flor-Estrela, o meu cactus no alpendre; A dama da noite, as frutas do pomar – sobreviverá Mamãe? E as lindas samambaias suspensas no alto – choram por ti! Coração-partido circulo pela casa com o rosto desfigurado E a alma imolada. Simurgh – apesar da clausura – chora as lágrimas Que só os cães possuem... Marinez – minha irmã-ébano branco lírio – está inconformada E se fechou na Dor e no Silêncio; E não raro, as lágrimas desfilam pelo rosto de nossa negrinhamada E ela recebe as mensagens dos Anjos de Luz que cuidam de ti... Quero, Mamãe, num breve amanhã vê-la Cuidando do teu jardim, regando tuas plantas, Vivenciando seu passeio dominical à sua chácara de Joanápolis... Fortalecendo seu espírito nas Missas da Igreja São Sebastião E acarinhando suas netas menores – Camila e Gabriela... E, principalmente, aconchegando em seus braços e macio colo O novo infante carioca Arthur Emmanuel... Especulam, Mamãe, que é imortal o espírito Mas sem a tua presença aqui no plano físico Minha vida perderá sentido e vitalidade... Sinfonia do Adeus? Não. Há Deus para curar-te! Sei que chegará aos três dígitos Para a nossa alegria e contentamento. Uma lancinante Dor na Alma? Ou um inútil Inventário de Cicatrizes? (*) Eugenio Santana, FRC – escritor, jornalista, publicitário, ensaísta e poeta Anápolis, Goiás, 14 de abril de 2010 – 9h49 IMPORTANTE: aos 2 de maio de 2011 minha mãe faleceu, descansou,passou pela Transição. Cumpriu sua Missão no planeta-escola e desde então minha vida se fragmentou; não sou o mesmo e luto até hoje para superar o LUTO. Todas as tentativas, inúteis. Creio que será interminável...

Nenhum comentário: