terça-feira, 8 de janeiro de 2013

A IDADE DO LOBO (*)

A IDADE DO LOBO – Restam algumas fotografias dispersas, espalhadas na desordem das gavetas do armário: arquivos do tempo nas asas da memória... Encontrei – ao acaso – um velho álbum carcomido pelas traças ao longo desses anos. Nostalgicamente, retornei ao passado ao deter o olhar nos antigos fotogramas: revejo teu rosto jovem e lindo, em destaque o largo sorriso – antes tão familiar e os olhos de topázio a me indagar: o porquê da ruptura e o que faço de minha vida – hoje, agora, aqui. Silenciosamente, fecho o álbum e a porta e desligo a luz do abajur da sala e reflito a despeito do que é previsível e possível atenuar os conflitos da Idade-do-Lobo... Guardo o álbum. Melhor dizendo: escondo. Com uma leve sensação de alívio descarto qualquer ameaça de crise existencial ou neuroforia... Mas sinto uma irresistível motivação de falar ao telefone com Alexandra – em Paris – e rasgar o verbo expondo-lhe os projetos de minha vida e – fundamentalmente – sugerir que fique com o nosso velho álbum de fotografias... Amanhã – prometo – envio via sedex. Na Idade-do-Lobo não temos mais pressa para resolver as coisas do coração partido.
(*) FONTE: do livro “Crepúsculo e Aurora”, de Eugenio Santana)