segunda-feira, 24 de setembro de 2012

CICLO DE SOFRIMENTO, RENASCIMENTO E SUPERAÇÃO (*)

Algumas de nossas histórias mais conhecidas, da Antiguidade aos dias de hoje, ilustram a transformação pessoal que pode ocorrer quando alguém completa um ciclo de sofrimento, renascimento e crescimento. Esse processo está profundamente enraizado em nossa história e seu conhecimento pode nos ancorar quando vivenciamos a turbulência dos nossos próprios ciclos de dor. A história de Jó, no Velho Testamento é um exemplo interessante. De acordo com a Bíblia, ele era o homem mais poderoso de todo Oriente. Possuía milhares de camelos, bois, ovelhas, burros e escravos. Tinha sete filhos e três filhas. Apesar disso tudo, seu inferno pessoal durou muitos e muitos dias. Foi, de fato, uma experiência profundamente pessoal. Antes mesmo que um portador de más notícias partisse, outro chegava: seus burros e bois haviam sido roubados, e os homens que cuidavam deles, mortos; as ovelhas e os pastores morreram, vitimados por raios em uma tempestade; um bando de malfeitores roubou seus camelos. Por fim, chegou a pior notícia de todas: durante um banquete, o teto da casa desabou, matando seus filhos, noras e filhas. Ele perdeu a família e todos os seus bens materiais. E qual foi a reação de Jó? Caiu de joelhos e disse: “O Senhor deu, o Senhor tirou, abençoado seja o nome do Senhor!”. A história conta que Jó recebe de volta todos os seus bens em dobro e que viveu mais cem anos. Em outras palavras, quando ele deixa de reagir defensivamente diante das perdas e aceita a responsabilidade pelo presente, então é transformado. Fica em paz e mais uma vez sua vida se enche de prosperidade. Toda a história de Jó gira em torno de suas dolorosas reações emocionais. Quarenta e um capítulos descrevem sua dor, e o último refere-se à sua aceitação de uma nova realidade, a uma profunda iluminação, a uma descoberta: “Falei de coisas que não entendia, maravilhosas demais para a minha compreensão”. Quando Jó fez alusão às coisas que não entendia, tenho certeza de que se referia ao fato de ter descoberto que todas as mudanças e perdas fazem parte de ciclos: sofrimento, renascimento e crescimento. (*) Eugenio Santana é escritor e jornalista. Autor dos livros publicados: “Asas da Utopia”; “Guiado pelos Pássaros”; “Florestrela”; “Crepúsculo e Aurora” e “InfinitoEfêmero”.

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