sábado, 3 de março de 2012

ANDARILHO DAS ESTRELAS (*)




ANDARILHO DAS ESTRELAS

- Eugenio Santana, FRC

Trilhas, trilho.
A face, humilho
no espelho do Sol.

Estilhaços narcísicos
atirados ao vento.
Eros? Já era! – resta ágape, amor.

O milho verde viceja – também a flor
na paisagem esmaecida da infância.
Fazendas esvoaçantes
Na memórialada do mineiro-menino.

Vôo oculto em nebulosasa
de onírico sono.
Sonâmbulo e frio;
agnóstico e sombrio.
Brilho-brio do Andarilho
no limite do cenário estelar
tão distante... Impensável.

Impassível Anjo-Guardião:
Ensina-me a sina e ascende à Senda
Mística – Iluminação...
Ação do cortante aço
o cansaço permite a busca
de uma “fada?” – ou Vênus-Afrodite?
Que nem mesmo existiram...

Cometas com metas misteriosas.
Planos de vôo
que nunca saíram do papel...

Aroma agradável de incenso – rosa-musgosa.
Nostálgico – o Lobo faminto, quieto, espera
o degelo inóspito do platô
uivando ao encanto lunar;
agarrado aos musgos do tempo.

Em cada mão carrego
fragmentos de Luz e Utopia.
Uma Flor,
uma Estrela – Florestrela...

Albatroz, pelicano, águiazul, falcão-vermelho;
con(dor) de inacessíveis alturas.
Há terra, água, fogo, ar – amar, ah mar.
Há Deus – adeus!
Ícaro hodierno, poeta-pássaro
– Andarilho das estrelas!

(*) extraído do meu livro “FLORESTRELA”
Hórus/9 Editora, Goiânia,GO, 2002.