terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

SABEDORIA METAFÓRICA




Agora sei quem sou. Sou pouco, mas sei muito, porque sei o poder imenso que morava comigo, mas adormecido como o peixe Celacanto no fundo azul e silencioso do oceano e que hoje é como uma árvore plantada bem alta no meio da minha vida.
Agora sei as coisas como são. Sei porque a água escorre serena e porque acalanto é o seu ruído na noite de flor e estrela que se deita no chão da casa nova. Agora sei as coisas poderosas que valem dentro de um homem de chegadas e partidas.
Aprendi contigo, amada. Aprendi com tua beleza, com a maciez de tuas mãos, teus dedos alongados de pétalas de prata, a ternura oceânica do teu olhar, verde de todas as cores e sem nenhum horizonte; com a tua pele fresca e enluarada, a tua infância permanece, sua sabedoria metafórica brilhando distraída no teu rosto-luz.
Grandes coisas simples aprendi contigo, com o teu parentesco com os mitos Greco-romanos, com os girassóis dourados na asa do vento, com as chuvas rápidas de verão e com as linhas fissuradas da minha mão esquerda. Contigo aprendi que o Amor divide mas sobretudo acrescenta, e a cada instante mais aprendo – eterno neófito do planeta-escola – com a tua maneira de andar pela metrópole como se caminhasses de mãos dadas com as fadas, com o teu sabor de erva molhada, com a luz dos teus dentes, tuas delicadezas secretas, a alegria do teu amor maravilhado, e com a tua voz aveludada que sai de teus lábios inesperados como um arco-íris partindo ao meio e unindo os extremos da vida ávida, e mostrando a verdade como laranja partida. Fruta aberta diante dos meus olhos atônitos.

(Copydesk/Fragment By Eugenio Santana, Escritor e Jornalista. Sócio efetivo da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores e Membro efetivo da ALNM – Academia de Letras do Noroeste de Minas, cadeira 2)