domingo, 5 de fevereiro de 2012

MONÓLOGO DE ÍCARO




Com que então pertenço aos céus?
Não fosse assim, por que é que os céus
Me chamando, e à minha mente, mais alto.
Sempre mais alto, sempre mais acima,
Me chamando sempre para o máximo,
Para alturas que homem algum imagina?
Algo me chama lá em cima, para cima,
Cada vez mais perto da faísca do sol.
Por que me imploram, me aprovam, me invocam
Que eu ame o que existe lá embaixo
Se vissem o que, daqui de cima, vejo –
Embora o fim nunca pudesse ser o amor,
E, se fosse, poderia eu algum dia
Pertencer aos céus?
Será que o azul do céu não passa de um sonho?
Seria esse azul uma invenção da terra, amada minha,
Apenas para punir um momento de puro desvario
De uma Asa de cera frágil-efêmera?

(Copydesk/Fragment By Eugenio Santana – escritor , jornalista, poeta)