terça-feira, 7 de junho de 2011

VOZES DO TEMPO (*)




Não hei de subjugar-me
a beijar os perenes pés alados
do amor.

Ah, sim: o amor nutriu-me
com polpa de diamantes azuis.

E tantas luzes conspiraram
para o acesso
aos inúmeros muros
de um jardim cósmico
onde eu levava aos lábios os pêssegos
do impensável.

De tanto brilho
restou-me
uma réstia de velacesa
na poética
e assim encaro as noites
longas e misteriosas
e assim adorno as árias
da vida ávida
vivida com o coração-partido.

Ah, sim: é o pretérito que evoco
como em secreto jardim
e transborda entre flores de névoa
e de remorsos.

E as vozes do tempo a me vestir máscaras
para eu mirar-me no espelho
e enxergar como reflexo
o coração aberto
e as mãos, inapelavelmente
fechadas.

(*) por Eugenio Santana, escritor, jornalista. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira 2; sócio da UBE-GO/SC – União Brasileira de Escritores, seção Goiânia e Florianópolis, respectivamente. Autor de livros publicados. Acadêmico Benemérito “Ad Honorem” – Centro Cultural, Literário e Artístico de Felgueiras, Portugal.