quinta-feira, 23 de junho de 2011

GUARDIÃO DA PALAVRA




Senhor do Alfa-Ômega
Guardião da Palavra
onde inscrever a abstração do símbolo?

Onde o vocábulo não traçado
idéia comunicada
forma e sentido?

A esfera murmura o ciclo imutável.
Há um enlear de susto no espaço
que se curva...

Como conter nos signos inventados
o imponderável
da linguagem futura?

Palavra-pensamento
separados
-- asa levantada
instintos de raiz.
O pensamento pensa.
A palavra não diz.
Vem.
Sem mágica ou encantamento.
Nenhum filtro.
Os poros abertos ao entendimento
e o passo curtíssimo
da vida
no infinito.
Amor – o Anjo.
A porta alonga para mais fundo
dentro do mundo
e tu
aqui!

Vem.
Aquele fruto impoluto
ao toque dos dedos desajeitados
vacila, espera, enrubesce e cai.
Nasceste redimido
ou não terias nascido
-- para quê?
Em teu berço gerado, ao teu lado
o uni/verso.
O impulso que te inventa
movimenta o círculo fechado.
Não existiu antes
nem existirá depois
de ti.

Vem.
Imaginemos a luz o nosso rumo alado.
Verás inexistência
onde crias.
Total a inteligência
quando pensa
faz.

Onde o caos?

Tudo é sereno e pleno.
Mesmo o nada importa um traço
lançado antes de ser.

Ao astro a iridescência.
À célula viver.

(Copidesque/fragmento/releitura por Eugenio Santana, FRC.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário