quinta-feira, 7 de abril de 2011

DUALIDADE DO SER: UNS SEGUEM A LUZ DO AMOR; OUTROS, AS TREVAS DO DESAFETO




FORAM-SE OS AMORES QUE TIVE ou me tiveram. Partiram num cortejo iluminado. A solidão me ensina a não acreditar na morte, nem demais na vida: cultivo o jardim dos dias felizes - Avoé, Vander Lee e sua canção "meu jardim" - onde estamos eu, os sonhos idos, os velhos amores e os seus recados e/ou sinais, e os olhos deles que ainda brilham como pedrinhas de cor entre as raízes.

O AMOR BUSCA UMA FUSÃO IMPOSSÍVEL, pois é o embate de duas solidões: dois senhores, dois reis, cada um eventualmente disposto a fazer-se escravo, mas não podendo abdicar de sua condição sob pena de se tornar invisível, portanto impossível de ser visto e amado.
O repetido drama do ruído entre o que se diz e o que é ouvido, o que se faz e o que é sentido, se desenrola em cada ato de cada cenário de cada Amor.
Mesmo assim, é o Amor que torna a Vida possível.
O mesmo Sol que pode queimar as retinas, ilumina e aquece - e permite que o mundo seja respirável e habitável.

A VIDA CHEGOU A UM PATAMAR de onde pensamos enxergar tudo o que há para se ver: superamos dores, cumprimos tarefas, tivemos alegria, realizamos coisas impensáveis na juventude.
Talvez a gente nem precise mais entrar em guerra alguma.
Mas o sono da serenidade é equivocado, a sensação de ter enfim chegado é precária e provisória, o chão estremece debaixo de nossos pés-alados de Hermes e nos damos conta de que ainda estamos embarcados.
Há muito Oceano a singrar, muita crista de onda, muita paisagem pela frente com ou sem Albatroz - a gigantesca Ave-Guia dos poetas em circunstâncias marítimas.
Morrer antes do tempo é um desperdício imperdoável.

EVENTUALMENTE saímos da nua e crua realidade e queremos realizar a façanha improvável de Amar por dois.
Somos excesso, somos demasia, não somos o mar, somos a maresia, tentando ignorar a distância sobre o mar das impossibilidades a apontar: naufrágio - ou nau-frágil?

ENTRE AMADO E AMADA uma parede espacial, vidro de circunstâncias que a gente inventa e desfaz ao sabor do imponderável.
Entre duas praias quase iguais, o coração alado viaja: eu, farol de Alexandria aceso em cada lado, sou dois sendo um - e assim penso que existo.

UM ANJO DE LUZ VEM TODAS AS NOITES: senta-se ao pé de minha cama e passa sobre meu coração-partido a asa tensa-tênue, como se fosse o meu melhor amigo - e é provável que seja.
Esse Fantasma flutuante e belo que chega e me abraça num amplexo de pura ternura - asas cobrindo a ferida do flanco - é todo o Amor que resta entre ti e mim e está comigo para sempre.

OS IMBECÍS PENSAM QUE A PASSAGEM DO TEMPO é pura perda; que só os jovens e os belos têm direito de Amar plenamente.
O equívoco é não entender que a juventude, bela e gloriosa, é também período de grandes aflições, que muitas vezes nos impõe o amor superficial e apressado, olhando mais para os lados (os outros como estão me vendo?) ou para o espelho (como estarei?) e não para a pessoa amada.
O tempo depura, não destrói.
O tempo é mestre, não carrasco.
A não ser que a gente só saiba olhar para o outro buscando nosso próprio reflexo: aí, sim, o amor não vale a pena de ser buscado.
Pois seremos apenas embrulho de pele recobrindo carne, e ossos, e vazio.

ENTÃO ALGO MUDOU: o tom da voz, o olhar que se esquiva a mão que se afasta.
A porta precisa ser fechada, a ponte pencil levantada, incendiados os navios. Levaremos meses, anos estendendo as mãos de luz para um vazio abissal, interrogando uma AUSÊNCIA.
Encarar a realidade é um modo de morrer. Mas sem isso, não haverá renascimento.

A LIBERDADE DO OUTRO teria de ser mais importante do que a nossa, por ser mais difícil. A medida certa para amar sem podar, e ser amado sem se diminuir. Amar sem resignação: arte complexa. Contraditórios somos, e vamos morrer procurando as RESPOSTAS, cada dia um aprendizado de solidão e interrogação no planetazul.

SEMPRE CULTIVEI A INTEGRIDADE, A ÉTICA, A SOLIDARIEDADE, A GRATIDÃO, A ALTIVEZ, A HONRADEZ E A EMPATIA. Ser eu mesmo, ser autêntico. Sei, contudo, que este meu rosto desfigurado - pelas Dores do Mundo e a inversão de valores - não é o definitivo, nem é minha esta voz de locutor de FM - sem sotaque - ou esta vida ávida de incontornáveis contrastes sociais neste incorrigível e corruptível continente tupiniquim de macunaímas e arrivistas de carteirinha.
Por trás da cortina que visualizam, desenrola-se meu verdadeiro caminho - quem sabe um dia, o "Caminho do meio?" - . Mas dele eu sei tão pouco quanto qualquer um de vós, diletos leitores meus.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Jornalista, Escritor, Poeta, Redator publicitário, Relações públicas, Assessor de Imprensa, Copidesque, Revisor de textos, Ensaísta literário e Editor. Autor de livros publicados. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, onde ocupa a cadeira número 2.)

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