quinta-feira, 14 de abril de 2011

DANCE COM O CORPO DE TUA ALMA


PEREGRINAR, afinal, é isso: ir a lugares próximos ou distantes em busca de recados, sinais, descobertas e "insights" que possam ampliar os limites da nossa consciência cósmica ou visão de mundo, da vida, de universos paralelos, de nós mesmos.

No mundo sobrevivem os mais fortes. Essa realidade adquire interpretação especial no deserto: sobevivem os que têm maior poder de adaptação. Adaptabilidade é sinônimo de inteligência.

Concernente à alma, ela fica aqui, próxima dos entes amados, e continua a agir e influir na vida das pessoas e da coletividade. Ela precisa, por isso, ser alimentada, cultuada e relembrada, para que o vínculo não caia no esquecimento. A alma dos mortos alimenta-se da memória dos vivos. A brevidade do tempo existencial e a eternidade do tempo espiritual.

O vento não sabe de onde vem e nem para onde vai. Ele é solto e livre e se compraz no movimento. Dança com o vento. Tu és feita para dançar no ar, como baila nos teus sonhos.

Irás dançar com o corpo de tuas emoções, do teu sentir e do teu pensar. Irás dançar com o corpo de tua alma. Basta deixar fluir, fluir, fluir...
A visão se desfez. Abri os olhos. O vento cessara e a noite caíra sobre o Vale da Lua. Tudo estava em paz quando desci a encosta em direção aos companheiros de viagem que esperavam lá embaixo. A mensagem chegara e por ela eu refaria cem vezes a viagem ao deserto.

(EUGENIO SANTANA, FRC - é escritor e jornalista. Membro efetivo da ALNM - Academia de Letras do Noroeste de Minas Gerais, cadeira número 2. Exerce, atualmente, o cargo de Jornalista/Revisor do jornal "DIÁRIO DA MANHÃ".)

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