segunda-feira, 4 de abril de 2011

BUSCO O VERBO OU A PALAVRA DE LUZ?




Busco a palavra fóssil.
Não é a palavra fácil
que busco.
A palavra antes da palavra.
Procuro a palavra Verbo.
Esta que me antecede
e se antecipa na Aurora
e silencia no Crepúsculo
e na origem do ser humano.

Busco desenhos
dentro da palavra.
Sonoros desenhos, tácteis,
aromas, desencantos e sombras.
Esquecidos traços. Laços.
Escritos, encantos luminosos reescritos.
Na área dos atritos.
Dos detritos.
Em ritos - ou mitos - ardidos da carne
e ritmos esvoaçantes do Verbo.
Em labirintos metafísicos sem saída.

Sinais, vendavais, ciclones, silêncios.
Na palavra acesa ocultam restos, rastros de animais,
minerais, vegetais da insensatez - ou estupidez.
Distâncias, lembranças, circunstâcias, lágrimas,
exílio.

Palavras são seda, aço.
Cinza onde escrevo e me refaço do cansaço.
Transpiro.
Inspiro.
Racionalizo.

Mas o que se revela antigo, arcaico, comovente,
perene e para sempre vivo,
vem da lapidação do coração.

(copy-desk by EUGENIO SANTANA, FRC - Escritor, Poeta, Jornalista, Publicitário, Relações públicas, Editor, Assessor de Comunicação, Copidesque e Ensaísta literário.)

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