segunda-feira, 14 de março de 2011

(UNI)VERSO DE SABEDORIA OU VERBO-DE-LUZ




ALÉM DE LITERATURA EM VERSOS, POESIA é também uma forma de música e de contemplação. Através dela, as palavras expandem nossa consciência e nos reconcliam com a vida como ela é, com todos os seus contrastes de paz e conflito, de prazer e dor. Ler o tipo adequado de poesia é, para muitos, uma experiência espiritual e uma técnica eficaz da meditação.

Desde o início da humanidade, a literatura oral utilizou os versos e as lendas para transmitir de geração em geração o conhecimento espiritual acumulado. Os versos ritmados facilitavam a memorização do ensinamento. Assim eram abordados a vida, a morte, o amor, a guerra, o absoluto e o uni-verso. Ainda hoje os poetas mergulham na fonte de beleza ilimitada e eterna que está acima da nossa mente consciente. Dali eles trazem para o mundo visível ritmos, estruturas, mantras, sonoridades, capacidades contemplativas, imagens cósmicas, vislumbres sagrados e padrões vibratórios que elevam e enlevam as almas humanas. Há poesias que são grandes tratados sobre a caminhada espiritual. As escrituras das grandes religiões incluem poemas. Entre os sábios que usaram versos estão Jalaludin Rumi, Kabir, São João da Cruz, São Francisco de Assis, Lao-tsé e inúmeros outros, budistas, cristãos, taoístas, islamistas, judeus, hinduístas. Centenas de poetas têm alcançado momentos de grande sabedoria, entre eles William Wordswort, Alfred Tennyson, Cristina Rosseti, Walt Whitman, W.B. Yats, Pablo Neruda, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa, Mario Quintana, Olavo Bilac, Cecília Meireles, Thiago de Melo, Eugenio Santana, entre outros.

A CONSCIÊNCIA CÓSMICA de que estamos de passagem no mundo nos ensina que a vida é efêmera e deve ser administrada corretamente. Este fato torna aconselhável vencer o ócio. A lição é simples, quase óbvia, mas difícil. Os sábios usam o seu tempo de vida para compreender a si mesmos e ao cosmo em níveis cada vez mais elevados. Para eles, morrer é uma arte inseparável da vida. Quem morre a cada instante para o passado é capaz de renascer a cada momento. No seu livro "Viagem a Ixtlán", Carlos Castaneda diz que a morte é conselheira do guerreiro espiritual.

O OLHAR DO POETA SE EXPANDE ALÉM DA FORMA HUMANA de viver. Ele se unifica com a Natureza e com tudo aquilo que está além dos limites conhecidos. A Árvore é sua irmã. Os Milênios são breves instantes. Envelhecer é encontrar a paz.

OS BONS POETAS TÊM SAUDADE DO QUE É ETERNO. Sentem-se mais ou menos exilados neste tipo ínfimo de espaço-tempo em que vive o mortal comum, com seus dias de semana, sua pressa, seu tempo contado em minutos. O POETA prefere os grandes temas da FILOSOFIA esotérica. Ela ensina que existe o "DEVACHAN", um "local divino" entre uma existência terrestre e outra. O devachan é um longo sonho de milênios. Nele, nossa alma imortal recorda e vivencia, durante uma pequena eternidade, o que houve de melhor e de mais espiritual em nossa vida passada.

O DEVACHAN CORRESPONDE aos "campos elísios" da tradição greco-romana, à "terra pura" do budismo japonês e à "terra sem males" dos índios tupi. Helena Blavatsky disse que o devachan tem certa similitude - embora pouca - até mesmo com o céu da tradição cristã.

O POETA, como o místico, necessita de SOSSEGO. Ninguém desenvolve uma visão profunda da vida se não viver de modo calmo e pacífico. Só quem se afasta da praia agitada da mente superficial pode, de fato, navegar no oceano da sabedoria eterna.

(por EUGENIO SANTANA, FRC - Ensaísta literário, Contista, Cronista, Jornalista profissional e Poeta. Livros publicados. Sócio efetivo da UBE - União Brasileira de escritores - GO/SC. Pertence a mais de 40 instituições lítero-culturais do Brasil e Portugal.)

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