sábado, 12 de março de 2011

A NOITE NEGRA DA ALMA




Numa noite negra,
queimando com os urgentes desejos do amor,
- ah, diáfana dádiva -
Saí quando ninguém me observava,
minha casa aquietada agora estava.

Na escuridão e em segurança,
pela escada secreta, dissimulada,
- ah, translúcida graça! -
na escuridão que me ocultava,
minha casa aquietada agora estava.

Naquela noite jubilosa,
em segredo, pois ninguém me viu,
nem eu olhei para coisa alguma,
e sem qualquer outra luz ou guia
senão aquela que em meu coração ardia.

Esta me guiava
com mais segurança que a luz do meio-dia
para o lugar onde ele me aguardava
- ele que eu também
conhecia -
lá, num lugar onde ninguém
aparecia.

Ó noite guia!
Ó noite, mais que a aurora,
adorada!
Ó noite que uniu o Amado à
sua amante,
transformando-a em sua
Amada.

Sobre meu peito em flor,
que guardei para ela
somente,
ela repousou dormindo,
enquanto eu a acariciava,
lá, na brisa que dos ipês
soprava.

Quando a brisa soprou da torre,
enquanto eu repartia seus cabelos,
ela feriu-me o pescoço
com suas mãos delicadas,
todas as minhas sensações foram abafadas.

Abandonei-me e esqueci de mim,
repousando minha face em minha Amada;
todas as coisas cessaram: saí de mim,
deixando os meus martírios
esquecidos entre os lírios.

INTERPRETAÇÃO: Devemos notar que a Alma encontra-se numa "Noite Negra", uma Noite que no misticismo é conhecida como a Noite Negra da Alma. Um período de aridez, solidão e desolação. A Alma fica imersa no Caos, simbolizado como uma grande escuridão. Todos os místicos passam por esse período de desolação, antes que a AURORA DA ILUMINAÇÃO possa acontecer. Este é um período de testes intensos, em que os místicos sentem que passam por uma morte simbólica ou crucificação.

(Copy-desk by Eugenio Santana, FRC - Escritor, místico Rosacruz, Jornalista, Publicitário, Ensaísta literário e Editor; Self-mad man e Verse maker.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário