quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

ÍDOLOS e falsos deuses




Eis o automóvel, ídolo esbelto e lépido que atrai a criança, o jovem e o adulto para o seu conforto, mas talvez com infortúnios que tem trazido a muitos.
Símbolo de “status”, de riqueza, da independência de locomoção para qualquer lugar, desperta em muitas mentes a pretensão de domínio de um homem sobre outros. Conduzir um automóvel proporciona o falso sentido de amplidão de liberdade, estimulando até atos agressivos para com nossos semelhantes, e por incrível que pareça, alguns psicólogos recomendam que pessoas tímidas ou recalcadas em seu interior, dirijam veículos, para aumentar sua expressão de autoconfiança.
Vivenciamos na TV, muito do que gostaríamos de expressar, mesmo que os heróis adotem condutas não convencionais. Transportamo-nos mentalmente para as cenas e imaginamo-nos realizando tanta coisa que não fazemos normalmente.
A TV constitui-se num ídolo dominador e manipulador. As últimas estatísticas revelam que, na média, os aparelhos de TV permanecem ligados por mais de 8 horas diárias e assim se pode avaliar quanto tempo estamos ligados ao vídeo e que talvez pudesse ser dirigido para propósitos mais construtivos.
O jogo exerce muita influência na mente humana. Ganhar no jogo é usufruir daquilo que outros perderam, portanto, exige do vencedor uma reposição compensatória. A expectativa da vitória torna-se obsessão e o jogador tem sua mente voltada para o resultado imediato. Estudiosos da psique afirmam que o jogo constitui-se no pior dos falsos ídolos, pois é dele que se originam os demais vícios.
Outro ídolo para o qual transferimos pensamentos é aquele muito ligado à nossa vaidade – o consumismo desenfreado, motivado pela publicidade intensa. Somos levados a comprar mais, ter mais coisas, mesmo que sua efetiva necessidade seja pequena. É um dos ídolos do nosso tempo que usa de seus tentáculos sobre o ego, que deseja e gosta de ser exaltado. Há, não resta dúvida, um grande “quê” de exibicionismo do ser humano em mostrar o que tem.
O relógio é o senhor que controla o tempo das reuniões entre amigos, limita momentos de confraternização e até estabelece o horário para os aspectos jubilosos da vida. O deus-relógio aperta nosso pulso e dirige cada passo que damos – muito tempo, pouco tempo, hora para isso, hora para aquilo. Poderá ensinar-nos a cumprir os deveres pessoais, sem, contudo, nos escravizarmos aos ponteirinhos maquiavélicos.
Existem ainda muitos deuses que dominam as mentes de muitos seres humanos: as drogas, o cigarro, o álcool, as idéias fixas, os pré-conceitos, os tabus, as crendices.
Ouso dizer que as pessoas têm o direito de viver bem e ser felizes. Ter uma vida harmoniosa, equilibrada, trabalhar em coisas construtivas para o bem da humanidade. Procurar organizar-se em sociedade cooperativa e constituir família integrada nos mesmos propósitos da comunidade. Cada um deve ter as oportunidades de expressar-se ampla e completamente. Trabalhar, amar, divertir-se e consagrar sua vida a objetivos elevados e dignos em consonância com a finalidade cósmica do Universo. Buscar verdades supremas que nos libertarão dos ídolos e falsos deuses, que a mente humana tem gerado com tanta avidez. Constantemente devemos questionar-nos sobre a melhor forma de ser feliz no contexto complexo da vida moderna.

(por EUGENIO SANTANA - escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir VERBO DE LUZ que possa acrescentar algo na vida dos meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

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