domingo, 9 de janeiro de 2011

PRECISAMOS VER NO REFLEXO DOS OLHOS DOS OUTROS A NOSSA PRÓPRIA BONDADE E BELEZA


A mais importante de todas as percepções está na maneira de ver a si mesmo. Nossa vida é moldada pela forma com que nos vemos. Vivemos e morremos de acordo com nossa autopercepção. Toda pessoa nasce com um valor único e incondicional.
Quando ser digno de amor se torna uma questão de aprovação em testes e satisfação de condições, começamos a experienciar mais fracassos que êxitos. Na experiência de repetidos fracassos há conflito, medo, frustração, sofrimento e, em última análise, uma forma qualquer de aversão por si mesmo. E, assim, passamos o resto da vida tentando evitar esse sofrimento com algum tipo de encenação. Procuramos assumir uma aparência que agrade aos outros e consiga uma aceitação amorosa. Desistimos de ser nós mesmos e tentamos ser outra pessoa, alguém que mereça reconhecimento e amor.
Precisamos desesperadamente ver no reflexo dos olhos dos outros a nossa própria bondade e beleza, para chegar realmente a ser livres. Até esse momento, ficamos trancados na prisão de nossa torre pessoal. E, se o impulso do amor exige que saiamos de nós e nos preocupemos com a felicidade e a realização dos outros, não amaremos muito enquanto não tivermos essa visão.
Há muitas coisas dentro de todos nós que gostaríamos de compartilhar. Todos temos um passado secreto, nossos vexames escondidos e ilusões perdidas nossas esperanças disfarçadas. Ninguém jamais fez exatamente as coisas que eu fiz, ninguém pensou meus pensamentos ou sonhou meus sonhos.
A maioria de nós vivenciou e fez coisas, conviveu com sensações e sentimentos que achamos que jamais teremos coragem de contar a alguém. Para o outro, eu poderia parecer imbecil ou até mesmo perverso, cruel, ridículo ou vaidoso. Toda a minha vida pareceria uma farsa abominável.
Metade do que somos é determinado por nossas recordações. As coisas que acontecem hoje em nossa família são as recordações de amanhã. Assim, o investimento de bondade, incentivo ou simpatia que fazemos em outra pessoa é para a vida toda.
Todos temos o mesmo problema, mas temos sintomas diferentes. Sejam quais forem os sintomas, portanto, o verdadeiro problema é sempre o mesmo: não entendemos, não aceitamos e não amamos a nós mesmos. Devemos simplesmente aceitar as pessoas, como quer que sejam. O que devemos dizer às outras pessoas de nossa vida é: “Aceito-o. compreendo-o. Gosto de você”. Se pudermos desenvolver uma aceitação desse tipo uns com os outros, todos cresceremos individualmente em autocompreensão e auto-aceitação.
Pense em seu marido e em sua mulher, em seus filhos, pais e amigos. De certo modo, temos nas mãos o destino daqueles a quem amamos. Se os aceitarmos e amarmos, adquirirão força para aceitar e amar a si mesmos. Somos como um espelho em frente deles, dizendo: “Olhe! Você é lindo. Está tudo certo com você. Claro, você tem problemas, não estou negando isso. O que estou tentando dizer é que está tudo bem com você. Aceito-o, como quer que seja. Gosto de você”.
(por Eugenio Santana – Escritor, Jornalista, Poeta, Publicitário; Crítico literário. Obras publicadas. Editor e Copy-Desk.)

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