quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

ESTAMOS SEMPRE PROCURANDO ALGUM SIGNIFICADO PARA ALÉM DO TÉDIO DE SERMOS NÓS MESMOS




A vida é uma luta. E é um combate que não vale a pena ser travado se for apenas pelo nosso próprio bem.
Estamos sempre procurando algum significado ou sentido para além do tédio de sermos nós mesmos. Precisamos de uma razão para além da mera sobrevivência para podermos continuar vivendo. Em Terre des hommes (“Terra dos homens”), Saint-Exupéry conta a história do piloto Henri Guillaumet, cujo avião aterrissou nos Andes. Durante três dias, ele caminhou em linha reta em um frio de congelar. Então, caiu de rosto na neve. A pausa foi inesperada, porém muito bem-vinda. Mas Henri se deu conta de que, se não se levantasse imediatamente, jamais se levantaria. Ele se sentiu atraído por uma morte delicada, indolor, tranqüila. Em sua mente, disse adeus à mulher e aos filhos. Em seu coração, sentiu seu amor por eles ela última vez. Então, um novo pensamento lhe veio à mente: se ninguém encontrasse o corpo, sua mulher teria de esperar quatro anos para receber o seguro de vida.
Ao abrir os olhos percebeu uma rocha que emergia da neve noventa metros à sua frente. Se ele se arrastasse até lá e a escalasse, seu corpo ficaria um pouco mais visível. Talvez alguém o visse mais depressa. Movido pelo amor por sua família, Henri se levantou e começou a caminhar novamente. Levado adiante por esse sentimento, ele não parou mais. E percorreu quase cem quilômetros na neve até chegar a uma aldeia. Mais tarde ele declarou: “O que fiz nenhum animal no planeta teria feito.” Quando a própria sobrevivência não era motivação suficiente, sua consciência a respeito dos outros – seu amor pela família – lhe deu força necessária para prosseguir.
Hoje vivemos em meio a uma tendência mundial centrada no ego, (que é cego) no “desenvolvimento individual”, na “psicologia individual”. Os valores-chave são autonomia, independência, liberdade individual e auto-expressão, os quais já se tornaram tão básicos que até os profissionais de propaganda os usam para nos fazer comprar os mesmíssimos itens que nossos vizinhos já possuem, enquanto nos convencem de que isso nos tornará únicos. “Seja você mesmo”, exclamam os comerciais de roupas e perfumes. “Expresse-se!”, incita o comercial de uma marca de café. “Pense diferente”, proclama um fabricante de computadores. Mesmo o Exército – raramente um modelo de liberdade de pensamento – adotou a mensagem para atrair jovens recrutas: “Seja tudo o que você pode ser”, lê-se no cartaz de recrutamento.
Tais valores encontram-se em ascensão desde as revoluções Americana e Francesa no final do século XVIII. Naturalmente, contribuíram para que muitos aspectos da vida mudassem para melhor. Esses princípios são o núcleo da própria idéia de “liberdade”, tão importante para todos nós, mas, quanto mais caminhamos nessa direção, mais claramente vemos que a liberdade individual tem um preço.
O custo dessa busca sem trégua pela autonomia é o isolamento, o sofrimento e a perda de significado. Nunca tivemos tanta liberdade de nos separarmos de nosso cônjuge ou de sócios que não nos servem mais. O índice de divórcio está chegando aos 50% em nossa sociedade. É ainda mais alto em áreas urbanas, onde há mais oportunidades de encontrar novos parceiros. Nunca antes mudamos tanto de casa. (Nos Estados Unidos, de acordo com algumas estimativas, as famílias mudam em média a cada cinco anos.)
Libertos de elos familiares, deveres, obrigações em relação aos outros, jamais fomos tão livres para buscar nosso próprio caminho. Mas por isso mesmo podemos nos perder e acabar sozinhos. Essa alienação crescente é provavelmente uma das razões por que a depressão vem aumentando sem parar no Ocidente há cinqüenta anos.

(por EUGENIO SANTANA - escritor laureado e autor de livros publicados; jornalista profissional de mídia impressa; poeta, publicitário e editor. Membro efetivo da Academia de Letras do Noroeste de Minas (ALNM), cadeira número dois; sócio efetivo da UBE/SC-GO – União Brasileira de Escritores. Escrevo e publico a partir dos meus 16 anos de idade, com um só propósito: transmitir Palavras de Luz que possam acrescentar algo na vida de meus leitores. Busco a Transcendência através da Literatura em seus variados gêneros. Escrever é minha Missão.)

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